J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavaJ._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavaJ._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavaJ._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavaJ._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ... J._K._Rowling_Harry_Potter e a Pedra_Filosofal_Tradução_de_Isabel_Fraga_Editorial_Presença_Ficha_Técnica : Titulo original : Harry_Potter and the Philosopher's_Stone_Autor : J._K._Rowling_Copyright * _ c * Text_Joanne_Rowling_Tradução * _ c * Editorial_Presença , Lisboa , 1999 Tradução : Isabel_Fraga_Capa : Teresa_Cruz_Pinho_Pré-impressão : Textype - Artes_Gráficas , Lda._Impressão e acabamento : Guide - Artes_Gráficas , Lda. 1.a edição , Lisboa , Outubro , 1999 2.a edição , Lisboa , Novembro , 1999 3.a edição , Lisboa , Dezembro , 1999 Depósito legal : 145.564/99 Reservados todos os direitos para a língua portuguesa , excepto Brasil , Editorial_Presença_Rua_Augusto_Gil , 35._a 1049-043 LISBOA_Quando em aquela cinzenta manhã de terça-feira , o senhor Dursley deparou , a o sair de casa , com uma gata malhada que estudava atentamente um mapa , mal poderia imaginar todos os acontecimentos estranhos e misteriosos que se estavam a preparar . Mas , quando dez anos mais tarde , enigmáticas cartas endereçados a Harry_Potter , o sobrinho desprezado doa Dursleys , começam a chegar em catadupa lá a casa , é como_se um raio atravessasse as suas mentes - o segredo que tão bem tinham guardado durante tanto tempo está prestes a ser revelado . O que poderá acontecer se Harry_Potter descobrir que é um feiticeiro ? Esta é uma história mágica , recheada de fantasia e encantamento , de aventuras misteriosas e de perigos arrepiantes , de criaturas sobrenaturais e de surpresas divertidas , que está a enfeitiçar as crianças ... e também a gente mais adulta , um_pouco por todo_o_mundo . Um * bestseller * com todos os ingredientes de um grande * clássico * , já galardoado com o Gold_Award de 1997 , o British_Book_Award de 1997 , o Smarties_Prize e o Children's_Book of the Year de 1998 . Para a Jessica que adora histórias Para_a_Ana que também as adora e para Di , que ouviu esta primeiro I_O rapaz que sobreviveu O senhor e a senhora Dursley que vivem em o número quatro de Privet_Drive sempre afirmaram , para quem os quisesse ouvir , ser o mais normal que é possível ser se , graças_a Deus . Eram as últimas pessoas que alguém esperaria ver envolvidas em algo estranho ou misterioso porque , pura e simplesmente , não acreditavam em esses disparates . O senhor Dursley era director de uma empresa chamada Grunnings que fabricava brocas . Era um homem atarracado , quase sem pescoço , apesar de o seu farto bigode . A senhora Dursley era magra e loira e tinha um pescoço com o dobro de o tamanho normal que lhe era extremamente útil para espreitar os vizinhos através de as sebes , o que sucedia com grande frequência . Os Dursleys tinham um filho pequeno chamado Dudley que , em a opinião de ambos , era melhor do_que qualquer outro rapazinho a a face de a terra . Os Dursleys tinham tudo_o_que queriam mas , infelizmente , tinham também um segredo e o seu maior pavor era a ideia de que este pudesse alguma vez ser descoberto . Seria insuportável se alguém suspeitasse de a existência de os Potters . A senhora Potter era irmã de a senhora Dursley mas não se viam havia muitos anos . A verdade é_que a senhora Dursley fazia se passar por filha única porque a irmã e o imprestável de o cunhado eram o mais diferente de eles que imaginar se pode . Os Dursleys ficavam arrepiados só de pensar em o que diriam os vizinhos se os Potters alguma vez aparecessem lá em a rua . Sabiam que os Potters tinham também um filho pequeno que eles nunca tinham visto e esse rapazinho era mais um motivo para os querer manter afastados . A última coisa que lhes interessava era verem o Dudley perto_de uma criança de aquelas . Quando o senhor e a senhora Dursley acordaram , em a manhã cinzenta e pesada de terça-feira em que começa a nossa história , nada fazia prever em aquele céu enevoado as coisas insólitas e misteriosas que começariam em_breve a suceder por todo o país . O senhor Dursley retirou de o armário a sua gravata mais vulgar para levar para o trabalho , enquanto a senhora Dursley tagarelava e se debatia para conseguir colocar em a cadeirinha de as refeições o pequeno Dudley que não parava de gritar . Nenhum de eles reparou em a janela , através de a qual teria podido ver uma enorme coruja amarelada , esvoaçando em grande alvoroço . A as oito_e_meia_da_manhã , o senhor Dursley pegou em a pasta , deu um beijo de despedida a a senhora Dursley e tentou fazer o mesmo a Dudley , mas não conseguiu porque ele estava a meio de uma birra , atirando com papa a todas_as paredes . « Coisinha imprestável » , queixou se o senhor Dursley depois de sair de casa , entrar em o carro e afastar se de o número quatro . Só quando chegou a a esquina teve o primeiro sinal de que algo estranho se passava - uma gata estudava um mapa . Em o primeiro segundo , o senhor Dursley não teve consciência do_que vira - mas , depois , voltou a cabeça para olhar melhor . E lá estava a gata malhada , em a esquina de a Privet_Drive , mas não havia mapa nenhum a a vista . Onde diabo tinha ele a cabeça ? É claro que tinha sido uma ilusão de óptica . O senhor Dursley piscou os olhos e fixou bem a gata . Ela olhou para ele . Quando o senhor Dursley virou a esquina para subir a rua , espreitou por o retrovisor . A gata lia agora a tabuleta onde estava escrito « Privet_Drive » - não , não lia , olhava , os gatos não podem ler mapas nem tabuletas . O senhor Dursley sacudiu a cabeça para afastar aquele episódio e , enquanto atravessava a cidade , não pensou senão em a grande encomenda de brocas que esperava receber em esse mesmo dia . Mas , a a saída de a cidade o seu espírito foi afastado de as brocas por outra coisa . Enquanto esperava em o habitual engarrafamento de trânsito , não pôde deixar de reparar que havia uma série de gente vestida de uma forma muito pouco usual . Gente coberta com longas capas . O senhor Dursley não suportava as pessoas que se arranjavam de modo excêntrico - as figuras de alguns jovens ! - e partiu de o princípio de que se tratava de uma nova moda estúpida . Tamborilou com os dedos em o volante de o automóvel e os olhos prenderam se lhe em um de esses grupos tumultuosos de exibicionistas . Murmuravam entre si , transbordantes de entusiasmo e o senhor Dursley ficou ainda mais irritado a o constatar que alguns de eles não eram de todo jovens . Que lata , aquele indivíduo devia ser mais velho do_que ele e usava uma longa capa verde esmeralda ! Mas , nessa_altura , pensou que muito provavelmente se trataria de uma manobra de propaganda ou de um peditório - sim , devia ser isso . O transito avançou e , alguns minutos mais tarde , o senhor Dursley chegava a o estacionamento de Grunnings , levando apenas como preocupação as suas brocas . Era costume de o senhor Dursley sentar se , em o escritório , de costas para a janela . Se assim não fosse , teria lhe sido bem mais difícil concentrar se em o trabalho durante a manhã . Assim , não viu as corujas descendo rapidamente em plena luz de o dia , apesar_de todos os transeuntes apontarem estarrecidos e de boca aberta enquanto coruja após coruja lhes passavam a grande velocidade sobre as cabeças . A maior parte nunca tinha visto uma ave de aquelas , nem mesmo a a noite , mas o senhor Dursley teve uma manhã absolutamente normal e livre de corujas . Gritou com cinco pessoas e fez várias chamadas telefónicas de grande importância em as quais gritou ainda mais . Antes de a hora de o almoço já estava bastante bem-disposto , quando decidiu dar um pequeno passeio para esticar as pernas e ir comprar um pão de leite a a padaria de a frente . Tinha esquecido por completo as pessoas com capas até deparar com um grupo que se encontrava junto de a padaria . Lançou lhes um olhar enfurecido . Não sabia explicar porquê mas faziam o sentir se desconfortável . Este grupo estava também a murmurar , denotando uma grande excitação . Só quando passou por eles , levando um enorme * donut * em um saco , conseguiu apanhar em o ar algumas palavras do_que eles estavam a dizer . - Os Potters , sim , foi o que ouvi dizer . - Sim , o filho de eles , Harry . O senhor Dursley ficou transido . O medo apoderou se de ele . Olhou para trás para os indivíduos que estavam a falar como_se quisesse dizer lhes alguma coisa mas , pensando melhor , desistiu . Desceu a rua a correr direito a o escritório , disse a a secretária que não o interrompesse , pegou em o telefone e estava quase a acabar de discar o número quando mudou de ideias . Pôs o auscultador em o descanso e cofiou o bigode . Pensando bem , estava a ser estúpido . Potter não era um nome assim tão raro . Devia haver imensos Potters com filhos chamados Harry . Aliás , ele nem tinha a certeza se seria esse o nome de o sobrinho , nunca sequer o tinha visto . Podia ser Harold ou Harvey , não havia motivo para deixar a senhora Dursley preocupada . Ela ficava sempre tão fora de si quando se tocava em o nome de a irmã . E não podia censurá a , se ele tivesse tido uma irmã assim ... mas , ao_mesmo_tempo , toda aquela gente de capas longas ... Foi bastante mais difícil em aquela tarde concentrar se em as brocas e , quando deixou o edifício , a as cinco horas , estava ainda tão preocupado que chocou contra uma pessoa logo a a saída de a porta . - Desculpe - resmungou , enquanto o homenzinho se desequilibrava , quase caindo . Só alguns segundos mais tarde o senhor Dursley se apercebeu de que o homem vestia uma capa roxa . Não parecia nem um_pouco preocupado por ter tropeçado e por quase ter ido parar a o chão . Pelo_contrário , o seu rosto abriu se em um enorme sorriso e disse em uma voz tão aguda que levou alguns transeuntes a pararem para olhar : -- Não se preocupe , meu caro senhor , em o dia de hoje nada poderia aborrecer me ! Alegremo nos porque o « Quem nós sabemos » desapareceu finalmente de o mapa ! Até os Muggles , como você , deviam festejar este dia tão feliz ! O velhote envolveu o senhor Dursley em um grande abraço e em seguida afastou se . O senhor Dursley ficou pregado a o chão . Tinha sido abraçado por um indivíduo que lhe era totalmente estranho e que lhe tinha chamado « Muggle » , fosse lá isso o que fosse . Estava confuso . Apressou se a chegar a o carro e dirigiu se para_casa em a esperança de que tudo aquilo não passasse de imaginação sua , coisa que até_então nunca tinha desejado , uma_vez_que não era muito adepto de a imaginação . A primeira coisa que avistou a o aproximar se de o número quatro - e que não melhorou em nada o seu estado de espírito - foi a gata malhada que vira de manhã . Estava agora sentada em o muro de o seu jardim . Tinha a certeza de que era a mesma por causa de as marcas em volta de os olhos . - Choo ! - disse bem alto o senhor Dursley . A gata não se moveu . Limitou se a lançar lhe um olhar ríspido . Seria o comportamento normal de uma gata , questionou se o senhor Dursley , fazendo um esforço por aparentar um ar absolutamente normal , entrou em casa , ainda decidido a não falar em nada a a mulher . A senhora Dursley tinha tido um dia igual a todos . Contou lhe , durante o jantar , os problemas que os vizinhos de o lado estavam a ter com a filha e que o Dudley aprendera a dizer « não deves » . O senhor Dursley tentou agir com a maior naturalidade . Quando o Dudley foi metido em a cama , encaminhou se para a sala chegando mesmo a_tempo_de ouvir a última notícia de o telejornal : - E , por fim , os observadores de pássaros comunicaram nos que as corujas de o país tiveram um comportamento bastante estranho durante o dia de hoje . Apesar_de ser hábito caçarem durante a noite , não sendo praticamente vistas a a luz de o dia , houve milhares de observações de estas aves a voarem em todas_as direcções desde o nascer de o Sol . Os peritos não conseguem explicar esta súbita alteração de o seu padrão de sono . - O apresentador permitiu se um sorriso . - Muito misterioso . E agora passemos a Jim_Mc_Guffin e a as previsões de o tempo . Continuará a chuva de corujas durante a noite , Jim ? - Bem , Ted - disse o meteorologista , - quanto_a isso não posso responder mas as corujas não foram o único fenómeno de o dia de hoje . Observadores_de_Kent , Yorkshire e Dundee têm telefonado insistentemente a informar nos que , em vez de a chuva que eu previra ontem , têm tido uma tempestade de estrelas cadentes ! É como_se as pessoas tivessem decidido festejar a « Bonfire_Night « ( 1 ) - que é só em a próxima semana - mas posso prometer vos chuva para esta noite . ( 1 ) Festividade que se realiza exclusivamente em a Grã-Bretanha . ( N_T ) O senhor Dursley sentou se gelado em a poltrona . Estrelas cadentes em toda_a Grã-Bretanha ? Corujas a voarem durante o dia ? Gente estranha usando longas capas em todas_as ruas ? E aquele sussurro sobre os Potters ... A senhora Dursley entrou em a sala , trazendo duas chávenas de chá . Não podia ser , tinha de falar com ela . Limpou nervosamente a garganta . - Er ... Petúnia , minha querida ... não tens sabido nada de a tua irmã em os últimos tempos , pois não ? Como era de esperar , a senhora Dursley ficou chocada e indisposta . Não tinham decidido esquecer que ela tinha uma irmã ? - Não - respondeu secamente . - Porquê ? - Informações estranhas em o telejornal -- , resmungou o senhor Dursley . - Corujas ... estrelas ... e uma série de gente com um aspecto fora de o normal que enchia as ruas durante o dia de hoje ... - E de aí ? - perguntou a senhora Dursley . - Bem ... eu pensei que ... talvez ... tivesse alguma coisa a ver com ... sabes ... a gente de ela . A senhora Dursley bebeu o chá a os golinhos enquanto o marido se perguntava se deveria dizer lhe que ouvira uma referência a os Potter . Decidiu não arriscar . Em vez de isso , disse com tanta naturalidade quanto lhe foi possível : - O filho de eles deve ter mais_ou_menos a idade de o Dudley , não deve ? - Acho que sim - respondeu constrangida a senhora Dursley . - Como é_que se chama o garoto , Howard , não é ? - Harry , o nome mais vulgar que podiam ter encontrado . - Ah , ! - disse o senhor Dursley com o coração apertado , -- claro , concordo inteiramente contigo , que nome vulgar . Não voltou a falar se em o assunto e subiram para se deitar . Enquanto a senhora Dursley estava em a casa_de_banho , o senhor Dursley aproximou se de a janela de o quarto e espreitou para o jardim . A gata ainda lá estava . Olhava para a parte de baixo de a rua como_se esperasse por alguma coisa . Estaria ele a imaginar coisas ? Haveria alguma relação entre tudo aquilo e os Potters ? Se tivesse ... se viesse a saber se que eles eram de a família de um casal de ... bem , ele não suportaria isso . Deitaram se . A senhora Dursley adormeceu rapidamente mas o marido ficou acordado com a cabeça a as voltas . O último pensamento reconfortante que teve , antes de adormecer , foi que , mesmo_que os Potters estivessem em o meio de aquilo tudo , não havia motivo algum para se aproximarem . Sabiam perfeitamente o que ele e Petúnia pensavam sobre eles e os de a sua espécie ... não havia motivo para se verem envolvidos em o que quer que fosse que estivesse a acontecer . Bocejou e virou se em a cama . Aquilo não iria afectá os . Como_se enganava ! O senhor Dursley podia ter caído em um sono intranquilo , mas a gata que continuava em cima de o muro não aparentava o menor sinal de sono . Estava imóvel como uma estátua , os olhos bem abertos , fixos em a esquina de a Privet_Drive . Não estremeceu sequer quando a porta de um carro se fechou ruidosamente em a rua de trás , nem quando duas corujas fizeram um voo rasante sobre a sua cabeça . Era quase meia-noite quando a gata se moveu . Um homem surgira em a esquina onde os olhos de a gata tinham estado fixos . Apareceu tão súbita e silenciosamente que parecia ter saído de o chão . A cauda de a gata contorceu se e os olhos contraíram se . Nunca fora visto em Privet_Drive ninguém que se parecesse com aquele homem . Era alto , magro e muito velho , a julgar por a barba e por o cabelo cor de prata , ambos tão longos que lhe chegavam a a cintura . Usava uma túnica até a os pés , um manto cor de púrpura que varria o solo e botas afiveladas de tacão . Tinha uns olhos azuis muito claros que brilhavam intensamente por_detrás_de uns óculos de meia-lua . O nariz era longo e achatado como_se lhe o tivessem partido pelo_menos duas vezes . O nome de esse homem era Albus_Dumbledore . Albus_Dumbledore parecia não se dar conta de que acabava de chegar a uma rua onde tudo , desde o seu nome até a as suas botas , era indesejável . Estava distraído a vasculhar em a capa como quem procura alguma coisa quando lhe pareceu estar a ser observado . Olhou subitamente para a gata que continuava a olhas o fixamente de o outro lado de a rua . A visão de a gata pareceu diverti o . Riu se entre dentes e murmurou « Eu devia ter adivinhado » . Encontrou o que procurava em os bolsos . Parecia um isqueiro prateado . Abriu a tampa , segurou o em o ar e carregou com o dedo , provocando um pequeno estalido . O candeeiro mais próximo apagou se com um ruído seco . Ele voltou a premir o objecto e o outro candeeiro apagou se também . Repetiu doze vezes aquela operação até que as únicas luzes acesas em toda_a rua , dois minúsculos pontinhos lá longe , eram os olhos de a gata a observá o . Se alguém espreitasse por a janela em aquele momento , mesmo_que fossem os olhinhos pequeninos e vivos de a senhora Dursley , não conseguiria ver absolutamente nada do_que estava a acontecer em o passeio . Dumbledore guardou o aparador em o bolso de a capa , aproximou se de o número quatro onde se sentou em o muro , a o lado de a gata . Não a olhou directamente mas , passado alguns momentos , dirigiu se lhe : - Curioso vês a aqui , professora Mc_Gonagall -- , voltou se para sorrir a a gata mas esta tinha desaparecido . Estava agora a sorrir para uma mulher de aspecto austero , óculos quadrados com a forma exacta de as marcas que a gata tinha em volta de os olhos . Também ela vestia uma capa verde esmeralda , tinha o cabelo negro apanhado em um rolo e parecia claramente irritada . - Como soube que era eu ? - perguntou . -- Minha cara professora , nunca vi uma gata sentada de uma forma tão rígida ! - Também você ficaria rígido se estivesse um dia inteiro sentado em um muro - disse a professora Mc_Gonagall . - Todo o dia ? Quando podia ter estado a festejar ? Eu devo ter encontrado por o caminho uma_dúzia de festas e celebrações . A professora Mc_Gonagall torceu o nariz irritada . - Ah ! sim , estão todos a festejar -- , disse com impaciência . - Seria de esperar que fossem um pouquinho mais cautelosos , mas não , até os Muggles já se aperceberam de algo invulgar , deram a notícia em o telejornal de eles . - Fez um sinal com a cabeça em a direcção de a janela escura de a sala de os Dursleys . - Ouvi . Bandos de corujas ... estrelas cadentes ... Bem , eles não são totalmente estúpidos . Foram obrigados a perceber que se passa alguma coisa . Estrelas cadentes em Kent , aposto que anda por aí o dedo de o Dedalus_Diggle , ele não tem muito juízo em aquela cabeça . - Não pode censurá os -- , disse Dumbledore suavemente , - tivemos muito pouco para festejar durante os últimos onze anos . - Eu sei muito bem de isso - respondeu irritada a professora Mc_Gonagall . - Mas não é motivo para perderem a cabeça . Têm andado para aí em plena luz de o dia a espalhar boatos , sem sequer terem o cuidado de se vestir como os Muggles . Lançou um olhar de lado e ríspido a Dumbledore como_se esperasse que ele dissesse alguma coisa , mas este manteve se calado . Ela prosseguiu : - Era lindo se em o dia em que « Quem nós sabemos » parece por fim ter desaparecido , os Muggles descobrissem tudo a nosso respeito . Sim , porque eu julgo que ele desapareceu mesmo , não foi , Dumbledore ? ! - Parece que sim - respondeu ele . - Temos de estar muito gratos . Não quer tomar uma limonada comigo ? - Uma * quê * ? - Uma limonada . É uma bebida de os Muggles de que eu gosto muito . - Não , muito obrigada - disse a professora Mc_Gonagall , friamente , como_se considerasse não ser aquele o melhor momento para tomar limonadas . - Como eu estava a dizer , mesmo tendo o « Quem nós sabemos » desaparecido ... - Minha querida professora , com certeza que uma pessoa sensata como a senhora pode referir se a ele usando o seu verdadeiro nome . Toda essa história disparatada de o « Quem nós sabemos » ; há onze anos que tento convencer as pessoas a proferirem o seu nome : * _ Voldemort * . - A professora Mc_Gonagall vacilou mas Dumbledore , que estava a abrir duas limonadas , pareceu não dar por isso . - Torna se tão confuso continuar a dizer o « Quem nós sabemos » . Eu honestamente nunca vi qualquer motivo para ter medo de proferir o nome de * _ Voldemort * . - Eu sei que não viu - disse a professora Mc_Gonagall em um tom que expressava surpresa e admiração . - Mas você é diferente . Todos sabem que era o único de quem « Quem nós sabemos » , oh ! está bem , o * _ Voldemort * tinha medo . - Sinto me elogiado - disse Dumbledore calmamente , - * _ Voldemort * tinha poderes que eu nunca possuirei . - Apenas porque você é demasiado ... como direi , nobre , para os utilizar . - Felizmente está escuro . Eu não corava tanto desde_que Madame_Pomfrey me disse que adorava o meu novo barrete . A professora Mc_Gonagall lançou um olhar penetrante a Dumbledore e disse : - As corujas não são nada comparadas com os boatos que correm . Sabe o que dizem por ai sobre o motivo de o seu desaparecimento ? Sobre o motivo que acabou com ele ? Parecia que a professora Mc_Gonagall tinha chegado a o ponto que lhe interessava mesmo discutir , a a verdadeira razão que a levara a esperar em um muro duro e frio durante um dia inteiro , pois nunca antes , nem como gata nem como mulher , tinha olhado para Dumbledore com um olhar tão penetrante como em aquele momento . Era óbvio que , tosse o que fosse que se dissesse , ela só acreditaria depois de o ouvir de a boca de Dumbledore . Mas este estava a escolher outra limonada e não lhe respondeu . - Dizem -- , prosseguiu ela - que em a última noite em que Voldemort apareceu em Godric's_Hollow foi procurar os Potters . O que corre é_que Lily e James_Potter ... * morreram * . Dumbledore baixou a cabeça . A professora Mc_Gonagall suspirou . - Lily e James ... custa a crer ... eu não queria acreditar ... oh ! Albus ... Dumbledore aproximou se e deu lhe uma palmadinha em o ombro . - Eu sei , eu sei - disse , com pesar . A voz de a professora Mc_Gonagall tremia , à_medida_que continuava a falar . - E não é tudo . Dizem que ele tentou matar o filho de eles , o pequeno Harry , mas que não foi capaz . Não conseguiu matar o rapazinho . Ninguém sabe porquê nem porque não , mas dizem que a o não lhe ser possível matar Harry_Potter , o seu poder se esvaiu e que foi por isso que Voldemort desapareceu . Dumbledore acenou com ar sorumbático . - Mas , é ... * verdade * ? - hesitou a professora Mc_Gonagall . - Depois de tudo_o_que ele fez ... toda_a_gente que matou ... não foi capaz de matar um rapazinho ? É tão confuso , como terá o Harry conseguido sobreviver ? - O_máximo que podemos fazer são suposições -- , disse Dumbledore . - Talvez nunca cheguemos a saber . A professora Mc_Gonagall puxou de um lenço de renda e limpou os olhos por detrás de os óculos . Dumbledore fungou enquanto retirava um relógio de ouro de o bolso e o observava . Era um relógio bastante insólito . Tinha doze mãos mas não tinha números . Em vez de eles , pequenos planetas movimentavam se em círculos . Mas deve ter feito sentido para Dumbledore porque voltou a metê o em o bolso , dizendo : - Hagrid está atrasado . A propósito , deve ter sido ele quem lhe disse que eu viria aqui , não ? - Sim - disse a professora Mc_Gonagall . - E já agora não quererá explicar me porque é_que veio ? - Vim trazer o pequeno Harry a a tia e a o tio . São a sua única família . - Não está a querer dizer me que - não pode estar a referir se a as pessoas que vivem aqui ? - gritou a professora Mc_Gonagall , pondo se em pé e apontando para o número quatro . - Dumbledore , você não pode fazer uma coisa de essas . Tenho estado a observá os durante todo o dia e não é possível encontrar duas pessoas mais diferentes de nós . E têm um filho - vi o a massacrar a mãe durante todo o caminho para lhe comprar doces . Harry_Potter , * aqui * ? ! - É o melhor lugar para ele -- , disse Dumbledore com firmeza . - A tia e o tio poderão explicar lhe tudo um dia mais tarde quando for mais crescido . Eu escrevi lhes uma carta . - Uma carta ? - repetiu a professora Mc_Gonagall quase sem voz , voltando a sentar se em o muro . - Francamente , Dumbledore , acha que é possível explicar tudo_isto em uma carta ? -- Esta gente nunca em a vida vai entendê o . Ele vai ser famoso - um génio -- , não me espantaria nada se o dia de hoje viesse em o futuro a ser conhecido como o dia de Harry_Potter - vão escrever se livros a seu respeito , todas_as crianças de o nosso mundo conhecerão o seu nome ! - Precisamente - afirmou Dumbledore com a maior seriedade , olhando a por cima de os óculos de meia-lua . - Tudo_isso daria a volta a a cabeça de um rapazinho . Ser famoso antes mesmo de saber andar e falar ! Famoso por uma coisa de que nem ele consegue lembrar se . Não vê que é muito melhor para ele crescer afastado de tudo_isso , até estar preparado para entender as coisas ? A professora Mc_Gonagall abriu a boca , mudou de ideias , engoliu em seco e em seguida disse : - Sim , claro , tem toda_a razão . Mas como é_que o rapaz cá chega , Dumbledore ? - Olhou para o manto de ele como_se pensasse que ele podia estar a esconder o garoto . - Hagrid vai trazê o . - Acha que é * sensato * confiar a Hagrid algo tão importante como isto ? - Eu confiaria a Hagrid a minha própria vida -- , afirmou Dumbledore . - Não estou a dizer que ele não tenha bom coração -- , afirmou a professora Mc_Gonagall com alguma mesquinhez , - mas não podemos ignorar que é pouco cauteloso . Tem tendência para ... o que foi aquilo ? Um som que parecia o ribombar de um trovão quebrou o silêncio . Tornou se ainda mais intenso enquanto olhavam para a parte de cima e de baixo de a rua procurando avistar um par de faróis e era já um verdadeiro estrondo quando olharam para o céu - e uma imensa motorizada aterrou em a rua , mesmo a o lado de eles . Se a moto era grande , o que dizer de o homem que vinha lá sentado ? Devia ter o dobro de a altura de um indivíduo normal e era , pelo_menos , cinco vezes mais largo . Parecia maior do_que era humanamente possível e verdadeiramente animalesco - os cabelos e a barba negra , ambos emaranhados , ocultavam lhe a maior parte de o rosto , as mãos pareciam tampas de caixotes de o lixo e os pés , dentro_de umas enormes botas de couro , lembravam dois golfinhos bebés . Em os braços fortes e musculados transportava uma pilha de cobertores . - Hagrid -- , disse Dumbledore parecendo aliviado , - até que enfim . Onde diabo arranjaste essa moto ? - Pedi a emprestada , professor Dumbledore -- , respondeu o gigante , saindo com todo o cuidado de a moto , enquanto falava . - Foi o Sirius_Black filho que me a emprestou . Tenho aqui a criança , senhor professor . - Não houve problemas ? - Não senhor - a casa estava praticamente destruída mas eu consegui tirá o antes qu'os Muggles começassem a invadi a . Ele adormeceu quando sobrevoávamos Bristol . Dumbledore e a professora Mc_Gonagall inclinaram se para a pilha de cobertores . Lá bem em o meio , muito pequenino , estava um bebé de o sexo masculino a dormir . Sob um tufo de cabelo preto que lhe caía para a testa podia ver se uma curiosa cicatriz em forma de relâmpago . - Foi aí que ... ? - perguntou em um sussurro a professora Mc_Gonagall . - Sim - disse Dumbledore . - Ele vai ficar com esta cicatriz para sempre . - Não pode fazer nada para a tirar , Dumbledore ? - Mesmo_que pudesse não o faria . As cicatrizes podem vir a ser muito úteis em o futuro . Eu próprio tenho uma acima de o joelho esquerdo que é um mapa perfeitíssimo de os subterrâneos de Londres . Bem , dá o cá , Hagrid , é melhor resolvermos já isto . Dumbledore tomou Harry em os braços e voltou se de frente para a casa de os Dursleys . - Posso , posso despedir me de ele ? - perguntou Hagrid . Inclinou a grande cabeça hirsuta sobre Harry e deu lhe um beijo que deve ter sido áspero devido a o roçar de os bigodes . Em seguida , Hagrid soltou um uivo que parecia vindo de um cão ferido . - Shhhhhh -- , fez a professora Mc_Gonagall . - Vais acordar os Muggles ! - Deeeesculpem -- , soluçou Hagrid , pegando em um enorme lenço de assoar onde enterrou toda_a cara - mas não consigo evitar ... Lily e James mortos e o pobrezinho de o Harry a ter d ir viver com Muggles ... - Eu sei , eu sei que é triste mas vê se te controlas , Hagrid , ou vão acabar por descobrir nos -- , disse baixinho a professora Mc_Gonagall , dando uma palmadinha em o ombro de Hagrid , enquanto Dumbledore entrava em o jardim , em direcção a a porta principal . Colocou cautelosamente o pequeno Harry em o degrau de a porta , retirou uma carta de dentro de a capa , enfiou a em o meio de os cobertores que envolviam o bebé e veio juntar se a os outros . Durante um minuto ficaram os três a olhar para a trouxa . Os ombros de Hagrid estremeceram , a professora Mc_Gonagall piscou os olhos nervosamente e a luz brilhante que costumava irradiar de o olhar de Dumbledore parecia ter desaparecido . - Bem - disse por fim Dumbledore , - está feito . Não vale a pena ficarmos aqui . O melhor que temos a fazer é juntarmo nos a os que estão a festejar . - Sim - disse Hagrid em uma voz abalada . - Eu vou entregar a moto a o Sirius . Boa noite professora Mc_Gonagall , boa noite professor Dumbledore . Limpando os olhos húmidos a a manga de o casaco , Hagrid subiu para a moto e ligou o motor . Com um ruído , esta elevou se em o ar e desapareceu em a escuridão de a noite . - Espero vês a em_breve , professora Mc_Gonagall - disse Dumbledore , fazendo um aceno com a cabeça . A professora Mc_Gonagall assoou o nariz como resposta . Dumbledore voltou se e desceu a rua . Quando chegou a a esquina parou e pegou em o « apagador prateado » . Premiu o botão uma_vez e doze bolas de luz regressaram a os candeeiros de a rua , tornando a Privet_Drive subitamente alaranjada e permitindo avistar uma gata malhada a desaparecer furtivamente por a esquina oposta de a rua . Só se podia ver agora a trouxa de cobertores em o degrau de o número quatro . - Boa sorte , Harry - murmurou . Deu meia volta e , cortando o ar com um golpe de o manto , desapareceu . Uma brisa forte agitou as sebes rigorosamente aparadas de Privet_Drive que continuou silenciosa e metódica sob a escuridão cerrada de o céu . Aquele era o último lugar onde poderia esperar se que algo fantástico pudesse suceder . Harry_Potter rolou em o meio de os cobertores sem acordar , uma mãozinha fechada sobre a carta que fora colocada a o seu lado , sem saber que era especial , sem saber que era famoso , sem saber que iria ser acordado dentro_de algumas horas por o grito de a senhora Dursley quando esta abrisse a porta para colocar em o chão as garrafas vazias de o leite , sem saber que durante as próximas semanas iria ser espicaçado e beliscado por o seu primo Dudley e ignorando por completo que , em aquele preciso momento , em festas secretas espalhadas por todo o país , milhares de pessoas brindavam com os copos em o ar , gritando : - A o Harry_Potter , o rapaz que sobreviveu ! II_O vidro desaparecido Tinham passado quase dez anos desde o dia em que os Dursleys haviam acordado e descoberto o sobrinho em o degrau de a porta , mas Privet_Drive praticamente não mudara . O sol surgia em os mesmos jardinzinhos bem arranjados em frente de as casas e iluminava a placa de latão amarelo que tinha gravado o número quatro em a porta principal de os Dursleys , entrava lentamente por a sala de estar que estava quase igual a a noite em que o senhor Dursley ouvira em a televisão aquelas notícias fatídicas sobre as corujas . Apenas as fotografias por cima de a lareira deixavam ver como , de facto , o tempo tinha passado . Dez anos antes havia montes de fotos de uma coisa que parecia uma bola insuflável cor-de-rosa com chapéus com pompons de várias cores . Mas Dudley_Dursley deixara de ser um bebé e agora as fotografias mostravam um rapaz gordo e loiro em a sua primeira bicicleta , em um carrocel em o parque de diversões , a jogar um jogo de computador com o pai , a ser abraçado e beijado por a mãe . A sala não apresentava qualquer vestígio de que em aquela casa vivesse outro rapazinho . Contudo Harry_Potter ainda lá estava , a dormir em aquele momento , mas não por muito mais tempo . A tia Petúnia tinha acordado e a sua voz estridente foi o primeiro ruído de o dia . - Toca a levantar , já ! Harry acordou sobressaltado . A tia bateu de_novo em a porta . « Levantar « , guinchou . Harry ouviu lhe os passos a dirigirem se a a cozinha e em seguida o som de a fritadeira a ser posta a o lume . Enroscou se em a roupa e tentou recordar se de o sonho que tinha tido . Era um sonho agradável onde entrava uma moto aérea . Não conseguia evitar a estranha sensação de que não era a primeira vez que tinha aquele sonho . A tia estava de_novo junto de a porta . - Já te levantaste ? - perguntou . -- Quase - disse Harry . -- Bem , vamos a despachar , quero que acabes o pequeno-almoço e não deixes queimar o * bacon * . Tudo tem de estar perfeito em o aniversário de o Duddy . Harry resmungou . - O que é_que disseste ? - perguntou a tia , de o lado de_fora , de a porta . - Nada , nada ... O aniversário de o Dudley - como poderia ele esquecer se ? Harry saltou de a cama e começou a procurar as peúgas . Encontrou um par debaixo de a cama e , depois de sacudir uma aranha de cima de uma de elas , calçou se . Já estava habituado a as aranhas porque a despensa debaixo de as escadas , onde dormia , estava cheia de elas . Quando acabou de se vestir , atravessou o vestíbulo e entrou em a cozinha . A mesa quase não se via debaixo de os presentes de aniversário de o Dudley . Parecia que ele tinha conseguido que lhe dessem o novo computador que tanto queria , para não falar de a segunda televisão e de a bicicleta de corrida . O motivo por o qual Dudley queria uma bicicleta de corrida era um mistério absoluto para Harry , uma_vez_que ele era gordíssimo e detestava fazer exercício - a não ser , claro , que se tratasse de bater em alguém . O saco de pancada preferido de o Dudley era Harry , mas geralmente não conseguia apanhá o porque , apesar_de não parecer , Harry era extremamente rápido . Talvez isso se devesse a o facto de viver em uma despensa sem luz , mas Harry fora sempre pequeno e franzino para a idade . Parecia ainda mais pequeno e mais franzino por ter de usar as roupas que deixavam de servir a o Dudley que tinha quatro vezes o seu tamanho . O rosto de Harry era magro e pálido , os joelhos ossudos , o cabelo preto e os olhos verdes brilhantes . Usava uns óculos redondos , ligados a o meio com fita-cola devido_a todos os morros que Dudley lhe tinha dado em o nariz . A única coisa de que Harry gostava , em o seu aspecto físico , era de aquela pequena cicatriz em a testa que mais parecia um feixe de luz . Lembrava se de ela desde sempre e a primeira pergunta que se recordava de ter feito a a tia Petúnia era qual a origem de aquela cicatriz . - Ficou te de o acidente de automóvel em que os teus pais morreram - respondeu ela - e não faças perguntas . * _ Não fazer perguntas * - aquela era a primeira regra para uma vida tranquila com os Dursleys . O tio Vernon entrou em a cozinha em o momento em que Harry estava a virar o bacon . - Penteia te -- , rosnou como forma de dar os bons-dias . Cerca de uma_vez por semana , o tio Vernon olhava por cima de o jornal de a manhã e gritava que Harry precisava de cortar o cabelo . Harry tinha de cortar mais vezes o cabelo do_que todos os rapazes de a sua turma juntos , mas mesmo_assim ele continuava a crescer por todos os lados . Estava a fritar os ovos quando Dudley chegou a a cozinha com a mãe . Dudley era fisicamente muito parecido com o tio Vernon . Tinha uma cara grande e rosada , um pescoço baixo , olhos azuis pequeninos e um cabelo loiro e uniformemente penteado em a sua cabecinha gorda . A tia Petúnia dizia muitas_vezes que ele parecia um anjinho - Harry costumava dizer que ele parecia um porco de chinó . Harry pousou os pratos de ovos com * bacon * sobre a mesa , o que não foi fácil uma_vez_que esta estava cheia e não restava muito espaço . Dudley entretanto contava os presentes . De repente , a sua expressão tornou se carrancuda . - Trinta_e_seis - disse , olhando para o pai e para a mãe . - São menos dois do_que em o ano passado . - Querido , não contaste com o de a tia Marge , vês ? Está aqui , debaixo de este grande de o papa e de a mamã . - Está bem , trinta_e_sete -- , disse Dudley corando um_pouco . Harry , que podia ver uma enorme birra a aproximar se , começou a devorar o seu pequeno-almoço antes que Dudley virasse a mesa . A tia Petúnia , naturalmente , sentiu o mesmo perigo porque disse rapidamente : - Então vamos comprar te mais dois presentes hoje a a tarde , quando sairmos para o nosso passeio habitual . O que dizes , queridinho , mais dois presentes , achas bem ? Dudley pensou durante alguns segundos . Parecia complicado . Por fim , repetiu lentamente - Então fico com trinta e ... trinta e ... - Trinta_e_nove coisas boas - disse a tia Petúnia . - Ah ! - Dudley sentou se e agarrou o embrulho que estava mais a a mão . - Está bem , então . - Safadinho , quer tudo aquilo a que tem direito . Tal_como o pai . E assim mesmo , pequeno Dudley ! - disse o senhor Dursley , fazendo lhe uma festa e desalinhando lhe os cabelos . Em esse momento tocou o telefone e a tia Petúnia foi atender , enquanto Harry e o tio Vernon observavam Dudley desembrolhando a bicicleta de corrida , uma câmara de filmar , um avião de controlo remoto , dezasseis novos jogos de computador e um video gravador . Estava a rasgar o papel de um relógio de pulso de ouro quando a tia Petúnia regressou de o telefone com um ar aborrecido e preocupado . - Más notícias , Vernon -- , disse . - A senhora Figg partiu uma perna e não pode ficar com ele - e acenou com a cabeça em a direcção de Harry . A boca de Dudley ficou aberta , expressando verdadeiro horror , mas o coração de Harry deu um salto . Todos os anos , em o aniversário de o Dudley , os pais levavam o a passear , a ele e a um amigo , e iam a parques de diversões , hamburguerias ou a o cinema . E todos os anos Harry era deixado com a senhora Figg , uma velhota meio tonta que vivia ali perto . Harry detestava ficar lá . A casa cheirava a couve e a senhora Figg obrigava o a ver as fotografias de todos os gatos que tinha tido a o longo de a vida . - O que é_que podemos fazer agora ? - perguntou a tia Petúnia , olhando com um ar furioso para Harry como_se ele tivesse tido alguma culpa . Harry sabia que devia sentir pena de a senhora Figg por ela ter partido uma perna , coitada , mas não era fácil pois agradava lhe bastante a ideia de passar mais um ano sem ter de ver as fotografias de o Tibbles , de o Snowy , de o Mr._Paws e de o Tufty . - Podíamos telefonar a a Marge -- , sugeriu o tio Vernon - Que disparate , Vernon , ela detesta o miúdo . Os Dursleys falavam muitas_vezes assim , como_se ele não estivesse presente ou melhor , como_se ele fosse uma coisa muito desagradável , incapaz de os entender , uma espécie de lesma . - E aquela tua amiga , como é o nome de ela , Ivonne ? - Está a passar férias em Maiorca - disse bruscamente a tia Petúnia . - Podiam deixar me ficar aqui - arriscou o Harry , cheio de esperança ( sempre podia ver o que lhe apetecesse em a televisão , para variar e talvez até jogar um_pouco em o computador de o Dudley ) . A tia Petúnia olhou para ele como_se tivesse engolido um limão . - E quando voltasse encontrava a casa em ruínas ? - perguntou cinicamente . - Eu não destruo a casa - disse Harry , mas ninguém o ouvia . - O melhor será ele vir connosco até a o jardim zoológico - disse em uma voz arrastada a tia Petúnia -- ... e depois ficar em o carro a a nossa espera ... - Em o meu carro novo , nem pensar em deixá o lá sozinho ... Dudley começou a chorar em altos berros . Não a chorar , chorar . Havia anos que ele não chorava , mas sabia perfeitamente que se contraísse os músculos de o rosto e gritasse bem alto , a mãe daria lhe tudo e mais alguma coisa . - Não chores meu Dudleyzinho , lindo , a mamã não vai deixar que ele estrague o teu dia ! - murmurou lhe enquanto o envolvia em um enorme abraço . - Eu ... não ... quero ... que ... ele ... venha ! - gritava Dudley entre enormes gritos de pretenso choro . - Ele estraga ... s ... empre ... tudo ! - Lançou a Harry um sorriso maldoso enquanto a mãe o abraçava . Foi então que tocou a campainha de a porta . - Oh ! Santo_Deus , eles chegaram ! - disse a tia Petúnia muito nervosa , e em o momento seguinte o melhor amigo de Dudley , Piers_Polkiss , entrou com a mãe . Piers era um rapazinho magricela com carinha de rato . Era geralmente ele quem agarrava os braços de os outros garotos , enquanto Dudley lhos dava socos . Dudley parou , de imediato , com aquele choro fingido . Meia_hora mais tarde , Harry , que nem acreditava em a sua sorte , estava sentado em um de os assentos de trás de o carro de os Dursleys com Piers e Dudley , a caminho de o jardim zoológico , onde ia pela_primeira_vez em toda_a sua vida . Os tios não tinham conseguido encontrar outra solução mas , antes de saírem de casa , o tio Vernon chamara o a a parte . - Estou a avisar te - disse , aproximando a sua enorme cara rosada de o rosto de Harry , - e toma bem atenção , qualquer gracinha e ficas fechado em a despensa até a o Natal . - Eu não vou fazer nada de mal - disse Harry - a sério ... Mas o tio Vernon não acreditou . Nunca ninguém acreditava . A verdade é_que aconteciam coisas estranhas em volta de ele e não servia de nada dizer a os Dursleys que não as tinha provocado . Certo dia a tia Petúnia , farta de o ver regressar de o barbeiro com o mesmo aspecto com que lá entrara , pegou em uma tesoura e cortou lhe o cabelo tão curtinho que ficou praticamente calvo com excepção de a franja que ela deixou para lhe tapar « aquela horrível cicatriz « . Dudley tinha se fartado de o gozar e Harry passou a noite inteira sem conseguir dormir , a imaginar como seria a sua entrada em a escola em o dia seguinte , onde ele já era alvo de gozo por parte de os colegas por usar aquelas roupas larguíssimas e os óculos colados com fita-cola . Contudo , em a manhã seguinte , descobriu que o cabelo estava exactamente como antes de a tia Petúnia lhe o ter cortado . Como castigo , passou uma semana inteira em a despensa , por mais que tivesse tentado explicar que não sabia como o cabelo crescera com aquela rapidez . De outra_vez , a tia Petúnia tentou obrigá o a vestir uma horrorosa camisola de lã de o Dudley ( castanha com borlas cor de laranja ) . Quanto_mais ela se esforçava por lhe enfiar a camisola por a cabeça , mais pequena ela se tornava até que , por fim , ficou reduzida a as dimensões de uma camisola de boneco . A tia Petúnia concluiu que certamente encolhera em a lavagem e , para grande alívio de Harry , não foi castigado de essa vez . Por outro lado , meteu se em um tremendo sarilho a o ser encontrado em o telhado de a escola . O grupo de Dudley perseguira o como era costume quando , para sua grande surpresa , deu consigo sentado em a chaminé . Os Dursleys receberam uma carta muito acintosa de a directora a dizer que o Harry andava a subir a os telhados de a escola . Mas a única coisa que ele queria ( como_se fartou de gritar a o tio Vernon através de a porta fechada de a despensa ) era saltar por detrás de os grandes caixotes que estavam fora de a cozinha . Harry pensava que uma rabanada de vento o empurrara a meio de o salto . Mas hoje não ia suceder nada de mal . Até valia a pena aturar o Dudley e o Piers só para estar em um lugar que não fosse a escola , a despensa ou a sala a cheirar a couve de a senhora Figg . Enquanto conduzia , o tio Vernon queixava se a a tia Petúnia . Ele adorava queixar se de tudo : de os colegas de trabalho , de o Harry , de o Governo , de o Harry , de o mau estado de as estradas , de o Harry ... Em aquela manhã eram as motocicletas . -- ... Fazem um ruído ensurdecedor , parecem doidos estes jovenzinhos marginais -- , praguejou quando foi ultrapassado por uma moto . - Eu tive um sonho com uma moto ... - disse o Harry , lembrando se subitamente , -- ... que voava . O tio Vernon quase bateu em o carro de a frente . Deu meia volta em o assento e gritou a o Harry com o rosto parecendo uma gigantesca beterraba com bigode : - AS_MOTOS_NÃO_VOAM . O Dudley e o Piers riram a a socapa . - Eu sei que não voam -- , disse Harry . - Foi só um sonho . Mas lamentou ter aberto a boca . Se havia alguma coisa que os Dursleys detestassem mais ainda do_que perguntas , era que ele falasse sobre alguma coisa fora de o comum quer se tratasse de um sonho ou de um desenho animado - pareciam recear que ele pudesse vir a ter ideias perigosas . Era um sábado cheio de sol e o jardim zoológico estava cheio de famílias . Os Dursleys compraram a o Dudley e a o Piers dois grandes sorvetes de chocolate , logo a a entrada , e depois , como a vendedora era uma senhora simpática que perguntou a o Harry se ele não queria nada antes de terem tido tempo de sair de ali , compraram lhe um gelado de limão de os mais baratos . Não era mau , pensou Harry , lambendo o enquanto observava um gorila a coçar a cabeça c constatava a incrível parecença entre o símio e Dudley , apesar_de o último ter o cabelo loiro . Foi a melhor manhã desde_há muito , muito_tempo . Harry teve o cuidado de se afastar um_pouco de os Dursleys para que o Dudley e o Piers , que próximo de a hora de o almoço começavam a estar fartos de ver animais , não se lembrassem de passar a a sua brincadeira predilecta : sová o . Comeram em um restaurante ali mesmo em o jardim zoológico e , quando Dudley fez uma enorme birra porque a sua sobremesa não era suficientemente grande , o tio Vernon mandou vir outra e Harry teve licença de acabar a primeira . Harry pensou , mais tarde , que devia ter desconfiado de que tudo estava a ser bom de mais para durar muito . Depois de o almoço foram ver a casa de os répteis . Estava tudo escuro lá dentro , com jaulas de vidro iluminadas a o longo de as paredes . Por detrás de os vidros , toda_a espécie de lagartos e cobras rastejavam e trepavam a pequenas pedras e pedaços de tronco . Dudley e Piers queriam ver as grandes serpentes venenosas e as gigantescas piton , capazes de engolir e triturar seres_humanos . Dudley depressa descobriu a maior serpente de todas . Era tão grande que o seu corpo poderia dar duas voltas a o carro de o tio Vernon , esmagando o e reduzindo o a sucata . Mas , em aquele momento , o animal não parecia estar com disposição para isso . Em a verdade , estava profundamente adormecido . Dudley encostou o nariz a o vidro , olhando fixamente para os brilhantes anéis acastanhados . - Fá la mexer se -- , pediu a o pai . O tio Vernon tocou a o de leve em o vidro mas a serpente não se moveu . - Faz outra_vez -- , ordenou Dudley . O tio Vernon bateu com mais força mas a cobra continuou a dormir . - Isto_é uma chatice -- , resmungou o Dudley , saindo de ali . Harry aproximou se e olhou atentamente para a cobra . Não se espantaria se ela tivesse morrido de tédio - sozinha , rodeada de gente estúpida , a bater com os dedos em o vidro e a tentar incomodá a a_toda_a hora . Era pior ainda do_que ter uma despensa como quarto , onde a única visita era a tia Petúnia a matraquear em a porta para o acordar - pelo_menos ele podia andar por o resto de a casa . De repente , a serpente abriu os olhos ensonados . Lenta , muito lentamente , levantou a cabeça até que os olhos ficaram a o nível de os de Harry . Piscou os olhos . Harry olhou a fixamente . Em seguida , verificou se alguém por perto estava a observá o . Ninguém ali estava . Voltou a olhar para a cobra e piscou também . A cobra fez um sinal de cabeça apontando para o tio Vernon e para Dudley , depois ergueu os olhos para o tecto e lançou a Harry um olhar que dizia claramente : - * _ Eu tenho de aquilo a_toda_a hora * . - Eu sei -- , murmurou Harry , através de o vidro , embora não tivesse a certeza absoluta de que a cobra conseguia ouvi o . - Deve ser bastante chato . A serpente acenou vivamente . - De onde é_que tu vieste , afinal ? - perguntou Harry . A serpente fez sinal com a cauda chamando a atenção para um pequeno letreiro junto de o vidro . Harry leu . BOA_CONSTRICTOR , BRASIL . - Era bom viver lá ? A Boa_Constrictor abanou de_novo com a cauda e Harry leu : : __ este espécimen nasceu em o __ zoológico . - Ah ! já percebi , nunca foste a o Brasil ? Quando a serpente fez que não com a cabeça , um grito horripilante por_detrás_de Harry fê los saltar a os dois . « : Dudley , mr. dursley ! venha ver esta serpente . não vai acreditar em o que ela está a fazer ! » Dudley veio a correr atrás de eles o mais depressa que podia . - Sai de a frente , palerma - disse , dando um soco em as costas de o Harry . Apanhado de surpresa , este caiu em o chão duro de cimento . O que aconteceu a seguir foi tão rápido que ninguém conseguiu ver coisa alguma - em um momento Piers e Dudley estavam inclinados junto de o vidro , em o momento seguinte tinham dado um salto para trás soltando gritos de verdadeiro horror . Harry sentou se em o chão e suspirou . O vidro de a jaula de a Boa_Constrictor tinha desaparecido . A enorme serpente desdobrava se , deslizando por o chão - toda_a_gente que estava em a casa de os répteis gritava descontrolada e corria para as portas de saída . Quando deslizou perto de ele , Harry poderia jurar ter ouvido uma voz sibilante a dizer : - Brasssil , estou chegando . Obrigada , amigão . O guarda de a casa de os répteis estava em perfeito estado de choque . - Mas o vidro -- , repetia sem entender , - para_onde foi o vidro ? O director de o jardim zoológico fez questão de oferecer a a tia Petúnia uma chávena de chá forte enquanto lhe pedia repetidas desculpas . Piers e Dudley não conseguiam calar se . Tanto quanto Harry tinha visto , a cobra não fizera nada a não ser um ruído brincalhão , a o passar junto de os calcanhares de os dois , mas , quando chegaram a o carro de o tio Vernon , o Dudley já estava a contar que ela por_pouco não lhe mordera a perna , enquanto Piers jurava a pés juntos que ela tinha tentado matá o . Mas o pior de tudo foi a frase de Piers quando se acalmou : - O Harry estava a falar com a cobra . Não estavas , Harry ? O tio Vernon esperou até Piers se ter ido embora antes de « tratar » de o sobrinho . Estava tão zangado que mal conseguia articular as palavras . Foi capaz de dizer - Vai ... despensa ... ficas ... sem comer -- , antes de se afundar em a cadeira enquanto a tia Petúnia corria a preparar lhe uma taça grande de brande . Harry ficou em a escuridão de a despensa durante muito_tempo , desejando ter um relógio . Como não sabia as horas não tinha a certeza se os Dursleys já se teriam deitado . Antes de isso não se arriscava a tentar chegar a a cozinha para comer qualquer coisa . Vivia com os Dursleys havia quase dez anos . Dez anos miseráveis , desde bebé , quando os pais tinham morrido em um acidente de automóvel . Não se lembrava de ter estado dentro de esse carro em que os pais tinham morrido . _ às_vezes , quando puxava por a memória , durante as longas horas que passava trancado em a despensa , tinha uma estranha reminiscência : uma fortíssima luz verde e uma dor a queimar lhe a testa . Aquilo , imaginava ele , deveria ter sido o acidente , apesar_de não conseguir entender de onde vinha a luz verde . Não tinha qualquer imagem de os pais . O tio e a tia nunca falavam de eles , ele estava proibido de fazer perguntas e , naturalmente , não existiam fotografias de eles em aquela casa . Quando era mais pequeno , Harry sonhava repetidamente que um parente desconhecido viria buscá o um dia mas tal nunca aconteceu . Os Dursleys eram a sua única família . Todavia ele pensava , às_vezes , ou seria esse o seu desejo , que as pessoas estranhas em a rua o conheciam . Estranhos realmente estranhos . Um homem pequenino com um chapéu alto cor de violeta cumprimentara o com uma vénia em um dia em que ele andava a as compras com o Dudley e a tia Petúnia . Depois de lhe perguntar , furiosa , se conhecia aquele homem , a tia Petúnia saiu apressadamente de o armazém sem comprar coisa alguma . Uma mulher de idade com um aspecto rude , vestida de verde de os pés a a cabeça , acenara lhe alegremente em um autocarro . Um homem calvo , vestindo um casaco excessivamente longo cor de purpura , apertara lhe a mão em a rua e em seguida continuara o seu caminho sem terem trocado uma única palavra . O mais esquisito em todas aquelas pessoas era a forma de desaparecerem em o momento em que Harry tentava vê as melhor . Em a escola , Harry não tinha nenhum amigo . Todos sabiam que o grupo de o Dudley detestava o estranho Harry_Potter com as suas roupas enormes e velhas e os seus óculos partidos , presos com fita-cola e ninguém queria desagradar a o grupo de o Dudley . III_As cartas de ninguém A fuga de a Boa_Constrictor_do_Brasil valeu a o Harry o maior castigo de sempre . Quando teve licença para sair de a despensa já as férias de Verão tinham começado , já o Dudley tinha partido a câmara de filmar , destruído o aviãozinho de controlo remoto e atropelado , de a primeira vez em que experimentou a bicicleta de corrida , a pobre senhora Figg que atravessava a rua , de muletas . Harry estava satisfeito por as aulas terem acabado , mas não havia como escapar a o grupo de o Dudley que ia lá a casa todos_os_dias . Piers , Dennis , Malcolm e Gordon eram todos grandes e estúpidos , mas como Dudley era o maior e o mais estúpido de todos , liderava . Os outros alinhavam sempre em o seu desporto preferido : caça a o Harry . Este era o motivo por o qual Harry passava o_máximo tempo possível longe_de casa , a vaguear por as ruas e a pensar em o final de as férias , que lhe trazia pelo_menos uma pequena luz a o fundo de o túnel . Quando chegasse o mês_de_Setembro , iria para o liceu e , pela_primeira_vez em a vida , seria separado de Dudley que já estava inscrito em a antiga escola de o tio Vernon , Smeltings . Pier_Polkiss ia também para lá . Harry , por sua vez , ia para Stonewall_High , a escola secundária de ensino especial , o que divertia imensamente Dudley . - Eles metem a cabeça de os caloiros dentro de a sanita , em o primeiro dia de aulas , lá em Stonewall -- , disse ele a o Harry , - queres vir até lá acima para começar a praticar ? - Não , obrigado - respondeu Harry , - a pobre sanita nunca teve nada tão nojento lá dentro como a tua cabeça , podia ficar doente - e largou a correr antes que o Dudley fosse capaz de perceber o que ele lhe tinha dito . Um dia , em Julho , a tia Petúnia levou Dudley_a_Londres para lhe comprar os uniformes para a escola , deixando o Harry em casa de a senhora Figg . As coisas não correram tão mal como de costume . A verdade é_que ela tinha partido a perna por ter tropeçado em um de os gatos e já não parecia gostar tanto de eles como antes . Deixou o ver televisão e deu lhe uma fatia de bolo de chocolate que devia ter anos de existência . Em essa noite Dudley exibiu se em a sala , para toda_a família , em o seu uniforme novinho em folha . Os rapazes de a Smelting usavam casaca castanho-avermelhado , calças tipo golfe cor-de-laranja e uns chapéus de palha duros e achatados . Usavam também um pequeno bastão com que se espancavam uns a os outros quando os professores não estavam a olhar , o que supostamente deveria dar lhes experiência para a vida futura . A o olhar para o Dudley em as suas novas calças , o tio Vernon disse emocionado que nunca se sentira tão orgulhoso em toda_a vida como em aquele momento . A tia Petúnia desfez se em lágrimas , achando quase impossível que aquele fosse o seu Dudleyzinho , tão bonito e tão crescido , que estava em o seu novo uniforme . Harry foi incapaz de abrir a boca . Receava que duas de as suas costelas se tivessem partido com o tremendo esforço que estava a fazer para não se rir . Em o dia seguinte , havia um cheiro nauseabundo em a cozinha quando Harry chegou para tomar o pequeno-almoço . Parecia vir de uma enorme bacia de metal que tinha algo de molho . Foi espreitar . A bacia estava cheia de uma espécie de farrapos sujos que boiavam em uma aguadilha verde . - O que é isto ? - perguntou a a tia Petúnia . Os lábios de a tia comprimiram se como sucedia sempre_que ele lhe fazia alguma pergunta . - O teu novo uniforme -- , respondeu . Harry voltou a olhar para a bacia . - Ah ! - disse - não sabia que tinha de ser tão molhado . - Não sejas estúpido -- , respondeu asperamente a tia Petúnia . - Estou a tingir de verde algumas roupas usadas de o Dudley . Vão parecer um uniforme igual a todos os outros . Harry ficou com sérias dúvidas mas achou melhor não dizer nada . Sentou se a a mesa e tentou não pensar em a figura que ia fazer em o dia seguinte em Stonewall_High - como_se estivesse a usar pedaços de pêlo de elefante , muito provavelmente . Dudley e o tio Vernon entraram ambos de nariz torcido por causa de o cheiro de o novo uniforme de o Harry . O tio Vernon abriu o jornal como de costume e Dudlev bateu em a mesa com o bastão de os Smeltings que agora usava para todo o lado . Ouviram o estalido de a caixa de o correio e as cartas a caírem em o tapete fora de a porta . - Vai buscar o correio , Dudley - disse o tio Vernon , escondido por o jornal . - O Harry que vá ! - Vai buscar o correio , Harry ! - O Dudley que vá ! - Espicaça o com o teu bastão , Dudley . Harry , evitando o bastão de os Smeltings , foi buscar o correio . Estavam três coisas em o tapete fora de a porta : um postal de a irmã de o tio Vernon , Marge , que estava a passar férias em a ilha de Wight , um sobrescrito castanho que parecia ser uma conta para pagar e - uma carta * para o Harry * . Harry pegou lhe e ficou a olhar espantado , o coração a tremer como_se quisesse saltar lhe de o peito . Nunca , ninguém , em toda_a sua vida lhe tinha escrito . Quem poderia ser ? Não tinha amigos nem parentes - não era sócio de a biblioteca e por isso também nunca recebera bilhetes desagradáveis a mandá o entregar os livros . Contudo ela ali estava , uma carta com um endereço tão claro que não havia qualquer margem para dúvidas . Sr._H._Potter_Despensa debaixo de as escadas Privet_Drive , N. o 4 Little_Whinging_Surrey_O sobrescrito era pesado e espesso , de uma espécie de pergaminho amarelado e a morada vinha escrita a tinta verde-esmeralda . Não trazia selo . Voltando o sobrescrito ao_contrário , com as mãos a tremer , Harry viu um selo de lacre cor de púrpura com um brasão onde podia distinguir se um leão , uma águia , um texugo e uma serpente envolvendo a letra H. - Despacha te , rapaz ! - gritou o tio Vernon de a cozinha . - O que é_que estás a fazer , a a procura de uma bomba em o correio ? - e riu se de a sua própria piada . Harry voltou a a cozinha , olhando ainda para a carta que trazia em a mão . Entregou a o tio a conta e o postal , sentou se e começou lentamente a abrir o sobrescrito amarelo . O tio Vernon rasgou em um gesto repentino a carta de a conta e leu em poucos segundos o postal . - A Marge está doente -- , comunicou a a tia Petúnia - comeu por lá um molusco esquisito ... - Pai ! - disse o Dudley sem perder tempo , - pai , o Harry recebeu qualquer coisa ! Harry estava a desdobrar a carta que estava escrita em o mesmo tipo de pergaminho de o envelope , quando esta lhe foi arrancada de as mãos por o tio Vernon . - Essa carta é minha ! - gritou ele , tentando recuperá a . - E quem iria escrever te ? - perguntou sarcasticamente o tio Vernon , agitando a carta em uma de as mãos e deitando lhe uma vista de olhos . O seu rosto passou de vermelho a verde mais depressa do_que as luzes de um semáforo . E não parou por aí . Alguns segundos mais tarde estava de um verde-pálido , cor de papas de aveia fora de o prazo de validade . - P - _ P - _ Petúnia -- , chamou quase sem conseguir respirar . Dudley tentou agarrar a carta para a ler mas o tio Vernon segurava a bem alto , fora de o seu alcance . A tia Petúnia pegou lhe , cheia de curiosidade e leu a primeira linha . Por momentos pareceu que ia desmaiar , fez um estranho ruído com a garganta . - Vernon ! Virgem_Santíssima , Vernon ! Olharam um para o outro como_se se tivessem esquecido de que Harry e Dudley ainda estavam presentes . Dudley , que não estava habituado a ser ignorado , deu a o pai uma forte pancada em a cabeça com o bastão de os Smeltings . - Quero ler a carta -- , disse bem alto . - Quero lê a -- , bradou o Harry , furioso como_se dissesse « Ela é minha » . - Saiam de aqui , os dois - resmungou o tio Vernon , voltando a meter a carta em o sobrescrito . Harry não se moveu . - Quero a minha __ Carta ! - gritou . - Deixa me vê a - exigiu o Dudley . - Fora - rosnou o tio Vernon e levou os dois , Harry e Dudley , por o pescoço até a o vestíbulo , fechando com força a porta de a cozinha . Harry e Dudley iniciaram de imediato uma briga acesa mas silenciosa sobre quem encostaria o ouvido a o buraco de a fechadura . Dudley venceu , por isso Harry , com os óculos pendurados em uma de as orelhas , deitou se em o chão para ouvir por a fenda entre a porta e o soalho . - Vernon -- , dizia a tia Petúnia em uma voz trémula , - olha para a morada ; como é_que eles sabem onde ele dorme ? Será que andam a vigiar a casa ? - A vigiar , a espiar , talvez a seguirem nos - respondeu precipitadamente e entredentes o tio Vernon . - Mas o que é_que vamos fazer , Vernon ? Deveremos responder ? Dizer lhes que não queremos ... Harry podia ver por a fresta os sapatos brilhantes de o tio , de um lado para o outro de a cozinha . - Não -- , disse por fim . - Não . Vamos ignorar esta carta . Se não tiverem resposta ... sim , o melhor é não lhes dar resposta nenhuma ... - Mas ... - Não quero ter um de eles em casa , Petúnia ! Não jurámos quando ficámos com o garoto que poríamos fim a esse perigoso disparate ? Em essa noite , quando voltou de o trabalho , o tio Vernon fez uma coisa que nunca tinha feito antes : foi visitar o Harry a a despensa . - Onde está a minha carta ? - perguntou ele , em o momento em que o tio apareceu a a porta , - quem foi que me escreveu ? - Ninguém . Vinha dirigida a ti por engano - disse o tio Vernon sinteticamente . - Achei melhor queimá a . - Não era um engano - disse o Harry furioso , - vinha para a minha despensa . - __ Silêncio ! - gritou o tio Vernon fazendo que , com o susto , algumas aranhas caíssem de o tecto . Respirou fundo várias vezes e depois , com um sorriso forçado que quase parecia doloroso , disse : - Er ... sim , Harry , acerca de a despensa , eu e a tua tia temos estado a pensar e ... estás a ficar grande de mais para este espaço . Achámos que seria melhor para ti mudar s para o segundo quarto de o Dudley . - Porquê ? - perguntou Harry . - Não faças perguntas - disse bruscamente o tio , - leva as tuas coisas para_cima . A casa de os Dursleys tinha quatro_quartos de cama . O de o tio Vernon e de a tia Petúnia , o quarto de hóspedes ( onde ficava geralmente a tia Marge , irmã de o tio Vernon ) , um onde o Dudley dormia e outro onde guardava todos os brinquedos e coisas que não cabiam em o de dormir . Bastou a Harry subir uma_vez a escada para transportar todos os seus haveres de a despensa para este quarto . Sentou se em a cama e olhou em volta . Quase tudo ali estava partido . A câmara de vídeo , que só tinha alguns meses de existência , estava em_cima_de um pequeno carro de assalto com que o Dudley atropelara o cão de o vizinho de o lado . A um canto estava a primeira televisão que lhe tinham oferecido , em a qual ele enfiara um pé , em o dia em que cancelaram o seu programa preferido . Havia também uma enorme gaiola , que tivera em tempos um papagaio que o Dudley trocara em a escola por uma verdadeira espingarda de pressão de ar que estava agora sobre uma de as prateleiras com a extremidade entortada , porque se sentara um dia em cima de ela . As outras prateleiras estavam cheias de livros e eram as únicas coisas em todo o quarto que pareciam nunca ter sido tocadas . De o andar de baixo ouvia se a voz de o Dudley a discutir com a mãe : - Não o quero ali , preciso de aquele quarto ... tira o de lá . Harry suspirou e esticou se em cima de a cama . Um dia antes teria dado tudo para poder estar em aquele lugar . Agora , preferia ter a sua carta e dormir de_novo em a despensa em_vez_de ter aquele quarto sem ter a carta . Em a manhã seguinte , a o pequeno-almoço , estavam todos muito calados . O Dudley ainda manifestava efeitos de o choque . Tinha gritado , batido em o pai com o bastão de os Smeltings , fingido adoecer , dado pontapés a a mãe e atirado o cágado para o tecto de a estufa sem conseguir que lhe devolvessem o quarto . Harry lembrava se de que em a véspera , a aquela mesma hora , tinha recebido a carta e pensava amargamente que devia tê a aberto em o vestíbulo . O tio Vernon e a tia Petúnia não paravam de olhar um para o outro com um ar sombrio . Quando chegou o correio , o tio Vernon , que parecia estar a ser simpático com o Harry , mandou o Dudley buscá o . Ouviram o a bater em todas_as coisas com o bastão de os Smeltings até chegar a a entrada . A seguir gritou : - Há outra ! Senhor_H._Potter , quarto mais pequeno de a casa , Privet_Drive , e ... Com um grito abafado o tio Vernon deu um salto em a cadeira e desceu as escadas a correr , seguido por Harry . Teve de atirar o filho a o chão para conseguir arrancar lhe a carta , o que foi dificultado por o facto de Harry lhe ter agarrado o pescoço por detrás . Depois de alguns momentos de lata e confusão , durante a qual todos levaram com o bastão de os Smeltings , o tio Vernon levantou se , com a carta em a mão e respirando com alguma dificuldade . - Vai para a despensa , quero dizer , para o quarto - ordenou a o Harry . - Dudley , sai de aqui . Harry deu voltas e voltas em o seu novo quarto . Alguém sabia que ele se mudara de a despensa para ali e parecia ter também conhecimento de que ele não recebera a primeira carta . Assim sendo , era bem provável que tentasse escrever lhe de_novo . E desta_vez havia que tomar precauções para que a carta lhe chegasse a as mãos . Tinha um plano . O despertador , que fora consertado , tocou a as seis em a manhã seguinte . Harry desligou o rapidamente e vestiu se em silêncio . Não podia acordar os Dursleys . Desceu a ! escadas sem acender nenhuma luz . Ia esperar por o carteiro em a esquina de a Privet_Drive e recolher as cartas para o número 4 em primeiro lugar . O coração batia lhe enquanto se arrastava vagarosamente , em o escuro , em direcção a a porta de a rua . AAAAAAAAHHHH ! ! ! Harry foi por os ares . Acabava de chocar com uma coisa grande e húmida que estava em o tapete , uma coisa viva ! As luzes acenderam se em o andar de cima e Harry apercebeu se de que a coisa grande e húmida era a cara de o tio Vernon que tinha dormido em o tapete , dentro_de um saco-cama , para se assegurar de que Harry não faria precisamente aquilo que se lembrara de fazer . Gritou com ele durante quase meia_hora e depois mandou o preparar uma chávena de chá . Harry arrastou se infelicíssimo até a a cozinha e quando regressou o correio já estava em o colo de o tio Vernon . Harry pôde distinguir perfeitamente três cartas escritas a tinta verde . - Eu quero ... - começou por dizer , mas o tio estava a rasgá as em mil pedacinhos mesmo a a frente de o seu nariz . Em esse dia o tio Vernon não foi trabalhar . Ficou em casa e fechou com pregos a caixa de o correio . - Vês ? - explicou a a tia Petúnia , por o meio de um monte de pregos , - se eles não poderem * entregá as * , acabarão por desistir . - Não tenho tanta certeza assim de que isso resulte , Vernon . - Ora , a cabeça de aquela gente funciona de um modo estranho , Petúnia . Eles não são como nós - disse o tio Vernon , tentando pregar um prego com o pedaço de bolo de frutas que a tia Petúnia acabara de lhe trazer . Em a sexta-feira chegaram doze cartas para o Harry . Como não podiam entrar em a caixa de o correio , foram metidas por debaixo de a porta , outras introduzidas por as frinchas laterais e algumas empurradas por a pequena janela de a casa_de_banho de o rés-do-chão . O tio Vernon voltou a ficar em casa . Depois de queimar todas_as cartas , foi buscar um martelo e pregos e pregou tábuas em as portas , de_tal_modo_que ninguém podia sair . Enquanto trabalhava ia cantarolando entredentes o * _ Tiptoe through the Tulips * ( Em bicos de pés entre as túlipas ) e saltava sempre_que ouvia um pequeno barulho . Em o sábado , as coisas começaram a fugir por completo a o seu controlo . Vinte_e_quatro cartas endereçadas a o Harry conseguiram entrar lá em casa , embrulhadas e escondidas em as duas_dúzias de ovos que o leiteiro entregou , bastante confuso , a a tia Petúnia , através de a janela de a sala . Enquanto o tio Vernon fazia chamadas telefónicas em grande exaltação para a repartição de os correios , tentando encontrar alguém com quem implicar , a tia Petúnia triturava as cartas em a 1,2,3 , como_se fossem carne para picar . - Quem diabo é_que quer tanto falar contigo ? - perguntava o Dudley no_meio_de um enorme espanto . Em o domingo de manhã , o tio Vernon sentou se a a mesa de o pequeno-almoço com um ar cansado e adoentado mas , apesar_de tudo , satisfeito . - Felizmente a o domingo não há correio - recordou lhes enquanto espalhava o doce em os jornais . - Não há as estuporadas cartas , hoje . Mal acabara de pronunciar esta frase , algo caiu por a chaminé de a cozinha , batendo lhe bruscamente em a nuca e , em o momento a seguir , trinta ou quarenta cartas tombaram ruidosamente , como uma chuva de balas , por a chaminé abaixo . Os Dursleys desviaram se mas Harry deu um enorme salto em a tentativa de agarrar alguma . - Fora ! FORA_DAQUI ! O tio Vernon agarrou Harry por o cinto de as calças e atirou o para o vestíbulo . Quando a tia Petúnia e Dudley baixaram os braços com que protegiam o rosto e a cabeça , o tio Vernon bateu com a porta . Cá fora ouviam se as cartas que continuavam a entrar a jorros por a sala , batendo fortemente contra as paredes e o soalho . - Está decidido - disse o tio Vernon , tentando falar , com toda_a calma mas arrancando ao_mesmo_tempo tufos de bigode . - Quero vos a todos aqui , dentro_de cinco minutos , prontos para sair . Vamos para fora . Arrumem algumas coisas e nada de perguntas ! Parecia tão perigoso com metade de o bigode arrancado que ninguém se atreveu a abrir a boca . Dez minutos mais tarde tinham conseguido sair através de as portas trancadas com tábuas e estavam todos em o carro , seguindo em a direcção de a auto-estrada . O Dudley fungava em o assento de trás porque o pai lhe dera um caldo em a cabeça por ele estar a atrasá os a todos , tentando meter em o saco de desporto a televisão , o vídeo e o computador . Fizeram quilómetros e quilómetros . Nem a tia Petúnia ousava perguntar a o marido para_onde iam . De vez em quando , o tio Vernon dava a volta e tomava a direcção contrária . - Despistá os ... despistá os -- , resmungava sempre_que fazia aquilo . Não pararam para comer nem para beber durante o dia inteiro . _ a a noitinha o Dudley estava de péssimo humor . Nunca passara um dia tão mau em toda_a sua vida . Tinha fome , perdera cinco programas de televisão que queria ver e nunca tinha estado tanto tempo sem destruir um extraterrestre em um de os seus jogos de computador . Finalmente o tio Vernon parou a a porta de um hotelzinho sombrio , a a entrada de uma grande cidade . Dudley e Harry dividiram o mesmo quarto de duas camas com lençóis húmidos e a cheirar a mofo . Dudley ressonou mas Harry ficou acordado , sentado em o peitoril de a janela , a olhar para baixo para as luzes de os carros que passavam e a pensar ... Em o dia seguinte , a o pequeno-almoço comeram * corn flakes * e torradas com tomate frio de conserva e tinham todos terminado em o momento em que a dona de o hotel se aproximou de a mesa . - Peço imensa desculpa , mas algum de os senhores é o senhor H._Potter ? É_que acabo de receber uma centena de cartas de estas em a minha secretária . A senhora mostrou uma de as cartas para que pudessem ler o endereço escrito a tinta verde : Senhor_H._Potter_Quarto 1 7 Hotel_Railview_Cokeworth_Harry fez um gesto em o sentido de pegar em a carta , mas o tio Vernon agarrou lhe em o braço e fê lo baixar a mão . A senhora ficou a olhar espantada . - Eu trato de isso - afirmou o tio Vernon , levantando se rapidamente e saindo atrás de ela de a sala de jantar . - Não seria melhor voltarmos para_casa , querido ? - sugeriu timidamente a tia Petúnia , algumas horas mais tarde , mas o tio Vernon pareceu nem ter ouvido as suas palavras . Ninguém sabia ao_certo qual era a ideia de ele . Levou os até a o meio de a floresta , saiu , olhou em volta , abanou a cabeça , voltou a o carro e continuou a conduzir . Fez o mesmo no_meio_de um campo cultivado , a meio de uma ponte e em o topo de um imenso parque de estacionamento . - O pai enlouqueceu , não enlouqueceu ? - perguntou em essa tarde o Dudley a a tia Petúnia . O tio Vernon tinha estacionado o carro em a costa , deixara os fechados lá dentro e desaparecera . Começou a chover . Enormes pingos de chuva batiam em o tejadilho de o carro . Dudley choramingava . - Hoje é segunda-feira - dizia ele a a mãe . - Há o * show * , de o grande Humberto , quero ir para qualquer lado onde haja televisão . Segunda-feira . Aquilo lembrava a o Harry qualquer coisa . Se * era * de facto segunda-feira - e geralmente o Dudley nunca se enganava em os dias por causa de a televisão - então em o dia seguinte , terça-feira , era o seu aniversário . Harry ia fazer onze anos . É claro que os seus aniversários não costumavam ser propriamente divertidos - em o ano passado os Dursleys tinham lhe oferecido um cabide para pendurar o casaco e um par de peúgas velhas de o tio Vernon . Mesmo_assim , não é todos_os_dias que se faz onze anos . O tio estava de volta e vinha sorridente . Trazia consigo um pacote grande e estreito e não respondeu a a tia Petúnia quando esta lhe perguntou o que tinha comprado . - Descobri o lugar ideal ! - disse . - Vamos lá , toca a sair , todos ! Estava um frio de enregelar fora de o carro . O tio Vernon apontou para uma coisa que parecia um caminho de rocha , direito a o mar . Encarrapitada em_cima_de um rochedo ainda distante , estava a cabana mais miserável que imaginar se pode . Uma coisa era certa , ali não havia televisão . - As previsões são de tempestade para esta noite ! - disse o tio Vernon jovialmente , batendo as palmas . - E este senhor , aceitou alugar nos o barco para irmos até lá ! Um velhote sem dentes aproximou se vagarosamente , apontando com um sorriso perverso para um velho barco a remos que boiava em a água acinzentada . - Já fui comprar algumas provisões - disse o tio Vernon , - portanto , todos a_bordo ! Estava demasiado frio dentro de o barco . Os salpicos gélidos de a água de o mar e a chuva molharam lhes o pescoço e as costas e um vento frio fustigou lhes o rosto . A viagem pareceu ter demorado horas até que chegaram a a rocha onde o tio Vernon , escorregando e deslizando , lhes indicou o caminho para a cabana em ruínas . O interior de a cabana era um susto . Cheirava intensamente a algas podres , o vento assobiava por as fendas de as paredes de madeira e o fogão estava húmido e sem lenha . A cabana tinha apenas dois_quartos . As provisões de o tio Vernon , afinal , eram apenas um pacote de batatas fritas para cada_um e quatro bananas . Tentou acender a lareira mas as embalagens vazias de as batatas fritas deitaram fumo e apagaram se de imediato . - Davam jeito agora aquelas cartas todas , hein ? - disse alegremente . Estava cheio de boa disposição . Pensava obviamente que ninguém conseguiria encontrá os ali , em o meio de a tempestade , para lhes entregar o correio . Harry partilhava de a mesma opinião apesar_de isso não o alegrar de modo algum . Quando anoiteceu , a anunciada tempestade estoirou em volta de eles . As ondas enormes conseguiram encharcar as paredes de a choupana e um vento feroz agitava , com grande ruído , as janelas imundas . A tia Petúnia descobriu alguns cobertores em o segundo quarto e fez uma cama para o Dudley em o velho sofá roído por a traça e carcomido por o tempo . Ela e o tio Vernon ficaram em o quarto a o lado , uma divisão húmida e grumosa , marcada em as paredes e em o soalho por a força de as ondas e o Harry ficou a a vontade para procurar o bocado de chão menos duro e embrulhar se em o cobertor mais ralo e esfarrapado . A tempestade tornava se cada_vez_mais violenta à_medida_que a noite avançava . Harry , com o estômago revoltado com fome , tiritava e deva voltas e reviravoltas , tentando encontrar a melhor posição . O ressonar de os Dursleys era abafado por a trovoada que começou perto de a meia-noite . O ponteiro luminoso de o relógio de o Dudley , tombado em a beira de o sofá , em o seu pulso gordo , permitia lhe ver que dentro_de dez minutos faria onze anos . Ficou a olhar fixamente e a ver aproximar se o seu aniversário , perguntando a si próprio se os Dursleys se lembrariam e onde estaria a pessoa que lhe tinha escrito todas aquelas cartas . Faltavam cinco minutos . Harry ouviu um barulho lá fora . Desejou que não fosse o tecto a ruir , embora ficasse mais quentinho se isso acontecesse . Faltavam quatro minutos . Talvez a casa em Privet_Drive estivesse tão cheia de cartas quando voltassem que lhe fosse possível roubar uma . Faltavam três minutos . Seria o mar a bater em a rocha de aquela maneira ? E ( faltavam dois minutos ) , que barulho que parecia de pés seria aquele ? Estaria a rocha a desagregar se ? Faltava um minuto para ele completar onze anos . Trinta segundos ... vinte ... dez ... nove - e se acordasse o Dudley só para o chatear ? - três ... dois , um ... BOOOOOM . Toda_a cabana estremeceu . Harry deu um salto e ficou a olhar . Alguém estava lá fora a bater a a porta . IV_O guarda de as chaves BOOM . Voltaram a bater . Dudley acordou estremunhado . - Onde está o canhão ? -- , perguntou estupidamente . Ouviu se um ruído por detrás de eles e o tio Vernon entrou em o quarto a os tropeções com uma espingarda em a mão ; agora já sabiam o que ele trazia em aquele pacote alto e estreito . - Quem está aí ? - gritou . - Previno o de que estou armado ! Fez se uma pausa . Em seguida ... SMASH ! A pancada em a porta foi de tal modo forte que esta saiu de os gonzos e , com um ruído ensurdecedor , estatelou se em o chão . Um homem gigantesco estava de pé em o umbral de a porta . O rosto estava praticamente tapado por uma enorme juba hirsuta e por uma barba emaranhada , mas mesmo_assim era possível vislumbrar os seus olhos , a brilharem como baratas negras debaixo_de todo aquele cabelo . O gigante forçou a entrada em a choupana , baixando a cabeça para não bater em o tecto . Inclinou se , apanhou a porta e colocou a de_novo , com a maior facilidade , em as dobradiças . O estrépito de a tempestade diminuiu um_pouco . Ele voltou se para olhar bem para toda_a família . - Poderiam oferecer me uma chávena de chá . Não foi uma viagem fácil ... Deu uma enorme passada em direcção a o sofá onde o Dudley estava sentado , a tremer de medo . - Salta de aí , massa informe - disse o estranho . Dudley deu um grito e correu a esconder se atrás de a mãe que tremia apavorada atrás de o tio Vernon . - Ah ! Aqui . tá o Harry ! - disse o gigante . Harry olhou para aquele rosto feroz , tosco e indistinto e viu que os olhinhos de barata lhe sorriam . - De a última vez que te vi ind'eras bebé - disse o gigante . - É engraçado , pareces te bastante com o teu pai , mas os olhos são os de a tua mãe . O tio Vernon fez um ruído áspero e estranho . - Exijo que o senhor saia de aqui ! - disse . - Forçou a entrada em esta casa ! - Está calado , Dursley . És um parvo - disse o gigante . Aproximou se de o sofá , tirou a arma de as mãos de o tio Vernon , dobrou a , dando lhe um nó como_se fosse feita de borracha e atirou a para um canto de a sala . O tio Vernon fez outro som estranho , como o de um rato a ser pisado . - De qualquer modo , Harry -- , disse o gigante , - feliz aniversário . Tenho uma coisa para ti , se_calhar sentei me em cima de ela mas o sabor é o mesmo . De dentro de o bolso de o sobretudo preto , retirou uma caixa ligeiramente achatada . Harry abriu a com os dedos trémulos . Lá dentro estava um grande bolo de chocolate com uma cobertura doce onde estrava escrito em letras verdes « Feliz aniversário , Harry . » Harry olhou para o gigante . Queria dizer lhe obrigado mas as palavras perderam se por o caminho e o que saiu foi « Quem és tu ? « O gigante riu entredentes . - É verdade , nem me apresentei . Rubeus_Hagrid , guarda de as chaves e de os campos em Hogwarts . Estendeu uma mão enorme e agarrou em o braço todo de o Harry . - Então e o chá , hein ? - perguntou , esfregando as mãos . - Eu não digo que não , se m'oferecerem alguma coisa forte p'ra tomar . Os olhos detiveram se em o fogão de sala vazio , com os pacotes de batatas fritas semiardidos . Começou a soprar . Inclinou se sobre a lareira de_tal_modo_que ninguém conseguia ver o que estava a fazer , mas quando se afastou , um segundo depois , havia ali um lume forte que enchia a cabana de luz e Harry sentiu o calor envolvê o como_se tivesse acabado de entrar em um banho quente . O gigante sentou se em o sofá que abateu com o seu peso e começou a tirar as mais diversas coisas de os bolsos de o sobretudo : uma chaleira de cobre , uma embalagem amolgada de salsichas , um atiçador de fogão , um bule , várias canecas rachadas e uma garrafa de um líquido âmbar de a qual bebeu um trago antes de começar a fazer o chá . Poucos minutos depois a cabana estava cheia de o som e de o cheirinho de as salsichas a serem fritas . Ninguém disse palavra enquanto o gigante fazia o seu trabalho , mas quando ele fez deslizar para fora de o ferro as primeiras seis salsichas sumarentas e ligeiramente tostadas , o Dudley mostrou se inquieto . O tio Vernon disse lhe secamente : - Não mexas em nada , ele dá te , Dudley . O gigante riu se . - O grande pudim de o teu filho não precisa de engordar mais , Dursley , não te preocupes . Passou as salsichas a o Harry que estava com tanta fome que teve a impressão de nunca ter comido nada tão saboroso em toda_a sua vida . Não conseguia tirar os olhos de o gigante . Por fim , como ninguém lhe explicava o quer que fosse , disse : - Desculpe mas eu ainda não sei quem o senhor é realmente . O gigante tomou um gole de chá limpou a boca com a palma de a mão . - Chama me Hagrid - disse . - É como todos me chamam . E como já te disse sou o guarda de as chaves em Hogwarts ; certamente sabes o que é Hogwarts . - Er ... não - disse Harry . Hagrid ficou estarrecido . - Desculpe - completou Harry o mais rapidamente possível . - Desculpe ? - rosnou Hagrid , voltando se para os Dursleys que recuaram para a sombra . - São eles que deveriam pedir desculpa ! Eu sabia que não estavas a receber as cartas mas nunca pensei que nem_sequer soubesses o que era Hogwarts . Nunca tiveste curiosidade de saber onde os teus pais aprenderam tudo ? - Tudo o quê ? - perguntou Harry . - TUDO_O_QUê ? ? ? - vociferou Hagrid . - Espera lá ! Ele pusera se de pé em um salto . Em toda_a sua raiva parecia encher por completo a choupana . Os Dursleys estavam colados a a parede . - Querem dizer que - rosnou em a direcção de os Dursleys - qu'este rapaz - este rapaz ! - não sabe nada DE_NADA ? Harry achou que as coisas estavam a ir um_pouco longe_de mais . Também não era assim . Ele tinha ido a a escola e a o fim e a o cabo até nem tivera muito más notas . - Eu sei algumas coisas - disse . De matemática , de ... Mas Hagrid acenou com a mão e esclareceu : - Eu refiro me a o nosso mundo . Isto_é , a o meu mundo , a o teu mundo , a o mundo de os teus pais . - Qual mundo ? Hagrid parecia prestes a explodir . - DURSLEY ! - gritou . O tio Vernon , que ficara de repente muito pálido , murmurou qualquer coisa que pareceu - Mimblewimble . Hagrid olhou fixamente para Harry . - Mas deves saber sobre a tua mãe e o teu pai -- , disse . - Afinal eles eram famosos , tu és famoso . - O quê ? A minha mãe e o meu pai eram famosos ? - Tu não sabes . . . não sabes -- , Hagrid passou os dedos por os cabelos olhando para Harry com um olhar desnorteado . - Tu não sabes o que és ? - perguntou por fim . O tio Vernon encontrou finalmente a voz . - Pare -- , disse em um tom de comando . - Pare por aí , se faz favor , proíbo o de contar a o rapaz seja o que for ! Um homem mais corajoso do_que Vernon_Dursley teria perdido o animo perante o olhar de fúria incontida que Hagrid lhe lançou . Quando falou , cada uma de as sílabas que pronunciava tremia de raiva . - Você nunca lhe disse ? Nunca lhe disse o que estava escrito em a carta que o Dumbledore deixou p'ra ele ? Eu ' tava presente . Vi Dumbledore deixar a carta , Dursley ! E você nunca lhe a entregou em todos estes anos ? - Nunca me entregou o quê ? - perguntou Harry ansiosamente . - Cala te . Proíbo te ! - gritou o tio Vernon em pânico . A tia Petúnia estremeceu horrorizada . - Vão para o raio que vos parta , vocês os dois - disse Hagrid . - Harry tu és um feiticeiro . Fez se um enorme silêncio dentro de a cabana . Apenas se ouvia o mar e os assobios de o vento . - Eu sou o quê ? - perguntou Harry sem conseguir entender . - Um feiticeiro , claro -- , disse Hagrid , sentando se em o sofá que chiou e se afundou mais um_pouco . - E um excelente feiticeiro , arriscaria eu , basta qu'aprendas algumas coisas . C'uma mãe e um pai com'os teus , como poderias não o ser ? E acho que chegou a altura de leres a tua carta . Harry estendeu a mão , agarrando por fim o sobrescrito amarelo , endereçado em tinta verde esmeralda a o Senhor_H._Potter , rés-do-chão , Cabana de a rocha , Oceano . Pegou em a carta e leu : : __ Escola_Hogwarts de magia e __ Feitiçaria_Director : Albus_Dumbledore ( Ordem_de_Merlin , Primeira classe , Grande_Feit . , Prof._Warlock , Mandatário_Supremo , Confeder . Internacional_de_Feiticeiros ) Caro_Sr._Potter , É nosso prazer informá o de que tem um lugar a a sua espera em a Escola_de_Magia e Feitiçaria_de_Hogwarts . Junto enviamos uma lista de os livros e equipamentos necessários . O ano lectivo começa a 1_de_Setembro . Queira enviar nos a sua coruja até dia_31_de_Julho , sem falta . Atenciosamente Minerva_Mc_Gonagall_Subdirectora_As perguntas estoiraram dentro de a cabeça de Harry como_se fossem fogo-de-artíficio , de_tal_modo_que ele não conseguia decidir qual a pergunta que queria fazer em primeiro lugar . Após alguns minutos balbuciou : - O que é_que quer_dizer esperarem a minha coruja ? - Górgones galopantes ! só agora me lembro ! - exclamou Hagrid , batendo com a mão em a testa com uma força capaz de deitar abaixo um cavalo de corrida e tirando de o outro bolso interior uma coruja - uma coruja verdadeira , viva e bastante emaranhada e inquieta -- , uma pena longa e um rolo de pergaminho . Com a língua entre os dentes escrevinhou uma nota que o Harry conseguiu ler de baixo para_cima . Caro_Senhor_Dumbledore . Dei a o Harry a carta que era para ele . Vou levá o amanhã para comprar as coisas necessárias . . O tempo está péssimo . Espero que se encontre bem . Hagrid_Hagrid enrolou a nota , deu a a a coruja que a agarrou com o bico e , dirigindo se a a porta , soltou a ave em o meio de a tempestade . Em seguida , voltou a sentar se como_se tivesse feito a coisa mais normal de este mundo , como por_exemplo uma chamada telefónica . Harry apercebeu se de que estava de boca aberta e fechou a apressadamente . - Onde é_que eu estava ? - perguntou Hagrid , mas em aquele momento o tio Vernon , ainda pálido mas mostrando se muito zangado , aproximou se de o lume . - Ele não vai - afirmou . Hagrid grunhiu . - Gostava de ver um Muggle de o seu tamanho impedis o - disse . - Um quê ? - perguntou Harry , interessado . - Um Muggle -- , disse Hagrid , - é como nós chamamos a os não-mágicos como eles . E tiveste mesmo pouca sorte em teres crescido em o seio de uma família de os maiores Muggles que alguma vez conheci . - Jurámos em o dia em que o recebemos que acabaríamos com esse disparate -- , disse o tio Vernon , - que lhe retiraríamos isso . Um feiticeiro , francamente ! - Vocês sabiam ? - perguntou Harry . - Sabiam que eu era um feiticeiro ? - Sabíamos ! - guinchou a tia Petúnia , inesperadamente . - Sabíamos , claro que sabíamos . Como seria possível que não o fosses sendo a maldita de a minha irmã como era ? Sim , ela recebeu uma carta igual a a tua e desapareceu para ir para essa escola - aparecia depois em casa em as férias com os bolsos cheios de ovas de rã , transformando canecas em ratazanas . Eu era a única que a via como ela era - uma excêntrica ! Mas para o meu pai e para a minha mãe , não . Era_a_Lily isto , a Lily aquilo , eles orgulhavam se de ter uma bruxa em a família ! Calou se para respirar fundo e em seguida continuou . Dava a impressão que tinha tudo aquilo preso em a garganta havia muitos anos . - Depois de encontrar o Potter em a escola , casaram e nasceste tu . E , é claro que eu sabia que irias ser tão estranho - * tão anormal * - como eles . Por fim acabou por fazer com que rebentassem com ela e tu vieste aterrar aqui ! Harry tinha ficado branco . Quando conseguiu falar disse : - Rebentassem com ela ? Vocês disseram me que eles tinham morrido em um acidente de automóvel ! - __ Acidente __ de __ Automóvel - berrou Hagrid , dando um salto , tão furioso , que os Dursleys voltaram a recuar para o canto de a sala . - Como poderia um acidente de automóvel matar Lily e James_Potter ? É um ultraje , uma vergonha , um escândalo ! Harry_Potter desconhecer a sua própria história quando todos os garotos de o nosso mundo conhecem o seu nome ! - Mas porquê , o que aconteceu ? - perguntou Harry cheio de impaciência . A raiva desvaneceu se de o rosto de Hagrid . Parecia subitamente ansioso . - Nunca esperei qu'isto acontecesse - disse em um tom de voz baixo e triste . - Não me passou p'la cabeça , quando Dumbledore me disse que podia haver problemas contigo , até_que_ponto esta gente seria capaz de te manter em a ignorância . Ah ! Harry , não sei se sou a pessoa certa p'ra te contar - mas alguém tem de te dizer - não podes ir para Hogwarts sem saber de nada . Lançou um olhar de nojo a os Dursleys . - Bem , é melhor contar te tudo aquilo que sei - apesar_de não poder explicar te tudo , algumas partes ainda são um perfeito mistério ... Sentou se , olhou para o fogo durante alguns segundos e , em seguida , disse : - Tudo começa , penso eu , com uma pessoa chamada ... mas é incrível que nem saibas o seu nome ; toda_a_gente em o nosso mundo o conhece ... - Quem ? - Bem - eu detesto pronunciá o e evito sempre_que possível . Ninguém gosta . - Porquê ? - Górgones galopantes , Harry , porque as pessoas ainda têm medo . Isto_é difícil de explicar . Havia um feiticeiro que se tornou cruel . O pior qu'é possível imaginar . Horrível . Pior qu'horrível . O seu nome era ... Hagrid engoliu em seco , mas nenhuma palavra saía . - Podes escrever ? - sugeriu Harry . - Em a ' consigo soletrar . Lá vai - * _ Voldemort * - disse Hagrid estremecendo . - Não me obriguem a repeti o . De qualquer modo este , este feiticeiro há cerca de vinte anos começou a procurar seguidores . Conseguiu alguns , uns porque tinham medo , outros por a sede de poder . Dias negros , esses , Harry . Não se sabia em quem se podia confiar . Não arriscávamos tornar nos amigos de feiticeiros desconhecidos ou bruxas ... aconteciam coisas pavorosas . Ele ' tava a tomar as rédeas de o poder . É claro que muitos lhe fizeram frente - e ele matou os . Foi um pesadelo . Um de os lugares que continuava a ser seguro era Hogwarts . Sabia se que Dumbledore era o único de quem o « Quem nós sabemos » tinha medo . Nunca tentou aproximar se de a escola . - Ora a tua mãe e o teu pai eram de os melhores mágicos e feiticeiros que eu conheci . O melhor de os rapazes e a melhor de as raparigas de aquele tempo . Suponho que o mistério está em o facto de o « Quem nós sabemos » nunca ter tentado aliciá os para o seu lado ... talvez soubesse que eles gostavam muito de o Dumbledore para quererem fosse o que fosse com o lado negro . Talvez pensasse que podia persuadi os ou afastá os de o caminho . O que se sabe é_que ele chegou a a cidade onde vocês viviam em o dia de * _ Hallowe'en , há dez anos e ... Hagrid voltou a puxar de um lenço de assoar sujíssimo e espremeu o nariz com um barulho que parecia de uma sirene . - Desculpem - disse - mas é tão triste . Eu conhecia o teu pai e a tua mãe e eram as melhores pessoas de o mundo , e ... O « Quem nós sabemos » matou os . E a seguir , e este é o verdadeiro mistério , tentou matar te a ti . Queria fazer um trabalho perfeito , calculo , ou talvez gostasse de matar por matar . Mas não conseguiu . Nunca tiveste curiosidade em saber de onde vem essa cicatriz que tens em a testa ? Não é um corte vulgar . É a marca que fica quando uma poderosa maldição em os toca . Ele conseguiu liquidar os teus pais e a tua casa também , mas não conseguiu fazer te mal a ti e é por isso que tu és famoso , Harry . Foste o único a sobreviver a o seu desejo de matar . E olha qu'ele matou alguns de os melhores feiticeiros e bruxas de a época , os Mc_Kinnons , os Bones , os Prewetts . Tu não passavas de um bebé e sobreviveste . Em a mente de Harry passava se algo muito doloroso . _ à_medida_que a história de Hagrid avançava , ele voltava a ver a forte luz verde com maior clareza do_que antes - e recordou se de uma coisa pela_primeira_vez , de uma gargalhada grande , fria e cruel . Hagrid olhava para ele tristemente . - Fui eu quem te tirou de a casa em ruínas , por ordem de Dumbledore , trouxe te para este par de ... - Tolices -- , disse o tio Vernon . Harry deu um salto . Esquecera se de que os Dursleys estavam ali . O tio parecia ter recuperado a coragem e , com os punhos cerrados , lançava a Hagrid um olhar cheio de ódio . - Ouve bem , rapaz -- , disse rispidamente , - eu admito que existe em ti algo de estranho , nada que muito provavelmente uma boa sova não pudesse ter curado mas quanto a o que se disse sobre os teus pais , é certo que eles eram esquisitos , ninguém pode negá o e , se queres saber a minha opinião , o mundo ficou bastante melhor sem eles . Com tudo_o_que tinham e misturados com esse tipo de feitiços tiveram a morte macaca que eu sempre esperei que tivessem ... Mas , em esse momento , Hagrid levantou se de o sofá e retirou de dentro de o sobretudo um guarda-chuva cor-de-rosa . Apontando o a o tio Vernon com se fosse uma espada , disse : - Estou a avisar te , Dursley , olha que estou a avisar te , mais uma palavra e ... A ideia de ser trespassado por o guarda-chuva de um gigante barbudo fez com que a coragem de o tio Vernon se desvanecesse de_novo . Espalmou se contra a parede e não abriu mais a boca . - _ é melhor assim - disse Hagrid , respirando pesadamente e voltando a sentar se em o sofá que , desta_vez , ruiu por completo , estatelando se em o chão . Harry , entretanto , tinha ainda várias perguntas a fazer , centenas de elas . - Mas o que aconteceu a Vol ... perdão ... a o « Quem nós sabemos » ? - Boa pergunta , Harry . Desapareceu . Eclipsou se . Uma noite tentou matar te , o que te torna ainda mais famoso . E esse é o maior mistério , compreendes ? S'ele ' tava a ficar cada_vez com mais poder , porque desapareceu ? - Alguns dizem que morreu . Balelas , em a minha opinião . Não sei se tinha alguma coisa de humano que pude se morrer . Outros acham qu'inda anda por aí mas eu não acredito . Os que estavam de o lado de ele regressaram a o nosso . Alguns saíram de grandes perturbações e transes . Não sabemos o que fariam se ele regressasse . - A maior parte calcula que ele esteja algures por aí mas que , tendo perdido todos os poderes , se sinta demasiado fraco para continuar . Porque houve alguma coisa em ti que acabou com ele . Aconteceu algo em aquela noite com qu'ele não contava - eu não sei o que foi , ninguém sabe , mas qualquer coisa em ti acabou com ele . Hagrid olhou para Harry com calor e respeito em o olhar , mas este em_vez_de se sentir satisfeito e orgulhoso , o que sentiu foi que devia haver ali um tremendo engano . Um feiticeiro , ele ? Como é_que seria possível ? Ele que passara a vida a ser espancado por o Dudley e ameaçado por a tia Petúnia e por o tio Vernon ? Se fosse mesmo um feiticeiro , porque hão se tinham eles transformado em sapos nojentos sempre_que haviam tentado fechá o em a despensa ? Se ele conseguira enfrentar o maior de os feiticeiros , como é_que o Dudley passara a vida a dar lhe pontapés como_se ele fosse uma bola de futebol ? - Hagrid -- , disse calmamente . - Acho que deves estar enganado . Eu não devo ser um feiticeiro . Para sua grande surpresa Hagrid riu se . - Não és um feiticeiro , hein ? Nunca fizeste acontecer coisas estranhas quando estavas com medo ou zangado ? Harry olhou para o fogo . Pensando melhor ... todas_as coisas que ultimamente tinham deixado a tia e o tio furiosos tinham acontecido quando ele , Harry , estava preocupado ou zangado ... perseguido por o grupo de o Dudley , dera por si fora de o alcance de eles ... receando ir para a escola com aquele corte de cabelo ridículo , conseguira fazer com que o cabelo lhe crescesse de_novo ... e de a última vez em que o Dudley lhe batera , não lhe pregara um valente susto , sem sequer ter consciência , soltando a os pés de ele a Boa_Constrictor ? Harry olhou de_novo para Hagrid , a sorrir e viu que ele irradiava alegria . - Vês ? - disse Hagrid . - Harry_Potter não ser um feiticeiro - vais ver como te tornarás famoso em Hogwarts . Mas o tio Vernon não ia desistir assim de o pé para a mão . - Não lhe disse já_que ele não vai ? - repetiu com uma voz sibilante . - Ele vai para Stonewall_High e há-de agradecer nos por isso . Eu li todas aquelas cartas que dizem que ele precisa de os maiores disparates - livros de feitiçaria e varinhas e ... - Se ele quiser ir , não é um Muggle como você que vai impedi o - rosnou Hagrid . - Impedir o filho de Lily e James_Potter de ir para Hogwarts ! Você é doido . O nome de ele está lá inscrito desde o dia em que nasceu . Ele vai frequentar a melhor escola de magia e feitiçaria de o mundo . Sete anos lá e nem ele próprio se reconhecerá . Vai conviver com jovens que são como ele , para variar , e estará sobre a supervisão de o maior director que Hogwarts alguma vez teve , Albus_Dumbledore ... - : __ eu não vou pagar para um velho idiota lhe ensinar truques de __ magia ! -- , gritou o tio Vernon . Mas , desta_vez , tinha ido longe_de mais . Hagrid pegou em o guarda-chuva , ergueu o acima de a cabeça de o Muggle e gritou bem alto : - NUNCA -- , vociferou , - : __ nunca mais insultes em a minha frente albus __ Dumbledore ! Baixou o guarda-chuva , cortando o ar com uma vergastada e apontou o a o Dudley - houve um * flash * de luz violeta , um som que parecia o de um foguete , um forte grunhido e , em o momento seguinte , o Dudley parecia estar a dançar , a os saltos , com as mãos agarradas a o rabo gordo e a gritar com dores . Quando se voltou de costas , Harry viu uma cauda de porco , enrolada , a sair lhe de um buraco de as calças . O tio Vernon praguejou . Arrastando a tia Petúnia e o Dudley para o outro quarto , lançou um último olhar de ódio a Hagrid e bateu lhe com a porta em a cara . Hagrid baixou a cabeça , olhou para o guarda-chuva e coçou a barba . - Não devia ter me descontrolado -- , disse pesarosamente , - mas de qualquer modo não funcionou . Queria transformá o em um porco mas ele já é tão parecido que não havia muito a fazer . Lançou um olhar envergonhado a Harry , com os olhos baixos sob as sobrancelhas farfalhudas . - Agradecia te que não contasses isto a ninguém lá em Hogwarts -- , disse . - Eu ... não ' tou autorizado a fazer feitiços , por assim dizer . A minha função era seguir te e fazer com que recebesses as cartas e coisas assim ... um de os motivos por os quais eu quis tanto aceitar o trabalho ... - Porque é_que não podes fazer magia ? - perguntou Harry . - Bem , eu fui aluno de Hogwarts mas ... er ... para dizer a verdade , foi expulso em o terceiro ano . Eles tiraram me a varinha e quase tudo . Mas Dumbledore deixou me ficar como encarregado . Um grande homem , Dumbledore ! - Mas porque é_que foste expulso ? - Está a fazer se tarde e temos montes de coisas p'ra fazer amanhã - disse Hagrid , elevando animadamente a voz . - Temos de ir a a cidade comprar os livros e tudo o resto . Tirou o seu casacão preto e grosso e atirou o a Harry . - Podes dormir debaixo de isso . Não te espantes s'alguma coisa se mexer , acho que ainda tenho alguns roedores em um de os bolsos . V_DIAGON - __ AL_Harry acordou cedinho em a manhã seguinte . Apesar_de ver que já havia claridade manteve os olhos fechados . - Era um sonho - disse de si para consigo . - Sonhei que um gigante chamado Hagrid tinha vindo dizer me que eu ia para uma escola de feitiçaria . Quando abrir os olhos vou descobrir que continuo em casa , fechado em a despensa . De repente ouviu se um grande estardalhaço . - Lá está a tia Petúnia a bater em a porta -- , pensou Harry com o coração a tremer . Mas mesmo_assim não abriu os olhos . Fora um sonho tão bom ... Tap . Tap . Tap . - Está bem -- , resmungou . - Já lá vou . Sentou se e o casacão pesado de Hagrid caiu para o lado . A cabana estava cheia de luz . A tempestade tinha passado . O próprio Hagrid adormecera em o sofá totalmente destruído e , bicando em o vidro de a janela , estava uma coroja que segurava um jornal . Harry pôs se de pé , em um salto . Sentia se tão feliz como_se tivesse dentro de o peito um balão de ar . Foi direito a a janela e abriu a de par em par . A coruja entrou e depôs o jornal em_cima_de Hagrid que não acordou . Em seguida pousou em o chão e começou a dar lhe bicadas em o casaco . - Não faças isso . Harry tentou sacudir a coruja mas esta mostrou lhe agressivamente o bico e continuou a atacar o sobretudo de Hagrid . - Hagrid -- , disse Harry bastante alto . - Está aqui uma coruja . - Paga lhe -- , resmungou Hagrid para dentro de o sofá . - O quê ? - Ela quer a paga por entregar o jornal . Procura em os bolsos . O sobretudo de Hagrid parecia não ter senão bolsos - molhos de chaves , pastilhas amassadas , novelos de fio , saquinhos de chá ... por fim Harry retirou uma mão-cheia de moedas com um aspecto estranho . - Dá lhe cinco Knuts . - Knuts ? - As pequeninas , de bronze . Harry contou cinco pequenas moedas de bronze e a coruja esticou a perna para que ele pudesse depositá as dentro_de uma bolsinha que aí trazia amarrada . Logo_a_seguir voou por a janela fora . Hagrid bocejou em voz alta , sentou se e espreguiçou se . - Melhor irmos indo , Harry , há muito p'ra fazer hoje , toca a levantar p'ra irmos a Londres comprar o material prà escola . Harry estava a dar voltas a as moedas de o feiticeiro e a olhar para elas . Acabara de se lembrar de uma coisa que fez com que o balão de felicidade que lhe enchia o peito se esvaziasse como_se tivesse levado uma picada . - Hum ... Hagrid ? - Hum ? - disse Hagrid que estava a enfiar as botifarras . - Eu não tenho dinheiro nenhum e tu ouviste o tio Vernon ontem a a noite dizer que não vai pagar para eu aprender magia ? - Não te preocupes com isso -- , disse Hagrid , pondo se de pé e coçando a cabeça . - Eles pensam q'os teus pais não te deixaram nada ? - Mas se a casa de eles foi destruída ... ? - Eles não guardavam o ouro em casa , rapaz ! Nah . O primeiro lugar onde vamos é Gringotts - o banco de os feiticeiros . Toma uma salsicha , não estão totalmente frias - e eu aceitava tam'ém uma fatia de o teu bolo de aniversário . - Os feiticeiros têm bancos ? - Só aquele , Gringotts , d'rigido por duendes . Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha em a mão . - Duendes ? - Sim , por isso só um louco tentaria assaltá o . Digo te uma coisa , nunca te metas com duendes , Harry . Gringotts é o lugar mais seguro de o mundo p'ra guardar seja o que for ; com excepção talvez de Hogwarts . Em a verdade , tenho mesmo qu'ir a Gringotts tratar de uns assuntos prò Dumbledore -- . Hagrid levantou se com um ar orgulhoso . - Ele costuma pedir me que lhe trate de as coisas importantes . Ir te buscar , ir buscar coisas a os Gringotts , sabe qu'eu sou de confiança , percebes ? - Tens tudo ? Então vamos embora . Harry seguiu Hagrid através de a rocha . O Céu estava agora claro e o mar brilhava a a luz de o Sol . O barco que o tio Vernon tinha alugado ainda ali se encontrava , com bastante água em o fundo , de a tempestade . - Como é_que conseguiste chegar aqui ? - perguntou Harry , olhando em volta a a procura de outro barco . - A voar - disse Hagrid . - A voar ? - Sim , mas vamos voltar em este . Não estou autorizado a usar mágica agora_que te tenho comigo . Instalaram se em o barco , Harry ainda a olhar fixamente para Hagrid e a tentar imaginá o em pleno voo . - Mas é uma vergonha ter de remar -- , disse , olhando mais_uma_vez de lado para Harry . - Se eu apressasse um niquinho as coisas , importavas te de não d'zer nada em Hogwarts ? - Claro que não - disse Harry , ansioso por mais coisas mágicas . Hagrid puxou novamente de o guarda-chuva cor-de-rosa , bateu duas vezes com ele em a madeira de o barco e partiram a_toda_a velocidade em direcção a terra . - Porque seria alguém tão louco para tentar assaltar Gringotts ? - perguntou Harry . - Feitiços , encantamentos - disse Hagrid , desdobrando o jornal , enquanto falava . - Dizem qu'há dragão a guardar as caixas fortes d'alta segurança . Ah ! E é preciso conhecer o caminho - Gringotts fica a centenas de quilómetros debaixo de o chão de Londres . Debaixo de os subterrâneos . Qualquer um morreria de fome a tentar chegar lá . Harry sentou se a pensar em tudo aquilo enquanto Hagrid lia o jornal , o * _ Daily_Prophet * ( O Profeta_Diário ) . Tinha aprendido com o tio Vernon que as pessoas gostavam que as deixassem em paz quando liam o jornal mas era muito difícil . Nunca tivera tantas perguntas para fazer em toda_a sua vida . - O Ministério_da_Magia a baralhar tudo como de costume -- , resmungou Hagrid , virando a página . - Existe um Ministério_da_Magia ? - perguntou antes de ter tido tempo de pensar . - Claro - disse Hagrid . - Queriam Dumbledore p'ra Ministro mas ele nunca deixaria Hogwarts , por isso quem ficou co ' lugar foi o velho Cornelius_Fudge . Uma cabeça que é uma confusão . Não deixa Dumbledore em paz , sempre a mandar lhe corujas todas_as manhãs e a pedir lhe conselhos . - Mas o que faz um Ministro_da_Magia ? - Bem , a tarefa principal é não deixar que os _ muggles saibam qu'inda existem bruxas e feiticeiros por todo o país . - Porque ? - Porquê ? Co'a breca , Harry , toda_a_gente ia querer soluções mágicas para os seus problemas . Nah ! É melhor que nos deixem em paz . Em esse momento o barco bateu a o de leve em a parede de o porto . Hagrid voltou a dobrar o jornal e subiram por os degraus de pedra que levavam a a estrada . Os transeuntes olharam um bocado para Hagrid enquanto eles atravessavam a pé a cidadezinha até a a estação . Harry não podia censurá os . Hagrid tinha não_só o dobro de a estatura de qualquer cidadão normal como não parava de apontar para as coisas mais vulgares como por_exemplo os parquímetros , dizendo alto : - ` _ tás a ver aquilo , Harry ? As coisas qu'os Muggles inventam , hein ? - Hagrid -- , disse Harry , quase sem fôlego , enquanto corria para acompanhar a passada de o gigante , - é verdade que há dragões em Gringotts ? - Bem , por assim dizer , caramba , com'eu gostaria de ter um dragão . - Gostavas de ter um ? - Sempre quis , desde_pequeno . Cá estamos ! Tinham chegado a a estação . Havia um comboio para Londres que partia dentro_de cinco minutos . Hagrid , que não percebia nada de o « dinheiro de os Muggles » como lhe chamava , deu as notas a Harry para ele comprar os bilhetes . Em o comboio as pessoas olharam ainda mais para Hagrid que ocupou dois lugares e se sentou a tricotar uma coisa que parecia uma tenda de circo amarelo canário . - Tens ' inda a carta , Harry ? - perguntou enquanto contava as malhas . Harry tirou o sobrescrito de pergaminho de dentro de o bolso . - Óptimo -- , disse Hagrid . - ` _ tá aí uma lista de tudo_o_que precisas . - Harry desdobrou a segunda folh . de papel em a qual nem tinha reparado em a véspera e leu : : __ escola hogwarts de magia e __ feitiçaria * _ Uniforme * Os alunos de o primeiro ano vão precisar de : 1 . Três mantos de trabalho ( pretos ) 2 . Um chapéu alto , pontiagudo ( preto ) para usar durante o dia_3 . Um par de luvas de protecção ( de pele de dragão ou semelhante ) 4 . Um sobretudo de Inverno ( preto com fechos prateados ) Por favor tenha em atenção que as roupas de todos os alunos devem ter etiquetas com os nomes . * _ Série de livros * Todos os alunos deverão ter um exemplar de os seguintes livros : * _ O livro básico de os feitiços * ( grau 1 ) , por Miranda_Goshawk * _ A história de a Magia * , por Bathilda_Bagshot * _ A magia teórica , por Adalbert_Waffling * _ A transfiguração - um guia para principiantes * , por Emeric_Switch * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * , por Phyllida_Spore * _ Planos e poções mágicas * , por Arsenius_Jigger * _ Animais fantásticos e onde encontrá os * , por Newt_Scamander * _ As forças de as trevas : Guia para autoprotecção * , por Quentin_Trimble * _ Outro_Equipamento * Uma varinha Um caldeirão ( chumbo , tamanho 2 ) Um conjunto de frascos de vidro ou cristal Um telescópio Um conjunto de placas de bronze Um caduceu Os alunos podem também trazer uma coruja , um gato ou um sapo . : __ lembramos os pais de que em o primeiro ano não são autorizadas as suas próprias __ vassouras - Podemos comprar tudo_isto em Londres ? - perguntou Harry em voz alta . - Se souberes o lugar p'ra encontrar as coisas - respondeu Hagrid . Era a primeira vez que Harry ia a Londres . Apesar_de Hagrid parecer saber perfeitamente onde dirigir se era bastante óbvio que não estava habituado a aquelas andanças . Começou por ficar preso em a cancela de os bilhetes em o metropolitano e queixou se o tempo todo para quem o quisesse ouvir de que os assentos eram muito pequenos e o comboio muito lento . - Não sei c'mo os Muggles conseguem viver sem mágica -- , disse enquanto subiam uma escada rolante avariada que conduzia a uma rua cheia de lojas e movimento . Hagrid era tão grande que abria caminho por_entre a multidão com a maior de as facilidades . Tudo_o_que Harry tinha de fazer era manter se colado a ele . Passaram por livrarias e casas de discos , hamburguerias e cinemas , mas em nenhum lugar que parecesse ter aspecto de vender uma varinha mágica . Tratava se de uma rua vulgar , cheia de gente comum . Poderiam mesmo existir barras e barras de ouro de os feiticeiros em o subsolo , a milhas de profundidade ? Haveria mesmo lojas a vender livros de feitiçaria e vassouras ? Não seria tudo aquilo uma enorme brincadeira que os Dursleys tinham preparado para ele ? Se Harry não soubesse que eles eram totalmente destituídos de sentido de humor teria o sem dúvida pensado . Mas , ao_mesmo_tempo , apesar_de tudo_o_que Hagrid lhe contara até_então lhe parecer inacreditável , Harry não conseguia deixar de confiar nele . - Cá está -- , disse Hagrid , fazendo uma paragem , - o Caldeirão_Escoante -- , um lugar famoso . Era um barzinho pequenino com um aspecto sujo . Se Hagrid não lhe tivesse chamado a atenção , Harry nem teria dado por a sua existência . As pessoas que passavam apressadas não se dignavam olhar para ele . Os seus olhos deslizavam de a grande livraria que ficava em a porta anterior para a casa de discos de a porta a seguir , como_se não vissem de todo o Caldeirão_Escoante . Em a verdade , Harry tinha a sensação peculiar de que só ele e Hagrid podiam vê o . Antes de ter tido tempo de falar em o assunto , Hagrid conduzira o para dentro . Era bastante miserável e sombrio para um lugar famoso . Algumas velhotas estavam sentadas a um canto a beber copinhos de xerez . Uma de elas fumava cachimbo Um homem baixinho com um chapéu alto conversava com o * barman * que era totalmente calvo e parecia uma noz inchada . O sussurro de as vozes parou por completo quando eles entraram . Todos pareciam conhecer Hagrid . Cumprimentaram o , sorriram lhe e o * barman * foi buscar um copo enquanto dizia : - O habitual , Hagrid ? - Não posso , Tom . ` _ tou em serviço p'ra Hogwarts - disse Hagrid , dando uma forte palmada com a sua mão enorme em o ombro de Harry que fez com que os joelhos se lhe vergassem . - Santo_Deus - disse o * barman * , olhando para Harry , - este é - será possível que ele seja ? O Caldeirão_Escoante ficou subitamente mergulhado em um silêncio total . - Abençoado seja - murmurou o velho * barman * . - Harry_Potter ... que honra . Saiu rapidamente detrás de o balcão , correu para Harry e agarrou lhe as mãos com lágrimas em os olhos . - Bem-vindo de_novo , Senhor_Potter , seja muito bem-vindo . Harry não sabia o que dizer . Toda_a_gente estava a olhar para ele . A velhota de o cachimbo continuava a lançar baforadas sem se dar conta de que o cachimbo desaparecera . Hagrid estava radiante . Houve um grande ranger de cadeiras e , em o momento seguinte , Harry deu por si a apertar a mão a_toda_a gente , em o Caldeirão_Escoante . - Doris_Crockford , Sr._Potter , mal posso crer que estou finalmente a conhecê o . - Que grande orgulho para mim , Sr._Potter , que grande orgulho . - Sempre quis apertar lhe a mão ... estou profundamente emocionado . - Encantado , Sr._Potter , o meu nome é Diggle , Dedalus_Diggle . - Já o vi uma_vez -- , disse Harry , quando o chapéu alto lhe caiu de a cabeça em o meio de a excitação . - O senhor cumprimentou me uma_vez , dentro_de uma loja . - Ele lembra se -- , gritou Dedalus_Diggle , dirigindo se a todos os que o rodeavam . - Ouviram bem , ele lembra se de mim ! Harry voltou a apertar mãos repetidamente . Doris_Crockford continuava a vir para o cumprimentar uma e outra_vez . Um jovem de aspecto pálido aproximou se nervosamente , com um de os olhos a piscar . - Professor_Quirrell -- , disse Hagrid . - Harry , o professor Quirrell vai ser um de os teus professores em Hogwarts . - P. . . P. . . Potter - balbuciou o professor Quirrell , agarrando lhe a mão , - não tenho palavras para lhe dizer como me agrada conhecê o . - Que tipo de mágica ensina , professor Quirrell ? - D. . . defesa contra ... as artes de as trevas -- , disse baixinho o professor , como_se preferisse não pensar em o assunto . - Não que você precise , não é , Potter ? - e riu se nervosamente . - Calculo que venha tratar de o equipamento . Eu venho buscar um novo livro sobre vampiros . - Parecia apavorado com a simples ideia . Mas os outros não deixaram que o professor monopolizasse a atenção de o Harry . Foram quase dez minutos até conseguirem afastar se de toda_a_gente . Por fim , Hagrid conseguiu fazer se ouvir sobre o ruído de fundo . - Temos d'ir , há montes de coisas p'ra comprar , vamos , Harry ! Doris_Crockford apertou mais_uma_vez a mão a o Harry e Hagrid fê los passar de o bar para um pequeno vestíbulo emparedado , onde havia apenas um balde de lixo e algumas ervas . Hagrid sorriu a Harry . - Não te disse ? Não te disse qu'eras famoso ? Até o professor Quirrell ` tava a tremer por te conhecer . Mas não te preocupes , ele ' tá sempre a tremer . - É sempre assim tão nervoso ? - É , coitado . Uma inteligência brilhante . Não era assim quando estudava só p'los livros mas quando tirou um ano p'ra fazer as primeiras experiências ... Dizem qu'encontrou vampiros em a floresta negra e que teve sarilhos com uma bruxa velha ; nunca mais foi o mesmo . Tem medo de os alunos , até tem medo de o qu'ensina . Ond'é que eu pus o guarda-chuva ? Vampiros ? Broxas velhas ? A cabeça de o Harry andava a mil a a hora . Enquanto isso , Hagrid contava os tijolos de a parede , acima de o balde de o lixo . - Três p'ra cima ... dois prò lado -- , murmurava . - Certo Chega-te p'ra trás , Harry . Bateu três vezes em a parede com a ponta de o guarda-chuva . O tijolo onde tinha tocado estremeceu - moveu se sinuosamente . Em o meio surgiu um pequenino buraco que foi aumentando , aumentando . Um segundo mais tarde estavam perante uma passagem suficientemente grande até para Hagrid , uma arcada que dava para uma rua pavimentada que , a seguir a uma esquina , virava até perder de vista . - Bem-vindo -- , disse Hagrid - a a Diagon-Al . Riu se de o espanto de Harry . Passaram por o arco . Harry olhou rapidamente por cima de o ombro e viu o arco a encolher instantaneamente , voltando a ficar uma parede fechada . O sol brilhava iluminando uma série de caldeirões que estavam a a porta de a loja mais próxima . * _ Caldeirões - todos os tamanhos - Cobre , Bronze , Liga_de_Estanho , Prata - Automisturadores , Desmontáveis * , estava escrito em o letreiro pendurado fora de a loja . - Vais precisar d'um -- , disse Hagrid . - Mas temos d'ir buscar o dinheiro antes . Harry desejou ter mais oito olhos , pelo_menos . Virava a cabeça em todas_as direcções enquanto subiam a rua , tentando ver tudo de uma_vez só : as lojas , as coisas que estavam cá fora , as pessoas que andavam a fazer compras . Uma mulher rechonchuda , a a saída de um boticário , abanava indignadamente a cabeça , dizendo : - Fígado de dragão a dezassete Leões o quilo . Estão doidos ... Fez se ouvir um piar baixo e suave , vindo de uma loja escura com um letreiro que dizia : * _ Armazém de as corujas - amarelas , castanhas , corujas-das-torres , corujas-de-chaminé . coruja-real * . Vários rapazinhos , sensivelmente de a idade de o Harry , espreitavam com os narizes achatados contra a montra de as vassouras . - Olha -- , ouviu um de eles dizer , - a nova Nimbo dois_mil - a mais rápida de sempre . Havia lojas de capas e mantos , lojas de telescópios que vendiam também uns estranhos instrumentos prateados que ele nunca tinha visto , montras cheias de caixas com morcegos mal dispostos e olhos de enguias , pilhas instáveis de livros de feitiços , penas de ave e rolos de pergaminho , garrafa com poções , globos lunares ... - Gringotts - disse Hagrid . Tinham chegado junto de um edifício branco como a neve que se erguia acima de as pequenas lojas . Por detrás de as suas portas brilhantes de bronze , usando um uniforme escarlate e dourado , estava ... - Sim , é um duende -- , disse Hagrid baixinho , enquanto subiam os degraus de pedra . O duende tinha cerca de quarenta centímetros a menos_de altura do_que o Harry . O rosto era moreno , o olhar inteligente , tinha uma barba pontiaguda e Harry reparou que os dedos e os pés eram muito compridos . Inclinou a cabeça quando entraram . Estavam agora em a frente de eles mais duas portas . Desta_vez de prata , com algumas palavras gravadas : Entra estranho , mas tem cuidado A avidez é um pecado E os que levam sem querer merecê o Um dia terão de perdê o . Se buscas , pois , em o nosso chão O tesouro que pertence a os que dão , Podes achar , ladrão , cuidado Mais que o tesouro , estás avisado . - Como eu disse , era preciso ser louco p'ra tentar assaltar isto -- , disse Hagrid . Um par de duendes conduziu os com toda_a deferência através de as portas de prata e eles encontraram se em um imenso vestíbulo todo em mármore . Por_detrás_de um grande balcão , cerca de cem duendes estavam sentados em bancos altos , escrevendo apressadamente em grandes livros de registo , pesando moedas em balanças de cobre , examinando pedras preciosas através_de lupas . Havia demasiadas portas que conduziam a o vestíbulo e era ainda maior o número de duendes que acompanhavam as pessoas que entravam e saíam . Hagrid e Harry aproximaram se de o balcão - Bom dia -- , disse Hagrid a um duende que se encontrava desocupado . - Viemos p'ra buscar algum dinheiro de o cofre de o senhor Harry_Potter . - Tem a chave de ele , senhor ? - ` _ tá prà ' qui não sei onde , - disse Hagrid que começou a esvaziar os bolsos em cima de o balcão , espalhando uma mão cheia de biscoitos de cão todos amassados sobre o livro de contabilidade de os duendes . O duende torceu o nariz . Harry observou que o duende a a sua direita estava a pesar uma pilha de rubis , grandes como carvões incandescentes . - Achei -- , disse Hagrid , por fim , pegando em uma pequenina chave dourada . O duende observou a de perto . -- Parece estar tudo em ordem . - E tenh'aqui também uma carta de o professor Dumbledore -- , disse Hagrid , com um ar importante , enchendo o peito de ar . - É sobre o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze . O duende leu a carta com toda_a atenção . - Muito bem -- , disse , voltando a entregá a a Hagrid . - Vou mandar alguém acompanhar vos lá abaixo a ambos os cofres . Griphook ! Griphook era mais um duende . Logo_que Hagrid guardou de_novo em os bolsos todos os biscoitos de cão , ele e Harry seguiram o através_de uma porta que dava para fora de o vestíbulo . - O que é_que significa o não sei quê de o cofre setecentos_e_treze ? - perguntou Harry . - Não sei -- , respondeu Hagrid com um ar misterioso . - Muito secreto , Negócios d ' _ hogwarts . Dumbledore confia em mim . Não é p'ra dizer . Griphook manteve a porta aberta para lhes dar passagem . Harry , que esperava encontrar mais divisões de mármore , ficou surpreso . Encontravam se em uma estreita passagem de pedra , iluminada por tochas que dava para uma rampa inclinada a pique para baixo . Em o chão viam se algumas vias férreas . Griphook assobiou e uma pequena carreta deslocou se ruidosamente por o solo . Subiram - Hagrid com alguma dificuldade - e iniciaram o percurso . A princípio limitaram se a entrar por um labirinto de passagens curvas . Harry tentou fixá as : esquerda , direita , esquerda , bifurcação a meio , direita , esquerda , mas era impossível . A carreta barulhenta parecia conhecer o caminho porque Griphook não ia a conduzi a . Os olhos de Harry ardiam , à_medida_que o ar frio os fustigava , mas manteve os bem abertos . A dada altura , pareceu lhe avistar uma chispa de fogo em o extremo de uma de as passagens e voltou se para ver se seria um dragão , mas já não foi a tempo - desceram ainda mais , passando por um lago e uma gruta subterrânea onde se destacavam de o tecto e de o chão estalactites e estalagmites . - Nunca sei -- , gritou Harry_a_Hagrid por sobre o ruído ensurdecedor de a carreta , - qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite ! - As estalagmites têm um * _ M * -- , disse Hagrid . - E não me faças perguntas agora . Estou quase a vomitar . De facto estava muito verde e quando a carreta finalmente parou junto de uma pequena porta em a passagem , Hagrid saiu e teve de se encostar a a parede para conseguir que os joelhos parassem de tremer . Griphook abriu a porta com as chaves . De lá de dentro saiu um fumo verde e , quando a luz se normalizou , Harry mal conseguia falar . Em o interior estavam montes e montes de moedas de ouro . Colunas de prata . Pilhas_de_Knuts de bronze . - Tudo teu -- , disse o Hagrid , a sorrir . Tudo de o Harry - era inacreditável . Os Dursleys não sabiam certamente de aquilo ou teriam lhe tirado tudo em um abrir e fechar de olhos . Quantas vezes não se haviam queixado de o dinheiro que gastavam a sustentá o ? E durante todo o tempo existira aquela fortuna que lhe pertencia , ali , enterrada , debaixo_de Londres ! Hagrid ajudou Harry a meter algumas moedas em um saco . - As d'ouro são Galeões -- , explicou . - Dezassete Leões de prata valem um Galeão e vinte_e_nove Knuts valem um Leão . É fácil , ' tás a ver ? Isto deve chegar prò que é preciso . O resto fica guardado p'ra ti - . Voltou se para Griphook . - Cofre setecentos_e_treze , agora . E , dá p'ra ir mais devagar , se faz favor ? - Só há uma velocidade - disse Griphook . Estavam agora a deslocar se ainda mais depressa e ganhando sempre velocidade . O ar era cada_vez_mais frio à_medida_que faziam curvas mais apertadas . Desceram uma ravina subterrânea e Harry encostou se a um de os lados para tentar ver o que havia lá em baixo em a escuridão de o fundo , mas Hagrid resmungou e , agarrando o por o pescoço , puxou o para trás . O cofre setecentos_e_treze não tinha fechadura . - Afastem se -- , disse Griphook , com ar importante . Acariciou muito suavemente a porta com um de os seus longos dedos e ela pura e simplesmente desapareceu . - Se alguém , a não ser um duende de Gringott tentasse fazer o que eu fiz , seria sugado por a porta e ficaria trancado lá dentro -- , disse Griphook . - Quantas vezes é_que vocês verificam se há alguém lá preso ? - perguntou Harry . - Uma_vez de dez em dez anos - respondeu Griphook com um sorriso bastante maldoso . Devia estar ali guardado , com toda_a certeza , algo verdadeiramente extraordinário para ter um cofre de tão elevada segurança , pensou Harry e inclinou se avidamente para a frente em a esperança de ver , em o mínimo , jóias fabulosas . Mas , a princípio pareceu lhe vazio . Em seguida , reparou que em o chão estava um pequenino pacote muito sujo , embrulhado em papel castanho . Hagrid apanhou o e guardou o dentro de o enorme casaco . Harry estava ansioso por descobrir o que era mas sabia que não devia perguntar . - Vamos lá outra_vez prà carreta horrorosa e não fales comigo durante o caminho , o melhor é eu não abrir a boca - disse Hagrid . Após a selvática corrida de carreta , estavam ambos a piscar os olhos a a luz intensa que brilhava fora de Gringotts . Harry não sabia por_onde começar agora_que tinha um saco cheio de dinheiro . Não precisava de saber qual a correspondência de valor entre o Galeão e a libra para ter a certeza de que levava consigo mais dinheiro do_que tivera em toda_a sua vida - mais dinheiro até do_que o próprio Dudley alguma vez tinha tido . - Podemos ir tratar de o teu uniforme -- , disse Hagrid , batendo a a porta de * _ Madame_Malkin . Capas para todas_as ocasiões * . - Harry , importavas te s'eu fosse tomar um copinho a o Caldeirão_Escoante ? Detesto aquelas carretas de o Gringotts . - Ele estava ainda com mau aspecto , por isso Harry entrou sozinho em a loja de Madame_Malkin para fazer as compras . Sentia se um_pouco nervoso . Madame_Malkin era uma bruxa baixa e atarracada , muito sorridente e toda vestida de cor de malva . - É para Hogwarts , filho ? - perguntou quando Harry começou a falar . - Tenho tudo . Está ali a ser atendido outro rapazinho , que também vai para lá . Em a parte de trás de a loja , um rapaz com um rosto esguio e pálido estava de pé em_cima_de um banquinho , enquanto outra bruxa marcava com alfinetes as longas capas pretas . Madame_Malkin mandou Harry subir para um banquinho a o lado de o de ele , enfiou lhe uma longa capa por a cabeça e começou a marcar a altura com alfinetes . - Viva -- , disse o rapaz , - também vais para Hogwarts ? - Sim - disse Harry . - O meu pai está aqui a o lado a comprar me os livros e a minha mãe está em uma loja lá adiante a a procura de varinhas - disse o rapaz . Tinha uma voz irritante e afectada . - A seguir vou levá os a ver as vassouras de corrida . Não concordo que nos primeiros anos não tenhamos permissão para ter a nossa própria vassoura . Acho que vou convencer o meu pai a comprar me uma e hei-de entrar lá com ela , de uma maneira ou de outra . Harry lembrou se incrivelmente de o Dudley . - Tens a tua vassoura ? - continuou ele . - Não -- , disse Harry . - Não jogas Quidditch ? - Não -- , disse Harry , de_novo , perguntando se que diabo seria o Quidditch . - Eu jogo ; o meu pai diz que é um crime se eu não for escolhido para jogar por a minha equipa e eu acho que ele tem toda_a razão . Já sabes qual vai ser a tua equipa ? - Não -- , disse Harry que se sentia cada_vez_mais estúpido . - Bem , só podemos saber ao_certo quando lá chegarmos , não é ? Mas eu já sei que vou estar nos * _ Slytherin * , como toda_a minha família ; imagina só se me colocassem em os * _ Hufflepuff * acho que me vinha logo embora . Não farias o mesmo ? - Mmm -- , disse o Harry , desejando poder dar uma resposta um_pouco mais interessante . - Olha só para aquele ali ! - disse o rapaz subitamente , apontando para a montra principal . Hagrid estava de o lado de_fora , sorrindo a Harry e apontando para dois enormes sorvetes para explicar porque não podia entrar . - É Hagrid - disse Harry , satisfeito por saber qualquer coisa que o outro ignorava . - Trabalha em Hogwarts . - Sim -- , disse o rapaz , - já ouvi falar de ele . É uma espécie de criado , não é ? - É o encarregado - disse Harry . De segundo para segundo gostava menos de aquele rapazinho . - Sim , precisamente . Ouvi dizer que é um_pouco * selvagem * , que vive em uma cabana em os campos de a escola e , de vez em quando , embriaga se , tenta fazer magia e acaba por pegar fogo a própria cama . - Eu acho o excepcional -- , disse Harry friamente . - Achas ? - disse o rapaz com um leve sarcasmo - O que é_que ele está a fazer aqui contigo , onde estão os teus pais ? - Morreram - disse Harry sem mais delongas . Não lhe apetecia falar de o assunto com aquele rapaz . - Oh ! desculpa - disse o outro que não parecia lamentar coisa alguma . - Mas eram de os nossos , não eram ? - Eram feiticeiro e feiticeira , se é isso que queres saber . - Eu acho que eles não deviam admitir os outros , não concordas ? Não são como nós , não foram educados dentro de os mesmos princípios . Alguns nunca ouviram sequer falar de Hogwarts até receberem a carta , imagina só ! Quanto_a mim , deviam receber apenas os membros de as mais antigas famílias de feiticeiros . A propósito , qual é o teu apelido ? Mas antes que Harry tivesse tempo de responder , Madame_Malkin disse : -- _ está pronto , filho - e Harry aproveitou a deixa para pôr fim a a conversa com o outro rapaz , descendo imediatamente de o banquinho . - Bom , vemo nos em Hogwarts , então , espero bem - disse o rapazinho afectado . Harry manteve se calado enquanto comia o sorvete que Hagrid lhe tinha trazido ( chocolate e framboesa com pepitas de avelã ) . - O qu'é que se passa ? - perguntou Hagrid . - Nada -- , mentiu Harry . Pararam para comprar pergaminho e penas . Harry animou se um_pouco quando viu um frasco de tinta que mudava de cor à_medida_que se escrevia . Quando saíram de a loja , perguntou : - Hagrid , o que é o Quidditch ? - Caramba , Harry , ' tou-me sempre a esquecer que tu não sabes quase nada , não saber o qu'é o Quidditch ! ! ! - Não me faças sentir ainda pior - disse o Harry e contou a Hagrid o encontro que tinha tido com o rapazinho pálido em a loja de a Madame_Malkin . -- ... e ele disse que as pessoas de as famílias de os Muggles não deviam ser aceites em ... - Tu não és d'uma família Muggle . Se ele soubesse quem tu eras , se os pais de ele são feiticeiros , ele cresceu a ouvir o teu nome . Tu viste o qu'aconteceu em o Caldeirão_Escoante . E depois , o qu'é qu'ele sabe ? Alguns de os melhores feiticeiros qu'eu conheci eram os únicos que tinham magia em uma longa linha de Muggles . Olh'a tua mãe e a irmã qu'ela teve ! - Então o que é o Quidditch ? - _ é o nosso desporto . O desporto de os feiticeiros . E com'o futebol em o mundo de os Muggles . Todos vêem o Quidditch qu'é jogado em o ar , em vassouras e com quatro bolas . É meio difícil explicar as regras . - E o que são os * _ Slytherin * e os * _ Hufflepuff * ? - Equipas de a escola . São quatro . Todos dizem que os * _ Hufflepuff * são um grupo de estúpidos mas ... -- Aposto que estou em os * _ Hufflepuff * -- , disse Harry , melancolicamente . - Antes em os * _ Hufflepuff * do_que nos * _ Slytherin * - disse Hagrid com alguma tristeza . - Não houve uma única bruxa ou feiticeiro de os que se tornaram cruéis que não tivesse vindo de os Slytherin . Um de eles foi o « Quem nós sabemos . . - Vol ... desculpa o « Quem nós sabemos » andou em Hogwarts ? - Há muitos , muitos anos -- , disse Hagrid . Compraram os livros escolares para Harry em uma livraria chamada Flourish and Blotts ( Brilhos e Manchas ) , onde as prateleiras estavam cheias até a o tecto com livros tão grandes como lajes de pedra , outros de o tamanho de selos de correio , com capas de seda , livros cheios de símbolos peculiares e alguns sem nada escrito . Até o Dudley , que nunca lia nada , teria gostado de deitar a mão a alguns de estes . Hagrid teve quase de arrastar Harry para longe de as * _ Maldições e contramaldições ( enfeitiça os teus amigos e confunde os teus inimigos com as últimas vinganças : perda de cabelo , amolecimento de as pernas , língua presa e muitos , muitos outros * ) por o professor Vindictus_Viridian . - Estava a tentar descobrir como enfeitiçar o Dudley . - Não ' tou a dizer que não seja uma boa ideia mas tu não podes usar a mágica em o mundo de os Muggles senão em circunstancias muito especiais - disse Hagrid . - E mesm'assim não podias fazer nenhum de aqueles feitiços ainda , só depois de estudares e quando tiveres muita prática . Hagrid também não deixou o Harry comprar um caldeirão de ouro maciço ( em a lista diz liga de estanho ) , mas trouxeram uma óptima balança para pesar os ingredientes de as poções e um telescópio de bronze , desmontável . Em seguida , foram a o boticário , cujo fascínio era tão grande que conseguia compensar o cheiro nauseabundo a ovos e couves podres . Em o chão jaziam barris de coisas viscosas . Pacotes de ervas , raízes e pós brilhantes enchiam as paredes . Pendurados de o tecto podiam ver se feixes de penas fileiras de dentes de víbora e garras emaranhadas . Enquanto Hagrid pedia a o homem que estava atrás de o balcão alguns ingredientes básicos de reserva para as poções , Harry examinava chifres de unicórnio de prata a vinte_e_um Galeões cada e olhos brilhantes e pequeninos de barata ( a cinco Knuts a pá ) . Fora de o boticário , Hagrid consultou de_novo a lista . - ` _ tá só a faltar a varinha - Ah ! e inda não te comprei o presente de aniversário . Harry sentiu se corar . - Não precisas de ... - Não é por precisar . Já sei , vou dar te um animal . Um sapo não , os sapos ' tão fora de moda , iam ficar todos a olhar p'ra ti e eu não gosto de gatos , fazem me espirrar . Vou dar te uma coruja . Todos os miúdos querem corujas . São muito úteis , levam o correio e tudo . Vinte minutos mais tarde , saíram de o « Armazém de as corujas » que era uma casa escura e cheia de olhos brilhantes e luminosos como jóias . O Harry trazia consigo uma grande gaiola com uma lindíssima coruja-real profundamente adormecida com a cabeça debaixo de a asa . Não conseguia parar de agradecer a Hagrid , parecia o professor Quirrell . - Não tens de quê -- , disse ele bruscamente . - Com certeza que não tiveste muitos presentes de os Dursleys . Só falta agora o Ollivander p'ra comprar a varinha . E tens de ter a melhor varinha de o Ollivander . Uma varinha mágica ... era o que Harry realmente mais desejava . A última loja era estreita e encontrava se em muito mau estado . Em as letras douradas e descarnadas , de a porta , podia ler se * _ Ollivander : Fabricante de as melhores varinhas desde 382 a . _ C * . Em a montra suja estava uma única varinha , sobre uma almofada de carmesim descolorido . Uma campainha ouviu se algures em o fundo de a loja quando eles entraram . Era um espaço pequenino , vazio , que tinha uma única cadeira raquítica onde Hagrid se sentou enquanto esperava . Harry experimentou a estranha sensação de ter entrado em uma biblioteca muito austera , engoliu uma série de novas perguntas que acabavam de lhe passar por a cabeça e olhou para os milhares de caixas estreitinhas , metodicamente empilhadas até a o tecto . Sem saber porque sentiu um formigueiro em a nuca . O silêncio e o pó que ali reinavam pareciam entorpecê o com uma magia secreta . - Boa tarde - disse uma voz gentil . Harry deu um salto . Hagrid deve ter feito o mesmo porque se ouviu um forte ruído de madeira a quebrar se e ele caiu de a cadeira raquítica . Em a frente de ambos estava um senhor de idade com os olhos grandes e muito claros a brilharem como luas em a escuridão de a loja . - Olá - disse Harry , pouco a a vontade . - Ah ! sim - disse o homem . - Esperava vês o muito brevemente , Harry_Potter . - Não era uma pergunta . Era uma afirmação . - Tem os olhos de a sua mãe . Parece que foi ainda ontem que ela aqui esteve a comprar a sua primeira varinha . De salgueiro , 30_cm de comprimento , flexível . Uma varinha graciosa para um trabalho encantador . O senhor Ollivander aproximou se de Harry e este desejou apenas que ele fechasse os olhos de tão arrepiantes que eram . - O seu pai , por outro lado , preferiu uma varinha de mogno , de 35_cm de comprimento . Maleável , um_pouco mais poderosa e excelente para transfiguração . Bem , quando eu digo que o seu pai a preferiu quero dizer que essa é , de tacto , a varinha que o feiticeiro escolhe , claro . O senhor Ollivander tinha se aproximado tanto de Harry que os narizes de ambos quase se tocavam . E foi então que ... O senhor Ollivander tocou em a cicatriz em forma de relâmpago em a testa de Harry com o seu longo dedo branco . - Lamento profundamente ter vendido a varinha que fez isto -- , disse em voz baixa . 80_cm de comprimento , sim . Uma varinha poderosa , muito poderosa , em as mãos de a pessoa errada ... Bem , se eu soubesse o que a varinha iria fazer ... Abanou a cabeça e , para alívio de Harry , reconheceu Hagrid . - Rubeus ! Rubeus_Hagrid ! Que bom ver te de_novo ... Carvalho , um metro e 20 de comprido , bastante curva . Não era ? - Era , sim senhor -- , disse Hagrid . - Excelente varinha aquela . Mas calculo que a tenham partido a o meio quando te expulsaram ... - disse o senhor Ollivander com um ar subitamente sombrio . - Er . . . sim , foi o que fizeram - disse Hagrid , arrastando os pés . - Mas ainda tenho os bocados -- , acrescentou com satisfação . - Mas não os usas ? - disse o senhor Ollivander , com severidade . - Claro que não , senhor Ollivander - respondeu , de imediato , Hagrid . Harry reparou que , enquanto falava , ele agarrava com toda_a força em o guarda-chuva cor-de-rosa . - Hummm - disse o senhor Ollivander , lançando a Hagrid um olhar penetrante . - Vejamos então , Harry_Potter -- , retirou de o bolso uma grande fita métrica com marcações de prata . - Qual é o braço que utiliza ? - Eu ... eu ... sou dextro -- , disse Harry . - Não mexa o braço . Pronto . - Mediu o de o ombro a a ponta de os dedos , de o pulso a o cotovelo , de o ombro a o chão , de o joelho a as axilas e em volta de a cabeça . Enquanto fazia as medições disse : - Todas_as varinhas Ollivander têm um núcleo de uma substância mágica , Harry_Potter . Usamos pêlos de unicórnios , plumagem de a cauda de as aves fénix e tiras de coração de dragão . Não há duas varinhas Ollivander iguais , como não há dois unicórnios iguais , nem dois dragões ou aves fénix . E , é claro que nunca obterá resultados idênticos com a varinha de outro feiticeiro . Harry deu se subitamente conta de que a fita métrica , que estava a medi o entre as narinas , trabalhava sozinha . O senhor Ollivander deambulava de umas prateleiras para outras , retirando caixas , caixas e mais caixas . - Deve ser o suficiente - disse e a fita métrica caiu enrolada em o chão . - Muito bem , Harry_Potter , experimente esta . Madeira de faia e tiras de coração de dragão , 23,5_cm , simpática e flexível . Segure a em a mão e faça um gesto . Harry pegou em a varinha e ( sentindo se um perfeito idiota ) andou com ela a a roda , mas o senhor Ollivander tirou lhe a rapidamente de as mãos . - Madeira de bordo e plumagem de fénix , 18,5_cm bastante maleável , experimente . - Harry experimentou mas , mal tinha erguido a varinha em o ar , já o senhor Ollivander lhe a tinha arrebatado . - Não , não , veja esta . Ébano e pêlo de unicórnio , 21_cm , extremamente ágil . Experimente , experimente . Harry tentou e voltou a tentar . Não fazia a menor ideia do_que o senhor Ollivander pretendia . A pilha de varinhas que já tinha experimentado era cada_vez maior sobre a cadeira raquítica mas , quanto_mais varinhas tirava de as prateleiras , mais feliz o senhor Ollivander parecia estar a sentir se . - Cliente difícil , hein ? Não se preocupe , vamos encontrar a varinha perfeita por aqui algures - estou a pensar - sim , porque não ? - uma combinação pouco vulgar - azevinho e plumagem de fénix , 28_cm , gentil e flexível . Harry pegou em a varinha . Sentiu um súbito calor em os dedos , levantou a acima de a cabeça , trouxe a bruscamente para baixo , cortando o ar poeirento . Uma torrente de faíscas vermelhas e douradas saiu de a ponta de a varinha como_se fosse um fogo-de-artíficio , lançando pedacinhos de luz que faziam uma dança sobre as paredes . Hagrid aplaudiu e bateu palmas e o senhor Ollivander gritou : - Bravo , isso mesmo , muito bem . Que curioso ... que curioso ... » Meteu a varinha de o Harry em a respectiva caixa e embrulhou a em papel castanho , continuando a murmurar de si para consigo - curioso ... curioso ... » - Desculpe - perguntou Harry , - mas , o que é_que é curioso ? O senhor Ollivander olhou fixamente para Harry com o seu olhar claro . - Lembro me de todas_as varinhas que vendi até hoje , Harry_Potter , todas . E , acontece que a fénix cuja plumagem está em a sua varinha teve outra plumagem . Só outra . E o curioso é_que esta varinha lhe seja destinada justamente a si , quando a sua congénere lhe fez essa cicatriz . Harry engoliu em seco . - Sim , 28_cm ... estranho como estas coisas acontecem . A varinha escolhe o feiticeiro , lembre se ... acho que podemos esperar de si grandes coisas , senhor Potter . A o fim e a o cabo , aquele cujo nome não deve ser pronunciado fez coisas grandes - terríveis mas grandes . Harry estremeceu . Não tinha a certeza de gostar lá muito de o senhor Ollivander . Pagou lhe sete galeões de ouro por a varinha e o senhor Ollivander fez uma vénia de despedida quando eles abandonaram a loja . _ a a tardinha , o Sol estava quase a pôr se quando Harry e Hagrid desceram a Diagon-Al , de regresso a a parede e a o Caldeirão_Escoante , agora vazio . Harry não abriu a boca enquanto desciam a rua nem reparou em o número de pessoas que olhavam para eles , em o subterrâneo , carregados como vinham com todos aqueles embrulhos de diferentes feitios e a coruja-real adormecida a o colo de Harry . Subiram outra escada rolante até a a estação de Paddington . Harry só se apercebeu de onde estavam quando Hagrid lhe deu uma palmada em o ombro . - ` _ inda temos tempo p'ra comer qualquer coisa antes de o comboio partir -- , disse . Comprou um hambúrguer para o Harry e sentaram se ambos em os bancos de plástico para comer . Harry não parava de olhar em volta . Tudo lhe parecia de algum modo estranho . - Tás bem ? Não dizes nada ? - comentou Hagrid . Harry não sabia como explicar . Acabara de ter a melhor festa de aniversário de toda_a sua vida - e contudo , comia o hambúrguer , tentando encontrar as palavras . - Todos acham que eu sou especial -- , disse , por fim . - Toda aquela gente em o Caldeirão_Escoante , o professor Quirrell , o senhor Ollivander ... mas eu não sei nada de magia . Como podem eles esperar grandes coisas ? Sou famoso e nem consigo lembrar me do_que se passou . Não sei o que aconteceu quando o Vol ... - desculpa - quero dizer , quando os meus pais morreram . Hagrid encostou se a a mesa . Por detrás de a barba agressiva e de as sobrancelhas espessas tinha um sorriso muito afectuoso . - Não ' tejas preocupado , Harry . Vais aprender muit'a depressa . Todos começam de o princípio em Hogwarts . Vai correr tudo bem . Só tens de ser tu próprio . Sei que não é fácil . Foste escolhido e isso é sempre difícil mas vais gostar a a brava de Hogwarts . Eu gostei , ' inda gosto , p'ra dizer a verdade . Hagrid ajudou Harry a entrar em o comboio que o levaria de volta a a casa de os Dursleys e entregou lhe um sobrescrito . - O teu bilhete p'ra Hogwarts -- , disse . - Dia_1_de_Setembro . Está tud'aí em o bilhete . Se tiveres problemas com os Dursleys manda me uma carta por a coruja , ela sabe o caminho . ` _ té breve , Harry . O comboio arrancou de a estação . Harry queria ver Hagrid até ele desaparecer . Pôs se de pé e encostou o nariz a o vidro de a janela mas , em um abrir e fechar de olhos , Hagrid desaparecera . VI_A viagem de a plataforma nove_e_três quartos O último mês com os Dursleys não foi nada agradável . É certo que o Dudley tinha agora tanto medo de ele que se recusava a ficar em a mesma sala enquanto a tia Petúnia e o tio Vernon não o fechassem de_novo em a despensa e não o obrigassem a fazer as coisas , gritando lhe como de antes . A verdade é_que eles , pura e simplesmente , deixaram de lhe dirigir a palavra . Meio assustados , meio furiosos , decidiram agir como_se a cadeira onde Harry estava sentado se encontrasse vazia . Ainda_que , em alguns aspectos , esta atitude fosse melhor do_que as de o passado , a o fim de um certo tempo começou a ser deprimente . Harry ficava em o quarto tendo como companhia a sua coruja a quem resolveu chamar Hedwig , um nome que encontrou em o livro * _ História de a magia * . Os seus livros de estudo eram muito interessantes e ele ficava deitado em cima de a cama até altas horas de a noite a ler . Hedwig saltitava livremente dentro e fora de a janela aberta . Era uma sorte a tia Petúnia não aparecer em o quarto mais vezes porque a coruja não parava de trazer ratos mortos para dentro_de casa . Todas_as noites , antes de se deitar , Harry tirava uma folha de o calendário que tinha pendurado em a parede e por_onde contava os dias que faltavam para 1_de_Setembro . Em o último dia de Agosto , achou que devia explicar a a tia e a o tio que em o dia seguinte ia para a estação de King's_Cross . Desceu , portanto , a a sala onde eles assistiam a um programa de os « apanhados » em a televisão . Pigarreou , dando lhes a entender que estava presente e o Dudley deu um berro e saiu de a sala . - Er ... tio Vernon ? O tio Vernon resmungou por entredentes para mostrar que estava a ouvir . - Er ... eu tenho de estar amanhã em King's_Cross ... para ir para Hogwarts . O tio Vernon resmungou de_novo . - O tio podia levar me lá ? O resmungar de o tio Vernon pareceu a Harry uma resposta afirmativa . - Obrigado . Ia começar a subir as escadas quando o tio falou . - Estranho modo de ir para uma escola de feitiçaria ... de comboio . Os tapetes voadores estarão todos rotos ? Harry não respondeu . - Onde fica essa escola afinal ? - Não sei , - disse Harry , apercebendo se pela_primeira_vez de a sua ignorância . Tirou de o bolso o bilhete que Hagrid lhe dera . - Eu tomo o comboio de a plataforma nove_e_três quartos , a as onze horas -- , leu . O tio e a tia ficaram a olhar para ele espantados . - Plataforma quantos ? - Nove_e_três quartos . - Não digas asneiras -- , afirmou peremptoriamente o tio Vernon . - Não existe nenhuma plataforma nove_e_três quartos . - Está em o meu bilhete . - Conversa fiada - disse o tio Vernon . - Completamente doidos , é o que eles são . Vais ver . Eu levo te a King's_Cross até porque temos de ir a Londres amanhã , senão não me dava a esse trabalho . - Por_que é_que vão a Londres ? - perguntou Harry , tentando manter uma conversa amigável . - O Dudley vai a o hospital -- , gritou o tio Vernon . - Operar aquela cauda cor-de-rosa , antes de ir para Smeltings . Harry acordou a as cinco_da_manhã e estava tão nervoso e excitado que já não conseguiu adormecer . Levantou se , enfiou se nos * jeans * porque não queria ir até a a estação com a capa de feiticeiro . Mudava depois , em o comboio . Conferiu a lista para se certificar de que não lhe faltava nada , viu que a Hedwig estava segura e fechada em a sua gaiola e ficou a a espera em o quarto que os Dursleys se levantassem . Duas horas mais tarde , a mala enorme de o Harry estava a ser arrumada em o carro de os Dursleys . A tia Petúnia convencera o Dudley a sentar se a o lado de ele e instalaram se todos . Chegaram a King's_Cross a as dez e meia de a manhã . O tio Vernon colocou a mala de o Harry em um trólei e empurrou o até a a estação . Ele estranhou a amabilidade de aquela atitude até que o tio Vernon parou repentinamente , olhando para as plataformas com um sorriso maldoso em o rosto . - Ora , cá estamos , meu rapaz . Plataforma nove , plataforma dez . A tua deveria ser algures , em o meio , mas parece que ainda não a construíram ... Ele tinha razão , claro . Havia um grande número nove em plástico sobre uma de as plataformas e um enorme dez sobre a outra e , em o meio de as duas , nada , absolutamente nada . - Um bom ano lectivo para ti -- , disse o tio Vernon com um sorrisinho ainda mais cínico . Deixou o sem mais uma palavra . Harry voltou se para trás e viu os Dursleys afastarem se os três em uma grande risota . Os lábios secaram lhe . O que é_que ia fazer agora ? Começava a ser alvo de olhares curiosos por_causa_de Hedwig . Tinha de perguntar a alguém . Interrogou um guarda que ia a passar mas não teve coragem de lhe perguntar por a plataforma nove_e_três quartos . O guarda nunca ouvira falar de Hogwarts e quando percebeu que Harry nem_sequer era capaz de lhe dizer em que parte de o país ficava , começou a mostrar se aborrecido , como_se ele estivesse a fazer se de estúpido de propósito . Meio desesperado , perguntou por o comboio que partia a as onze horas , mas o guarda disse lhe que não havia nenhum e afastou se praguejando entre dentes contra os chatos e os empatas . Harry estava agora a fazer todos os possíveis para não entrar em pânico . De_acordo com o grande relógio que ficava sobre a zona de as chegadas , restavam lhe dez minutos para apanhar o comboio para Hogwarts e não tinha a menor ideia do_que deveria fazer . Estava perdido no_meio_de uma estação , com um malão pesadíssimo que mal conseguia levantar de o solo , um porta-moedas cheio de dinheiro de os feiticeiros e uma enorme coruja . O Hagrid devia ter se esquecido de lhe dizer alguma coisa importante como bater em o terceiro tijolo de a esquerda para chegar a a Diagon-Al . Perguntava se se deveria tirar a varinha de a mala e começar a bater com ela em a barreira entre as plataformas nove e dez . Em esse momento , um grupo de pessoas cruzou se com ele e pôde ouvir algumas palavras do_que estavam a dizer . - Juntamente com os Muggles , claro . Harry deu uma volta . A voz era de uma senhora anafada que se dirigia a quatro rapazes , todos eles de cabelo ruivo . Cada_um levava consigo um malão igual a o de Harry e cada_um tinha uma coruja . Com o coração a os saltos , Harry empurrou o trólei atrás de eles . Quando pararam , parou também , suficientemente próximo para poder ouvir o que diziam . - Bem , qual é o número de a plataforma ? - perguntou a mãe de os garotos . - Nove_e_três quartos -- , disse a despedir se uma rapariguinha também ruiva que a mãe segurava por a mão . - Mãe , não posso ir também ? - Ainda não tens idade , Ginny . Fica caladinha . Bem , Percy , vai tu primeiro . O rapaz que parecia ser o mais velho avançou para a barreira entre as plataformas nove e dez . Harry olhava sem pestanejar para que não lhe escapasse nada mas , mal o rapaz chegou perto de a barreira , uma multidão de turistas juntou se como um formigueiro a a sua volta e , quando a última mochila de alpinismo saiu de o angulo de visão de Harry , o rapaz tinha desaparecido . - Agora tu , Fred -- , disse a senhora anafada . - Eu não sou o Fred , sou o George -- , disse o rapaz . - Francamente , como é_que és nossa mãe e não vês que eu sou o George ? - Desculpa , George , meu querido . - Estou a gozar , eu sou o Fred - disse o rapaz e foi se embora . O gémeo recomendou lhe que se despachasse e ele deve tê o feito porque um segundo mais tarde tinha desaparecido . Mas como ? Agora o terceiro irmão avançava cheio de vivacidade para a barreira . Estava quase a atingi a e , de um momento para o outro , já não estava lá . E agora , o que fazer ? - Desculpe -- , disse Harry , dirigindo se a a senhora anafada . - Olá , querido -- , respondeu ela . - É a primeira vez que vais para Hogwarts ? O Ron também - e apontou para o mais novo de os filhos . O garoto era alto , magro e desajeitado , com sardas , mãos e pés grandes e nariz comprido . - Sim -- , disse Harry . - O problema é_que não sei como ... - Como chegar a a plataforma ? - completou ela amavelmente e Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça . - Não te preocupes - disse . - Só tens de avançar direito a a barreira entre as plataformas nove e dez . Não pares e não te assustes . Vais encontrá a . Se estás nervoso o melhor é dares uma corrida . Vai lá , agora , antes de o Ron . - Er ... O. _ K. - disse o Harry . Empurrou o trólei e olhou para a barreira que parecia bastante sólida . Começou a avançar direito a ela . As pessoas empurravam o enquanto se dirigiam a as plataformas nove e dez . Harry começou a andar mais depressa . Ia esbarrar contra a barreira e aí surgiriam problemas - encostando se a o trólei desatou a correr a_toda_a velocidade - a barreira estava cada_vez_mais próxima - não podia parar - o trólei estava descontrolado , estava a poucos centímetros . Fechou os olhos , pronto para o embate . Mas não houve embate algum ... continuou a correr ... até que abriu os olhos . O comboio vermelho-escarlate estava parado junto de uma plataforma cheia de gente . Um letreiro lá em cima dizia * _ Hogwarts_Express * , 11 horas . Harry olhou para trás e viu uma arcada de ferro em o lugar onde antes estava a barreira , com as palavras * _ Plataforma nove_e_três quartos * . Tinha conseguido ! O fumo de a locomotiva elevava se sobre as cabeças de a multidão ruidosa enquanto gatos de todas_as cores se enroscavam aqui_e_ali entre as pernas de os transeuntes . As coruja pareciam transmitir inquietação em a forma como piavam umas a as outras , abafando o chiar de as pesadas malas a serem arrastadas por o chão . As primeiras carruagens estavam já cheias de alunos , alguns debruçados a a janela a despedirem se de as famílias , outros disputando os lugares . Harry empurrou o seu trólei através de a plataforma , enquanto tentava vislumbrar um lagar vazio . Passou por um rapaz de rosto redondo e rosado que ia a dizer « Avó , perdi o meu sapo , outra_vez » . - Oh ! Neville -- , suspirou a avó . Uma pequena multidão rodeava um rapaz de cabelo comprido . - Vá lá , Lee , deixa nos ver . O rapaz levantou a tampa de uma caixa e as pessoas que estavam a a volta guincharam e gritaram quando aquilo que estava lá dentro mexeu uma perna longa e peluda . Harry furou por_entre a multidão até encontrar um compartimento vazio , perto de o fim de o comboio . Começou por colocar lá dentro a Hedwig e , em seguida , foi empurrando , como podia , a mala até a a porta de o comboio . Tentou subir com ela os degraus mas não conseguia levantá a de o chão e , a a segunda tentativa , caiu lhe em cima de os pés provocando lhe uma dor bastante forte . - Queres ajuda ? - Era um de os gémeos ruivos que ele seguira . - Obrigado - disse Harry . - Fred , vem ajudar também ! Com a ajuda de os gémeos , o malão de o Harry foi encostado a um de os cantos de a carruagem . - Obrigado - disse ele , afastando o cabelo suado de a testa . - O que é isso ? - perguntou subitamente um de os gémeos , apontando para a cicatriz em forma de relâmpago . - Caramba - disse o outro gémeo . - Tu és ... ? - _ é - afirmou o primeiro gémeo . - Não és ? - perguntou dirigindo se a Harry . -- Quem ? - inquiriu Harry . - Harry_Potter - disseram ambos em coro . - Ah ! esse . Sim , sou eu . Os dois rapazes ficaram a olhar esgazeados e Harry sentiu se corar . Finalmente , para seu alívio , uma voz fez se ouvir através de a porta aberta de o comboio . - Fred ? George ? Estão aí ? - Já vamos , mãe . Lançando um último olhar a Harry , os gémeos desceram de o comboio . Harry sentou se junto de a janela , onde , meio escondido pôde observar a família de cabelos ruivos , em a plataforma , e ouvir o que diziam . A mãe acabava de tirar o lenço de dentro de a mala . - Ron , tens qualquer coisa em o nariz . O rapazinho mais novo tentou sair de o caminho mas ela agarrou o e começou a esfregar lhe a ponta de o nariz . - Mãe , larga me - disse ele , libertando se . - Ah ! o Ronizinho tem uma coisinha em o narizinho ? - disse um de os gémeos . - Cala a boca - disse o Ron . - Onde está o Percy ? - perguntou a mãe . - Já aí vem . O rapaz mais velho aproximou se com grandes passadas . Já tinha mudado de roupa . Vestia agora a sua capa preta ondulante a a Hogwarts e Harry reparou em um distintivo prateado que lhe brilhava em o peito com a letra P. - Não posso ficar mais tempo , mãe - disse ele . - Estou lá a a frente , os chefes de departamento têm dois compartimentos só para eles ... - Ah ! tu és chefe de departamento , Percy ? - disse um de os gémeos com ar de grande surpresa . - Podias dizer nos qualquer coisa que nós não soubéssemos . - Espera aí , acho que me lembro de ele ter dito qualquer coisa a esse respeito - disse o outro gémeo . - Uma_vez ... - Ou duas ... - Há um minuto ... - O Verão inteiro ... - Calem se - disse Percy , o chefe de departamento . - Por_que é_que o Percy tem capa nova , afinal ? - perguntou um de os gémeos . - Porque é chefe de departamento - respondeu a mãe cheia de orgulho . - Pronto , querido , um bom ano lectivo e manda me uma coruja quando chegares lá . Beijou o Percy em a bochecha e ele foi se embora . Em seguida , voltou se para os gémeos . - E , vocês os dois , vejam se este ano se portam bem . Se eu receber mais alguma coruja a dizer me que vocês destruíram uma casa_de_banho ou ... - Destruir uma casa_de_banho ? Nós nunca fizemos nada de isso ... - Pensando bem , mãe , não deixa de ser uma óptima ideia , obrigado . - Não tem graça , meninos e tomem bem conta de o Ron . - Não te preocupes , o Ronizinho querido está bem entregue . - Cala te - disse o Ron outra_vez . Ele era quase tão alto como os gémeos e o nariz ainda estava cor-de-rosa de tanto a mãe lhe o ter esfregado . - Ah ! mãe , adivinha quem acabámos de conhecer em o comboio ? Harry chegou se para trás rapidamente para evitar que o vissem a espreitar . - Lembras te de aquele rapaz de cabelo preto que estava ao_pé_de nós em a estação . Sabes quem ele é ? - Quem ? - Harry_Potter . Harry ouviu a voz de a garotinha . - _ ó mãe , posso ir a o comboio vês o , deixa lá ... - Já o viste , Ginny , e o pobre rapaz não é uma atracção de o jardim zoológico . É mesmo ele , Fred ? Como é_que sabes ? - Perguntei lhe . Vi a cicatriz . Está mesmo lá , como um relâmpago . - Coitadinho , não admira que estivesse sozinho . Eu achei estranho , foi tão educado quando perguntou como havia de chegar a a plataforma . - Isso não interessa . Achas que ele se lembra de como era o « Quem nós sabemos » ? A mãe ficou subitamente muito séria . - Proíbo te de lhe fazeres essa pergunta , Fred . Não te lembres sequer de isso . Como_se o garoto precisasse que lhe lembrassem uma coisa de essas , logo em o primeiro dia de escola . - Está bem , fica descansada . Ouviu se um apito . - Despachem se ! - disse a mãe e os três rapazes saltaram para a carruagem . Encostaram se a a janela para a verem atirar lhes os últimos beijos , enquanto a irmãzinha pequena chorava . - Não chores , Ginny , vamos mandar te montes de corujas . - Mandamos te uma tampa de sanita de Hogwarts . - George ... - Estou a brincar , mãe . O comboio arrancou devagar . Harry viu a mãe de os rapazes a acenar e a irmã meio a chorar , meio a rir , correr para o comboio até que este ganhou velocidade e ela voltou para trás , sempre a dizer adeus . Harry viu as desaparecer quando o comboio virou a esquina . As casas pareciam passar a correr vistas por a janela . Sentiu uma imensa excitação . Não sabia o que o esperava mas tinha de ser melhor do_que aquilo que deixava para trás . A porta de o compartimento abriu se e o mais novo de os garotos ruivos entrou . - Está alguém aqui sentado ? - perguntou , apontando para o lugar em frente de Harry . - Todos os outros estão ocupados ... Harry fez lhe sinal com a cabeça e o rapazinho sentou se . Olhou para Harry e em seguida para a paisagem , fingindo não ter olhado . Harry reparou que ele ainda tinha uma marca escura em o nariz . - Ei , Ron . Os gémeos estavam de volta . - Olha , nós vamos para o meio de o comboio . O Lee_Jordan tem uma tarântula gigante com ele . - Está bem -- , murmurou Ron . - Harry -- , disse o outro gémeo . - Chegámos a apresentar nos ? Fred e George_Weasley e este é o nosso irmão Ron . Então , até logo . - Adeus - disseram Harry e Ron . Os gémeos fecharam a porta atrás_de si . - És mesmo o Harry_Potter ? - perguntou abruptamente o Ron . Harry fez que sim com a cabeça . - Ah ! é_que eu pensei que fosse mais uma de as partidas de o Fred e de o George . E tens mesmo ... aquilo ? Apontou para a testa de Harry . Este afastou a madeixa , mostrando a cicatriz em forma de relâmpago para a qual Ron ficou a olhar fixamente . - Então foi aí que o « Quem nós sabemos » ... ? - Sim -- , disse Harry , - mas eu não consigo lembrar me . - De nada ? - perguntou Ron , morto de curiosidade . - Bem , lembro me de uma forte luz verde , mas é tudo . - Uau ! - disse o Ron . Sentou se e olhou para o Harry durante alguns momentos . A seguir , como_se tivesse tomado consciência do_que fizera , voltou a olhar ela janela . - Todas_as pessoas de a tua família são feiticeiras ? - perguntou Harry que achava Ron tão interessante quanto este o achava a ele . - Er ... sim , acho que sim - disse o Ron . - Julgo que a minha mãe tem um primo em segundo grau que é contabilista mas nunca se fala de ele . - Então deves saber imenso de magia . - Os Weaseys deviam ser , sem dúvida , uma de as antigas famílias de feiticeiros a quem o rapaz afectado de a Diagon-Al se referira . - Ouvi dizer que foste criado com Muggles - disse o Ron . - Como é_que eles são ? - Horríveis ... bem , nem todos . O meu tio , a minha tia e o meu primo são horrorosos . Quem me dera ter três irmãos feiticeiros . - Cinco - disse Ron que ficou subitamente triste . - Eu sou o sexto em a nossa família a ir para Hogwarts . Isso acarreta grandes responsabilidades . O Bill e o Charlie já saíram . O Bill era chefe de turma e o Charlie era capitão de Quidditch . Agora o Percy é chefe de departamento . O Fred e o George fazem muita confusão mas têm boas notas e acham nos muito divertidos . Todos esperam que eu esteja a a altura de eles mas , se o conseguir , também não é lá um grande feito porque eles já o fizeram primeiro . Nunca consegues nada de_novo com cinco irmãos . Herdei as capas velhas de o Bill , a antiga varinha de o Charlie e o rato de o Percy . Ron procurou dentro de o casaco e tirou de lá um rato cinzento que estava a dormir . - Chama se Scabbers e não serve para nada . Quase nunca está acordado . O Percy teve uma coruja de presente por ter sido nomeado chefe de departamento mas eles não tinham dinh ... quero dizer , eu fiquei com o Scabbers . As orelhas de Ron coraram . Deve ter tido a sensação de quem falou de mais porque voltou a olhar para fora de a janela . Para Harry era a coisa mais normal de o mundo que alguém não tivesse dinheiro para comprar uma coruja . Afinal , ele próprio , nunca tinha tido um tostão até um mês atrás e contou a o Ron que também herdava as roupas de o Dudley e que nunca tinha tido verdadeiros presentes de aniversário , o que pareceu animá o um_pouco . -- ... e até o Hagrid me contar , eu não sabia que era um feiticeiro nem sabia nada de os meus pais ou de o Voldemort . Ron sobressaltou se . - O que foi ? - perguntou Harry . - Tu disseste o nome de o « Quem nós sabemos » ! - afirmou o Ron entre o chocado e o impressionado . - Devia imaginar que só tu ... - Eu não estou a tentar mostrar me corajoso a o dizer o nome -- , explicou Harry . - Só que nunca ouvi dizer que era perigoso , percebes ? Tenho muito que aprender , não há dúvida - acrescentou , verbalizando algo que vinha a preocupá o bastante em os últimos tempos . - Aposto que vou ser o pior de a turma . - Não vais , não . Há montes de gente que vem de famílias de Muggles e que aprendeu muito depressa . Enquanto conversavam , o comboio saíra de Londres . Atravessava agora , a grande velocidade , campos cheios de vacas e carneiros . Ficaram um bocado em silêncio , a observar o campo e os caminhos estreitos que passavam como flechas . Por volta de o meio-dia e meia_hora , ouviu se um grande burburinho em o corredor de o comboio e uma mulher sorridente e com covinhas em o rosto bateu em a porta de o compartimento de eles , perguntando : - Querem alguma coisa de os carrinhos , meninos ? Harry , que não tinha tomado o pequeno-almoço , pôs se de pé em um salto , mas o Ron corou outra_vez em as orelhas e murmurou que tinha trazido sandes . Harry saiu para o corredor . Enquanto vivera com os Dursleys nunca tinha tido dinheiro para comprar doces e agora , com os bolsos cheios de ouro e prata , estava pronto a comprar todos os chocolates * _ Mars * que conseguisse transportar consigo . Mas a mulher não tinha chocolates * _ Mars * . O que ela trazia era : feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , as melhores pastilhas elásticas de os Drooble , sapos de chocolate , pastéis de abóbora , bolos de o Caldeirão , varinhas mágicas de alcaçuz e mais uma imensa quantidade de coisas estranhas de as quais Harry nunca tinha ouvido falar em toda_a sua vida . Comprou uma boa quantidade de cada e pagou a a mulher onze Leões de prata e sete Knuts de bronze . Ron ficou especado a o ver tudo_o_que o Harry comprara , tinha trazido para o compartimento e colocado sobre um assento vazio . - Tudo_isso é fome ? - Imensa -- , disse Harry , dando uma grande dentada em um pastel de abóbora . O Ron tinha retirado e desembrulhado de um pacote rugoso quatro sandes . Pôs uma de parte e resmungou : - Ela esquece se sempre_que eu não gosto de carne de conserva . -- _ troco-ta por um de estes -- disse Harry , dando lhe um pastel . - Toma . - Tu não vais gostar de isso . E sequíssimo -- , disse o Ron . - Ela não tem muito_tempo -- , acrescentou rapidamente . - Sabes como é , com cinco filhos . - Vá lá , toma um pastel - disse Harry , que nunca tinha tido nada para partilhar ou , verdade se diga ninguém com quem partilhar fosse o que fosse . Era um sentimento bom estar ali sentado com o Ron , a comer a a vontade , os pastéis e os bolos ( as sandes ficaram esquecidas ) . - O que são estas ? - perguntou Harry a o Ron , pegando em um pacote de sapos de chocolate . - Não são sapos a sério , pois não ? - Começava a achar que já nada o surpreendia . - Não - disse o Ron , - mas vê qual é o cromo que tem lá dentro , falta me o * _ Agrippa * ! - O quê ? - Ah ! é claro que tu não sabes . Os sapos de chocolate trazem cromos lá dentro para coleccionar - feiticeiros e broxas famosas . Eu já tenho cerca de quinhentos mas falta me o * _ Agrippa * ou o * _ Ptolemy * . Harry desembrulhou o seu sapo de chocolate e pegou em o cromo . Era o rosto de um homem com óculos de meia-lua , um nariz longo e curvo , com cabelo , barba e bigode abundantes e cor de prata . Sob a fotografia vinha o nome : * _ Albus_Dumbledore * . - Então este é_que é Dumbledore ! - disse Harry . - Não me digas que nunca ouviste falar de o Dumbledore ! - exclamou Ron . - Dás me um sapo ? Pode ser que traga o * _ Agrippa * . Obrigado . Harry virou o cromo e leu : Albus_Dumbledore , actual Director_de_Hogwarts . Considerado , por muitos , o maior feiticeiro de os tempos modernos , Dumbledore é particularmente famoso por a sua vitória sobre o feiticeiro de as trevas Grindelwald em 1945 , por a descoberta de as doze utilizações de o sangue de dragão e por o trabalho alqutímico que desenvolveu juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel . Dumbledore gosta de música de câmara e tenpin bowling . Harry voltou de_novo o cromo e viu , com grande surpresa , que o rosto de Dumbledore tinha desaparecido . - Então , não podias esperar que ficasse aí todo o dia - respondeu Ron . - Ele volta . Olha saiu me outra_vez a * _ Morgana * e já tenho seis cromos de ela . Queres ? Podias começar a fazer a colecção . Os olhos de Ron perderam se em a pilha de sapos de chocolate a a espera de serem desembrulhados . - Tira a a tua vontade - disse Harry . - Mas sabes , em o mundo de os Muggles , as pessoas que estão em as fotografias ficam sempre lá . - A sério ? mas não se mexem , nem nada ? - Ron parecia pasmado . - Que esquisito ! Harry olhou fixamente à_medida_que Dumbledore regressava a a imagem de o cromo , sorrindo lhe . O Ron estava mais interessado em comer os sapos do_que em ver as famosas bruxas e feiticeiros de os cromos , mas Harry não conseguia desviar os olhos de eles . Passado um bocado , não tinha só Dumbledore e Morgana mas também Hengist_de_Woodcroft , Alberic_Grunnion , Circe , Paracelso e Merlin . Por fim , afastou os olhos de a sacerdotisa druida Cliona que estava a coçar o nariz , para abrir uma embalagem de feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott . - Tens de ter cuidado com esses -- , preveniu o Ron . - Quando eles dizem todos os sabores querem mesmo dizer todos os sabores - tens aqueles vulgares de chocolate , hortelã-pimenta e doce de laranja mas também há os de espinafres , fígado e tripas . O George conta que um dia comeu um com sabor a humidade . Ron tirou um feijão de cor verde , olhou cautelosamente para ele e deu uma dentada em a ponta . - Bleaarg ! estás a ver ? Grelos . Divertiram se bastante a comer os feijões de todos os sabores . A o , Harry calharam lhe os de torrada , coco , feijão cozido , morango , caril , cereais , café , sardinha e foi suficientemente corajoso para mordiscar o que sobrou de um cinzento que o Ron não comeu e que afinal era de pimenta . A paisagem campestre que se via de a janela era agora cada_vez_mais agreste . Os campos cultivados haviam desaparecido . Viam se bosques , riachos ondulantes e vegetação verde-escura . Ouviu se uma pancada em a porta de o compartimento e o rapaz de rosto redondo que passara por Harry em a plataforma nove_e_três quartos entrou . Tinha um ar choroso . - Desculpem -- , disse - mas viram , por acaso , um sapo ? Quando lhe acenaram negativamente com as cabeças , ele lamentou se : - Perdi o ! Ele está sempre a fugir me ! - Ele vai aparecer -- , confortou o Harry . - Sim - disse o rapaz , com um ar infeliz . - Bem , se por acaso o virem ... - Não sei porque é_que ele está tão preocupado - disse o Ron . - Se eu tivesse trazido um sapo perdia o o mais depressa que pudesse . Bem , trouxe o Scabbers , por isso também não posso falar muito . O rato dormia ainda em o colo de o Ron . - Podia ter morrido que não davas por a diferença -- , disse ele , desgostoso . - Tentei torná o amarelo para ver se ficava mais atraente mas o feitiço não resultou . Eu mostro te , olha ... Procurou em a mala e tirou de lá de dentro uma varinha com um aspecto muito desgastado . Tinha algumas rachas e uma coisa branca brilhava mesmo em a ponta . - O pêlo de o unicórnio está quase a extinguir se . Tinha acabado de levantar a varinha a o ar quando alguém abriu de_novo a porta de o compartimento . O rapaz sem sapo estava de volta mas , desta_vez , trazia consigo uma rapariga já vestida com as roupas de Hogwarts . - Alguém aqui viu um sapo ? O Neville perdeu o de ele - disse , em um tom de comando . Tinha uma abundante cabeleira castanha e os dentes de a frente demasiado grandes . - Já lhe dissemos que não -- , respondeu o Ron , mas a rapariga não estava a ouvi o . Observava a varinha que ele tinha em as mãos . - Ah ! estás a fazer magia . Vamos lá ver , então ! Sentou se . Ron ficou um_pouco surpreendido . - Er ... está bem . Limpou a garganta . - Luz de o sol , manteiga fresca , malmequer belo ... Faz este rato estúpido ficar amarelo ! ! ! Acenou com a varinha mas nada aconteceu . O Scabbers continuou cinzento e a dormir . - Tens a certeza de que esse feitiço é verdadeiro ? - perguntou a rapariga . - Bem , não é lá muito eficaz , pois não ? Eu tentei alguns bastante simples , só para praticar , e resultaram . Ninguém em a minha família é feiticeiro . Foi a maior de as surpresas quando recebi aquela carta mas fiquei tão feliz , tão feliz ... claro , é a melhor escola de feitiçaria que existe , segundo oiço dizer - aprendi de cor todos os livros de estudo e só espero que seja o suficiente - o meu nome é Hermione_Granger . A propósito , quem és tu ? Ela dissera tudo aquilo de uma única tirada . Harry olhou para Ron e ficou aliviado a o perceber em o seu rosto estupefacto que ele também não decorara todos os livros de estudo . - Sou o Ron_Weasley -- , murmurou o Ron . - Harry_Potter -- , disse Harry . - A sério ? - disse Hermione . - Sei tudo a teu respeito , é claro ; tenho alguns livros suplementares para leitura de apoio que falam de ti , como por_exemplo a * _ História de a magia moderna , _ alvorada e crepúsculo de as artes de as trevas e Os grandes acontecimentos de a feitiçaria em o século vinte * . - Falam de mim ? - perguntou Harry , espantado . - Meu Deus , não sabias ? Eu , em o teu lugar , teria tentado descobrir tudo - disse Hermione . - Algum de vocês sabe em que equipa vai ficar ? Eu tenho andado a perguntar e espero ficar em os Gryffindor , parece me , de longe , ser a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore faz parte . Mas penso que Ravenclaw também não é mau de todo . Bem , é melhor irmos procurar o sapo de o Neville . Vocês os dois mudem de roupa porque estamos quase a chegar . E saiu , levando atrás_de si o rapazinho sem sapo . - Qualquer que seja a minha equipa só espero que ela não esteja lá - disse o Ron , que voltou a atirar a varinha para dentro de a mala . - Feitiço estúpido , foi o George que me o ensinou , aposto que ele sabia que não funcionava . - Em que equipa estão os teus irmãos ? - perguntou Harry . - Gryffindor - disse Ron . A tristeza parecia estar a voltar lhe a o rosto . - A minha mãe e o meu pai também lá andaram . Não sei o que vão dizer se eu não ficar lá . Talvez Ravenclaw não seja tão mau assim , mas imagina só se me põem em os Slytherin ... - Essa era a equipa de o Vol ... , quero dizer de o « Quem nós sabemos » , não era ? - Era -- , respondeu o Ron que se afundou em o assento com ar deprimido . - Tenho a impressão que as pontas de os bigodes de o Scabbers estão um_pouco mais claras -- , disse Harry , tentando mudar de assunto . - E o que é_que os teus irmãos mais velhos vão fazer agora_que deixaram a escola ? Harry questionava se sobre o futuro de um feiticeiro em o final de o curso . - O Charlie está em a Roménia a estudar dragões e o Bill está em _ áfrica a fazer um trabalho para Gringotts -- , disse o Ron . - Ouviste as notícias sobre Gringotts ? Não se fala em outra coisa em o Profeta_Diário , mas não devias recebê o em casa de os Muggles ; alguém tentou assaltar um cofre de alta segurança . Harry olhou o espantado . - A sério ? E o que é_que aconteceu ? - Nada . E por isso que se tornou notícia . Não foram apanhados . O meu pai diz que deve ter sido um poderoso mago negro para conseguir chegar a Gringotts . Mas eles acham que nada foi roubado , o que torna tudo ainda mais esquisito . É claro que toda_a_gente se assusta quando uma coisa de estas acontece , não vá dar se o caso de o « Quem nós sabemos » estar por detrás de a operação . Harry ficou a pensar em o assunto . Começava a sentir um arrepio de medo de cada_vez que se falava de o « Quem nós sabemos » . Calculou que essa reacção fizesse parte de a sua entrada em o mundo mágico mas era muito mais agradável dizer « Voldemort » , como ele fazia antes , sem se preocupar . - Qual é a tua equipa de Quidditch ? - perguntou o Ron . - Er ... não sei , não conheço nenhuma -- , confessou Harry . - O quê ? - Ron estava perplexo . - Vais ver , é o melhor jogo de o mundo - e começou a explicar lhe tudo sobre as quatro bolas e as posições de os sete jogadores , descrevendo jogadas memoráveis que fizera com os irmãos e falando de a vassoura que gostaria de ter se tivesse dinheiro . Estava quase a chegar a os aspectos finais quando a porta de o compartimento voltou a abrir se mas , desta_vez , não era Hermione nem o rapaz sem sapo . Entraram três rapazes e Harry reconheceu de imediato o de o meio . Era o garoto pálido de a loja de capas de Madame_Malkin . Olhava para Harry com um ar bastante mais interessado do_que o que manifestara em a Diagon-Al . - _ é mesmo verdade ? - perguntou . - Diz se por todo o comboio que o Harry_Potter está em este compartimento . És tu ? - Sou - respondeu Harry , enquanto olhava para os outros rapazes . Eram ambos atarracados e tinham um ar extremamente maldoso . Ladeando o rapaz pálido mais pareciam dois guarda-costas . - Ah ! este é o Crabbe e este o Goyle - disse o rapaz pálido , displicentemente , notando o olhar de Harry . Eu sou Malfoy . Draco_Malfoy . Ron tossiu um_pouco , o que poderia ser uma forma de esconder o riso . Draco_Malfoy olhou para ele . - Achas o meu nome engraçado , é isso ? Não preciso de te perguntar quem és . O meu pai contou me que todos os Weasleys têm cabelo ruivo , sardas e mais filhos do_que aqueles que conseguem sustentar . Voltou se de_novo para Harry . - Vais descobrir , muito em_breve , que algumas famílias de feiticeiros são melhores do_que outras , Potter . Certamente não queres estabelecer amizade com as pessoas erradas . Conta comigo para te ajudar . Estendeu a mão para apertar a de Harry mas este recusou o aperto de mão . - Julgo poder descobrir por mim próprio qual o tipo de gente errada , obrigado - disse friamente . Draco_Malfoy não corou mas um matiz rosado surgiu em as suas faces pálidas . - Eu teria cuidado , Potter -- , disse lentamente . - Se não fores um_pouco mais educado , acabará por acontecer te o mesmo_que a os teus pais . Eles também nunca souberam escolher o que era melhor para eles . Continua a andar por aí com canalha como os Weasleys e o tal Hagrid e eu dou te uma lição . Harry e Ron levantaram se . O rosto de Ron estava tão vermelho como o cabelo . - Repete lá isso - disse ele . - Ah ! queres lutar connosco ? - zombou Malfoy . - Se não saíres de aqui imediatamente - completou Harry , aparentando mais coragem do_que a que sentia ter , pois Crabbe e Goyle eram muito maiores do_que ele ou Ron . - Mas a nós não nos apetece sair , pois não , rapazes ? A nossa comida já acabou e , por o que vejo , vocês ainda têm aqui alguma . Goyle pegou em os sapos de chocolate que estavam ao_lado_de Ron - Ron saltou para a frente mas , antes de ter tido tempo de tocar em o Goyle , este soltou um grito de horror . O rato Scabbers estava pendurado em a sua mão e tinha espetado os dentinhos em a articulação de um de os seus dedos - Crabbe e Malfoy recuaram enquanto Goyle abanava o Scabbers , tentando que ele se soltasse , sem parar de gritar . E quando Scabbers finalmente foi por os ares , indo bater em a janela , desapareceram os três em um rompante . Devem ter pensado que havia mais ratos escondidos em os doces ou então ouviram passos porque , um segundo depois , Hermione_Granger , entrava . - O que é_que se passou aqui ? - perguntou , olhando para os bolos que enchiam o chão e para Ron que agarrava o Scabbers pela cauda . - Acho que o liquidaram -- , disse Ron , dirigindo se a Harry . Mas olhando mais atentamente para o Scabbers , concluiu . - Não , acho que voltou a adormecer . E era mesmo o que tinha acontecido . - Já conhecias o Malfoy ? Harry contou lhe o encontro de ambos em a Diagon-Al . - Ouvi falar muito de a família de ele - disse Ron tristemente . - Foram de os primeiros a voltar para o nosso lado depois de o desaparecimento de o « Quem nós sabemos » . Disseram que tinham sido hipnotizados . O meu pai não acredita lá muito . Segundo ele , o pai de o Malfoy não precisava de uma desculpa para se passar para o lado de as trevas . - Voltou se para Hermione : - Precisas de alguma coisa ? - _ é melhor vocês apressarem se a vestir as roupas . Eu foi agora lá a a frente perguntar a o condutor quanto tempo faltava e ele diz que estamos mesmo a chegar . Vocês não andaram a a luta , pois não ? Não vão arranjar sarilhos ainda antes de lá chegarmos . - O Scabbers andou a a lata , nós não -- , respondeu o Ron com ar carrancudo . - Importas te de sair para nos vestirmos ? - Está bem . Eu só aqui entrei porque os outros lá fora estão a ter um comportamento muito infantil , a correr por os corredores -- , disse Hermione manifestando em a voz algum desdém . - E não sei se sabes que tens o nariz sujo . Ron lançou lhe um olhar indignado e ela saiu . Harry espreitou por a janela . Estava a anoitecer . As montanhas e as florestas destacavam se sob um céu vermelho-escuro . O comboio parecia estar a abrandar . Ele e Ron tiraram os casacos e vestiram as longas capas pretas . A de Ron era um_pouco curta para ele e viam se por baixo os sapatos de ténis . Uma voz ecoou por todo o comboio : - Chegaremos a Hogwarts dentro_de cinco minutos . Por favor deixem toda_a bagagem dentro de o comboio . Será levada para a escola separadamente . O estômago de Harry contraiu se com os nervos e viu que a pele sardenta de Ron se tornara mais pálida . Encheram os bolsos com o resto de os doces e juntaram se a a multidão que enchia o corredor . O comboio abrandou lentamente e , por fim , parou . As pessoas empurraram se , tentando abrir caminho até a a porta e saindo para uma pequena plataforma escura . Harry tiritou com o ar frio de a noite . Em seguida , uma luz surgiu , oscilando sobre as cabeças de os estudantes e Harry reconheceu uma voz que lhe era muito familiar : - Primeiros anos ! Primeiros anos ! E p'ra vir por aqui . Tudo bem , Harry ? A grande cara barbuda de Hagrid era bem visível por_cima_de um mar de cabeças . - Vamos , sigam me . Não há mais ninguém de os primeiros anos ? Cuidado com o degrau , primeiros anos , atrás_de mim ! A os tropeções seguiram Hagrid que desceu por um caminho estreito e íngreme . Era tão escuro de ambos os lados que Harry pensou que devia estar ladeado de árvores espessas e cerradas . Quase ninguém falou . Neville , o rapaz que passava a vida a perder o sapo , fungou uma ou duas vezes . - De aqui a um segundo vocês vão ver p'la primeira vez Hogwarts - disse Hagrid , por cima de o ombro . - Por esta curva , aqui . Ouviu se um prolongado - Oooooooh ! O caminho estreito desembocara subitamente em a beira de um grande lago negro . Sobre uma altíssima montanha , de o outro lado , brilhavam , em o céu estrelado , as janelas iluminadas de um enorme castelo cheio de torres e torreões . - Não quero mais que quatro em cada barco - gritou Hagrid , apontando para uma frota de pequenos barcos que boiavam em a água junto de a margem . Harry e Ron foram seguidos para o barquinho por Neville e Hermione . - Tud'a postos ? - gritou Hagrid que tinha um barco só para ele . EM_FRENTE ! E a frota de pequenos barcos movimentou se imediatamente , deslizando por o lago que era tão liso como gelo . Iam todos em o maior silêncio , a olhar para o grande castelo lá em cima que parecia ainda mais alto à_medida_que se aproximavam de o rochedo sobre o qual estava edificado . - Baixem as cabeças - gritou Hagrid , logo_que os primeiros barcos atingiram a falésia . Todos inclinaram as cabeças para a frente e os barcos passaram por uma cortina de folhas de hera que ocultava uma abertura em a superfície de o rochedo . Foram transportados através_de um túnel sombrio que parecia levá os mesmo por debaixo de o castelo , até que chegaram a uma espécie de porto subterrâneo onde treparam para as rochas e para o solo pedregoso . - Tu aí , este não é o teu sapo ? - perguntou Hagrid que estava a verificar se ficava alguma coisa dentro de os barcos , à_medida_que os jovens iam saindo . - Trevor -- , gritou Neville , felicíssimo , agarrando o com ambas as mãos . Em seguida escalaram um corredor sobre a falésia atrás de o candeeiro de Hagrid , chegando por fim a um relvado húmido e macio que ficava em a sombra de o castelo . Subiram um lanço de degraus de pedra e reuniram se em volta de a imensa porta principal de madeira de carvalho . - . _ tão todos aqui ? . _ inda tens o sapo ? Hagrid ergueu o seu punho gigantesco e bateu três vezes em a porta de o castelo . VII_O chapéu seleccionador A porta abriu se de imediato . Uma bruxa alta , de cabelo preto e capa cor de esmeralda esperava por eles . Tinha um rosto severo e a primeira coisa que Harry pensou foi que era melhor não se lhe opor . - Os alunos de os primeiros anos , professora Mc_Gonagall - disse Hagrid . - Obrigada , Hagrid . Eu levo os a partir de aqui . Abriu a outra porta . O vestíbulo de a entrada era tão grande que podia caber lá dentro a casa de os Dursleys inteirinha . As paredes de pedra estavam iluminadas por tochas incandescentes como em Gringotts , o tecto era altíssimo e uma escadaria de mármore dava acesso a os andares superiores . Seguiram a professora Mc_Gonagall através de o chão pavimentado . Harry ouvia o rumor de centenas de vozes vindas de a porta de o lado direito - o resto de os alunos devem já estar aqui - mas a professora Mc_Gonagall fez entrar os de os primeiros anos para uma pequena sala vazia , fora de o vestíbulo . Amontoaram se ali , mais chegados uns em os outros do_que seria natural , olhando nervosamente em volta . - Bem-vindos_a_Hogwarts-disse a professora Mc_Gonagall . - O banquete de início de o ano vai começar dentro m breve , mas antes de se sentarem em o Salão vai haver a selecção por equipas . Trata se de uma cerimónia muito importante porque , enquanto aqui estiverem , a vossa equipa vai ser para vocês uma espécie de família dentro_de Hogwarts . Terão aulas com os outros colegas de a vossa equipa , partilharão a mesma camarata e ocuparão os vossos tempos livres em a respectiva sala de convívio . - As quatro equipas chamam se : Gryffindor , Hufflepuff , Ravenclaw e Slytherin . Cada uma de elas tem a sua história própria e todas produziram bruxas e feiticeiros de renome . Enquanto estiverem em Hogwarts as vossas vitórias farão com que a vossa equipa ganhe pontos e , de o mesmo modo , as vossas punições por violação de as regras farão a perdê os . Em o final de o ano , a a equipa com pontuação mais alta é conferida a taça de a equipa , uma grande honra . Espero que cada_um de vós seja um mérito para a equipa em que vai integrar se , qualquer que ela seja . - A cerimónia de a selecção terá lugar dentro_de alguns minutos , em frente de o resto de a escola . Sugiro que se animem enquanto esperam , para estarem com o melhor aspecto possível . Os olhos de Harry pousaram por um momento em o sapo de o Neville que estava preso debaixo de a orelha esquerda de ele e em o nariz manchado de o Ron . Tentou nervosamente ajeitar o cabelo . - Eu volto quando tudo estiver pronto para vocês - disse a professora Mc_Gonagall . - Por favor esperem com calma . Saiu de a sala e Harry engoliu em seco . - Como é_que fazem a selecção de as equipas ? - perguntou a o Ron . - É uma espécie de teste , acho eu . O Fred disse que doía um bocado mas se_calhar estava a brincar comigo . O coração de Harry deu um salto de pavor . Um teste ? Diante_de toda_a escola ? Mas , se ele ainda não sabia nada de magia - o que é_que iriam mandá o fazer ? Não lhe passara por a cabeça semelhante coisa quando ali haviam chegado . Olhou em volta ansiosamente e viu que todos os outros tinham o mesmo ar assustado . Ninguém falava a não ser Hermione_Granger que contava rapidamente em voz baixa todos os feitiços que tinha aprendido , perguntando se qual o que poderia ser lhe útil em aquele momento . Harry fez um esforço por não a ouvir . Nunca se sentira tão nervoso , nem mesmo quando trouxera um relatório escolar a os Dursleys dizendo que , não se sabia como , ele tornara azul o chinó de o professor . Não desviava os olhos de a porta . A qualquer instante , a professora Mc_Gonagall ia voltar e indicar lhe o seu destino . Foi então que aconteceu uma coisa que o fez dar um salto - vários jovens atrás de ele gritaram . - Que diabo é_que ... ? Ele sobressaltou se , assim_como os que estavam a a volta . Cerca de vinte fantasmas acabavam de entrar por a parede de trás . De um branco-pérola e ligeiramente translúcidos , deslizaram por a sala , conversando uns com os outros , quase sem olhar para os alunos de os primeiros anos . Pareciam manter uma discussão . Um de eles , que lembrava um macaquinho anafado , dizia : - Esquecer e perdoar , eu acho que devíamos dar lhe uma segunda oportunidade . - Meu caro frade , não teremos dado a o rabugento todas_as oportunidades que ele merecia ? Ele dá nos mau nome a todos e nem_sequer é um fantasma . Mas , afinal , o que estamos nós a fazer aqui ? Um fantasma que usava uma gola de tufos engomados e calças justas reparara subitamente em os alunos de os primeiros anos . Ninguém respondeu . - Alunos novos ! - disse o frade gordo , sorrindo lhes . A espera de serem seleccionados , imagino ? Alguns jovens acenaram afirmativamente . - Espero ver vos em o Hufflepuff - disse o frade - a minha antiga equipa . - Saiam de aqui , agora -- , disse uma voz cortante . - A cerimónia de selecção está prestes a começar . A professora Mc_Gonagall havia . regressado . Um a um , os fantasmas desapareceram através de a parede oposta . - Formem agora uma fila -- , disse a professora Mc_Gonagall a os alunos de os primeiros anos . - E sigam me . Sentindo se esquisito , como_se as pernas o comandassem , Harry entrou em a fila , atrás_de um rapaz de cabelo cor de areia , com o Ron atrás e saíram para a sala de entrada . Depois por uma porta dupla deram entrada em o grande salão . Harry nunca imaginara um lugar tão estranho e fantástico . Era iluminado por milhares de candeias que tombavam de o ar , sobre quatro grandes mesas onde estavam sentados os outros estudantes . As mesas estavam postas com pratos e taças de ouro , reluzentes . Em o topo de o salão havia uma outra mesa comprida onde se encontravam os professores . A professora Mc_Gonagall trouxe os alunos de os primeiros anos de_modo_a ficarem alinhados de frente para os outros estudantes , com os professores atrás . As centenas de rostos que os olhavam fixamente pareciam pálidas lanternas que contrastavam com a luz tremeluzente de as velas . Espalhados por o meio de os estudantes , os fantasmas tinham uma cor vagamente prateada . A_fim_de evitar todos aqueles olhares fixos , Harry olhou para_cima e viu um tecto preto aveludado salpicado de estrelas . Ouviu Hermione murmurar : « E pura magia para parecer o céu lá de_fora , li sobre isso em a * _ História_de_Hogwarts * . » Era difícil acreditar que aquilo fosse um tecto e que o grande salão não estivesse simplesmente aberto a o céu . Harry voltou a olhar para baixo logo_que a professora Mc_Gonagall colocou em frente de os alunos um banco de quatro pernas . Em cima de o banco pousou um chapéu de feiticeiro . Era um chapéu remendado , puído e extremamente sujo . A tia Petúnia não o teria deixado entrar lá em casa . - Talvez tivessem de tentar sacar um coelho lá de dentro - pensou , desorientado . - Parecia o tipo de coisa que ... -- , mas reparando que todos a a sua volta estavam a olhar fixamente para o chapéu , resolveu fazer o mesmo . Durante alguns segundos o silencio foi total . Em seguida o chapéu contorceu se . Um rasgão perto de a aba abriu se como uma enorme boca e o chapéu começou a cantar : Vocês acham que eu sou feio Olhem que o aspecto mente De certeza não encontram Chapéu mais inteligente . Guardem os chapéus de coco Chapéus altos e de peles O chapéu que escolhe em Hogwarts_É melhor que todos eles . Nada há em as vossas cabeças Que eu não possa adivinhar Ponham-me e eu já vos digo Onde é o vosso lugar . Talvez seja em Gryffindor_Onde reina a ousadia Que se destaca de todos Em audácia e valentia . Ou talvez em Hufflepuff_Onde trabalham contentes Os alunos verdadeiros , Leais , justos , pacientes . Ou em o velho Ravenclaw_Se tens a mente prontinha Se és prudente e estudioso Achaste o que te convinha . Ou , quem sabe , o teu lugar seja com os Slytherins_Que nunca olharam a meios Para atingirem os fins . Portanto experimenta me E não percas a cabeça Sou o seleccionador Muito embora não pareça ! Toda_a_gente aplaudiu entusiasticamente quando ele acabou a canção . O chapéu fez uma vénia a cada uma de as quatro mesas e ficou quieto de_novo . - Então só temos de experimentar o chapéu - disse baixinho o Ron a o ouvido de o Harry . - Mato_o_Fred que me convenceu que era preciso lutar contra um duende . Harry sorriu , indeciso . É certo que experimentar o chapéu era bem melhor do_que ter de fazer uma mágica como ele receava , mas preferia não ter toda aquela gente a observá o . O chapéu parecia ser muito exigente . Harry não tinha a certeza de ser corajoso , ter espírito vivo nem coisa alguma , em aquele preciso momento . Se , pelo_menos , o chapéu tivesse falado de uma equipa para os que se sentiam mal-dispostos essa seria certamente a sua . A professora Mc_Gonagall avançou com um grande rolo de pergaminho em as mãos . - Quando vos chamar por o nome , vocês vão colocar o chapéu e sentar se em o banco para serem seleccionados - disse . - Hannah_Abbott ! Uma garota de pele rosada com caracóis loiros saiu de a fila , pôs o chapéu que lhe caiu até a os olhos e sentou se . Houve uma pausa . - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu . A mesa de a direita aplaudiu , batendo palmas e Hanna foi sentar se em a mesa de os Hufflepuff . Harry viu o fantasma de o frade gordo a acenar lhe alegremente . - Susan_Bones ! - HUFFLEPUFF ! - gritou o chapéu de_novo e Susan foi apressadamente colocar se ao_lado_de Hanna . - Terry_Boot ! - RAVENCLAW ! Foi a vez de a segunda mesa de a esquerda aplaudir . Vários alunos de os Ravenclaw puseram se de pé a bater palmas a Terry enquanto ele se lhes juntava . Mandy_Brocklehurst foi também para Ravenclaw mas Lavender_Brown foi o primeiro Gryffindor e a mesa de a extrema esquerda explodiu em ovações . Harry via os irmãos gémeos de o Ron a assobiarem . Em seguida Millicent_Bulstrode tornou se Slytherin . Talvez fosse apenas imaginação sua depois de tudo_o_que ouvira de eles , mas Harry tinha a sensação de que eram um grupo bastante desagradável . Sentia se cada_vez_mais mal-disposto . Lembrava se de quando era escolhido para jogar , em a sua antiga escola . Era sempre o último a ser aceite , não porque jogasse mal , mas porque ninguém queria que o Dudley desconfiasse de que gostavam de ele . - Justin_Finch - _ Fletchley ! - HUFFLEPUFF ! Harry reparou que umas vezes o chapéu gritava de imediato o nome de a equipa mas , outras vezes , levava alguns segundos a decidir se . Sesmus_Finnigan , o rapaz de cabelo cor de areia que seguia Harry em a fila , ficou sentado em o banco durante quase um minuto até o chapéu o considerar um Gryffindor . - Hermione_Granger ! Hermione quase correu para o banco e enfiou rapidamente o chapéu em a cabeça . - GRYFFINDOR ! - gritou o chapéu . Ron resmungou . Um pensamento horrível apoderou se então de Harry com aquela força que os pensamentos horríveis tem quando estamos muito nervosos . E se ele não fosse escolhido para nenhuma ? Se ficasse ali sentado em o banco com o chapéu a tapar lhe os olhos durante imenso tempo e a professora Mc_Gonagall tivesse de vir tirar lhe o de a cabeça , dizendo que tinha havido obviamente um engano e que o comboio iria levá o de_novo a casa ? Quando Neville_Longbottom , o rapaz que estava sempre a perder o sapo , foi chamado , tropeçou antes de chegar a o banco . O chapéu levou muito_tempo a decidir se em relação a o Neville . Quando por fim gritou - GRYFFINDOR -- , Neville desatou a correr com o chapéu ainda enfiado em a cabeça e teve de voltar atrás , com a sala toda_a rir , para o entregar a Morag_Mac_Dougal . Malfoy avançou arrogantemente quando foi chamado e viu de imediato o seu desejo realizado : o chapéu mal lhe tinha tocado em a cabeça e já estava a gritar - SLYTHERIN ! Foi juntar se a os seus amigos Crabbe e Goyle , visivelmente satisfeito consigo próprio . Já não faltava muita gente . - Moon ... , Nott ... , Parkinson ... - depois um par de gémeas Patil e Patil ... a seguir Sally - _ Anne_Perks e por fim ... - Harry_Potter ! Quando Harry deu o primeiro passo em frente , a sala encheu se de murmúrios sibilantes que pareciam achas de lume a arder . - Potter , disse ela ? - O Harry_Potter ? A última coisa que ele viu , quando o chapéu lhe tombou para os olhos , foi o salão cheio de gente a estender o pescoço para conseguir observá o bem . Em o momento a seguir estava a olhar para a escuridão dentro de o chapéu . A espera . - Hum ... disse uma vozinha a o seu ouvida . - Difícil , muito difícil . Cheio de coragem , estou a ver . Inteligente também . Talento , oh ! sim e uma grande ânsia de afirmação . Ora , onde é_que eu te vou pôr ? Harry agarrou se a os bordos de o banco e pensou - Slytherin , não . Slytherin , não . - Slytherin , não , hein ? - disse a vozinha . - Tens a certeza ? Poderias vir a ser muito grande , sabes ? Tens tudo em a cabeça e os Slytherin podem ajudar te muito , sem sombra de dúvida . Não ? Bem , se tens tanta certeza , então « GRYFFINDOR ! » . Harry ouviu o chapéu gritar a última palavra para todo o salão e dirigiu se , a tremer , para a mesa de os Gryffindor . Sentia se tão aliviado por ter sido escolhido e não ter ido para os Slytherin que nem reparou que estava a ser alvo de a maior de todas_as ovações . Percy , o chefe de o departamento , pôs se de pé e apertou lhe vigorosamente a mão , enquanto os gémeos Weasley gritavam « Temos o Potter ! » . Harry sentou se em frente de o fantasma de gola de tufos engomados que tinha visto pouco antes . O fantasma deu lhe uma palmada amigável em o braço fazendo Harry sentir se como_se o tivesse mergulhado em um balde de água gelada . Podia ver agora , com toda_a nitidez , a mesa principal . Em a extremidade mais próxima de o lugar onde se encontrava , estava sentado Hagrid , que lhe captou o olhar e lhe deu os parabéns . Harry retribuiu lhe o sorriso . E bem em o centro de a mesa , em uma grande cadeira de ouro , estava sentado Albus_Dumbledore . Harry reconheceu o logo de o cromo de os sapos de chocolate que comprara em o comboio . O cabelo prateado de Dumbledore era a única coisa em todo o salão que brilhava tanto como os fantasmas . Harry avistou também o professor Quirrell , o jovem nervoso de o Caldeirão_Escoante . Tinha um aspecto bastante exótico em o seu enorme turbante cor de púrpura . E agora faltavam ser seleccionadas três pessoas . Lisa_Turpin ficou em os Ravenclaw e a seguir chegou a vez de o Ron . Em aquele momento a pele de ele era de uma palidez esverdeada . Harry fez figas debaixo de a mesa e , um segundo depois , o chapéu gritou « GRYFFINDOR ! « Harry aplaudiu entusiasmado com todos os outros e Ron quase perdeu os sentidos quando se sentou em a cadeira a o lado de ele . - Muito bem , Ron , excelente - disse Percy_Weasley pomposamente , enquanto Blaise_Zabini era seleccionada para os Slytherin . A professora Mc_Gonagall enrolou de_novo o pergaminho e levou o chapéu seleccionador para dentro . Harry olhou para o seu prato dourado , vazio . Só agora se apercebia de que estava cheio de fome . Parecia que a sua última refeição tinha sido há séculos . Albus_Dumbledore pusera se de pé . Estava a dirigir se a os estudantes de braços abertos , como_se nada o fizesse mais feliz do_que vês os ali . - Bem-vindos ! - disse . - Bem-vindos a um nova ano em Hogwarts . Antes de iniciarmos o nosso banquete gostaria de dizer algumas palavras . São elas : cretino , gorduroso , restos e mudanças . Muito obrigado ! Voltou a sentar se . Todos bateram palmas , bem-dispostos . Harry não sabia se era para rir ou não . - Ele é um_pouco louco ? - perguntou cheio de dúvidas a Percy . - Louco ? - disse Percy com desenvoltura . - Ele é um génio ! O maior feiticeiro de o mundo . Mas é um_tanto pirado , sim . Queres batatas , Harry ? Harry ficou boquiaberto . Os pratos que tinha em a frente estavam agora cheios de comida . Ele nunca vira tantas coisas boas em uma única mesa : bife , frango assado , costeletas de porco e de carneiro , salsichas , bacon , batatas cozidas , assadas e fritas , ervilhas , cenouras , Ketchup e , por uma razão qualquer que ignorava , hortelã-pimenta a fingir . Os Dursleys nunca o tinham feito passar fome mas também não lhe davam autorização para comer toda_a quantidade que desejasse . O Dudley ficava sempre com as coisas que ele cobiçava , mesmo_que para tal tivesse de ficar , depois , doente . Harry encheu o prato com um bocadinho de cada coisa ( excepto de a hortelã-pimenta a fingir ) e começou a comer . Estava tudo delicioso . - Isso tem um óptimo aspecto - disse o fantasma de a gola engomada , vendo o Harry cortar o bife . - Não podes ... ? - Não como há quatrocentos anos -- , disse o fantasma . - Não me é necessário , mas tenho saudades . Acho que nem me apresentei . Sou Sir_Nicholas_de_Mimsy - _ Porpington , fantasma residente em a torre de Gryffindor , a o seu serviço . - Eu sei quem tu és ! - disse o Ron subitamente . - Os meus irmãos falavam me de ti - és o Nick quase em cabeça ! - Eu preferia que me chamassem Sir_Nicholas_de_Mimsy - começou o fantasma a dizer , mas Seamus_Finnigan interrompeu o . - Quase sem cabeça ? Como é_que se pode ser quase m cabeça ? Sir_Nicholas ficou constrangido . A conversa estava a mar um rumo que não lhe agradava . - Assim -- , disse , irritado , agarrando a orelha esquerda puxando . A cabeça deslocou se e caiu lhe sobre o ombro como_se estivesse ligada por uma dobradiça . Era óbvio que alguém tinha tentado decapitá o mas não soubera fazê o . Com uma expressão de agrado perante os olhares perplexos de os garotos , o Nick quase sem cabeça voltou a pô a em o lugar , tossiu e disse : - Bem , novos Gryffindors , espero que vocês nos ajudem a ganhar a taça de o campeonato este ano . Gryffindor nunca esteve tanto tempo sem a ganhar . Os Slytherin têm ganho sempre de há seis anos a esta parte ; o Barão_Sangrento que é o fantasma de eles está a tornar se verdadeiramente insuportável . Harry olhou para a mesa de os Slytherin e viu um fantasma pavoroso , sentado com eles . Tinha uns olhos esgazeados e inexpressivos , uma cara lúgubre e um manto manchado de sangue prateado . Estava mesmo a a direita de Malfoy que , segundo Harry constatou com agrado , não se mostrava nada satisfeito com a distribuição de os lugares a a mesa . - Como é_que ele ficou coberto de sangue ? - perguntou Seamus , francamente interessado . - Nunca lhe perguntei - disse o Nick quase sem cabeça , delicadamente . Quando todos tinham comido a a vontade , os restos de comida desapareceram de os pratos , que ficaram tão limpos e reluzentes como antes . Em o momento seguinte , surgiram as sobremesas . Bolas de gelado de todos os sabores , tartes de maçã e de melaço , * éclairs * de chocolate , * donuts * de compota , bolo de vinho , morangos , geleia , bolos de arroz , etc. Enquanto Harry se servia de uma tarte de melaço , a conversa recaiu sobre as respectivas famílias . - Eu sou cinquenta por_cento -- , disse Seamus . - O meu pai é Muggle . A minha mãe só lhe disse que era bruxa depois de estarem casados . Um golpe duro para ele . Os outros riram se . - E tu , Neville ? - perguntou o Ron . - Eu fui criado por a minha avó e ela é uma bruxa - disse Neville . - Mas a família pensou que eu era Muggle durante muitos anos . O meu tio Algie estava sempre a tentar encontrar se comigo a sós para eu fazer uma magia - uma_vez atirou me de a beira de o paredão de o cais de Blackpool , ia quase morrendo afogado . Mas nada de especial aconteceu antes de eu fazer oito anos . Em esse dia o tio Algie foi lanchar connosco e estava a agarrar me por os tornozelos , pendurado de o lado de_fora de a janela , quando a tia Enid lhe ofereceu um merengue e ele , distraído , me soltou . Mas eu saí como um jacto por o jardim e por a estrada , em a maior de as calmas . Ficaram todos contentíssimos . A avó chorava de alegria e vocês deviam ter visto as caras de eles quando eu vim para aqui - tinham medo que eu não tivesse aptidões suficientes para entrar . O tio Algie ficou tão contente que me ofereceu o sapo . De o outro lado de Harry , Percy_Weasley e Hermione conversavam sobre lições ( « Eu espero que eles comecem a ensinar nos o mais depressa possível , temos tanto que aprender . Eu estou particularmente interessada em a transfiguração , sabes o que é , transformar uma coisa em outra diferente . É claro que não deve ser nada fácil . Começa se por uma experiência muito simples com pequenos objectos , como transformar fósforos em agulhas , por_exemplo » ) . Harry , que estava já a sentir se um_pouco sonolento voltou a olhar para a mesa principal . Hagrid bebia avidamente por uma grande taça . A professora Mc_Gonagall conversava com o professor Dumbledore . O professor Quirrell , em o seu ridículo turbante , falava com um professor de cabelo preto ajeitado com brilhantina , de nariz adunco e pele amarelada . Tudo aconteceu muito rapidamente . O professor de o nariz adunco olhou directamente , através de o turbante de o Quirrell , para os olhos de Harry e este sentiu uma dor quente e aguda em a cicatriz de a testa . - Ui ! - fez Harry , levando a mão a a testa . - O que é ? - perguntou Percy . - N. . . nada . A dor tinha desaparecido com a mesma velocidade com que se fizera sentir . Difícil de esquecer era a sensação que aquele olhar transmitira a Harry - a certeza de que professor não gostava nem um pouquinho de ele . - Quem é aquele que está a falar com o professor Quirrell ? - perguntou a o Percy . - Ah ! já conheces o Quirrell ? Não admira que ele esteja tão nervoso . O outro é o professor Snape . Ensina poções mas não é isso o que lhe interessa . Todos sabem que ele anda a ver se consegue roubar o trabalho a o Quirrell . Sabe muito de magia negra , o Snape . Harry observou o mais atentamente mas Snape não voltou a olhar para ele . Por fim , também os doces desapareceram e o professor Dumbledore voltou a levantar se . O salão ficou em um silêncio total . - Só mais algumas palavras , agora_que já comemos e bebemos . Tenho notícias a dar vos sobre o período escolar que começa . - Os alunos de os primeiros anos devem ficar a saber que a floresta é proibida a todos os alunos . E seria bom que alguns de os mais antigos se recordassem igualmente de isto . Os olhos tremeluzentes de Dumbledore brilharam em a direcção de os gémeos Weasley . - O senhor Filch , o encarregado , pediu me também que vos recordasse a todos que não deve ser utilizada magia em os corredores , entre as aulas . - Os desafios de Quidditch terão início em a segunda semana de este período . Todos aqueles que estiverem interessados em jogar por a sua equipa deverão contactar Madame_Hooch . - E , para finalizar , devo dizer vos que este ano o corredor de o terceiro andar de o lado direito é zona proibida para todos aqueles que não desejem uma morte dolorosa . Harry riu se mas foi um de os poucos . - Ele não está a falar a sério , pois não ? - perguntou baixinho a o Percy . - _ é capaz de estar -- , disse este , franzindo as sobrancelhas . - É estranho porque ele costuma dar nos uma justificação para não irmos a este ou a aquele lugar - a floresta está cheia de animais selvagens , todos sabem de isso . Acho que deveria ter nos dado uma explicação , pelo_menos a nós , chefes de departamento . - E agora , antes de irmos para a cama , vamos cantar o hino de a escola ! - gritou Dumbledore . Harry reparou que os sorrisos de os outros professores tinham ficado parados . Dumbledore fez um pequeno gesto com a varinha , como_se estivesse a tentar tocar em uma mosca e uma longa fita dourada saiu de lá de dentro , erguendo se bem alto por sobre as mesas e , serpenteando , transformou se em palavras . - Escolham a vossa melodia -- , disse Dumbledore e comecemos ! E a escola clamou : Hogwarts , Hogwarts , infalível , Hogwarts_Ensina-nos , por favor Quer sejamos já velhos e calvos Ou jovens em pleno vigor Nossas mentes precisam de ser Repletas de coisas interessantes Pois estão vazias e cheias de ar Como balões de gigantes . Ensina nos o que tiver valor Faz-nos lembrar paz e tormenta Dá o teu melhor , enche por favor Toda_a nossa massa cinzenta ! Os alunos terminaram o hino em alturas diferentes . Por fim , só os gémeos Weasley ficaram a cantar a o ritmo de uma marcha fúnebre . Dumbledore conduziu os últimos versos com a varinha e , quando terminaram , foi um de os que bateram palmas com maior vigor . - Ah ! a música , - disse , limpando os olhos . - É uma magia para_além de a que fazemos aqui . E agora são horas de ir para a cama . Toca a andar ! Os primeiros anos de os Gryffindor seguiram Percy através de as multidões ruidosas de o salão e subiram a escadaria de mármore . As pernas de Harry estavam de_novo a comandá o mas , desta_vez , era devido a o grande cansaço e a o muito que tinha comido . O sono era tanto que nem achou estranho que as imagens de os retratos que estavam pendurados em as paredes de os corredores murmurassem e apontassem , enquanto eles iam passando e que , por duas vezes , Percy os tivesse conduzido por portas ocultas por_detrás_de painéis deslizantes e tapeçarias de parede . Subiram escadas mais escadas , bocejando e arrastando os pés . Harry só queria saber quanto tempo mais teria de andar quando finalmente fizeram uma paragem . Um molho de bastões ambulantes deslocava se , a flutuar por os ares , diante de eles e quando Percy deu um passo em frente , lançaram se contra o chefe de departamento . - Peeves . . , explicou Percy a os alunos de os primeiros anos - Um * _ Poltergeist * . - Levantou a voz - Peeves , mostra te ! A resposta foi dada por uma voz desagradável , como o ar que sai de um balão . - Queres que eu vá falar com o Barão_Sangrento ? Ouviu se um estoiro e um homenzinho pequenino com uns olhos escuros maldosos e uma boca arregalada apareceu , a flutuar em o ar , de pernas cruzadas , agarrando os bastões ambulantes . -- Oooooooooooooh -- , fez ele em um cacarejar maldoso . - Olha os novatozinhos , que divertido . Em um instante investiu em « voo picado » sobre eles . Desviaram se todos e Percy rosnou ameaçadoramente . - Vai te embora , Peeves , ou o Barão_Sangrento vai tomar conhecimento de isto . Peeves calou se e desapareceu , fazendo cair os bastões ambulantes sobre a cabeça de o Neville . Ouviram o a zumbir como o motor de um avião , fazendo , por_onde ia passando , uma tremenda barulheira com a sua armadura pesada . - Tenham cuidado com o Peeves -- , disse Percy quando retomaram o caminho . - O Barão_Sangrento é o único que consegue controlá o . Ele não nos liga nenhuma , nem mesmo a nós , os chefes de departamento . Cá estamos . Mesmo a o fundo de o corredor estava pendurado o retrato de uma dama gorda em um vestido de seda cor-de-rosa . -- A senha ? - disse de a . - Caput Draconis -- , respondeu Percy e logo o retrato tomou balanço para a frente , revelando um buraco redondo em a parede . Todos eles passaram - o Neville precisou de uma mãozinha - e entraram em a sala comum de os Gryffindor que era uma divisão acolhedora e redonda , cheia de confortáveis cadeirões de braços . Percy encaminhou as raparigas para uma porta que dava para o dormitório e os rapazes para outra . No_cimo_de uma escada de caracol - estavam obviamente em uma de as torres - avistaram finalmente as camas . Eram cinco leitos antigos , de colunas e dossel , decorados com tecido de velado vermelho-escuro , igual a o de os reposteiros . Demasiado cansados para grandes conversas , meteram se em os pijamas e enfiaram se em as camas . - Grande banquete , não foi ? - murmurou o Ron a o Harry , através de o tecido . - Sai de aqui , Scabbers ! Ele está a roer os meus lençóis . Harry ia perguntar a o Ron se ele tinha comido tarte de melaço , mas este adormeceu antes de ter tido tempo de ouvir a pergunta . Talvez Harry tivesse comido um_pouco de mais , porque teve um sonho bastante estranho . Estava a usar o turbante de o professor Quirrell que não parava de falar com ele e de lhe dizer que devia pedir rapidamente transferência para os Slytherin porque o seu destino era esse . Harry disse a o turbante que não queria ir para os Slytherin e ele começou a ficar cada_vez_mais pesado . Tentou tirá o mas estava tão apertado que começava a magoá o bastante . Malfoy ria se , enquanto ele se debatia para tirar o turbante de a cabeça . Em seguida Malfoy transformou se em o professor Snape , o tal de o nariz adunco , cujo riso se tornou agudo e frio . Houve uma explosão de luz verde e Harry acordou a transpirar e a tremer . Deu uma volta em a cama e adormeceu de_novo e quando acordou , em o dia seguinte , esquecera por completo o sonho . VII_O professor de as poções -- Olha , ali . - Onde ? - A o lado de o miúdo alto de cabelo ruivo . - O de óculos ? - Viste lhe a cara ? - Viste lhe a cicatriz ? Os murmúrios perseguiram Harry em o dia seguinte desde o primeiro momento em que saiu de a camarata . As pessoas faziam fila fora de as salas de aula , em bicos de pés , para conseguirem vês o bem ou andavam para_cima e para baixo para passarem mais_uma_vez por ele e poderem olhar melhor . Harry sentia se incomodado porque aquilo o impedia de se concentrar e não o deixava encontrar o caminho para a sua sala de aula . Havia cento_e_quarenta_e_duas escadarias em Hogwarts : amplas , velozes , estreitas , frágeis , algumas que , a as sextas-feiras , conduziam a um lugar diferente , outras ainda a que faltava um degrau e que exigiam que as pessoas se lembrassem de dar o salto . Havia também portas que só abriam se lhes fosse pedido com muita gentileza ou quando se lhes tocava com a mão em um lugar preciso e portas que não eram realmente portas e sim paredes sólidas que as imitavam . Era muito difícil fixar o lugar de as coisas porque tudo parecia estar em constante movimento . As pessoas de os retratos não paravam de se visitar umas a as outras e Harry podia garantir que as armaduras de ferro conseguiam andar . Os fantasmas também não ajudavam muito . Era sempre um choque desagradável quando um de eles deslizava subitamente por o meio de a porta que alguém estava a tentar abrir . O Nick quase sem cabeça gostava de indicar a os novos Gryffindor a direcção certa mas Peeves , o * Poltergeist * , arranjava sempre maneira de fazer com que duas portas não abrissem e uma escada se tornasse traiçoeira , quando encontrava por o caminho algum aluno atrasado para as aulas . Lançava cestos cheios de papéis velhos a a cabeça de os estudantes , puxava lhes os tapetes debaixo de os pés , enchia os de pó de giz ou escondia se atrás de eles , invisível , agarrava lhes o nariz e gritava - PENCA ! PENCA ! ! ! Pior ainda do_que o Peeves , se é_que era possível , era o encarregado , Argus_Filch . Harry e Ron conseguiram que ele os tomasse de ponta logo em a primeira manhã . Filch foi encontrá os a tentar entrar por uma porta que , infelizmente , era a entrada para o corredor de a zona proibida de o terceiro andar . Não acreditou que eles estivessem perdidos , convenceu se de que tentavam propositadamente entrar e estava já a ameaçar fechá os em as masmorras quando foram salvos por o professor Quirrell que passava ali por acaso . Filch tinha uma gata chamada Mrs._Norris , uma criatura magra e descarnada com uns olhos protuberantes como faróis , parecidos com os de o próprio Filch . A gata patrulhava os corredores sozinha . Infringir uma regra em frente de ela , pisar um centímetro o risco equivalia a vê a chamar por Filch que aparecia cheio de asma em menos_de dois segundos . Filch conhecia , melhor do_que ninguém , as passagens secretas de a escola ( enfim , os gémeos Weasley não lhe ficavam muito atrás ) e podia deslocar se quase tão rapidamente como os fantasmas . Todos os estudantes o detestavam c a maior ambição de quase todos eles era poderem dar um valentíssimo pontapé a a gata Mrs._Norris . E essas passagens secretas , uma_vez_que conseguissem encontrá as , continham em si mesmas algumas lições . A magia era muito mais , como Harry a o fim de pouco tempo se apercebeu , do_que fazer um gesto com a varinha mágica e pronunciar algumas palavras exóticas . Tinham de estudar o céu nocturno através de os telescópios todas_as quartas-feiras a a meia-noite e aprender os nomes de as diferentes estrelas e os movimentos de os planetas . Três vezes por semana iam para as estafas detrás de o castelo estudar « Herbologia » , com um bruxo pequenino e gordo chamado Professor_Sprout , e aí aprendiam como tratar de as plantas e fungos raros e descobriam quais as suas utilizações . A mais aborrecida de todas_as matérias era , sem dúvida , a História_da_Magia , a única cujo professor era um fantasma . O professor Binns era já muito velho quando uma noite adormeceu em frente de a lareira de a sala comum . Em a manhã seguinte , levantou se como de costume e foi dar aulas , só o corpo é_que tinha ficado para trás . Binns discursava sem parar enquanto eles apontavam nomes e datas , misturando Emeric , o Cruel e Uric , o Incomparável_Crânio . O professor Flitwick , que ensinava os encantamentos , era um feiticeiro pequenino que tinha de subir para uma pilha de livros de_modo_a conseguir espreitar por cima de a secretária . Em o princípio de a sua primeira lição pegou em o livro de ponto e quando chegou a o nome de Harry ficou tão perturbado que se desequilibrou , deu um guincho e os alunos deixaram de o ver . Bem diferente era a professora Mc_Gonagall . Harry estava certíssimo quando detectou que ela não era pessoa para aceitar ser desobedecida . Severa e inteligente , fez lhes um discurso logo_que eles se sentaram , em a primeira lição . - A transfiguração é uma de as formas de magia mais complexas c perigosas que vocês vão aprender em Hogwarts -- , disse . - Quem criar confusões em as minhas aulas é posto fora e não entra mais . Estão avisados . Em seguida transformou a secretária em um porco e , depois , de_novo em secretária . Estavam todos entusiasmadíssimos e ansiosos por começar , mas rapidamente se aperceberam de que não iam transformar a mobília em animais senão muito_tempo mais tarde . Após tirarem alguns apontamentos bastante complexos , cada_um recebeu um fósforo e começou a tentar transformá o em uma agulha . Em o final de a aula , só Hermione_Granger tinha mudado alguma coisa em o aspecto de o fósforo . A professora Mc_Gonagall mostrou a os alunos como ficara todo prateado e pontiagudo e presenteou Hermione com um sorriso , o que em ela era raro . A matéria em relação a a qual todos manifestavam maior entusiasmo era a defesa contra as artes de as trevas , mas as aulas de o Quirrell acabavam por ser uma brincadeira pegada . A sala cheirava intensamente a alho , cuja finalidade , segundo se dizia , era afastar um vampiro que ele conhecera em a Roménia e que receava pudesse vir atrás de ele , quando menos esperasse . Contou lhes que o turbante lhe tinha sido oferecido por um príncipe africano como prova de gratidão por tê o livrado de um incómodo morto-vivo , mas ninguém acreditava lá muito em aquela história porque , quando Seamus_Finnigan lhe perguntou como fizera para se livrar de o morto-vivo , Quirrell começou a corar e a falar de o tempo . Além de isso , havia um cheiro esquisito em volta de o turbante e os gémeos Weasley insistiam em que devia estar igualmente cheio de alho para que o professor se sentisse protegido para qualquer lugar que fosse . Harry ficou bastante aliviado a o descobrir que não estava tão atrasado em relação a os outros como receara . Muitos colegas tinham vindo de famílias de _ muggles e , tal_como ele , ignoravam que eram bruxas e feiticeiros . Havia tanto para aprender que mesmo os que eram como Ron não tinham , em relação a os outros , um grande avanço . Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Ron . Conseguiram , pela_primeira_vez , encontrar o caminho para o grande salão de o andar de baixo e foram tomar o pequeno-almoço sem se perderem uma única vez . - O que é_que temos hoje ? - perguntou Harry a o Ron , enquanto este punha açúcar em as papas de aveia . - Poções duplas com os Slytherins - disse Ron . - O Snape é o líder de a equipa de os Slytherin . Dizem que os favorece sempre a eles . Vamos ver se será verdade . - Era bom que a Mc_Gonagall nos favorecesse a nós - disse Harry . A professora Mc_Gonagall era líder de a equipa de os Gryffindor , mas isso não impedira que lhes tivesse passado em a véspera uma imensa quantidade de trabalho de casa . Em aquele momento chegou o correio . Harry já se tinha habituado mas fora um impacte bastante forte quando , em a primeira manhã , viu afluir em torrente cerca de cem corujas que sobrevoaram o salão onde os jovens tomavam o pequeno-almoço até avistarem os respectivos donos , deixando lhes cair em o colo cartas e embrulhos . Hedwig , até a aquele momento , ainda não lhe trouxera nada . Vinha às_vezes mordiscar lhe a orelha e pedir um pedacinho de torrada antes de ir dormir para a casa-ninho de as corujas com as suas colegas de a escola . Contudo , em aquela manhã , esvoaçou entre o doce de laranja e o açucareiro e deixou lhe cair um bilhete em o prato que ele abriu imediatamente . Querido_Harry , dizia em uns gatafunhos bastante desordenados , Sei que tens as tardes de sexta-feira livres . Não queres vir tomar um chá comigo por volta de as três horas ? Gostaria de saber tudo sobre a tua primeira semana . Manda nos uma resposta por a _ hedwig . Hagrid_Harry pediu a pena emprestada a o Ron , escrevinhou em as costas de o bilhete - Sim , por favor , até_então - e enviou Hedwig de volta . Foi uma sorte ele ter se encontrado com Hagrid para tomar chá porque a aula de as poções fora a pior coisa que lhe tinha acontecido desde_que chegara a Hogwarts . Em o início de o banquete , Harry tinha ficado com a impressão de que o professor Snape não gostava de ele . Em o fim de a primeira aula de poções Harry percebeu que se tinha enganado . Snape não antipatizava com ele , odiava o , pura e simplesmente . As aulas de poções eram dadas lá em baixo , em um de os calabouços . O frio ali era mais intenso do_que em o resto de o castelo e seria já suficientemente sinistro sem os animais embriagados flutuando em frascos de vidro , a o longo de as paredes . Snape , tal_como Flitwick , começou a aula pegando em o livro de ponto e , tal_como Flitwick , parou em o nome de Harry . - Ah ! sim - disse com toda_a calma . - Harry_Potter . A nossa nova celebridade . Draco_Malfoy e os amigos Crabbe e Goyle riram se com a mão a a frente de a boca . Snape acabou de chamar os alunos por os nomes e olhou para a classe . Tinha uns olhos pretos como os de Hagrid , mas faltava lhes o calor humano . Eram vazios e gelados , lembravam a escuridão de os túneis . - Vocês estão aqui para aprender a ciência subtil e a arte exacta de a criação de poções -- , começou . Falava quase em um murmúrio mas era possível captar cada palavra . Tal_como a professora Mc_Gonagall , Snape tinha o dom de manter toda_a turma calada sem o menor esforço . - Como vão ver muito pouco de as palermices de agitar varinhas mágicas em o ar , muitos de vós terão dificuldade em compreender que isto_é magia . Não espero que se apercebam em toda_a sua totalidade de a beleza de o caldeirão que ferve suavemente em fogo lento , com as suas emanações difusas , de o poder delicado de os líquidos que trepam vagarosamente por as veias humanas , enfeitiçando o espírito , iludindo os sentidos ... posso ensinar vos como agarrar a fama , preparar a glória e pôr uma rolha a a morte - se vocês não forem um grupo de broncos como os que habitualmente tenho por alunos . A este discurso seguiu se um silêncio ainda maior . Harry e Ron trocaram olhares entre si , de sobrolho franzido . Hermione_Granger estava em a borda de a cadeira , ansiosa por mostrar que não era nenhuma idiota . - Potter - disse Snape subitamente . - O que é_que eu conseguiria se acrescentasse raiz triturada de asfódelo a uma infusão de absinto ? Raiz triturada de que , a uma infusão de o quê ? Harry olhou para Ron que estava tão pasmado quanto ele . A mão de Hermione ergueu se em o ar . - Não sei , professor - disse Harry . Os lábios de Snape ganharam uma expressão de desdém . - Pois , pois , a fama , obviamente , não é tudo em a vida . Ignorou a mão levantada de Hermione . - Tentemos mais_uma_vez , Potter , onde procurarias se eu te mandasse arranjar me um « Bezoar » ? Hermione esticou a mão o_máximo que lhe foi possível , sem ter de se levantar de a cadeira , mas Harry não tinha a menor ideia do_que seria um « Bezoar . Tentou não olhar para MalLoy , Cabble e Goyle que riam perdidamente . - Não sei , professor . - Bem me parecia que não ias abrir um livro antes de começarem as aulas . Não foi , Potter ? Harry fez um esforço para aguentar aquele olhar frio . Ele tinha aberto os livros , sim , em casa de os Dursleys , mas será que o Snape esperava que ele se lembrasse de todos os nomes contidos em o livro * _ Um_milhar de ervas e fungos mágicos * ? Snape continuava a ignorar a mão palpitante de Hermione . - Qual é a diferença , Potter , entre « monkshood » e acónito ? Em esse momento , Hermione pôs se de pé , a mão esticada para o tecto de a masmorra . - Não sei -- , disse Harry calmamente , - mas penso que a Hermione sabe . Porque não lhe pergunta ? Alguns colegas riram se . Harry captou a expressão de Seamus que estava franzida mas Snape não se mostrava satisfeito . - Sente se - gritou a Hermione . - Para sua informação , Potter , asfódelo e absinto produzem uma poção soporífera , de tal modo poderosa que é conhecida como o golo de os mortos-vivos . « Bezoar » é uma pedra que se retira de o estômago de uma cabra e que salva as pessoas de muitos venenos . Quanto_a « monkshood » , é outro nome para dizer acónito - são a mesma planta . Então , não está sequer a tirar apontamentos ? Houve um movimento em a sala , com todos a a procura de penas e pergaminhos . Em uma voz firme , que se sobrepunha a o ruído de fundo , Snape disse : - E os Gryffindor têm um ponto negativo , por tua causa , Potter . As coisas não melhoraram para os Gryffindor com a continuação de as aulas de poções mágicas . Snape organizou os em equipas de dois e pô os a fazer uma poção simples para curar furúnculos . Andava em volta de eles com o seu ar majestoso e a sua longa capa preta , vendo os pesar urtigas secas e triturar dentes de serpente , tecendo críticas a quase todos com excepção de Malfoy , com quem parecia simpatizar . Estava justamente a chamar a atenção de a turma para o modo impecável como o Malfoy tinha estufado os cornos de lesma , quando nuvens e nuvens de fumo ácido e um sibilar intenso encheram a masmorra . Não se sabe como , o Neville tinha conseguido derreter o caldeirão de o Seamus , transformando o em uma mancha retorcida , enquanto a poção se espalhava por o soalho de pedra , fazendo buracos em os sapatos de toda_a_gente . Em poucos segundos , a turma inteira tinha subido para_cima de os bancos enquanto o Neville , que ficara ensopado por a poção quando o caldeirão se desfez , gemia cheio de dores à_medida_que umas bolhas vermelhas e ameaçadoras se lhe espalhavam a o longo de os braços e de as pernas . - Seu miúdo idiota ! - praguejou Snape , limpando a poção com um golpe de a varinha mágica . - Misturaste com certeza os espinhos de o porco-espinho antes de retirar o caldeirão de o lume . Neville choramingou enquanto as bolhas começavam a cobrir lhe o nariz . - Levem o para a ala hospitalar -- , disse Snape encolerizado a o Seamus . Em seguida foi vigiar Harry e Ron que tinham estado a trabalhar a o lado de o Neville . - E tu , Potter , porque é_que não o avisaste para não pôr os espinhos ? Achaste que sobressaías se ele fizesse uma asneira de a grossa , não foi ? Acabas de perder outro ponto para os Gryffindor . Aquilo era tão injusto que Harry abriu a boca para argumentar , mas Ron deu lhe um valente pontapé por detrás de o caldeirão . - Não piores as coisas -- , murmurou . - Ouvi dizer que o Snape é mesmo muito mauzinho . Uma hora mais tarde , quando subiam as escadas para abandonar o calabouço , a mente de Harry andava a mil a a hora e o seu ânimo estava de rastos . Tinha feito perder dois pontos a os Gryffindors , logo em a primeira semana . Por_que motivo o Snape lhe teria tamanho ódio ? -- Anima te , pá - disse lhe Ron . - O Snape está sempre a tirar pontos a o Fred e a o George . Posso ir contigo conhecer o Hagrid ? _ a as cinco para as três saíram de o castelo através de as caves . Hagrid vivia em uma pequena casa de madeira em a orla de a floresta proibida . De o lado de_fora de a porta principal estavam uma arma e um par de galochas . Quando Harry bateu a a porta , ouviu se um esgravatar inquieto e o fortíssimo ladrar de um animal . Em seguida a voz de Hagrid ressoou , dizendo : - Para aqui Fang ( dente de víbora ) , para trás . O grande rosto barbudo de o gigante surgiu em um segundo , mal este abriu a porta . - Quieto - voltou a dizer . - Para trás , Fang . - Convidou os a entrar , debatendo se para segurar a coleira de um enorme cão de caça . A casa tinha apenas uma divisão . De o tecto pendiam presuntos e faisões . Em o lume aceso fervilhava uma chaleira de cobre e a o canto de a sala via se uma cama enorme e maciça , coberta com uma colcha de retalhos . - ` Tejam a a vontade , - disse Hagrid , largando Fang que foi direito a o Ron e começou a lamber lhe as orelhas . Tal_como o dono , Fang não era tão feroz quanto parecia . - Este é o Ron - disse o Harry a o Hagrid que estava a deitar água a ferver em um grande bule e a colocar bolos duros em um prato . - Outro Weasley , hein ? - disse Hagrid , olhando para as sardas de o Ron . - Eu tenho passado metade de a minha vida a correr com os teus irmãos gémeos de a floresta proibida . Os bolos duros quase lhes partiram os dentes , mas Harry e Ron fingiram gostar muito enquanto iam contando a Hagrid tudo sobre as primeiras aulas . Fang apoiou a cabeça em os joelhos de Harry e babou lhe a capa toda . Os dois adoraram ouvir Hagrid chamar a o encarregado Filch « aquele velho imbecil « . - E a gata , a Mrs._Norris , um dia de estes ' inda lhe apresento o Fang . Sabem qu'ela , todas_as manhãs quando me levanto p'ra ir prà escola , começa logo a andar atrás_de em um . Ele manda a seguir me o dia todo . Harry contou a Hagrid o que sucedera em a aula de o Snape . Hagrid , tal_como o Ron , disse lhe que não se preocupasse , que o Snape dificilmente gostava de algum aluno . - Mas ele parecia mesmo detestar me . - Tolice ! - disse Hagrid . - Porquê ? Mas Harry não conseguia deixar de pensar que Hagrid afastara os olhos a o fazer aquela afirmação . - Como vai o teu irmão Charlie ? - perguntou Hagrid a o Ron . - Eu gostava muito de ele . Era sensacional com os animais . Harry questionou se se ele teria mudado de assunto estrategicamente . Enquanto Ron contava tudo sobre o trabalho de Charlie com os dragões , Harry pegou em um pedaço de papel que estava sobre a mesa , debaixo de o abafador de o chá . Era um recorte de o Profeta_Diário : : __ recente assalto a __ gringotts Continuam as investigações sobre o assalto a Gringotts , em 31_de_Julho , que se acredita ser de a autoria de feiticeiros ou bruxas ligados a as trevas e cuja identidade ainda se desconhece . Os duendes de Gringotts insistiram hoje em que nada foi retirado . O cofre que foi rebuscado por os assaltantes tinha sido esvaziado em esse mesmo dia . -- Mas não vamos dizer vos o que ele continha , portanto , se não querem problemas , deixem as coisas ficar como estão - afirmou um de os porta-vozes de Cnngatts . Harry lembrava se de Ron lhe ter contado que alguém tentara assaltar Gringotts mas não tinha mencionado a data . - Hagrid ! - disse Harry . - O assalto a Gringotts ocorreu em o dia de o meu aniversário ! Pode ter se dado enquanto nós lá estávamos ! Não havia dúvidas . Desta_vez Hagrid evitou mesmo os olhos de ele . Ofereceu lhe outro bolo duro . Enquanto isso , Harry voltou a ler a notícia . O cofre que foi rebuscado tinha de facto sido esvaziado em esse mesmo dia . Hagrid tinha esvaziado o cofre setecentos_e_treze , se é_que podia chamar se « esvaziar » a retirar lá de dentro aquele pacotezinho nojento . Seria aquilo que os ladrões procuravam ? Quando Harry e Ron regressaram a o castelo , para o jantar , traziam os bolsos pesados com os bolos duros que , por uma questão de educação , não tinham tido coragem de recusar . Para Harry nenhuma de as aulas que tivera até_então lhe dera tanto que pensar como aquele lanche com Hagrid . Teria ele ido buscar o pacote mesmo em a hora certa ? Onde estaria agora ? E , saberia Hagrid alguma coisa sobre o Snape que não lhes quisera dizer ? IX_O duelo de a meia-noite Nunca tinha passado por a cabeça de o Harry que fosse possível vir a encontrar um rapaz que ele detestasse mais do_que o Dudley , mas isso foi antes de ter conhecido Draco_Malfoy . Felizmente , os Gryffindor de o primeiro ano só tinham a aula de poções em conjunto com os Slytherin , por isso não eram obrigados a conviver muito_tempo com o Malfoy . Ou , pelo_menos , essa era a regra até a o dia em que foram encontrar espetado em o * ptacard * de a sala comum de os Gryffindor uma notícia que os pôs a todos maldispostos . As lições de voo iam começar em a próxima quinta-feira e Gryffindor e Slytherin teriam essa aula em conjunto . - Óptimo -- , disse Harry ironicamente , - o melhor que podia acontecer me . Fazer figura de parvo em_cima_de uma vassoura diante de o Malfoy . Aprender a voar era uma de as suas maiores expectativas . - Tu não vais fazer figura de parvo , coisa nenhuma - disse o Ron usando a lógica . - Além de isso , o Malfoy anda sempre a dizer que é o maior em Quidditch mas eu aposto que é só garganta . Malfoy falava mesmo muito de voar . Queixava se bem alto de os primeiros anos não fazerem parte de os clubes de Quidditch e contava gabarolices sem fim que acabavam sempre com ele a escapar por um triz a os Muggles que o perseguiam em helicópteros . Mas não era ele o único : Seamas_Finnigan contou que passara a maior parte de a infância sobrevoando os campos , em cima de a sua vassoura . Até o Ron se gabava , para quem o quisesse ouvir , de quase ter chocado com um planador em a velha vassoura de o seu irmão Charlie . Todos os que pertenciam a famílias de feiticeiros falavam constantemente de o Quidditch . Ron já tinha tido com Dean_Thomas , que partilhava com eles o dormitório , uma discussão calorosa sobre futebol . Ron não achava nada interessante um jogo em que havia apenas uma bola e onde era proibido voar . Harry fora dar com Ron a picar o póster de o Dean que representava a equipa de futebol de West_Ham e tentando fazer com que os jogadores se mexessem . Neville nunca tinha experimentado uma vassoura em toda_a sua vida porque a avó nunca o deixara aproximar se de tal objecto . Aqui para nós , o Harry achava que ela tinha toda_a razão porque o Neville já conseguia ter uma imensa quantidade de acidentes mesmo com os dois pés bem assentes em o chão . Hermione_Granger estava quase tão nervosa com a ideia de voar como o Neville . Tratava se de uma coisa que não podia aprender se , de cor , não que ela não tivesse tentado . Em a quinta-feira , a o pequeno-almoço chateou os mortalmente com as informações sobre voo que tinha conseguido obter em um livro de a biblioteca chamado O_Quidditch através de os tempos . O Neville bebia lhe as palavras , tal era a sua ânsia de descobrir alguma coisa que o ajudasse a agarrar se a a vassoura , mas todos os outros sentiram um imenso alívio com a chegada de o correio . Harry não voltara a receber nenhuma carta depois de o convite de Hagrid , facto em o qual Malfoy reparara , claro . O mocho-real de o Malfoy estava sempre a trazer lhe pacotes de doces de casa que ele abria com um sorriso maldoso a a mesa de os Slytherin . Uma coruja de celeiro trouxe a o Neville um pequeno embrulho de a avó . Ele abriu o com grande excitação e mostrou a os colegas uma bola de vidro de o tamanho de um grande berlinde que parecia cheia de um fumo branco . - _ é um * lembrador * ! - explicou . - A minha avó sabe que eu passo a vida a esquecer me de tudo . Isto diz nos se há coisas de que nos estamos a esquecer . Olha , apertas assim e se ficar vermelha ... oh ! - Ficou aflitíssimo porque o * lembrador * tornou se vermelho-escarlate . - Esqueci me ... de qualquer coisa ... Neville estava a fazer um esforço enorme para tentar lembrar se do_que tinha esquecido quando Draco_Malfoy , que passava em aquele momento por a mesa de os Gryffindor , lhe arrancou o * lembrador * de as mãos . Harry e Ron puseram se de pé , em um salto . De certo modo esperavam um pretexto para dar uns socos a o Malfoy mas a professora Mc_Gonagall , que conseguia sempre acabar com os conflitos mais depressa do_que qualquer outro professor de a escola , chegou em um rompante . - O que é_que se passa aqui ? - O Malfoy tirou me o meu * lembrador * , professora . Com ar de poucos amigos , Malfoy pôs novamente o * lembrador * em cima de a mesa . - Estava só a ver -- , disse enquanto se afastava seguido de o Crabbe e de o Goyle . _ a as três_e_meia_da_tarde , Harry , Ron e os outros Gryffindor desceram apressadamente a escadaria principal , dirigindo se a os campos para a sua primeira lição de voo . Estava um dia claro e ventoso e a relva ondulava debaixo de os pés de os jovens que desceram por os declives até chegarem a um relvado macio , de o lado oposto a os campos de a floresta proibida , onde as árvores sombrias balançavam a a distância . Os Slytherin já se encontravam todos lá , assim_como as vinte vassouras , alinhadas em o chão . Harry tinha ouvido Fred e George_Weasley queixarem se de as vassouras de a escola , dizendo que algumas começavam a vibrar se o aluno voava muito alto ou durante o voo puxavam um_pouco para a esquerda . A professora , Madame_Hooch , chegou . Tinha cabelos curtos e grisalhos e uns olhos amarelados como os de um falcão . - Então , de que é_que estamos a a espera ? - grunhiu . - Cada_um junto de a sua vassoura . Vá , despachem se : Harry deitou um olhar a a sua vassoura . Tinha um aspecto velho e algumas de as nervuras de o cabo eram salientes e formavam estranhos ângulos . - Estendam a vossa mão direita a o longo de a vassoura -- , gritou Madame_Hooch , - e digam De pé . - De pé - gritaram todos . A vassoura de Harry saltou lhe para a mão , de imediato , mas foi uma de as poucas que o fizeram . A de Hermione_Granger limitou se a rolar em o chão e a de o Neville nem se mexeu . Talvez as vassouras , a a semelhança de os cavalos , soubessem distinguir quem tinha medo , pensou Harry . Havia um tremor em a voz de o Neville que mostrava claramente que a última coisa que ele queria em a vida era levantar os pés de o chão . Madame_Hooch mostrou lhes então como montar em as vassouras sem escorregar por o cabo e andou , de um lado para o outro , a corrigir lhes as posturas e o modo de se agarrarem . Harry e Ron adoraram quando ela disse a o Malfoy que ele andava há anos a fazer tudo ao_contrário . - Bem , quando eu apitar vocês levantam de o chão com toda_a força - disse Madame_Hooch . - Mantenham as vassouras firmes , subam cerca de um metro e em seguida recuem , inclinando se ligeiramente para trás . Quando eu assobiar ... três ... dois ... Mas o Neville , tal era o nervosismo , a agitação e o medo de ficar em o chão , puxou com força antes de o apito ter sequer tocado os lábios de Madame_Hooch . - Volta aqui , rapaz ! - gritou ela mas Neville elevava se a pique como uma rolha de cortiça que tivesse saltado de uma garrafa . Três metros , cinco metros ... Harry viu a sua expressão apavorada a olhar para baixo , viu o escorregar por a borda de a vassoura e ... SPLASH ! Um ruído surdo , uma forte pancada e o Neville caído , com a cara em a relva , feito em um feixe . A vassoura estava ainda a subir , cada_vez_mais alto e começava a ser indolentemente levada em direcção a a floresta proibida . Madame_Hooch estava inclinada sobre o Neville com o rosto tão pálido quanto o de ele . Harry ouviu a murmurar : - Pulso quebrado . Vá lá . rapaz , está tudo bem , levanta te ! Voltou se para o resto de a classe . - Nenhum de vocês sai de aqui enquanto eu vou levar este rapaz a a ala hospitalar . Deixem as vassouras em o lugar em que estão ou vão parar fora de Hogwarts antes de terem tempo de dizer « Olá , Quidditch ! « Madame_Hooch pôs o braço em volta de Neville que coxeava , agarrado a o pulso , com a cara cheia de lágrimas . Mal eles desapareceram , Malfoy rebentou a rir a bandeiras despregadas . - Viram a cara de o grande pastel ? Os outros Slytherin juntaram se a a risota . - Está calado , Malfoy - disse bruscamente Parvati_Patil . - Ah ! tomando o partido de o Longbottom ? - disse Pansy_Parkinson , uma rapariga de feições duras que pertencia a os Slytherin . - Não te imaginava a gostar de bebés chorões , Parvati . - Olhem ! - disse Malfoy , inclinando se e apanhando algo de o relvado . - É aquela coisa estúpida que a avó de o Longbottom lhe mandou . O * lembrador * brilhou a o sol quando ele lhe pegou . - Dá cá isso , Malfoy - disse o Harry com : a maior de as calmas . Toda_a_gente se calou para observar . Malfoy sorriu com ar mesquinho . - Acho que vou deixá o algures por aqui para o Longbottom o vir buscar . Que tal em_cima_de uma árvore ? -- Dá cá isso - berrou Harry , mas o Malfoy tinha subido para a vassoura e desaparecera . Não era mentira . Ele sabia voar . _ a a altura de um de os ramos mais altos de um carvalho gritou : - Vem buscá o , Potter ! Harry pegou em a vassoura . - Não -- tentou impedir Hermione_Granger . - Madame_Hooch disse para não lhes mexermos . Vais arranjar sarilhos . Harry ignorou a . O sangue fervia lhe em as veias . Subiu para a vassoura , pressionou com força contra o chão , o ar passou lhe rapidamente por os cabelos , a capa esvoaçou atrás de ele e em um misto de alegria e orgulho apercebeu se de que sabia fazer algo que ninguém lhe tinha ensinado - era fácil , era fantástico . Elevou um_pouco mais a vassoura e ouviu gritos e suspiros de as raparigas lá em baixo e a ovação de Ron , Voltou-se em a vassoura , directamente para encarar Malfoy em o ar . O outro parecia atarantado . - Dá cá isso -- , gritou Harry - ou atiro te de essa vassoura abaixo ! - Ah ! sim ? - disse Malfoy em tom de chacota , mas com alguma preocupação em a voz . Harry sabia , estranhamente , o que deveria fazer . Inclinou se para trás , agarrou a vassoura cautelosamente com ambas as mãos e esta disparou contra Malfoy como um dardo . Este mal teve tempo de fugir . Harry fez uma curva brusca e manteve a vassoura bem segura . Cá em baixo alguns de os colegas batiam entusiasticamente palmas . - Não tens aqui o Crabbe nem o Goyle para te servirem de guarda-costas , Malfoy - disse o Harry . O mesmo pensamento parecia ter cruzado a mente de Malfoy . - Apanha se fores capaz ! - gritou ele , atirando a o ar a bola de vidro que começou a descer direita a o chão . Harry inclinou a vassoura para trás e dirigiu a para baixo - um segundo depois descia a_toda_a velocidade atrás de a bola -- , o vento assobiava lhe a os ouvidos . A centímetros de o chão agarrou a , mesmo a_tempo_de pôr a vassoura direita e pousá a delicadamente em o relvado com o * lembrador * a salvo , em a mão . - HARRY_POTTER ! O seu coração começou a bater com toda_a força . A professora Mc_Gonagall vinha a correr em a direcção de eles . Os pés de Harry tremiam . - Nunca , em todos estes anos em Hogwarts ... - A professora Mc_Gonagall quase não conseguia falar com o choque e os óculos faiscavam de ira : - Como te atreves , podias ter partido o pescoço ... ? - Ele não teve a culpa , professora . - Cale se , menina Patil ... - Mas o Malfoy ... - Chega , Ron_Weasley . Potter , venha imediatamente comigo . Harry viu por o canto de o olho o ar triunfante de Malfoy , Crabbe e Goyle enquanto seguia , meio entorpecido , a professora Mc_Gonagall até a o castelo . Ia com certeza ser expulso . Era o que ia acontecer . Queria dizer qualquer coisa para se defender mas parecia ter lhe acontecido algo estranho a a voz . A professora Mc_Gonagall avançava sem sequer olhar para ele . Harry teve de se apressar para conseguir acompanhá a . Tinha a feito bonita ! Nem chegara a duas semanas . Dentro_de dez minutos ia estar a fazer as malas . E o que diriam os Dursleys quando o vissem aparecer lhes de_novo a a porta ? Subiram os degraus de a entrada , os de a escadaria de mármore e a professora Mc_Gonagall continuava a não lhe dirigir a palavra . Abriu violentamente as portas e percorreu os corredores com Harry atrás de ela em um passo rápido e infeliz . Talvez fosse levá o a a presença de Dumbledore . Lembrou se de Hagrid expulso mas a quem foi permitido ficar como guarda de os campos . Talvez ele pudesse ser assistente de o Hagrid . Mas o estômago contorceu se perante a ideia de ver o Ron e os outros tornarem se feiticeiros enquanto ele andava por ali transportando o saco de o Hagrid . A professora Mc_Gonagall parou a a porta de uma sala de aula . Entreabriu a e enfiou lá dentro a cabeça . - Desculpe , professor Flitwick , posso roubar lhe o Wood por uns minutos ? - Wood ? - pensou Harry , confuso . Seria o Wood ( madeira ) um pau com que ia bater lhe ? Mas afinal o Wood era uma pessoa , um rapaz corpulento de o quinto ano que saiu de a aula de o Flitwick com um ar baralhado . - Atrás_de mim , vocês os dois - disse a professora Mc_Gonagall e eles assim fizeram , seguindo a por o corredor fora , o Wood olhando cheio de curiosidade para Harry . - Aqui . A professora Mc_Gonagall fez lhes sinal para que entrassem em uma sala de aula vazia , onde Peeves , o fantasma , estava a escrever obscenidades em o quadro . - Fora de aqui , Peeves ! - rosnou ela . O Peeves atirou o giz para um caixote de lata que ressoou fortemente e saiu a praguejar . Mc_Gonagall fechou a porta e voltou se para os dois rapazes . - Potter , este é OliverWood . Wood , encontrei te um * seeker * ! A expressão de Wood mudou de a confusão » ara uma satisfação imensa . - Está a talar a sério , professora ? - O mais a sério que é possível - disse a professora Mc_Gonagall , rápida e confiante . - O rapaz tem um dom natural , nunca vi nada assim . Foi a tua primeira vez em uma vassoura , Potter ? Harry acenou afirmativamente . Não tinha a menor ideia do_que estava a passar se mas não lhe parecia que estivesse para ser expulso e começou a pouco e pouco a sentir de_novo as pernas . - Ele agarrou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de um metro e meio - disse a professora Mc_Gonagall a o Wood . Não fez um único arranhão . Nem Charlie_Weasley o teria conseguido . Wood tinha agora a expressão de quem acaba de ver realizados todos os seus sonhos . - Alguma vez viste um jogo de Quidditch , Potter ? - perguntou excitado . - O Wood é o capitão de o clube de os Gryffindor - explicou ela . - Ele até tem a estrutura de um * seeker * - disse o Wood que andava à_volta_de Harry a observá o . - Leve , rápido , temos de lhe arranjar uma boa vassoura , professora - uma Nimbus dois_mil ou uma Cleansweep sete , não acha ? - Eu vou falar com o professor Dumbledore e ver se conseguimos tornear essa regra de o primeiro ano . Bem precisamos de um clube melhor do_que o de o ano passado Humilhados em o último campeonato por os Slytherin , nem consegui olhar Severus_Snape em os olhos durante várias semanas ... A professora Mc_Gonagall examinou rigorosamente Harry por cima de os óculos . - Quero ouvir dizer que treinas a sério , Potter , ou posso mudar de ideias sobre o castigo . - Em seguida sorriu lhe abertamente . - O teu pai ficaria muito orgulhoso - disse . - Ele também era um excelente jogador de Quidditch . - Estás a gozar ! Era a hora de o jantar e Harry tinha acabado de relatar a o Ron todos os acontecimentos . Ron tinha um pedaço de bife e empadão de batata a meio caminho de a boca mas esquecera se de eles por completo . - * _ Seeker * - disse . - Mas os primeiros anos nunca ... tu deves ser o jogador mais novo em cerca de ... - Um século - completou Harry , começando a comer o empadão . Sentia se esfomeado depois de toda_a excitação de aquela tarde . - Disse me o Wood . Ron estava tão pasmado , tão aparvalhado que não parava de olhar para o amigo . - Começo a treinar para a semana - disse ele , - mas não contes nada a ninguém . O Wood quer manter isso em segredo . Fred e George_Weasley chegaram em aquele momento a o salão , reconheceram Harry e comentaram de imediato : - Boa - disse o George em voz baixa . - O Wood contou nos . Nós também fazemos parte de a equipa como * beaters * . - Não tenho dúvidas de que este ano vamos ganhar a taça de Quidditch - disse o Fred . - Nunca mais ganhámos desde_que o Charlie se foi embora , mas este ano a equipa vai ser brilhante . Tu deves ser mesmo bom , Harry . O Wood estava quase a os saltos quando nos falou de ti . - Bem , mas temos que ir indo . O Lee_Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair de a escola . - Espero que não seja aquela atrás de a estátua de o Gregory , o Bajulador , que nós descobrimos em a primeira semana . Até logo . Fred e George mal tinham acabado de sair quando apareceu alguém muito pouco bem-vindo : Malfoy , escoltado por Crabbe e Goyle . - Estás a tomar a tua última refeição , Potter ? Quando apanhas o comboio que te vai levar de_novo a os Muggles ? - Estás muito mais corajoso agora , com os dois pés em o chão e os teus pequenos amigos a o lado - disse Harry com frieza . Crabbe e Goyle não tinham nada de « pequeno « mas como a mesa principal estava cheia de professores , nenhum de eles pôde reagir , limitando se portanto a estalar os dedos , lançando a Harry um olhar ameaçador . - Entendo me contigo em outra altura - disse Malfoy . - Hoje_mesmo , se quiseres . Um duelo de feiticeiros . Só com varinhas , sem contacto . Qual é o problema ? Nunca ouviste falar em um duelo de varinhas ? - _ é claro que sim - disse Ron , rodeando a questão . - Eu sou o segundo de ele , quem é o teu ? Malfoy olhou para Crabbe e Goyle como_que a medis os . - Crabbe -- , disse . - _ a a meia-noite , está certo ? Encontramo nos em a sala de os troféus que está sempre aberta . Quando Malfoy se afastou , Ron e Harry olharam um para o outro . - O que é um duelo de feiticeiros ? - perguntou Harry . - E o que é isso de seres o meu segundo ? - Bem , o segundo está lá para te substituir se tu morreres - disse o Ron com toda_a naturalidade , começando finalmente a comer o empadão já frio . Mas , a o reparar em o olhar de o Harry , acrescentou rapidamente : - Mas só se morre em os duelos a sério , com verdadeiros feiticeiros . O_máximo que tu e o Malfoy podem conseguir é lançar faíscas um_ao_outro . Nenhum de os dois tem conhecimentos suficientes de magia para fazer realmente mal . Aposto que ele estava a a espera que tu recusasses . - E se eu fizer o gesto com a varinha e não acontecer nada . - Deita a a o chão e dá lhe um soco em o nariz -- , foi a sugestão de o Ron . -- Desculpem ... Voltaram se os dois e olharam . Era_Hermione_Grangel - Já não se pode comer em paz em esta instituição ? - resmungou o Ron . Hermione fingiu não ter ouvido e dirigiu se a o Harry . - Não pode deixar de escutar o que tu e o Malfoy estavam a dizer . - Aposto que não pudeste mesmo -- , voltou a resmungar o Ron . - E. . . não deves andar a passear por a escola a a noite Pensa em os pontos que vais fazer perder a os Gryffindor se fores apanhado que é o mais certo . É uma atitude de grande egoísmo de a tua parte . - E tu não tens nada a ver com isso - disse Harry - Adeusinho - disse o Ron . Mas a verdade é_que aquela não era a melhor maneira de acabar o dia , pensou Harry , enquanto se mantinha acordado a a espera que o Dean e o Seamus adormecessem ( o Neville ainda não voltara de a ala hospitalar ) . O Ron tinha passado toda_a noite a dar lhe conselhos tais como : -- Se ele tentar rogar te uma praga , esquiva te porque eu não me lembro de como_se faz para a bloquear . Havia bastantes possibilidades de serem apanhados por o Filch ou por a gata Mrs._Norris e Harry achava que estava a abusar um_pouco de a sorte , quebrando duas regras em um só dia . Por outro lado , o ar cínico de o Malfoy não lhe saía , de a cabeça e esta era a sua grande oportunidade de o vencer cara a cara . Não podia desperdiçá a . - Onze_e_meia -- , murmurou o Ron finalmente - É melhor irmos indo . Saltaram para os roupões em um abrir e fechar de olhos , pegaram em as varinhas e esgueiraram se de a camarata de o alto de a torre por as escadas de caracol até a a sala comum de os Gryffindor . Em a lareira crepitavam ainda algumas achas cuja luz ténue transformava os cadeirões em estranhas sombras negras . Estavam quase a chegar junto de o buraco atrás de o retrato quando uma voz se fez ouvir , vinda de a cadeira mais próxima de eles : - Não posso acreditar que vás mesmo fazer isto , Harry ! Acendeu se uma luz . Era_Hermione_Granger que , dentro de o seu roupão cor-de-rosa , ostentava um ar carrancudo . - Vai imediatamente para a tua cama - disse o Ron , furioso . - Eu , por_pouco , dizia a o teu irmão - respondeu agressiva Hermione . - O Percy é chefe de departamento e acabava logo com isto . Harry tinha dificuldade em admitir que alguém pudesse ser tão interferente . - Anda - disse ele a o Ron . Empurrou o retrato de a dama gorda e passou por o buraco . Mas Hermione não estava disposta a desistir com essa facilidade toda . Seguiu o Ron por o buraco , matraqueando os em uma voz sibilante que lembrava um ganso zangado . - Vocês não se preocupam com os Gryffindor , só pensam em vocês próprios . Eu não quero que os Slytherin ganhem a Taça e vocês os dois vão conseguir perder todos os pontos que eu ganhei para eles com a professora Mc_Gonagall por conhecer os feitiços de as mutações . - Vai te embora . - Está bem mas eu avisei vos . Lembrem se de isso amanhã , quando vos meterem em o comboio de regresso a casa , vocês são tão ... Mas ficaram ambos sem saber o que eram porque Hermione , que se virara para o retrato de a dama gorda , dera consigo em frente de um quadro vazio . A dama gorda tinha ido fazer uma visita nocturna e Hermione estava fechada de o lado de_fora de a torre de os Gryffindor . - O que é_que vou fazer agora ? - perguntou com a sua voz esganiçada . - Problema teu - disse o Ron . - Nós temos de ir senão chegamos atrasados . Ainda não tinham atingido o fundo de o corredor quando Hermione os apanhou . - Vou com vocês -- , disse . - Não vens , não . - Pensam que vou ficar aqui a a espera que o Filch me descubra ? Se ele nos encontrar a os três , eu digo a verdade , que estava a tentar fazer vos voltar para trás comigo . - Tu tens cá uma lata ... - disse o Ron em voz alta . - Calem se os dois ! - interrompeu Harry . - Ouvi qualquer coisa . Era uma espécie de fungadela . - Mrs._Norris ? - sussurrou o Ron , tentando vislumbrar algo em a escuridão . Não era Mrs._Norris . Era_o_Neville que estava todo entalado em o chão , em um sono profundo e que acordou subitamente quando eles se aproximaram . - Graças_a Deus , encontraram me ! Estou aqui há horas . Esqueci me de a palavra de senha para chegar a o quarto . - Fala baixo , Neville . A senha é « focinho de porco » mas em este momento não te serve de nada . A dama gorda saiu de o retrato e foi dar um passeio . - Como está o teu braço ? - perguntou Harry . - _ óptimo - disse o Neville mostrando o . - A Madame_Pomfrey tratou de ele em um minuto . - Bem , olha , Neville , nós temos de ir tratar de um assunto , vemo nos mais tarde ... - Não me deixem aqui - pediu o Neville , pondo se de pé . - Não quero ficar sozinho , o Barão_Sangrento já passou por mim duas vezes . Ron consultou o relógio e lançou um olhar furioso a Hermione e a Neville . - Se algum de nós for apanhado , não descanso enquanto não aprender aquela praga de os maus espíritos de que o Quirrell nos falou para a lançar sobre vocês . Hermione abriu a boca , provavelmente para dizer a o Ron como era a praga de os maus espíritos , mas Harry fez lhes sinal para se calarem e para o seguirem . Percorreram os corredores , descobertos por barras de luar que entravam por as clarabóias . De cada_vez que eram iluminados , Harry esperava esbarrar com Filch ou com a gata , Mrs._Norris , mas tiveram sorte . Subiram a grande velocidade uma escada que levava a o terceiro andar e foram em bicos de pés até a a sala de os troféus . Malfoy e Crabbe ainda não tinham chegado . Os cofres de cristal de os troféus brilhavam quando o luar os iluminava . Taças , medalhas , pratos e estatuetas de ouro e prata cintilavam em o escuro . Eles deslocaram se encostados a as paredes , com os olhos postos em as portas de ambos as extremidades de a sala . Harry pegou em a varinha , não fosse o Malfoy saltar lhe a a frente quando ele menos esperasse para começar a luta . - Ele está atrasado , talvez a a última hora tenha tido medo -- , suspirou o Ron . Em esse momento , um barulho em a sala a o lado fê los sobressaltarem se . Harry tinha acabado de erguer a varinha quando ouviu uma voz - e não era a de o Malfoy . - Cheira , cheira , minha linda , eles devem estar escondidos para aí em um canto . Era_Filch a falar com a gata , Mrs._Norris . Foram tomados de pânico . Harry fez sinais desesperados a os outros três para que o seguissem o mais depressa possível . Escaparam a a socapa por a porta , para bem longe de a voz de o Filch . O manto de o Neville tinha acabado de varrer a esquina quando ouviram Filch entrar em a sala de os troféus . - Eles estão por aqui , de certeza - ouviram o resmungar . - Provavelmente escondidos . - Por este lado ! - disse Harry a os outros e , cheios de medo , começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras . Ouviam o Filch aproximar se . Subitamente o Neville deu um grito de pavor e desatou a correr - tropeçou , embrulhou se em o Ron e os dois foram cair sobre uma armadura de ferro . O barulho foi tal que poderia ter acordado toda_a_gente em o castelo . - CORRAM ! - gritou Harry e os quatro desembestaram a_toda_a velocidade , sem sequer olhar para trás e ver se o Filch os seguia ou não - viraram em a ombreira e galgaram um corredor atrás de o outro com Harry a a frente sem ter a mínima ideia de onde estavam nem para_onde iam . Passaram através_de uma tapeçaria e encontraram se em uma passagem secreta , deslocaram se a grande velocidade através de ela e foram dar perto de a sala de a aula de encantamentos que sabiam ficar a milhas de a sala de os troféus . - Acho que os despistámos - disse Harry que mal conseguia respirar , encostando se a parede fria e limpando a testa . O Neville estava dobrado para a frente arfando com a sua respiração de asmático . - Eu disse vos ... - suspirou Hermione , agarrando se a o peito onde sentira uma pontada . - Eu ... disse vos ... - Temos de voltar a a torre de os Gryffindor - afirmou o Ron . - O mais depressa possível . - O Malfoy passou te uma rasteira - disse Hermione a o Harry . - Percebeste isso ou ainda não ? Ele não tinha a menor intenção de ir ter contigo . Por outro lado , o Filch sabia que alguém ia estar em a sala de os trofeus . O Malfoy deve tê o avisado . Harry pensou que muito provavelmente ela tinha toda_a razão mas achou melhor não lhe o dizer . - Vamos embora . Não ia ser tão simples como isso . Não tinham dado nem doze passos quando uma maçaneta girou ruidosamente e algo saiu a os tiros de uma sala de aula mesmo em frente . Era_Peeves que dera por a presença de eles e ficara deliciado . - Cala te , Peeves , se fazes favor , ainda consegues que nos expulsem . Peeves deu uma gargalhada vitoriosa . - A vaguear por aqui a a meia-noite , novatozinhdos ? Ah ! Ah ! Ah ! , vão ser apanhados . - Não , se tu não nos entregares , Peeves . Por favor . - Eu devia dizer a o Filch , devia sim - disse o Peeves com um tom de voz virtuoso que contrastava com o maquiavélico brilho de os olhos . - É para o vosso bem ... - Sai de a frente - disse asperamente Ron , cometendo o grave erro de lhe dar um encontrão . - : __ alunos fora de a __ cama ! - berrou Peeves . - : __ alunos fora de a cama em o corredor de os __ encantamentos ! Passando por debaixo de o Peeves , todos eles se lançaram em uma corrida de vida ou de morte até a o fim de o corredor onde foram esbarrar com uma porta fechada . - Pronto - rezingou o Ron , enquanto empurrava inutilmente a porta . - Estamos feitos . Desta_vez é_que é o fim . Ouviram se passos . Era_o_Filch que acorria a_toda_a velocidade a os gritos de Peeves . - Façam qualquer coisa - disse rispidamente Hermione que , agarrando em a varinha de Harry , bateu com ela em a fechadura , murmurando - * _ Alohomora * ! A fechadura fez um * clic e a porta abriu se de par em par - entraram todos de roldão e ficaram empilhados com os ouvidos encostados a a porta . -- Para_onde foram eles Peeves ? - perguntava o Filch . - Diz lá . - Por favor também se usa . - Não me chateies , Peeves , Para que lado foram ? - Não digo nada enquanto não me pedires por favor - disse o Peeves em a sua voz irritante e monocórdica . - Está bem , está bem , por favor . - NADA ! Ah ! Ah ! Ah ! ... eu disse te que não dizia nada enquanto não pedisses por favor ! E ficaram a ouvir a voz de o Peeves a rir se e a de o Filch a praguejar , cheio de raiva . Ah ! Ah ! Ah ! - Ele pensa que esta porta está fechada a a chave - murmurou o Harry . - Julgo que estamos a salvo - quieto , Neville ! - ( porque o Neville estava havia quase um minuto a puxar insistentemente por a manga de o roupão de o Harry ) . - O que é ? Harry voltou se - e viu claramente o que era . Por momentos pareceu lhe que tinha entrado em um pesadelo . Era de mais para ele , depois de tudo aquilo por_que já passara . Não estavam em uma sala como haviam imaginado e sim em um corredor . O corredor proibido de o terceiro andar . E agora , sabiam qual o motivo porque era proibido . Estavam a olhar directamente para os olhos de um cão monstruoso . Um cão que enchia o espaço que ia de o chão a o tecto . Tinha três cabeças , três pares de olhos enlouquecidos , três narizes , contorcendo se em um frémito em direcção a eles , três bocas pavorosas , a saliva pendendo como cordas de os dentes aguçados e amarelos . Estava parado com os seis olhos fixos neles e Harry sabia que se ainda não estavam todos mortos , isso devia se a o facto de o animal ter sido apanhado de surpresa . Mas sabia também que ele estava a refazer se rapidamente de o seu espanto . E não havia dúvidas sobre o significado de aquelas mandíbulas descomunais . Tacteando , Harry procurou a fechadura . Entre o Filch e a morte escolhia o Filch . Caíram para trás - Harry fechou a porta com toda_a força e correram , quase voaram , por os corredores em a direcção oposta . O Filch tinha ido certamente procurá os em outro lugar porque não voltaram a encontrá o mas também não se preocuparam muito com isso . Tudo_o_que queriam era afastar se o mais possível de aquele monstro . Só pararam de correr quando chegaram junto de o retrato de a dama gorda de o sétimo andar . - Mas por_onde é_que vocês têm andado ? - perguntou ela , olhando para os roupões que lhes caíam tortos de os ombros e para as caras afogueadas e cheias de suor . - Não se preocupe ; focinho de porco , focinho de porco -- , repetiu Harry e o retrato , balançando para a frente , deu lhes passagem . Subiram para a sala comum e caíram cansados e a tremer sobre os cadeirões . Houve um período em que ninguém falou . O Neville , com efeito , tinha o ar de quem nunca mais iria abrir a boca em toda_a sua vida . - Qual será a ideia de eles de manter uma coisa de aquelas aqui fechada em a escola ? - disse por fim o Ron . - Se algum cão precisa de exercício é aquele , de certeza absoluta . Hermione recuperara tanto o fôlego como o mau humor . - Vocês não usam mesmo os olhos , pois não ? - disse com a sua natural agressividade . - Não viram onde é_que ele estava sentado ? - Em o chão - sugeriu Harry . - Eu não olhei para as patas de ele , estava demasiado assustado com as cabeças ... -- Não . Não era em o chão . Ele estava sentado em_cima_de um alçapão . Obviamente , a guardar qualquer coisa . Hermione levantou se , fixando os . - Espero que estejam satisfeitos convosco . Podíamos ter morrido todos - ou pior , sermos expulsos . Agora , s não se importam , vou deitar me . Ron ficou a olhar para ela de boca aberta . - Não , não nos importamos - disse . - Até parece que a levámos a a força , não é ? Mas Hermione dera a Harry muito que pensar , enquanto regressava a a cama . O cão estava a guardar qualquer coisa ... O que é_que o Hagrid tinha dito ? Que Gringotts era lugar mais seguro para guardar algo secreto , com excepção talvez de Hogwarts . Harry tinha a sensação de que acabava de descobrir onde se encontrava em aquele momento o pacotezinho de aspecto sujo de o cobre setecentos_e_treze . X_HALLOWE'EN_Malfoy não podia acreditar em o que os seus olhos viam quando , em o dia seguinte , se apercebeu de que Harry e Ron continuavam em Hogwarts e que , apesar de o seu aspecto cansado , se mostravam satisfeitos como era habitual . Efectivamente , em aquela manhã Harry e Ron estavam convencidos de que terem encontrado o cão de as três cabeças fora uma aventura incomparável e sentiam se já prontos para outra . Entretanto_Harry pôs Ron a o corrente de o pacotezinho que , segundo ele , tinha sido trazido de Gringotts_para_Hogwarts e ficaram imenso tempo a especular sobre o que conteria o pacote para necessitar de tamanha protecção . - Ou tem um grande valor ou é extremamente perigoso - disse o Ron . - Ou ambas as coisas - completou Harry . Mas tudo_o_que sabiam ao_certo sobre o objecto misterioso era que ele tinha cerca de cinco centímetros de comprimento , o que não lhes dava margem para grandes descobertas , pelo_menos enquanto não tivessem novas pistas . Nem Neville nem Hermione manifestavam qualquer interesse em saber o que poderia estar debaixo de o cão e de o alçapão . A única coisa que o Neville verdadeiramente queria era ter a certeza de que nunca mais iria ver aquele cão por perto . Hermione recusava se agora a falar a o Harry e a o Ron mas como eles a consideravam uma sabichona autoritária , tomaram esse facto como um bónus . O que eles queria era descobrir uma maneira de se vingarem de o Malfoy para sua grande satisfação , essa possibilidade chegou por o correio , cerca de uma semana mais tarde . Quando as corujas voaram por o salão adentro como era costume , a atenção de todos foi de imediato atraída para um embrulho estreito e comprido , transportado por seis grandes corujas de as torres . Harry estava tão interessado como os outros em saber o que vinha em aquele grande embrulho quando as corujas desceram e o colocaram mesmo em a sua frente , fazendo com que um pedaço de * bacon * lhe caísse a o chão . Tinham acabado de levantar voo quando outra coruja depôs uma carta em cima de o embrulho . Harry abriu a em primeiro lagar e foi uma sorte porque a carta dizia : : __ não abras o embrulho a a __ mesa Contém a tua nova Nimbus dois_mil , mas não quero que se fique a saber que tens uma vassoura ou todos os teus colegas vão querer ter uma . O Oliver_Wood irá encontrar se contigo hoje em o campo de os jogos de Quidditch a as sete_horas_da_tarde para a tua primeira aula de treino . Professora_M._Mc_Gonagall_Harry teve dificuldade em disfarçar o seu entusiasmo quando passou a nota a o Ron para ele a ler . - Uma Nimbus dois_mil ! - resmungou o Ron , cheio de inveja . - Nunca toquei em uma ... Saíram de ali rapidamente , a_fim_de desembrulhar a vassoura em privado , antes de a primeira lição , mas , a meio de o vestíbulo de a entrada , encontraram as escadas barradas por o Crabbe e por o Goyle . Malfoy tirou o pacote de as mãos de Harry e avaliou lhe o peso . - É uma vassoura -- , disse , atirando a de_novo a o Harry com um misto de inveja e de despeito . - Vais ser castigado por isto , Potter . Os primeiros anos não estão autorizados a ter vassouras . Ron não resistiu . - Não é uma vassoura velha -- , disse . - É uma Nimbus dois_mil . O que é_que tu dizes que tens em casa , Malfoy ? Uma Cometa dois sessenta ? - Ron sorriu a o Harry . - As cometas são muito aparatosas mas o material de que são feitas não tem a qualidade de as Nimbas . - E o que é_que tu sabes de isso , Weasley ? Não tens dinheiro nem para comprar cinco centímetros de o cabo - respondeu maldosamente Malfoy . - Tanto quanto sei , tu e os teus irmãos têm de poupar todas_as moedinhas . Antes que Ron tivesse tempo de responder , o professor Flitwick apareceu mesmo ao_lado_de Malfoy . - Não estão a discutir , pois não , rapazes ? - Mandaram uma vassoura a o Potter , professor -- , disse Malfoy sem perder tempo . - Sim , sim , eu sei - disse o professor Flitwick , olhando radiante para Harry . - A professora Mc_Gonagall contou me tudo sobre as circunstâncias especiais , Potter . E , qual é o modelo ? - Uma Nimbus dois_mil , professor - disse Harry , fazendo os possíveis por não se rir perante o rosto horrorizado de o Malfoy . - E foi graças a o Malfoy que consegui tê a -- , acrescentou . Harry e Ron subiram as escadarias contendo o riso perante a raiva e a confusão que se apoderaram de Malfoy . - Até é verdade - disse o Harry no_meio_de alegres gargalhadas quando chegaram a o cimo de as escadas . - Se ele não tivesse roubado o * lembrador * de o Neville eu não feria agora parte de o clube desportivo . - Portanto , deves achar que se trata de uma recompensa por teres quebrado as regras ? - disse uma voz agreste mesmo atrás de eles . Hermione chegara com passadas pesadas e firmes e olhava com ar reprovador para o embrulho que Harry trazia em as mãos . - Pensei que tinhas deixado de falar connosco -- , disse o Harry . - Sim , por favor , continua - pediu o Ron . - Estava a ser tão agradável ... Hermione afastou se , com o narizinho em o ar . Foi muito difícil para o Harry , durante todo o dia , manter se concentrado durante as aulas . A sua atenção vagueava entre a camarata , onde estava a vassoura nova , debaixo de a cama e o campo de Quidditch , onde essa noite ia começar a aprender . Devorou o jantar sem mesmo se aperceber do_que estava a comer e logo_a_seguir subiu a a pressa , juntamente com o Ron , para desembrulhar , finalmente , a Nimbus dois_mil . - Uau ! - suspirou o Ron quando a vassoura rolou sobre a colcha de a cama de o Harry . O próprio Harry , que não sabia absolutamente nada de vassouras , achou a deslumbrante . Brilhante e macia , com o cabo em mogno , tinha uma longa cauda de galhos lisos e elegantes e * _ Nimbus dois_mil * escrito em letras de ouro em o topo de o cabo . Como as sete horas se aproximavam , Harry saiu de o castelo e dirigiu se a o campo de Quidditch , banhado a aquela hora por a luz de o crepúsculo . Era a primeira vez que entrava em um estádio . Em volta de o campo havia centenas de cadeiras dispostas em espiral para que todos os espectadores estivessem suficientemente altos para conseguir ver o jogo . Em cada limite de o campo havia três postes dourados com argolas em a extremidade que lembraram a o Harry os pauzinhos de plástico com que as crianças Muggle faziam bolas de sabão . A única diferença é_que estes tinham metro e meio de altura . Demasiado ansioso por voar e incapaz de esperar por o Wood , Harry subiu para a vassoura e pressionou os pés com força contra o chão . Que sensação incrível - entrou e saiu a_toda_a velocidade por_entre os limites de as balizas e , em seguida , subiu e desceu o poste . A Nimbus dois_mil virava a o menor toque de mão . - Hei , Potter , desce de aí ! Era_Oliver_Wood que acabava de chegar . Trazia um grande estojo de madeira debaixo de o braço . Harry aterrou junto de ele . - Muito bem - disse o Wood , com os olhos a brilhar . - Já percebi o que a Mc_Gonagall queria dizer ... tens mesmo um dom natural . Esta noite vou apenas ensinar te as regras . Depois de isso , passas a integrar os treinos de a equipa , três vezes por semana . Abriu o estojo . Lá dentro havia quatro bolas de diferentes tamanhos . - Muito bem -- , disse o Wood . - O Quidditch é muito fácil de entender , embora seja bastante mais difícil de jogar . Os jogadores são sete de cada lado , três de os quais são os * chasers * . - Três * chasers * - repetiu Harry enquanto o Wood tirava uma bola vermelho brilhante com o tamanho aproximado de uma bola de futebol . - Esta bola chama se * quaffle * -- , disse o Wood . - Os * chasers * lançam a * quaffle * uns para os outros e tentam enfiá a em uma de as argolas para marcar um golo . Dez pontos de cada_vez que a * quaffle * entrar por uma de as argolas . Estás a seguir me ? - Os * chasers * lançam a * quaffle * e fazem a passar por as argolas para marcar pontos - repetiu Harry . - Então , é uma espécie de basquetebol em vassouras , com seis argolas , não é ? - O que é o basquetebol ? - perguntou Wood , cheio de curiosidade . -- Deixa estar - disse Harry sem querer perder tempo . - Ora bem , há outro jogador de cada lado que é o * keeper * - eu sou * keeper * de os Gryffindor . Tenho de voar em volta de as nossas argolas e tentar impedir que o outro clube ganhe pontos . - Três * chasers * , um * keeper * - disse Harry que estava disposto a decorar tudo . - E eles jogam com a * quaffle * . Está bem , já percebi até aqui . Mas , então , para que são essas ? - perguntou apontando para as três outras bolas que estavam em o estojo . - Vou mostrar te - disse Wood . - Toma esta . Entregou a Harry um pequeno bastão , uma espécie de taco de * rounders * . - Vou mostrar te para que servem as * bludgers * - disse o Wood . - Estas são as duas * bludgers * . Mostrou lhe duas bolas idênticas , totalmente pretas e ligeiramente mais pequenas do_que a * quaffle * vermelha . Harry notou que elas pareciam contorcer se em um tremendo esforço por se soltarem de as presilhas de couro que as prendiam dentro de o estojo . - Chega te para trás - avisou Wood , enquanto se baixava e libertava uma de as * bladgers * . Em um segundo , a bola elevou se bem alto em o ar e , em seguida , lançou se direita a a cara de o principiante . Harry tentou bater lhe com o taco para impedir que ela lhe partisse o nariz e arremessou a a os ziguezagues para longe -- ela zumbiu a a volta de as cabeças de ambos e acabou por atingir o Wood que se atirou para_cima de ela , conseguindo segurá a contra o chão . - Vês -- , disse com dificuldade o Wood , metendo a a força em o estojo a bola lutadora e fechando a bem . - As * bludgers * passam como foguetes , tentando fazer com que os jogadores caiam de as vassouras abaixo . É por isso que cada clube tem dois * bludgers * - os nossos são os gémeos Weasley - cuja função é proteger o seu lado de as * bludgers * e arremessá as contra o campo de o adversário . Então , alguma dúvida ? - Três * chasers * tentam marcar com a * quaffle * , o * keeper * ' guarda os postes de os golos , os * beaters * mantêm as * bludgers * afastadas de o seu clube -- , papagueou o Harry . - Muito bem - disse Wood . -- Er ... as * bludgers * já alguma vez , por acaso , mataram alguém ? - perguntou Harry , tentando parecer espontâneo . - Em Hogwarts , nunca . Alguns maxilares quebrados mas nada mais grave do_que isso . E , por fim , o último membro de o clube é o * seeker * que é a tua posição . E tu não tens que te preocupar com a * quaffle * nem com as * bludgers * ... - A_não_ser_que me abram a cabeça ... - Não tenhas problemas , os Weasley chegam bem para elas - quero dizer , eles próprios já são um par de * bludgers * humanas . Wood aproximou se de o estojo e retirou de lá de dentro a quarta e última bola . Comparada com a * quaffle * e com as * bludgers * esta era pequenina , mais_ou_menos de o tamanho de uma noz . Era dourada e tinha umas pequenas asas cor de prata , em grande alvoroço . - Esta - disse o Wood , é a * snitch * de ouro , a bola mais importante de todas . É muito difícil de agarrar não_só por ser extremamente veloz mas também porque é dificil de ver . E função de o * seeker * agarrá a . Tens de avançar e recuar por o meio de os * chasers * , de os * beaters * , de as * bludgers * e de a * quaffle * para conseguir agarrá a antes de o * seeker * de o clube adversário , porque aquele que agarrar a * snitch * ganha para o seu clube cento_e_cinquenta pontos , ou_seja , o jogo fica praticamente ganho . E por isso que os * seekers * estão sempre a ser penalizados . Um jogo de Quidditch só termina quando a * snitch * é agarrada , portanto pode demorar imenso tempo - Julgo que o tempo recorde foi de três meses e foi preciso ir arranjando constantes substitutos para que os jogadores pudessem ir dormindo . - Bem , é tudo . Alguma pergunta ? Harry abanou negativamente a cabeça . Compreendera o que tinha de fazer . O problema estava em conseguir ou não fazê o . - Não vamos praticar já com a * snitch * - disse Wood , fechando a com todo o cuidado dentro de o estojo . Está muito escuro e podíamos correr o risco de a perder . Vamos treinar com algumas de estas . Tirou de o bolso um pequeno saco cheio de bolas de golfe e , alguns minutos mais tarde , ele e Harry estavam em o ar , com o Wood a lançar as bolas de golfe com toda_a força em várias direcções para o Harry as agarrar . Não falhou uma única e Wood estava feliz . Meia_hora mais tarde a noite caíra e era impossível prosseguir . - A taça de Quidditch este ano vai ter o nosso nome - disse Wood , satisfeitíssimo , enquanto faziam com alguma dificuldade a subida de regresso a o castelo . - Não me espantava nada se tu viesses a ser ainda melhor do_que o Charlie_Weasley e olha que ele tinha todas_as condições para jogar por a Inglaterra se não tivesse preferido os dragões . Talvez por estar sempre tão ocupado com os treinos de Quidditch três vezes por semana e com os trabalhos de casa , Harry nem se apercebeu de que o tempo passara e de que já estava em Hogwarts havia dois meses . Sentia se mais em casa em aquele castelo do_que alguma vez se sentira em Privet_Drive . As aulas estavam também a tornar se cada_vez_mais interessantes , agora_que tinham aprendido as bases . Em a manhã de o Hallowe'en acordaram com o cheiro delicioso de abóbora cozida que « flutuava » por os corredores . Mas , melhor ainda foi o facto de o professor Flitwick ter anunciado , em os encantamentos , que os considerava preparados para começarem a fazer voar objectos , coisa com que eles sonhavam desde o dia em que haviam visto Flitwick fazer esvoaçar , durante uma aula , o sapo de o Neville . O professor dividiu a classe em duplas para praticarem . O parceiro de Harry era Seamus_Finnigan ( o que não deixou de ser um alívio porque o Neville andava a ver se conseguia chamar lhe a atenção ) . O Ron iria trabalhar com Hermione_Granger e era dificil definir qual de os dois estava mais furioso com a ideia . Ela não lhes falava desde o dia de a chegada de a vassoura . - Não se esqueçam de aquele movimento de pulso que temos vindo a praticar ! - repetiu o professor Flitwick , encarrapitado , como sempre , em a pilha de livros que o fazia parecer mais alto . - Rápido e seco . E é muito importante pronunciar correctamente as palavras mágicas ; lembrem se de o feiticeiro Baruffio que substituiu um * f * por um * s * e deu por si caído em o meio de o chão com um búfalo em cima de o peito . Era muito dificil . Harry e Seamus fizeram movimentos rápidos e secos mas a pena , que deveria levantar voo , continuava sobre a secretária . Seamus ficou tão impaciente que resolveu picá a com a varinha e pegou lhe fogo . Harry teve de apagar o fogo com o próprio chapéu . Em a mesa a o lado , Ron não estava a ser melhor sucedido . - * _ Wingardium leviosa * - gritava ele , acenando com os braços como_se fosse um moinho de vento . Harry ouviu a voz de Hermione a corrigi o . - Estás a dizer mal . É * wingar-dium levi-o-as * . O « * gar * « tem de ser longo e suave . - Então faz tu já_que és tão espertinha -- , respondeu lhe o Ron . Hermione arregaçou as mangas de o seu trajo académico , fez um movimento com a varinha e disse : * _ Wingardium_Leviosa * ! A pena ergueu se de a secretária e flutuou um metro e tal acima de as suas cabeças . - Muito bem ! -- gritou o professor Flitwick , batendo as palmas . - Como todos podem ver , a Hermione_Granger conseguiu ! Em o final de a aula , Ron estava muito mal-humorado . - Não admira que ninguém a suporte - disse ele a o Harry enquanto atravessavam o corredor , - ela é um verdadeiro pesadelo . Alguém chocou com Harry , passando apressadamente por ele . Era_Hermione . Ele teve um vislumbre de os seus olhos . E ficou espantado por ver que estavam cheios de lágrimas . - Acho que ela ouviu o que tu disseste . - E de aí ? - disse o Ron , tentando ocultar algum constrangimento . - Deve ter percebido que não tem amigos . Hermione não apareceu em a aula seguinte e ninguém a viu durante toda_a tarde . Quando desciam para o salão para a festa de o Hallowe'en , Harry e Ron ouviram Parvati_Patil a dizer a a sua amiga Lavender que a Hermione estava a chorar em a casa_de_banho de as raparigas e que queria ficar sozinha . Ron sentiu se ainda mais sem graça a o ouvir aquilo mas , alguns momentos mais tarde , entraram em o Grande_Salão e as decorações festivas de o Hallowe'en fizeram nos esquecer por completo de Hermione . Um_milhar de morcegos esvoaçava por o tecto e por as paredes enquanto cerca de uma centena sobrevoava as mesas em escuras nuvens baixas que faziam estremecer , dentro de as abóboras , as ténues chamas de as velas . O manjar surgiu de repente em os pratos dourados como já havia sucedido em o banquete de início de o ano . Harry estava a servir se de uma batata com casca quando o professor Quirrell entrou a correr por a sala dentro com o turbante a as três pancadas e o terror estampado em o rosto . Todos ficaram a olhar para ele quando se aproximou de a cadeira de o professor Dumbledore , se encostou a a mesa e balbuciou : - Ser gigantesco em os calabouços , achei que devia avisá o . Em seguida perdeu os sentidos e caiu redondo em o chão . Gerou se uma tremenda algazarra . O professor Dumbledore teve de agitar a varinha e lançar para o ar várias luzes cor de púrpura para conseguir impor o silêncio . - Chefes de departamento -- , disse com uma voz que parecia o ribombar de um trovão , - conduzam as vossas equipas para as respectivas camaratas , imediatamente . Percy estava a postos . - Sigam me ! Mantenham se juntos , primeiros anos ! Não há perigo desde_que façam como eu vos disser . Não se afastem de mim . Abram caminho , deixem passar os primeiros anos , com licença , sou chefe de departamento ! - Como é_que um gigante tinha conseguido entrar ali ? - perguntava o Harry enquanto subia as escadas . - Não me perguntes a mim , eles costumam ser bastante estúpidos -- , disse o Ron . - Talvez o Peeves lhe tenha dado entrada para nos pregar uma partida em o Hallowe'en . Passaram por vários grupos de gente , correndo apressada em todas_as direcções . Quando abriam caminho , a os solavancos , por o meio de uma pequena multidão de Hufflepuffs , o Harry , de repente , agarrou o Ron por um braço . - Acabo de me lembrar , a Hermione . - A Hermione o quê ? - Ela não sabe de o gigante . O Ron mordeu os lábios . - Bem , vamos lá , mas é melhor que o Percy não nos veja . De gatas entre a multidão , seguiram com os Hufflepuffs para o outro lado , esgueiraram se para baixo , por um corredor vazio e correram até a a casa_de_banho de as raparigas Tinham acabado de virar uma esquina quando ouviram assadas rápidas atras de eles . - É o Percy - sussurrou Ron , puxando Harry para trás de a estátua de um enorme animal de pedra . Mas quando olharam melhor viram que não se tratava de Percy e sim de Snape que atravessou o corredor e desapareceu . - O que estará ele a fazer aqui ? - perguntou baixinho o Harry . - Porque não está lá em baixo em os calabouços com todos os outros professores ? - Isso também eu gostava de saber . O mais silenciosamente possível , deslizaram por o corredor fora , seguindo as pegadas de o Snape . - Não te cheira a nada ? Harry sentiu um cheiro pestilento invadir lhe as narinas . Era uma mistura de meias velhas e casa_de_banho pública que não é lavada há muito_tempo . E foi então que o ouviram - um grunhido grosseiro e o ruído de o arrastar de uns pés gigantescos . Ron apontou . Lá a o fundo , junto de a passagem para a esquerda , uma coisa descomunal avançava lentamente em direcção a eles . Fugiram para a sombra e viram o emergir em um retalho de luar . Era uma visão pavorosa . Três metros e meio de altura , a pele de um cinzento-granito bastante escuro , o enorme corpo granuloso que lembrava um pedregulho com uma pequena cabeça calva em o cimo , como_se fosse um coco . Tinha as pernas curtas , espessas como troncos de árvore com pés gordos e cheios de calosidades . O cheiro que exalava era indescritível . Trazia em a mão uma enorme moca de madeira que arrastava por o chão devido a o comprimento exagerado de os braços . O gigante parou junto de uma porta e espreitou lá para dentro . Sacudiu as longas orelhas , tentando decidir , com o seu cérebro pequenino , o que fazer . Em seguida arrastou se lentamente lá para dentro . - A chave está em a porta -- , murmurou o Harry . - Podíamos trancá o lá dentro . - Boa ideia -- , disse o Ron nervosamente . Aproximaram se de a porta aberta , com as bocas secas , rezando para que o gigante não se lembrasse de sair em aquele momento . Com um salto Harry conseguiu agarrar a chave de a porta e fechá a . - Boa ! Entusiasmados com a vitória começaram a correr de regresso a a passagem mas , mal viraram a esquina , ouviram algo que fez com que os seus corações parassem de bater - um grito agudo de verdadeiro pavor - e vinha de a sala que eles tinham acabado de fechar . - Oh ! não - disse o Ron , mais branco do_que o Barão_Sangrento . - É a casa_de_banho de as raparigas - disse o Harry em sobressalto . - Hermione - gritaram ao_mesmo_tempo . Era a última coisa que eles queriam fazer , mas que escolha tinham agora ? Dando meia volta , lançaram se a correr até a a porta e giraram a chave , atrapalhados por o pânico - Harry abriu a porta e entraram de rompante . Hermione_Granger estava toda encolhida , encostada a a parede de a frente , com ar de quem está prestes a perder os sentidos . O gigante avançava para ela esbarrando ruidosamente contra as canalizações . - Baralha o -- , gritou Harry desesperadamente a o Ron e pegando em uma tomada arremessou a com toda_a força contra uma de as paredes . O gigante parou a poucos centímetros de Hermione . Olhou em volta , piscando estupidamente os olhos para ver o que provocara aquele estranho barulho . Os seus olhos maldosos viram Harry . Hesitou . Em seguida voltou se para ele , erguendo a moca em o ar . - Olá , cérebro de ervilha ! -- gritou Ron de o outro lado de a divisão , lançando lhe um tubo de metal . O gigante nem deu por o objecto que lhe batera em o ombro mas ouviu o grito e voltou a parar , virando o seu horroroso focinho para : o Ron e dando tempo a o Harry para fugir . - Vamos , corre , corre - gritou Harry_a_Hermione , tentando puxá a para fora de a porta mas ela não conseguia mexer se , continuava colada a a parede , a boca aberta por o terror . A gritaria e os ecos pareciam estar a deixar o gigante enlouquecido . Soltou novo rugido e avançou para o Ron que era quem estava mais próximo e não tinha como escapar . Foi então que Harry fez algo simultaneamente de uma grande coragem e de uma grande estupidez : ganhou balanço , deu um enorme salto e conseguiu pôr os braços , por detrás , em volta de o pescoço de o gigante . Este não sentiu o peso de Harry , mas até_mesmo um gigante não pode ficar indiferente se lhe espetarem uma varinha de madeira em o nariz , e o Harry tinha a varinha em a mão quando saltou . Ela entrou direitinha por as narinas de o gigante . Berrando de dor , o gigante dobrou se e bateu a o acaso com o bastão , enquanto Harry se agarrava com toda_a força para salvar a pele . A qualquer momento o gigante poderia dar lhe uma enorme cacetada . Hermione desmaiara de medo . Ron puxou de a sua varinha e , sem saber o que fazer , deu consigo a pronunciar o primeiro feitiço que lhe veio a a cabeça : * _ Wingardiam_Leviosa * ! A moca de o gigante " saltou lhe subitamente de a mão e subiu , subiu em o ar . Depois , voltou se lentamente e caiu com um estrondo impressionante em a cabeça de o seu dono . O gigante oscilou e estatelou se em o chão , com a cara para baixo , com um estrépito tal que toda_a divisão estremeceu . Harry pôs se de pé . Tremia e respirava com dificuldade . O Ron estava ainda com o braço em o ar , a segurar a varinha mágica , olhando atarantado para o que conseguira fazer . Foi Hermione quem primeiro falou . - Ele ... estará morto ? - Acho que não - disse o Harry . - Foi só posto fora de combate . Dobrou se e retirou a varinha de o nariz de o gigante . Estava coberta por uma substância granulosa que parecia cola cinzenta . - Braagh ! ranho de gigante . Limpou o a as calças de a gigantesca criatura . O súbito ruído de passos fez com que os três olhassem ao_mesmo_tempo . Não se haviam dado conta de a algazarra que tinham feito mas , é claro , alguém ouvira as pancadas e os roncos de o gigante . Momentos depois , a professora Mc_Gonagall entrou em a divisão seguida de perto por Snape , com Quirrell em a retaguarda . Este olhou para o gigante , suspirou como_se fosse perder os sentidos e sentou se em a sanita agarrado a o coração . Snape inclinou se sobre o gigante . A professora Mc_Gonagall olhou para Ron e Harry . Nunca nenhum de eles a vira tão zangada . Os lábios estavam sem cor . A esperança de ganhar cinquenta pontos para os Gryffindor desapareceu lhes rapidamente de o espírito . - O que é_que vos passou por a cabeça ? - perguntou a professora Mc_Gonagall com uma voz que revelava uma raiva géIida . Harry olhou para Ron que ainda estava de varinha em a ar . - Vocês tiveram uma imensa sorte em não serem mortos . Porque é_que não estão em a vossa camarata ? Snape lançou a Harry um olhar vivo e penetrante que o fez desviar os olhos para o chão . Quando é_que o Ron iria baixar o braço ? Foi então que uma vozinha saiu de a sombra . - Por favor , professora Mc_Gonagall , eles andavam a a minha procura . - Hermione_Granger . Hermione conseguira finalmente pôr se de pé . - Eu fui procurar o gigante porque pensei que podia vencê o sozinha uma_vez_que tinha lido tanto sobre eles . Ron deixou cair a varinha . Hermione_Granger a dizer uma mentira a uma professora . - Se eles não me tivessem encontrado estaria morta . _ o Harry enfiou lhe a varinha mágica em o nariz e o Ron atirou o a o chão com a sua própria moca . Eles não tiveram tempo de chamar ninguém . O gigante ia matar me quando chegaram aqui . Harry e Ron tentaram disfarçar como_se aquela história não estivesse a surpreendê os nem um_pouco . - Bem , se é assim ... - disse a professora Mc_Gonagall , olhando fixamente para os três . - Hermione_Granger , como é_que foi pensar que podia enfrentar sozinha um gigante de a montanha ? Hermione baixou a cabeça . Harry estava mudo . Ela era a última pessoa em o mundo capaz de quebrar as regras e ei-la a mentir para lhes evitar problemas . Era como_se o Snape tivesse começado a distribuir doces por os alunos . - Hermione_Granger , os Gryffindor perderão cinco pontos por isto - disse a professora Mc_Gonagall . - Estou muito decepcionada consigo . Se não lhe aconteceu nada de mal é melhor ir já direitinha para a torre de os _ gryffindor , os alunos estão a terminar o banquete em as salas de convívio de as suas equipas . Hermione saiu . A professora Mc_Gonagall voltou se para os dois rapazes . - Bem , continuo a achar que tiveram sorte , mas não eram quaisquer dois alunos de os primeiros anos que teriam conseguido vencer um gigante de a montanha adulto . Cada_um de vocês ganha para os Gryffindor cinco pontos . O professor Dumbledore será avisado de isto . Agora podem ir . Saíram de ali a correr e não falaram antes de terem subido dois andares . Era um alívio estarem longe de o cheiro de o gigante , além de o resto , claro . - Devíamos ter tido mais do_que dez pontos - disse o Ron . - Cinco , queres tu dizer , uma_vez_que ela retirou outros cinco a a Hermione . - Foi sensacional de a parte de ela ter nos tirado de aquele sarilho - admitiu o Ron . - É claro que nos a salvámos ... - Talvez de a não precisasse que a salvassem se não tivéssemos fechado aquela coisa lá dentro - lembrou o Harry . Tinham chegado a o retrato de a dama gorda . - Focinho de porco ! - disseram enquanto entravam . A sala comum estava atafulhada de gente e extremamente barulhenta . Todos os alunos comiam as iguarias que tinham sido enviadas para_cima . Só_Hermione estava sozinha junto de a porta , a espera de eles . Houve um momento de pausa um_pouco embaraçoso . Depois , cada_um de os três , sem olhar para os outros , disse , quase ao_mesmo_tempo , « Obrigado » e desapareceram para ir buscar os pratos . Mas , a partir de esse momento , Hermione_Granger tornou se uma amiga . Há certas coisas que , depois de partilhadas , nos obrigam a gostar uns de os outros e enfrentar um gigante de a montanha com três metros e meio de altura era , sem dúvida , uma de elas . XI_Quidditch_Quando chegou o mês_de_Novembro , o tempo começou a esfriar muito . As montanhas em volta de a escola ficaram de um cinzento frio e o lago parecia aço enregelado . Todas_as manhãs o chão se cobria de geada e podia ver se o Hagrid , lá de cima , a descongelar vassouras em o estádio de Quidditch , agasalhado com um enorme sobre tudo de pêlo de toupeira , umas luvas de pêlo de coelho e umas enormes botifarras de pele de castor . A temporada de o Quidditch começara . Em o sábado , Harry iria entrar em o seu primeiro jogo após semanas e semana de treino : Gryffindor contra Slytherin . Se os Gryffindor vencessem , passariam a o segundo lugar em os clubes de o campeonato . Quase ninguém tinha visto o Harry jogar porque Wood assim o decidira . Era uma espécie de arma secreta . Harry seria mantido bem em segredo . Mas a notícia de que ele iria jogar como * seeker * acabou por espalhar se e Harry já não sabia o que era pior - se as pessoas que lhe diziam que ele ia ser brilhante ou as que se ofereciam para correr por debaixo de a vassoura de ele com um colchão . Era uma sorte ter finalmente a Hermione como amiga . As coisas não teriam sido possíveis sem a ajuda de ela em os trabalhos de casa , com todos aqueles treinos de última hora que o Wood o obrigava a fazer . Foi também ela quem lhe emprestou O_Quidditch através de os tempos que acabou por ser uma leitura muito interessante . Harry aprendeu que havia setecentas maneiras de cometer irregularidades em o Quidditch e que todas elas tinham ocorrido durante o Campeonato_Mundial_da_Taça , em 1473 , que os * seekers * eram geralmente os jogadores mais pequenos e mais rápidos e os acidentes mais graves de o Quidditch lhes aconteciam sempre a eles , e que , apesar_de as pessoas raramente morrerem durante o jogo , havia referências a desaparecimentos de jogadores que só tinham voltado a aparecer alguns meses mais tarde , em o deserto de o Sara . Hermione tornara se mais descontraída em relação a o quebrar de algumas regras , desde_que o Ron a tinha salvo de o gigante de a montanha e estava muito mais simpática com ele . Em a véspera de o primeiro jogo de Quidditch_do_Harry , estavam os três em o campo gélido durante o intervalo e ela tinha feito aparecer um fogo azul brilhante que podia ser transportado dentro_de um frasco de compota . Estavam de pé , a tentar aquecer se , de costas para o fogo , quando Snape atravessou o pátio . Harry reparou , de imediato , que ele vinha a coxear . Os três chegaram se o mais possível uns para os outros a_fim_de evitar que ele visse o fogo . Tinham a certeza de que não era permitido . Infelizmente , houve qualquer coisa em os seus olhares culpados que atraiu Snape e o fez aproximar se . Não tinha visto o fogo mas parecia estar a a procura de um motivo para os penalizar . - O que é_que tens aí , Potter ? Era o * _ Quidditch através de os tempos * . Harry mostrou lhe o . - Os livros de a biblioteca não podem sair de a escola - disse o professor . - Dá me o . Cinco pontos a menos para os Gryffindor . - É uma regra que ele acaba de inventar - resmungou Harry enquanto Snape se afastava lentamente . - O que será que ele tem em a perna ? - Não sei mas espero que lhe doa bastante - respondeu o Ron com azedume . A sala comum de os Gryffindor estava muito barulhenta em essa noite . Harry , Ron e Hermione sentaram se junto d janela . Hermione estava a rever lhes os trabalhos-de-casa para os encantamentos . Nunca ela os deixaria , copiar ( Como é_que querem aprender ? ) , mas a o pedirem lhe que os lesse atentamente acabavam em a mesma por ter as respostas certas Harry sentia se impaciente . Queria ter de volta * _ o Quidditch através de os tempos * para se distrair e parar de pensar em o jogo de o dia seguinte . Porque é_que havia de ter medo de o Snape ? Pondo se de pé , disse a os amigos que ia pedir de_novo o livro a o professor . - Quem não vai lá sou eu - disseram ao_mesmo_tempo Ron e Hermione , mas Harry sabia que Snape não poderia recusar , desde_que o pedido lhe fosse feito na_presença_de outros professores . Desceu até a a sala de os professores e bateu a a porta . Não teve resposta . Voltou a bater e nada . Teria o Snape deixado o livro ali ? Valia a pena tentar . Empurrou a porta entreaberta e espreitou lá para dentro - deparou se lhe uma cena horripilante . O Snape e o Filch estavam só os dois lá dentro . Snape estava a puxar o manto acima de o joelho . Uma , de as pernas estava mutilada e cheia de sangue . Filch segurava , em a mão as ligaduras . -- Maldita coisa - dizia o Snape . - Como é_que se pode estar atento a três cabeças ao_mesmo_tempo ? Harry tentou fechar a porta devagarinho , mas ... - POTTER ! O rosto , de Snape contorceu se de raiva enquanto soltava o manto para , esconder a perna . Harry engoliu em seco . - Vinha só perguntar se - podia ter o livro de volta . - FORA_DAQUI ! Harry saiu e , antes que o Snape tivesse tempo de tirar mais pontos a os Gryffindor , correu a_toda_a velocidade por as escadas acima . - Conseguiste ? - perguntou o Ron quando ele se lhes juntou . - O que é_que se passa ? Em um sussurro Harry contou lhes tudo_o_que tinha visto . - Vocês estão a compreender o que isto significa ? - disse quase sem fôlego . - Ele tentou passar por o cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en . Era para lá que se dirigia quando o avistámos - ele quer aquilo que o cão está a guardar ! E ponho a minha vassoura em o fogo em como ele meteu cá dentro o gigante como manobra de diversão ! Hermione estava com os olhos dilatados . - Não , acho que ele não faria isso - disse . - Sei que não é nada simpático mas não ia tentar roubar uma coisa que o Dumbledore está a guardar com tanto cuidado . - Francamente , Hermione , tu achas que todos os professores são santos - comentou o Ron em tom de censura . - Eu concordo com o Harry . Não confio nem um_pouco em o Snape . Mas , o que é_que ele deseja tanto ? O que estará o cão a guardar ? Harry foi deitar se com a mesma pergunta a as voltas em a cabeça . O Neville ressonava tão alto e ele não conseguia dormir . Tentou esvaziar a mente - precisava de descansar , o jogo de Quidditch começava dentro_de algumas horas -- , mas a expressão em o rosto de o Snape quando Harry lhe vira a perna não era fácil de esquecer . O dia amanheceu frio e cheio de luz . O salão estava repleto com o cheiro delicioso de as salsichas fritas e a conversa bem-disposta de todos os que ansiavam por um bom jogo de Quidditch . - Vens tomar o pequeno-almoço ? - Não me apetece comer nada . - Uma torrada , pelo_menos -- , insistiu Hermione . - Não tenho fome . Harry sentia se pessimamente . Dentro_de uma hora ia entrar em o estádio . - Harry , precisas de ter forças - disse Seamus_Finnigan . - Os * seekers * são sempre aqueles que são atacado por o outro lado . - Obrigado , Seamus - disse Harry enquanto o via deitar * _ Ketchup * a jorros em as salsichas . Cerca de as onze horas quase toda_a escola enchia o lugares de o estádio de Quidditch . Grande parte de os alunos tinha binóculos . Por muito elevados que fossem o assentos , era difícil , por vezes , ver tudo_o_que estava a acontecer . Ron e Hermione juntaram se a Neville , Seamus e Dean em a fila superior . Para grande surpresa de Harry , os amigo tinham feito uma longa faixa a_partir_de um de os lençóis roídos e destruídos por o Scabbers . Dizia : - Potter a a Presidência - e Dean , que era muito bom em desenho , tinha pintado por baixo de a frase o leão de os Gryffindor . E seguida , Hermione fizera um pequeno feitiço para que a pintura brilhasse em diferentes cores . Enquanto isso , em os vestiários , Harry , assim_como o resto de a equipa , punha o seu manto de Quidditch , vermelho-escarlate ( os mantos de os Slytherin eram verdes ) . Wood afinou a garganta para que se fizesse silêncio - O._K. rapazes -- , disse . - E raparigas - completou a * chaser * Angelina_Johnson . - Exactamente . E raparigas - concordou ele . - _ é o grande momento - disse Fred_Weasley . - O momento por o qual todos nós temos estado a a espera - disse George . - Já sabemos o discurso de o Oliver de cor - disse o Fred dirigindo se a o Harry . - Fazíamos parte de a equipa de o ano passado . - Caladinhos vocês os dois . - Era a voz de o Wood . - Esta é a melhor equipa que o Gryffindor tem desde_há muitos anos . Sei que vamos vencer . Olhou para eles como_se dissesse - Ou então ... - Bem , está em a hora . Boa sorte para todos . Harry saiu atrás de o Fred e de o George de o vestiário e , pedindo a todos os santos que o ajudassem a aguentar a parada , entrou em o estádio que vibrava de entusiasmo . Madame_Hooch iria arbitrar . Estava em o meio de o estádio a a espera de os dois clubes , com a vassoura em a mão . - Quero que este seja um jogo bonito e leal , ouviram todos ? - disse quando os dois clubes estavam junto de ela . Harry reparou que ela se dirigia particularmente a o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , um aluno de o quinto ano . Flint parecia ter sangue de gigante . Por o canto de o olho , Harry viu a faixa que se erguia acima de a multidão . dizendo « Potter a a presidência » . O coração bateu mais forte , enchendo o de coragem . - Montem em as vassouras , por favor . - Harry subiu para a sua Nimbus dois_mil . Madame_Hooch soprou com forca em o seu apito de prata . Quinze vassouras elevaram se em o ar . - E a * quaffle * é agarrada , de imediato , por Angelina_Johnson_dos_Gryffindor - que excelente * chaser * é aquela rapariga e bastante bonita por acaso ... - JORDAN ! - Desculpe , professora . O amigo de os gémeos Weasley , Lee_Jordan , estava a fazer o relato desportivo para o grupo , observado de perto por a professora Mc_Gonagall . - E ela está a jogar forte ali em cima , uma passagem óptima para Alicia_Spinnet , um bom achado de o Oliver_Wood que em o ano passado era apenas suplente - novamente pára Johnson e - oh ! não , os Slytherin agarram a * quaffle * , o capitão de os Slytherin , Marcus_Flint , tem * quaffle * e aí vai ele - Flint voando como uma águia vai m ... -- não , foi travado por uma excelente jogada de o * keeper * de os Gryffindor , Wood e Gryffindor tem agora * quaffle * - é a * chaser * Katie_Bell_dos_Gryffindor , excelente passe em volta de Flint , sobre o campo e - uuppss ! - deve ter doído , atingida em a nuca por uma * bludger * - * quaffle * foi agarrada por os Slytherin - é Adrian_Pucey a voar em direcção a os postes de marcação mas é travado por a segunda * bludger * lançada por Fred ou George_Weasley , não distingo bem qual de os dois gémeos - boa jogada de os * beaters * de os Gryffindor e Johnson está de_novo de posse de a * quaffle * , o campo está livre a a sua frente . Aí vai ela em pleno voo - foge rapidamente a uma * bludger * está face a os postes de marcação - vamos Angelina - o * keeper * Bletchley a_toda_a velocidade - falha - GRYFFINDOR_MARCA ! ! ! Os aplausos a os Gryffindor encheram o ar gélido juntamente com lamentos e uivos de os Slytherins . - Mexam se aí em cima . - Hagrid ! Ron e Hermione comprimiram se para dar espaço a que Hagrid se lhes juntasse . - Tenho ' tado a ver de a minha cabana - disse Hagrid que transportava um grande par de binóculos em volta de o pescoço . - Mas nunc'é o mesmo_que ' tar em o meio de a multidão . ` _ inda não apareceu a * snitch * , hein ? - Não -- , disse ó Ron . - O Harry ainda não fez grande coisa . - Tem ' tado longe de as dificuldades . Iss'é bom - disse Hagrid , erguendo os binóculos e espreitando em direcção a o céu para a pintinha lá em cima que era o Harry . Bem acima de eles , Harry planava acima de o jogo , olhando em todas_as direcções em busca de um sinal de a * snitch * . Aquela atitude fazia parte de um esquema concebido por ele e pelo Wood . - Mantém te fora de o ângulo de visão de os outros até veres a * snitch * - dissera lhe o Wood . - Não queremos que te ataquem antes de ser absolutamente necessário . Quando Angelina marcou , Harry fez uma série de piruetas para extravasar os seus sentimentos . Agora , estava de_novo atento a a * snitch * . De uma_vez avistou algo dourado , mas era apenas o reflexo de um de os relógios de pulso de os gémeos e , de outra_vez , uma * bludger * resolveu dirigir se a ele como uma bola de canhão mas Harry desviou a e Fred_Weasley veio atrás de ela . - Tudo bem , Harry ? - perguntou ele em uma fracção de segundo enquanto dava uma fortíssima tacada em a * bludger * lançando a contra Marcus_Flint . - Os Slytherin a jogar - repetia Lee_Jordan . - O * chaser * Pucey evita duas * bludgers * , os dois Weasleys e o * chaser * Bell e voa em a direcção de ... um momento - aquilo seria a * snitch * ? Um murmúrio percorreu a multidão quando Adrian_Pucey largou a * quaffle * , olhando preocupado por cima de o ombro para a pequena luz dourada que lhe rasara a orelha esquerda . E Harry viu a . Com grande velocidade e entusiasmo mergulhou atrás de o vestígio de ouro . O * seeker * de os Slytherin , Terence_Higgs , também a tinha visto . Pescoço frente_a pescoço precipitaram se para a * snitch * - todos os * chasers * pareciam ter se esquecido de as suas funções , tendo parado em o ar a observá os . Harry era mais rápido do_que Higgs - via as asinhas de a pequena bola redonda a agitarem se como uma flecha a a sua frente - e redobrou a velocidade - OOOHH ! Um eco de raiva fez se ouvir , vindo de os Gryffindor lá de baixo - Marcus_Flint bloqueara Harry propositadamente e a vassoura de este rodopiara . Harry estava agora agarrado a ela com todas_as suas forças . - Falta - gritaram os Gryffindor . Madame_Hooch dirigiu se , muito zangada , a o Flint e em seguida decretou um golo livre de os Gryffindor . Mas , em o meio de a confusão , é claro , todos perderam de vista a * snitch * . - Cá para baixo para a bancada - gritava Dean_Thomas . - Ponham o fora , cartão vermelho ! - Isto não é futebol , Dean - lembrou lhe o Ron . - Não podem pôr jogadores fora em o Quidditch e o que é isso de o cartão vermelho ? Mas Hagrid estava com o Dean . - Deviam mudar as regras . O Flint podia ter atirado o Harry lá de cima . Lee_Jordan estava a ter dificuldade em se mostrar imparcial . - Bem , depois de esta óbvia e nojenta batota ... - Jordan - rugiu a professora Mc_Gonagall . - Quero dizer , depois de esta falta imperdoável e revoltante ... - Jordan , estou a avisar te ... - Está bem , está bem . O Flint quase matou o * seeker * de os Gryffindor , o que podia ter acontecido a qualquer um , claro . Portanto , uma penalização dada a os Gryffindor_por_Spinnet que acaba de retirá a e o jogo continua . Gryffindor ainda a liderar . Foi quando Harry desviou outra * bludger * que vinha perigosamente em direcção a a sua cabeça que aquilo aconteceu . A vassoura deu uma guinada súbita e assustadora . Por uma fracção de segundo , pensou que ia mesmo cair . Agarrou se bem com ambas as mãos , apertando os joelhos . Nunca tinha tido aquela sensação . Voltou a acontecer pouco depois . Era como_se a vassoura estivesse a tentar derrubá o . Mas as Nimbus dois_mil não decidiam de um momento para o outro atirar as pessoas a o chão . Harry tentou voltar as costas a os postes de marcação de os Gryffindor , passou lhe por a cabeça pedir a o Wood que lhe desse algum tempo - e foi então que se apercebeu de que a vassoura estava totalmente descontrolada . Não conseguia fazê a virar nem orientá a fosse para_onde fosse . Ziguezagueava por os ares fazendo , de tempos a tempos , movimentos bruscos que quase o obrigavam a desequilibrar se . Lee continuava a comentar . - Slytherin em a liderança - Flint com a * quaffle * - passa a o Spinnet - passa a o Bull - atingido fortemente em a cara por uma * bludger * - espero que lhe parta o nariz - estou a brincar , professora , os Slytherin marcam , oh ! não ... Os Slytherin estavam radiantes . Ninguém se tinha dado conta de que a vassoura de o Harry estava a comportar se de aquele modo estranho . Conduzia o lentamente , cada_vez_mais para_cima e para mais longe de o jogo , a os sacões e arranques contra os quais Harry nada podia fazer . - Não sei qual é a ideia de o Harry - resmungou Hagrid , olhando atentamente através de os binóculos . - Quase diria qu'ele perdeu o controlo de a vassoura ... mas ele não pode ... De repente , as pessoas em todas_as bancadas começaram a apontar para_cima . A vassoura entrara em um rodopio com ele agarrado apenas por um braço . A multidão em peso sobressaltou se . A vassoura de o Harry dera mais um esticão e ele balançava agora , agarrando a já só com uma de as mãos . - Terá lhe acontecido alguma coisa quando o Flin o bloqueou ? - perguntou Seamus em um murmúrio . - Não é possível - respondeu Hagrid , com a voz trémula . - Nada pode interferir e'uma vassoura a não ser a poderosa magia de as trevas , nenhum garoto era capaz de fazer aquilo a uma Nimbus dois_mil . A o ouvir estas palavras , Hermione pegou em os binóculos mas , em_vez_de olhar para_cima para Harry , começou a procurar nervosamente , em o meio de a multidão . - O que estás tu a fazer ? - resmungou , pálido , e Ron . - Eu sabia - disse Hermione . - Olha , o Snape . Ron pegou em os binóculos . Snape estava em o meio de a bancada , em frente de a de eles . Tinha os olhos postos em o Harry e murmurava algo incessantemente sem mesmo parar para respirar . - Ele está a fazer qualquer coisa , a enfeitiçar a vassoura - disse Herrnione . - O que é_que podemos fazer ? - Deixem isso comigo . Antes que o Ron pudesse dizer alguma coisa Hermione desapareceu . Ron voltou de_novo os binóculos para Harry . A vassoura vibrava com tal força que era quase impossível alguém aguentar se por muito_tempo . A multidão pusera se de pé , olhando apavorada , enquanto os Weasleys subiam para tentar ajudá o a passar para a vassoura de um de eles , mas não servia de nada - de cada_vez que se aproximavam a vassoura subia ainda mais . Começaram então a voar em círculos , um_pouco abaixo , em a esperança de o agarrarem se ele caísse . Marcus_Flint agarrou a * quaffle * e marcou cinco vezes sem que ninguém de esse por isso . - Vá lá , Hermione - suplicou Ron , desesperado . Hermione abrira caminho através de a bancada onde Snape se encontrava e corria agora por a fila atrás de ele . Nem_sequer olhou para pedir desculpas quando chocou com a cabeça de o professor Quirrell que era a primeira de a fila de a frente . Quando chegou perto_de Snape , inclinou se , pegou em a varinha e murmurou algumas palavras bem escolhidas . Chispas de um azul brilhante saltaram lhe de a varinha para a bainha de o manto de Snape . O professor demorou cerca de trinta segundos a aperceber se de que o manto estava a pegar fogo . Hermione , entretanto , ouviu um súbito latido dizer lhe que tinha feito o que havia a fazer . Recolhendo o fogo em um pequeno frasco de compota que guardou em o bolso , fez o caminho de regresso a o longo de a fila - Snape nunca descobriria o que tinha sucedido . Foi o suficiente . Lá em cima , Harry conseguiu montar de_novo a vassoura . - Já podes olhar , Neville ! - disse o Ron . O Neville estava com a cabeça enfiada em o sobretudo de o Hagrid havia quase cinco minutos . Harry vinha agora a_toda_a velocidade em direcção a o chão quando a multidão o viu levar a mão a a boca como_se fosse vomitar - dominou completamente o estádio -- , tossiu e uma coisinha dourada caiu lhe em a mão . - Tenho a * snitch * ! - gritou , acenando com ela acima de a cabeça e pondo fim a o jogo em o meio de a maior confusão . - Ele não a apanhou , engoliu a - berrava ainda vinte minutos mais tarde o Flint mas ninguém lhe ligava nenhuma . Harry não quebrara as regras e Lee_Jordan continuava a gritar bem alto os resultados - Gryffindor ganhara por cento_e_setenta pontos contra sessenta . Mas o Harry não ouviu nada de aquilo . Estava em a cabana de Hagrid onde este preparara um chá bem forte para ele , Ron e Hermione . - Foi o Snape - explicava o Ron . - Eu e a Hermione vimos o . Estava a enfeitiçar a tua vassoura , murmurando sem tirar os olhos de ti . - Tolice - disse Hagrid que não ouvira uma palavra do_que se tinha passado em as bancadas . - Porqu'é qu'ele ia fazer uma coisa de essas ? Harry , Ron e Hermione olharam uns para os outros s saber que resposta dar . Harry decidiu se por a verdade . - Eu descobri uma coisa acerca de ele - disse a Hagrid . - Ele tentou passar por aquele cão de as três cabeças em a noite de o Hallowe'en e foi mordido . Nós achámos que ele estava a roubar aquilo que o cão está a guardar . Hagrid deixou o bule cair em o meio de o chão . - Com ' é_que vocês sabem de o Fluffy penugem ? -- perguntou . - Fluffy ? - Sim , ele é meu , comprei o a um finório grego que conheci em um bar o ano passado e emprestei o a o Dumbledore p'ra guardar o ... - O quê ? - perguntou Harry , ansiosamente . - Não me façam mais perguntas - disse Hagrid bruscamente . - _ é segredo , pronto . - Mas o Snape está a tentar roubá o . - Tolice -- , voltou o Hagrid a dizer . - O Snape é um professor de Hogwarts , não ia fazer urna coisa de essas . - Então por_que é_que ele tentou matar o Harry ? - gritou Hermione . Os acontecimentos de aquela tarde tinham conseguido mudar a opinião que ela tinha de o Snape . - Eu sei ver quando um indivíduo está de o lado de o mal , li muito sobre eles ! É preciso manter um constante contacto visual e o Snape nem pestanejou , eu vi ! - ` _ tou a dizer te que ' tás enganada ! - disse o Hagrid com vivacidade . - Não sei porq'é que a vassoura de o Harry fez aquilo mas o Snape não ia tentar matar um aluno . E vocês , ouçam bem o qu'eu digo - ` tão a meter se em coisas que não são de a vossa conta . Isso pode ser perigoso . _ esqueçam aquele cão e esqueçam o qu'ele ' tá a guardar . Isso é entre o professor Dumbledore e Nicolas_Flamel ... - Ah ... ah ... - disse Harry . - Então existe alguém chamado Nicolas_Flamel envolvido em tudo_isto ? Hagrid estava furioso consigo próprio . XII_O espelho de os invisíveis O_Natal estava quase a chegar . Uma manhã , em meados de Dezembro , Hogwarts despertou coberta de neve . O lago tinha gelado e os gémeos Weasley foram castigados por terem feito um feitiço , colocando várias bolas de neve a seguirem o Quirrell e a deitar lhe abaixo o turbante . As poucas corujas e mochos que conseguiram abrir caminho por o meio de o céu tempestuoso a_fim_de irem entregar o correio tiveram de ser tratadas por o Hagrid , antes de poderem voltar a voar . Todos estavam ansiosos por o começo de as férias . Enquanto em a sala comum de os Gryffindor e em o salão principal as lareiras estavam acesas , os corredores , cheios de correntes de ar , haviam se tornado gelados e um vento agreste agitava tumultuosamente as janelas de as salas de aula . As piores eram as de o professor Snape , lá em baixo em as masmorras , onde o ar lhes saía de as bocas como fumo e onde tentavam manter se bem encostados a os caldeirões quentes . - Tenho tanta pena -- , disse Draco_Malfoy em uma aula de poções , - de todos aqueles que têm de passar o Natal em Hogwarts porque ninguém os quer em casa . Olhava para Harry enquanto falava . O Crabbe e o Goyle riam a a socapa . Harry ignorou os e continuou a pesar o pó de espinha de peixe-leão . O Malfoy tornara se ainda mais desagradável depois de o desafio de Quidditch . Irritado_por_os_Slytherin terem perdido , tentou pôr toda_a_gente a rir , sugerindo que o próximo * seeker * que substituísse Harry teria de ser uma raineta com três grandes bocas abertas . Mas constatou que ninguém achava graça a a sua piada porque todos tinham ficado verdadeiramente impressionados com o modo como Harry conseguira mover se , agarrado a a imparável vassoura . Voltou então , cheio de raiva e inveja , a implicar com ele por não ter uma família como devia ser . Era verdade que o Harry não ia passar o Natal_a_Privet_Drive . A professora Mc_Gonagall fizera em a semana anterior uma lista de os alunos que iriam ficar em Hogwarts durante as férias e Harry tinha sido o primeiro a assinar . Mas não se sentia nada triste com isso . Aquele iria ser , muito provavelmente , o melhor Natal de sempre . Ron e os irmãos iam também ficar porque os pais pretendiam ir a a Roménia visitar o Charlie . Quando saíram de os calabouços , em o fim de a aula de poções , depararam com um enorme abeto que lhes barrava a passagem em o corredor . Dois pés enormes surgiam por debaixo de a árvore e o som de uma respiração ofegante fê los adivinhar que por detrás de o abeto se encontrava Hagrid . - Olá_Hagrid , queres ajuda ? - perguntou o Ron , esticando a cabeça por_entre as ramagens . - Não , ' tou bem , obrigado , Ron . - Importas te de sair de a frente ? - disse a voz fria de o Malfoy , atrás de eles . - Estás a tentar ganhar algum dinheiro extra Weasley ? Pensas ficar como guarda de os campos quando deixares Hogwarts ? Aquela cabana de o Hagrid deve parecer te um palácio comparada com o lagar onde vive a tua família . Ron atirou se a ele em o preciso momento em que o Snape vinha a subir as escadas . - WEASLEY ! Ron largou o manto de Malfoy . - Ele foi provocado , professor Snape -- , disse Hagrid , esticando a sua cara enorme para fora de a árvore . - O Malfoy estava a insultar a família de ele . - Mesmo_assim , lutar é contra as regras de Hogwarts_Hagrid - disse Snape , de forma insinuosa . - Cinco pontos a menos para os Gryffindor , Weasley , e deves ficar grato por não serem mais . Agora , saiam todos de aqui . Malfoy , Crabbe e Goyle empurraram bruscamente o pinheiro , espalhando agulhas por todo o lado e rindo abertamente . - Ainda o apanho - disse o Ron entredentes quando o Malfoy virou costas . - Um dia de estes , apanho o . - Eu detesto os dois -- , disse o Harry . - O Malfoy e o Snape . - Vá lá , animem se , rapazes . ` _ tamos quase em o Natal . Venham comigo ver como está o salão , parece uma festa . E lá foram todos atrás de o Hagrid e de a sua grande árvore até a o salão onde a professora Mc_Gonagall e o professor Flitwick estavam a colocar as decorações de Natal . - Ah ! Hagrid , a última árvore ; coloca a ali , em aquele canto , está bem ? O salão estava espectacular . Grinaldas de azevinho pendiam de todas_as paredes e eram doze as altíssimas árvores de Natal que circundavam o salão , umas cintilantes , cheias de pequeninos pingentes de gelo , outras resplandecentes com centenas de velinhas acesas . - Quantos dias faltam p'ra vocês começarem as férias ? - perguntou Hagrid . - _ só um - disse Hermione . - E isso vem lembrar me que - Harry , Ron , temos meia_hora até a o almoço -- , devíamos estar em a biblioteca . - É verdade - disse o Ron , afastando o olhar de o professor Flitwick que fazia sair bolas douradas de a ponta de a sua varinha mágica e estava a dispô as em as ramadas de a última árvore . - A biblioteca ? - perguntou Hagrid , seguindo os . - Mesm'antes de o começo de as férias , meio estranho , não acham ? - Ah ! não é para nenhum trabalho - disse lhe O_Harry alegremente . - Desde_que fizeste referência a o Nicolas_Flamel , temos andado a tentar descobrir de quem se trata . - Vocês o quê ? -- Hagrid parecia chocado . - Ouçam bem , eu disse vos para se deixarem de isso . Não é de a vossa conta o qu'aquele cão está a guardar . - Nós só queremos descobrir quem é Nicolas_Flamel , nada mais - explicou Hermione . - A menos que tu queiras dizer nos e poupar nos todo este trabalho - acrescentou Harry . - Devemos ter consultado já uma boa centena de livros e ainda não encontrámos o nome de ele , dá nos pelo_menos uma pista ; eu sei que li o nome de ele em qualquer lado . - Eu não digo nada de nada - respondeu Hagrid com um ar sorumbático . - Parece então que temos de descobrir por nós próprios-disse o Ron , deixando Hagrid preocupado a vê o apressarem se em direcção a a biblioteca . Tinham efectivamente procurado o nome de Flamel em vários livros desde_que o Hagrid , por engano , o deixara escapar . De que outro modo poderiam saber o que Snape andava a tentar roubar ? O problema estava em não saberem por_onde começar , ignorando por completo que Flamel poderia ter feito para ter o seu nome em os livros . Não era referido em os * _ Grandes feiticeiros de o século vinte * , nem em os * _ Nomes notáveis de o nosso tempo * . Também não falavam de ele nas * _ Importantes descobertas de a magia moderna * nem em o * _ Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria * . E , é claro , havia ainda_que ter em conta as dimensões de a biblioteca . Milhares de livros , centenas de prateleiras e de filas estreitas . Hermione reuniu uma lista de assuntos e títulos sobre os quais decidira pesquisar , enquanto o Ron , em a tentativa , de fazer qualquer descoberta , deitava abaixo uma pilha de livros colocando os a o acaso em as prateleiras . Harry andava a a volta de a secção de os reservados . Não lhe saía de a cabeça a ideia de que o Flamel devia ser mencionado em um de eles . Infelizmente , era preciso uma autorização especial , assinada por um de os professores , para consultar os livros de os reservados e ele sabia que nunca conseguiria obtê a . Aquele eram os livros que continham os poderosos ensinamento de a magia negra , que não fora nunca ensinada em Hogwarts e que apenas eram lidos por os alunos mais velhos que estudavam a defesa contra as artes de as trevas . - De que é_que estás a a procura , rapaz ? - De nada - disse Harry . Madame_Pince , a bibliotecária , ameaçou o com um espanador de penas . - É melhor saíres de aqui , vá , vá , fora ! Lamentando não ter tido a capacidade de inventar rapidamente uma desculpa , Harry saiu de a biblioteca . Tinham decidido os três não perguntar a Madame_Pince onde podiam encontrar Flamel . Estavam certos de que ela saberia informá os , mas não podiam correr o risco de o Snape desconfiar do_que eles andavam a fazer . Harry esperou cá fora , em o corredor , para ver se o Ron e a Hermione tinham encontrado alguma coisa , mas sem acalentar grandes esperanças . Havia quinze_dias que pesquisavam mas , como dispunham de muito pouco tempo geralmente entre uma e outra aula , não era de estranhar que não tivessem conseguido encontrar o que procuravam . O que lhes faria falta era umas boas horas seguidas sem a presença de Madame_Pince a espreitar por detrás de eles . Cinco minutos mais tarde , Ron e Hermione juntaram se lhe , abanando negativamente as cabeças . - Vocês vão continuar a procurar enquanto eu estiver fora , não vão ? - perguntou Hermione antes de começarem a almoçar . - E mandem me uma coruja se descobrirem alguma coisa . - E tu podes perguntar a os teus pais se eles sabem quem é o Flamel -- , disse Ron , - Não corres perigo nenhum em perguntar lhes . - Nenhum . São ambos dentistas - lembrou Hermione . Logo_que as férias começaram , Ron e Harry passaram a divertir se tanto que nem se lembraram mais de o Flamel . Tinham a camarata só para eles e a sala comum estava bastante mais vazia do_que era costume , o que lhes permitia ocupar sempre os melhores sofás , junto de a lareira . Sentavam se durante cerca de uma hora a comer tudo aquilo que pudessem espetar com um garfo longo - pão , bolos de farinha , alteia - e divertiam se a conceber estratagemas para fazer com que o Malfoy fosse expulso , que não passavam de meros exercícios de imaginação pois tinham perfeita consciência de que nunca poderiam funcionar . O Ron começou também a ensinar a o Harry o xadrez de os feiticeiros que era exactamente como o de os Muggles com a única diferença de que as figuras estavam vivas , o que fazia o jogo parecer se um_pouco com a direcção de os exércitos durante a batalha . O tabuleiro e as peças de o Ron eram muito antigos e gastos . Como tudo_o_que ele tinha , pertenceram antes a alguém de a família , em este caso a o avô . Contudo , o facto de os peões de o xadrez serem velhos não constituía um inconveniente . Ron conhecia os tão bem que nunca tivera qualquer problema em fazê os actuar de_acordo com a sua vontade . Harry tinha jogado com os peões que o Seamus_Finnigan lhe emprestara e eles não haviam confiado nele . E certo que não era ainda um grande jogador mas eles não paravam de lhe dar conselhos , o que se tornava imensamente confuso : « Não me ponhas aí , não vês o cavalo de ele ? « , « Manda antes aquele , podemos perfeitamente perdê o . » Em a véspera de Natal , Harry foi para a cama ansioso por a chegada de o dia seguinte , pela comida e por o divertimento mas sem esperar receber nenhum presente . Quando acordou , contudo , a primeira coisa que viu foi um montinho de embrulhos a os pés de a sua cama . - Feliz_Natal -- disse o Ron , estremunhado , enquanto Harry saía de a cama e enfiava o roupão . - Para ti também - disse Harry . - Olha para isto , há presentes para mim ! - O que é_que tu esperavas , cebolas ? - disse o Ron , olhando para o seu monte que era um_pouco mais alto . Harry pegou em o presente que estava em cima . Vinha embrulhado em papel castanho espesso e uns gatafunhos em toda_a volta diziam * _ Para_o_Harry_do_Hagrid * . Lá dentro vinha uma flauta de madeira , artesanal . Devia ter sido feita por o próprio Hagrid . Harry soprou - o som parecia o piar de uma coruja . O segundo presente , um pacotinho pequeno , continha uma nota . * _ Recebemos a tua mensagem e estamos a enviar te o teu presente de Natal . De o tio Vernon e de a tia Petúnia * . Pegada a a nota vinha uma moeda de vinte escudos . - É simpático - disse o Harry . Ron ficou fascinado com os vinte escudos . - Estranho ! - disse ele . - Que formato , isto_é dinheiro ? - Podes ficar com ele - disse o Harry , cheio de vontade de rir com o entusiasmo de o amigo . - Hagrid e os meus tios . Então , de quem serão estes outros ? - Acho que sei de onde vem esse - disse o Ron , corando um_pouco e apontando para um embrulho rugoso . - É de a minha mãe . Eu contei lhe que tu não ias ter presentes de Natal e - Oh ! não - resmungou . - Ela fez te uma camisola Weasley . Harry abrira bruscamente o papel e dera com uma camisola verde-esmeralda , feita a a mão e uma grande caixa de bombons confeccionados em casa . - Todos os anos ela nos manda uma camisola - disse o Ron , desembrulhando a de ele . - E a minha é sempre castanho-avermelhado . - _ é amoroso de a parte de ela - disse o Harry , experimentando um bombom que era muito saboroso . O seu próximo presente também continha doces - uma grande caixa de sapos de chocolate de a Hermione . Faltava apenas abrir um embrulho . Harry pegou lhe e sentiu lhe o peso . Era leve . Desembrulhou o . Algo fluido e de um cinzento prateado deslizou para o chão onde ganhou ondulações cintilantes . Ron manifestou se . - Já ouvi falar de isso - referiu com uma voz exaltada , deixando cair a caixa de feijões de todos os sabores que Hermione lhe oferecera . - Se é aquilo que eu estou a pensar , e multo raro e extremamente valioso . - O que é ? Harry apanhou o tecido prateado brilhante de o chão . Tinha um toque estranho , como o de a água entrançada em tecido . - É um manto de invisibilidade - disse Ron com um olhar de receio em o rosto . - Tenho a certeza . Experimenta o . Harry pôs o manto em volta de os ombros e Ron soltou um grito . - É mesmo . Olha para baixo ! Harry olhou para os pés e constatou que haviam desaparecido . Precipitou se para o espelho . Não havia dúvida . Só a cabeça se via , suspensa em o ar . O corpo estava totalmente invisível . Puxou o manto para_cima de a cabeça e seu reflexo desapareceu por completo . - Tem aqui um bilhete - disse o Ron , subitamente . Um papel caiu de o embrulho . Harry tirou o manto e pegou em a carta . Em uma letra fina e débil que ele nunca tinha visto , estava escrito o seguinte : O teu pai deixou isto em a minha posse antes de morrer . É altura de te ser entregue . Usa o bem . Um bom Natal ! Não estava assinado . Harry ficou a olhar para o bilhete enquanto Ron admirava o manto . - Eu daria tudo por um manto de estes - disse ele - Tudo . Qual é o teu problema ? - Nada - disse Harry , sentindo se estranho . Quem lhe teria enviado o manto ? Teria mesmo pertencido a o seu pai . Antes de poder dizer ou pensar mais alguma coisa , porta de a camarata foi aberta de par em par e Fred e George_Weasley entraram de rompante . Harry escondeu rapidamente o manto . Não lhe apetecia , por enquanto , partilhá o com mais ninguém . - Feliz_Natal ! - Olhem , o Harry também tem uma camisola Weasley . O Fred e o George usavam camisolas azuis , uma com um grande * _ F * e outra com um * _ G * . - A de o Harry é melhor do_que as nossas - disse o Fred , pegando em a camisola de o Harry . - Ela esmerou se mais por tu não seres de a família . - Por_que é_que não vestes a tua , Ron ? - perguntou o George . - Vá lá , veste a , é bonita e é quentinha . - Detesto castanho-avermelhado - resmungou o Ron , triste , enfiando a camisola por a cabeça abaixo . - A tua não tem nenhuma letra -- observou o George . - Acho que ela tem a certeza de que não te esqueces de o teu nome . Mas nós não somos parvos , sabemos muito bem que nos chamam Gred e Forge . - Que barulheira é esta ? Percy_Weasley meteu a cabeça em a porta com um olhar reprovador . Estava , com certeza , a desembrulhar os seus presentes porque transportava também em o braço , que o Fred lhe agarrou , uma camisola feita a a mão . - C._de_D. ( Chefe_de_Departamento ) ! Veste a , Percy , vá lá , estamos todos com as nossas , até o Harry tem uma . - Eu ... não ... quero - disse o Percy , com a voz empastelada , enquanto os gémeos lhe a enfiavam por a cabeça , atirando lhe os óculos a o chão . - E não te vais sentar hoje com os chefes de departamento - disse o George . - O Natal é a festa de a família . Levaram o Percy para fora de o quarto com os braços agarrados por as mangas de a camisola . Nunca , em toda_a sua vida , Harry tinha tido uma ceia de Natal como aquela . Uma centena de grandes perus assados , montanhas de batatas assadas e cozidas , escudelas de grandes salsichas , terrinas de ervilhas com manteiga , molheiras de prata de caldo de carne e sumo de uvas e montes de foguetes de feiticeiros espalhados a o longo de a mesa . Estes fantásticos foguetes não se pareciam nada com os foguetes de os Muggle que os Dursley costumavam comprar juntamente com brinquedinhos de plástico e chapeuzinhos de papel colorido . Harry puxou um de os foguetes de os feiticeiros com o Fred e ele não se limitou a rebentar , saltou como uma bola de canhão e envolveu os a todos em uma nuvem de fumo azul enquanto de lá de dentro explodia um chapéu de contra almirante e vários ratinhos brancos . Lá em cima , em a mesa principal , Dumbledore tinha trocado o seu chapéu pontiagudo de feiticeiro por um gorro florido e ria entredentes de uma piada que o professor Flitwick tinha acabado de lhe ler . A seguir a o peru vieram os pudins flamejantes e o Percy quase partiu os dentes em a faca de prata coberta por o molho de o pudim . Harry observava Hagrid que ia ficando cada_vez_mais vermelho à_medida_que bebia vinho , tendo acabado por beijar a professora Mc_Gonagall em a bochecha . Para grande espanto de Harry , ela deu uma risadinha e corou , com o chapéu alto já a a banda . Quando Harry finalmente se levantou de a mesa , ia carregado com um monte de coisas que tinham saído de os foguetes , incluindo um conjunto de balões luminosos , não explosivos e o seu novo estojo de xadrez de feitiçaria . Os ratinhos brancos desapareceram e ele teve a desagradável sensação de que iam acabar por ser o jantar de Natal de a horrorosa gata Mrs._Norris . Harry e os Weasleys passaram uma óptima tarde em os campos , travando uma renhida batalha com bolas de neve . Por fim , cheios de frio e já quase sem fôlego , regressaram a a lareira de a sala comum de os Gryffindor , onde Harry estreou o seu novo tabuleiro de xadrez sendo estrondosamente vencido por Ron . Acabou por se conformar , acreditando que teria perdido menos se o Percy não tivesse tentado ajudá o tanto . Depois de um lanche de chá , sandes de peru , biscoitos , docinhos e bolo de Natal , ficaram todos tão enfartados e cheios de sono que , antes de irem para a cama , deixaram se ficar em o sofá a ver o Percy correr atrás de o Fred e de o George por toda_a torre de os Gryffindor , tentando recuperar o distintivo que eles lhe tinham roubado . Aquele fora , sem sombra de dúvida , o melhor Natal de toda_a vida de o Harry . Contudo , uma coisa tinha permanecido em os confins de a sua mente durante todo o dia . Só quando se deitasse poderia pensar livremente em o assunto : o manto de a invisibilidade e a pessoa que o enviara . Ron , cheio de peru e de bolo e sem nada misterioso a preocupá o , adormeceu mal correu as cortinas de o dossel . Harry inclinou se para o outro lado de a sua cama e tirou de lá de baixo o manto . De o seu pai ... aquilo pertencera a o seu pai . Deixou que o tecido lhe roçasse as mãos , mais macio do_que a seda , mais leve do_que o ar . * _ Usa-o * bem , dizia o bilhete . Tinha de experimentá o de_novo . Saltou de a cama e embrulhou se nele . Olhando para baixo , para as pernas , apenas viu sombras e luar . Era um sentimento estranhíssimo . * _ Usa-o bem . * De repente , sentiu se completamente acordado . Todas_as divisões de Hogwarts se lhe abriam com aquele manto . A excitação fê lo vibrar enquanto permanecia em o silêncio e em o escuro . Agora podia ir onde quisesse e o Filch nunca saberia . Ron roncou em o seu princípio de sono . Deveria acordá o ? Algo o deteve - era o manto de o seu pai - e sentiu isso pela_primeira_vez - queria usá o sozinho . Esgueirou se de a camarata , desceu as escadas , atravessou a sala comum de os Gryffindor e subiu por o buraco de o retrato . - Quem está aí ? - perguntou a dama gorda . Harry não respondeu . Desceu rapidamente por o corredor . Onde poderia ir ? Parou com o coração a bater e pensou em a secção de os reservados de a biblioteca . Podia ficar a ler durante todo o tempo que quisesse , o tempo que fosse necessário até descobrir quem era Flamel . Dirigiu se para lá , apertando bem contra o corpo , enquanto andava , o manto de a invisibilidade . A biblioteca estava escura como breu e misteriosa . Harry acendeu uma lâmpada para ver o caminho e as fileiras de livros . A luz parecia flutuar sozinha em o ar e , apesar_de ele lhe sentir o peso e saber que era o seu braço que pegava em ela , a imagem de a luz solta em o ar causava lhe arrepios . A secção de os reservados ficava em a parte de trás de a biblioteca . Passando com todo o cuidado por sobre a corda que separava estes livros de os outros , ergueu a luz para conseguir ler os títulos . Não lhe diziam muito . As letras douradas , desbotadas e gastas formavam palavras em idiomas que Harry desconhecia . Alguns nem tinham título . Havia um livro com uma mancha escura que se parecia horrivelmente com sangue . Harry ficou com os cabelos em pé . Talvez fosse imaginação sua , ou talvez não , mas pareceu lhe ouvir um sussurro vindo de os livros , como_se eles soubessem que estava ali alguém que não deveria ali estar . Era preciso começar por um lado qualquer . Colocando a lâmpada em o chão com todo o cuidado , procurou em a prateleira de baixo um livro que lhe parecesse interessante . Um volume de capa negra e prateada chamou lhe a atenção . Retirou o com alguma dificuldade porque era extremamente pesado e , apoiando o em os joelhos , abriu o . Um grito agudo de sangue coalhado quebrou o silêncio - o livro gritava ! Harry fechou o com um estalido mas a gritaria continuava , uma nota aguda , constante e ensurdecedora . Caiu para trás batendo em a luz que se apagou . Em perfeito pânico , Harry ouviu passos lá fora em o corredor . Metendo o livro barulhento em a prateleira começou a correr . Passou por o Filch , junto de a porta . Os olhos claros e estranhos de o Filch olharam através de ele e Harry esgueirou se por debaixo de o braço de o encarregado , galgando rapidamente o corredor com o grito de o livro ainda em os ouvidos . Parou junto de uma armadura . A sua preocupação em fugir de a biblioteca fora tal que nem dera atenção a o caminho . E como estava escuro não fazia ideia de onde se encontrava . Sabia que havia uma armadura perto de as cozinhas mas devia estar , pelo_menos , cinco pisos acima . - O professor pediu me que o avisasse se visse alguém a vaguear por aqui durante a noite e estava alguém em a biblioteca , em a secção de os reservados . Harry sentiu o sangue subir lhe a a cabeça . Onde quer que ele estivesse , o Filch conhecia um atalho porque a sua voz untuosa estava cada_vez_mais próxima e , para seu grande horror , foi Snape quem lhe respondeu . - A secção de os reservados ? Bem , não deve estar longe , apanhamos o com certeza . Harry ficou pregado a o chão enquanto Filch e Snape viraram em uma esquina . Não podiam vê o , claro , mas o corredor era estreito e se se aproximassem muito podiam chocar com ele - o manto não fazia com que ele deixasse de ter um corpo sólido . Recuou o mais silenciosamente que pôde . Havia uma porta entreaberta de o lado esquerdo . Era a sua única esperança . Entrou , sustendo a respiração , tentando não tocar em a porta e , para seu grande alívio , conseguiu entrar em a sala sem que eles dessem por isso . Eles seguiram em frente e Harry encostou se a a parede , respirando profundamente e ouvindo os passos de ambos a afastarem se . Tinham estado perto , muito perto , mas isso fora alguns segundos antes de ele reparar em algo absolutamente insólito que existia em a sala onde agora se encontrava . Parecia uma antiga sala de aulas . As sombras escuras de as secretárias e cadeiras empilhavam se contra as paredes e havia um cesto de papéis voltado ao_contrário - mas encostado a a parede , de frente para ele , estava algo que não parecia ser de ali , algo que tinha todo o aspecto de ter sido ali posto para que ninguém o encontrasse . Era um espelho magnífico , tão alto que quase tocava em o tecto , com uma moldura trabalhada em ouro e assente em dois pés de garra . Em o topo havia uma inscrição : * _ Erised stra ehru oyt ube cafru oyt on wohsi * . Tendo afastado o pânico com o desaparecimento de Filch e de Snape , Harry aproximou se , querendo mais_uma_vez olhar para confirmar que não via o seu reflexo . Colocou se bem em a frente de o espelho . Teve de levar as mãos a a boca para não soltar um grito . Deu meia volta com o coração mais aflito do_que quando o livro tinha começado a gritar - porque não_só vira o seu reflexo em o espelho como o de uma multidão de gente , mesmo ali atrás de ele . Contudo a sala estava vazia . Com a respiração alterada , voltou se de_novo para o espelho . Lá estava ele , reflectido , pálido e apavorado e reflectidos atrás de ele estavam pelo_menos dez outros . Harry olhou por cima de o ombro , mas não havia ali ninguém . Ou estariam todos invisíveis ? Estaria ele em uma sala cheia de gente invisível e o dom de aquele espelho seria o de os reflectir a todos , invisíveis ou não ? Voltou a olhar para o espelho . Uma mulher mesmo a a sua direita sorria e acenava lhe . Ele estendeu a mão e sentiu o ar . Se ela ali estava efectivamente , poderia tocar lhe , os reflexos estavam tão próximos ... mas apenas sentiu o ar - tanto ela como os outros apenas existiam em aquele espelho . Era uma mulher muito bonita . De cabelos escuros avermelhados e os olhos - os olhos de ela parecem se com os meus - pensou Harry , aproximando se um_pouco mais de o espelho . Verdes , brilhantes , exactamente com o mesmo formato . Mas foi então que reparou que ela estava a chorar . A sorrir e a chorar ao_mesmo_tempo . O homem alto e magro de cabelos pretos passou lhe o braço por cima de os ombros . Usava óculos e o cabelo era desalinhado e rebelde , arrebitava atrás como o seu . Harry estava agora tão próximo de o espelho que o nariz quase tocava o de o seu reflexo . - Mãe ? - disse baixinho . - Pai ? Eles apenas o olharam a sorrir . E lentamente Harry olhou para os rostos de todas_as outras pessoas em o espelho e viu outro par de olhos verdes como os de ele , outros narizes parecidos e até um velhinho que parecia ter os joelhos nodosos e protuberantes como os seus . Pela_primeira_vez , Harry estava a ver a sua própria família , pela_primeira_vez em a vida . Os Potters sorriram e disseram lhe adeus quando ele olhou ansiosamente para eles , pressionando as mãos contra o espelho como_se esperasse cair lá para dentro e alcançá os . Tinha um sentimento poderoso dentro_de si , uma mescla de alegria e de profunda tristeza . Não sonhe ao_certo quanto tempo ali permaneceu . Os reflexos não desapareceram e ele olhou e continuou a olhar até que um ruído a a distância o trouxe de volta a a realidade . Não podia ficar ali . Tinha que encontrar o caminho de regresso a a camarata . Afastou os olhos de o rosto de a mãe , murmurando - Eu volto - e saiu apressadamente de o quarto . - Podias ter me acordado - disse o Ron , de mau humor . - Podes ir comigo amanhã a a noite . Eu vou lá voltar . Quero mostrar te o espelho . - Eu gostava de conhecer a tua mãe e o teu pai - disse o Ron , impaciente . - E eu quero conhecer toda_a tua família , todos os Weasleys , vais poder mostrar me os teus outros irmãos também . - Podes vê os em qualquer altura - disse o Ron . -- É só ires a a minha casa este Verão . E , se_calhar , o espelho só mostra as pessoas que já morreram . Que pena não encontrarmos o Flamel . Come uma fatia de bacon , por_que é_que não estás a comer nada ? Harry não conseguia comer . Tinha visto os pais e ia voltar a vê os em essa mesma noite . Esquecera praticamente o Flamel . Não lhe parecia já tão importante como isso . Quem é_que queria saber o que o cão de as três cabeças estava á guardar ? Qual a diferença que o Snape o roubasse ou não ? - Estás mesmo bem ? - perguntou o Ron . - Pareces estranho . O que Harry mais temia era não conseguir voltar a dar com o quarto onde se encontrava o espelho . Com o Ron também embrulhado em o manto tinham de avançar muito mais devagar e tentaram reproduzir o percurso de o Harry a partir de a biblioteca , vagueando por as passagens escuras durante quase uma hora . - Estou gelado - disse o Ron . - Vamos esquecer isto e voltar para a cama . - Não - insistiu Harry . - Eu sei que é por aqui perto . Passaram por o fantasma de uma bruxa alta que deslizava em sentido contrário mas não viram mais ninguém . Em o preciso momento em que o Ron tinha começado a queixar se de que sentia os pés gelados , Harry deu com a armadura . - _ é aqui , aqui mesmo , aqui ! Abriram a porta . Harry tirou o manto de os ombros e correu para o espelho . Lá estavam eles . A sua mãe e o seu pai , radiantes por vê o de_novo . - Vês ? - murmurou Harry . - Eu não vejo nada . - Olha . Olha para eles todos ... - Eu só te vejo a ti . - Olha melhor . Põe te aqui onde eu estou . Harry colocou se a o lado de ele mas , com o Ron em frente de o espelho , deixara de conseguir ver a sua família , só o Ron , em o seu pijama de tecido escocês . O Ron , por outro lado , olhava perplexo para a sua própria imagem . - Olha só para mim ! - disse - Vês toda_a tua família em volta ? - Não - estou sozinho - mas estou diferente , pareço mais velho e sou chefe de turma ! - O quê ? - Sou , estou a usar o distintivo como o Bill usava e estou a segurar a taça de a equipa e a taça de o Quidditch - sou também capitão de Quidditch ! Ron afastou os olhos de aquela fantástica visão para olhar excitado para o Harry . - Achas que este espelho mostra o futuro ? - Como é_que isso é possível ? Toda_a minha família morreu . Deixa me ver de_novo . - Tiveste o espelho só para ti a noite passada , dá me mais um bocadinho de tempo . - Tu só queres ver a taça de o Quidditch . Qual é o interesse de isso ? Eu quero ver os meus pais . - Não me empurres . Um súbito ruído lá fora , em o corredor , pôs fim a a discussão . Não se tinham dado conta de a altura a que estavam a falar . - Depressa . Ron lançou o manto sobre ambos em o momento em que os olhos luminosos de a Mrs._Norris surgiram a a porta . Ron e Harry não se moveram , ambos preocupados com o mesmo pensamento - será que o manto de a invisibilidade resulta também com os gatos ? Depois de um tempo que lhes pareceu nunca mais acabar , ela virou lhes as costas . - Não sabemos se não terá ido chamar o Filch , aposto que nos ouviu . Anda de aí . - E Ron puxou o Harry para fora de o quarto . Em a manhã seguinte a neve ainda não tinha derretido . - Queres jogar xadrez , Harry ? - perguntou o Ron . - Não . - E se fôssemos visitar o Hagrid ? - Não . Vai tu sozinho . - Eu sei que estás a pensar em aquele espelho , Harry . Não voltes lá esta noite . - Porque não ? - Não sei . É um pressentimento e além de isso já houve sombras demasiado próximas . O Filch , o Snape , a gata Mrs._Norris anda por aí a farejar . E , apesar_de não te verem , se esbarram contigo ou se bates em alguma coisa ? - Pareces a Hermione . - Estou a falar a sério , Harry . Não vás . Mas Harry só tinha uma coisa em a cabeça que era voltar a olhar para aquele espelho e não era o Ron quem iria impedi o . Em essa terceira noite encontrou mais facilmente o quarto . Ia a andar tão depressa que fazia mais barulho do_que mandava a prudência , mas não encontrou ninguém por o caminho . Eles lá estavam . A mãe e o pai a sorrirem lhe de_novo e um de os avós acenando lhe alegremente . Harry baixou se para se sentar em o chão em frente de o espelho . Nada iria evitar que ele passasse ali a noite com a família . Absolutamente nada . Excepto ... - Então , Harry , aqui de_novo ? Harry sentiu se gelar todo por dentro . Olhou para trás . Sentado em uma de as secretárias junto de a parede estava nem mais nem menos do_que Albus_Dumbledore . Sem dúvida tinha passado por ele mas ; em a pressa de chegar a o espelho , nem dera por nada . - Eu , desculpe , não o vi , professor . - Estranho como o facto de ficares invisível te torna míope - disse Dumbledore e Harry ficou aliviado a o constatar que ele sorria . - Portanto - disse Dumbledore , saindo de a secretária para se vir sentar em o chão com o Harry , - tu , como centenas de outros antes de ti , descobriste as maravilhas de o espelho de os invisíveis . - Não sabia que se chamava assim . - Mas , sem duvida , já compreendeste o que ele faz ! - Ele , bem , mostra me a minha família ... - E mostrou a o teu amigo Ron a sua própria imagem como chefe de turma . - Como é_que o senhor sabe ? - Eu não preciso de um manto para me tornar invisível - disse Dumbledore suavemente . - Bem , mas és capaz de me dizer o que é_que o espelho de os invisíveis nos mostra a todos ? Harry acenou negativamente com a cabeça . - Deixa me explicar te . O homem mais feliz de o mundo poderia usar o espelho de os invisíveis como_se fosse um espelho normal . Isto_é , ele veria se a si próprio exactamente como era . Achas que isso o ajudaria ? Harry ficou a pensar . Depois disse lentamente : - Mostra nos o que nós queremos ... quando queremos ... - Sim e não - disse Dumbledore . - Mostra nos apenas o mais profundo e intenso desejo que reside em o nosso coração . Tu , que nunca conheceste a tua família , viste a a a tua volta . O Ronald_Weasley , que viveu sempre a a sombra de os irmãos , viu se sozinho , como o melhor de todos . Contudo , este espelho não nos dá nem o conhecimento nem a verdade . Muitos homens têm : estado em a frente de ele , hipnotizados por o que ele lhes mostra , outros enlouqueceram sem saber se o que tinham visto era real ou mesmo possível . O espelho vai ser transportado amanhã para outro lugar Harry . E peço te que não voltes a procurá o . Se voltares a encontrá o , estarás preparado . Não se resolve nada divagar em sonhos quando nos esquecemos de viver . Lembra te de isto . Agora , porque não vais dormir um_pouco . Harry levantou se . - Professor_Dumbledore , posso fazer lhe uma pergunta ? - Claro que sim . Acabas de a fazer - disse Dumbledore a sorrir . - Mas podes fazer outra , vá lá ! - O que vê o senhor quando olha para o espelho - Eu ? Vejo me a segurar um par de peúgas de lã . Harry olhou o pasmado . - Peúgas quentinhas é uma coisa que faz imensa falta Passou mais um Natal e ninguém me ofereceu um único par . Toda_a_gente insiste em oferecer me livros . Só quando já estava em a cama é_que Harry se apercebeu de que Dumbledore estava , de certo modo , a brincar . Mas pensou também , enquanto enxotava o Scabbers de a almofada , que aquela fora uma pergunta bastante indiscreta . XIII_Nicolas_Flamel_Dumbledore convencera Harry a não voltar a procurar o espelho de os invisíveis . Portanto , durante o resto de as férias de Natal , o manto de a invisibilidade ficou dobrado em o fundo de a mala de Harry . Ele bem tentava esquecer e que tinha visto em aquele espelho mas não era capaz . Começou a ter pesadelos . Sonhava sempre com os pais a desaparecerem em uma explosão de luz verde enquanto uma voz aguda se ria a as gargalhadas . - Estás a ver que o Dumbledore tinha razão , o espelho podia levar te a a loucura - disse o Ron quando ele lhe contou aqueles sonhos . Hermione , que regressou um dia antes de o começo de as aulas , viu as coisas de uma perspectiva diferente . Ficou horrorizada com a ideia de o Harry andar três noites a fio a vaguear por a escola ( « E se o Filch te tivesse apanhado ? » ) e desapontada por ele não ter descoberto , pelo_menos , quem era o Flamel . Tinham perdido praticamente a esperança de encontrar Flamel em um de os livros de a biblioteca , apesar_de Harry continuar a ter a certeza de que tinha lido o nome de ele em qualquer lado . Mal as aulas começaram , recomeçou o sistema de visitas rápidas a a biblioteca entre uma aula e outra . O tempo de que Harry dispunha era agora bastante reduzido devido a o recomeço de os treinos de Quidditch . O Wood estava a exigir cada_vez_mais de a equipa . Nem a chuva infindável que viera substituir a neve conseguira quebrar lhe o animo . Os Weasleys queixavam se de que ele estava a ficar fanático mas Harry estava com Wood . Se ganhassem o próximo jogo contra os Hufflepuff ultrapassariam os Slytherin como equipa vencedora campeonato , pela_primeira_vez em sete anos . Além querer vencer , Harry descobriu que tinha menos pesadelo quando chegava a a cama bastante cansado de os treinos . Foi então que , durante um treino particularmente molhado e cheio de lama , o Wood lhes deu aquela péssima notícia . Tinha acabado de ralhar com os Weasleys que em a brincadeira , não paravam de se bombardear um_ao_outro fingindo cair de as vassouras . - Vocês parem imediatamente de criar confusão ! -- gritou . - É esse tipo de coisa que pode levar nos a perder o campeonato ! O Snape vai arbitrar desta_vez e pode agarrar se a qualquer coisa para retirar pontos a o Gryffindor ! George_Weasley caiu mesmo de a vassoura a o ouvir esta palavras . - Snape vai arbitrar ? - balbuciou com a boca cheia de lama . - Mas ele nunca arbitrou um jogo de Quidditch , não vai ser justo connosco se ultrapassarmos o Slytherin . O resto de o clube pôs se ao_lado_de George , protestando - Não é por minha culpa - disse o Wood . - Mas temos de garantir um jogo tão limpo que o Snape não tenha qualquer motivo para implicar connosco . Estava tudo muito bem , pensou Harry , mas ele tinha outra razão para não querer o Snape por perto enquanto jogava Quidditch ... O resto de os jogadores juntou se para falar , em o final de o treino , mas Harry foi direito a a sala comum de os Gryffindor onde encontrou o Ron e a Hermione a jogarem xadrez . Era o único jogo em que Hermione costumava perder o que , segundo Ron , lhe fazia muito bem . - Não falem comigo agora - disse o Ron quando Harry se sentou a o lado de ele - preciso de concentração -- , mas a o ver a expressão de o amigo , perguntou : - O que é_que se passa , estás com um aspecto horrível ? Baixinho , para que ninguém mais ouvisse , Harry contou lhes a súbita e sinistra intenção de o Snape de arbitrar o jogo de Quidditch . - Não jogues - disse Hermione , de imediato . - Diz que estás doente -- , lembrou o Ron . - Finge que partiste uma perna - sugeriu Hermione . - Parte mesmo uma perna - aconselhou o Ron . - Não posso - disse o Harry . - Não há nenhum * seeker * suplente . Se eu lhes faltar os Gryffindor não poderão jogar . Em esse momento o Neville entrou de roldão em a sala comum . Todos se perguntaram como é_que ele conseguira subir por o buraco de o retrato , uma_vez_que trazia as pernas presas uma a a outra com aquilo que identificaram de imediato como sendo « o feitiço de as pernas amarradas . Devia ter tido de saltar como um coelho durante todo o caminho até chegar a a torre de os Gryffindor . Todos se partiram a rir com excepção de Hermione que , sem perder tempo , pôs em prática a contra magia . As pernas de o Neville afastaram se e ele pôs se de pé a tremer . - O que é_que aconteceu ? - perguntou lhe Hermione , ajudando o a sentar se junto de Harry e Ron . - O Malfoy - disse o Neville a tremer . - Encontrei o fora de a biblioteca . Disse que andava a a procura de alguém em quem praticar . - Vai já ter com a professora Mc_Gonagall e comunica lhe isso - disse Hermione peremptoriamente . Neville fez que não com a cabeça . - Não quero mais problemas - sussurrou . - Tens de o enfrentar , Neville ! - aconselhou o Ron . - Ele está habituado a passar por_cima_de toda_a_gente , mas não é por isso que vamos deitar nos em o chão e facilitar lhe a vida . - Não precisas de me dizer que eu não sou suficientemente corajoso para estar em os Gryffindor . O Malfoy já m o disse -- , balbuciou o Neville . Harry meteu a mão em o bolso de a capa , retirou de lá um sapo de chocolate , o último de a caixa que a Hermione lhe oferecera em o Natal , e deu o a o Neville que parecia ir começar a chorar . - Tu vales mais do_que doze Malfoys - disse o Harry . - O chapéu seleccionador escolheu te para os Gryffindor , ou não ? E onde é_que está o Malfoy ? Em os nojentos Slytherin . Os lábios de o Neville esboçaram um ténue sorriso enquanto desembrulhava o sapo . - Obrigado , Harry ... acho que me vou deitar . Queres este cromo ? Tu fazes colecção , não fazes ? Enquanto o Neville se afastava , Harry olhou para o cromo de o feiticeiro famoso . - O Dumbledore de_novo - disse . - Foi o primeiro que eu ... Estremeceu , os olhos fixos em a parte de trás de o cromo . Em seguida olhou para Ron e Hermione : - Encontrei o ! - murmurou . - Encontrei o Flamel ! Eu disse vos que tinha lido sobre ele em o comboio quando vinha para cá - ouçam isto : O professor Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado o mago negro Grindelwald em 1945 , por a descoberta de doze utilizações para o sangue de dragão e * por o seu trabalho alquímico , juntamente com o seu colega Nicolas_Flamel * ! Hermione deu dois saltos de contente . Não se mostrava tão entusiasmada desde o dia em que recebera a nota de o seu primeiro trabalho de casa . - Fiquem aí - disse ela e correu por as escadas acima até a a camarata de as raparigas . Harry e Ron mal tiveram tempo de trocar um olhar de espanto e já ela estava de volta com um enorme livro em as mãos . - Nunca me lembrei de procurar aqui ! - murmurou excitada - Trouxe o de a biblioteca há umas semanas porque me pareceu uma coisa leve para ir lendo a os bocadinhos . - Leve ? - disse o Ron . Mas Hermione mandou o ficar quieto e começou a procurar nervosamente em todas_as páginas , resmungando sozinha . Por fim encontrou aquilo de que estava a a procura . - Eu sabia . Eu sabia ! - Já podemos falar ? - perguntou o Ron , mas ela nem lhe deu resposta . - Nicolas_Flamel - leu dramaticamente - é o único autor conhecido de a pedra filosofal ! A frase não teve o impacte que ela esperava . - A pedra quê ? - perguntaram o , dois ao_mesmo_tempo . - Oh , francamente , vocês não lêem nada . Vejam aqui . Pôs lhes o livro em a frente e Harry_Ron leram : * _ O antigo estudo de a alquimia relaciona se com a construção de a pedra filosofal , uma substância lendária com poderes fabulosos . A pedra transforma qualquer metal em ouro puro . Produz também o elixir de a vida que tornará imortal aquele que o beber . Tem havido muitas referências a a pedra filosofal a o longo de os séculos , mas a única que de facto existe pertence a o senhor Nicolas_Flamel que festejou o ano passado o seu 665.o aniversário e que leva uma vida tranquila em Devon , com a sua mulher Perenelle , de 658 anos * . - Estão a ver ? - disse Hermione quando Harry e Ron terminaram . - O cão deve estar a guardar a pedra filosofal de o Flamel . Aposto que ele pediu a o Dumbledore que tomasse conta de ela não_só porque são amigos , mas também porque devia calcular que alguém andava a tentar roubá a . Por isso quis a pedra fora de Gringotts ! - Uma pedra que faz ouro e nos impede de morrer - disse o Harry . - Não admira que o Snape ande atrás de ela ! Qualquer um andaria . - E não admira que não conseguíssemos encontrar Flamel em o Estudo de os novos desenvolvimentos de a feitiçaria disse o Ron . - Ele não é propriamente novo com se centos e sessenta_e_cinco anos de idade ! Em a manhã seguinte , em a aula de defesa contra as artes de as trevas , enquanto tiravam apontamentos sobre as diferentes maneiras de tratar as dentadas de os lobisomens , Harry e Ron discutiam ainda o que cada_um de eles feria se tivessem uma pedra filosofal . Só quando Ron disse que comprava uma equipa de Quidditch só para ele é_que Harry voltou a lembrar se de o Snape e de o jogo que o esperava . - Eu vou jogar - disse ele a o Ron e a a Hermione . - Se não o fizer , todos os Slytherin vão ficar a pensar que tenho medo de enfrentar o Snape . Vou mostrar lhes . Acabam se lhes logo os sorrisinhos todos se ganharmos o jogo . - Desde_que não tenhamos que te trazer de rastos estádio - disse Hermione . _ à_medida_que o jogo se aproximava , Harry ia ficando cada_vez_mais nervoso apesar_de não dizer nada a o Ron nem a a Hermione . O resto de a equipa também não estava propriamente calma . A ideia de vencer os Slytherin em o campeonato de clubes era maravilhosa , havia sete anos que ninguém conseguia fazê o , mas será que iam ter essa oportunidade com um árbitro tão parcial ? Harry não sabia se era imaginação sua ou não mas parecia estar sempre a dar de caras com o Snape , para_onde quer que se dirigisse . Chegou a pensar se ele não andaria a segui o , em a tentativa de o encontrar a sós . As aulas de poções estavam a transformar se em a tortura semanal . O Snape era tão horroroso com , o Harry ... Será que ele descobrira que eles sabiam de a pedra filosofal ? Harry não via como tal seria possível , contudo , tinha por vezes a pavorosa sensação de que ele conseguia ler lhes os pensamento . Harry sabia que quando , em a tarde seguinte , Ron e Hermione lhe desejaram boa sorte , antes de ele entrar para os vestiários , nenhum de eles tinha a certeza absoluta de voltar a vê o vivo . E esse pensamento não era propriamente reconfortante . Harry quase não ouviu uma palavra de o discurso de incentivo de o Wood , enquanto vestia o traje de Quidditch e pegava em a sua Nimbus dois_mil . Enquanto isso , Ron e Hermione tinham arranjado lugar em as bancadas , a o lado de o Neville que não compreendia porque motivo eles estavam tão pálidos e preocupados nem porque se tinham lembrado de levar para o jogo as suas varinhas . De o mesmo modo , Harry ignorava por completo que Ron e Hermione tinham andado a praticar , às_escondidas , « o feitiço de as pernas amarradas » , ideia que lhes fora dada por o modo como o Malfoy o usara com Neville e estavam agora prontos a pô o em prática contra Snape , a a primeira tentativa de este fazer mal a o Harry . - Não te esqueças , é * _ Locomotor_Mortis * - murmurou Hermione enquanto o Ron escondia a varinha dentro de a manga . - Eu sei -- , rabujou ele , - não chateies . De_novo em o vestiário , Wood chamara Harry a a parte . - Não quero pressionar te , Potter , mas se houve um dia em que agarrar a snitch fosse fundamental , esse dia é hoje . Vê se consegues acabar o jogo antes que o Snape favoreça demasiado os Hufflepuff . - Está lá fora a escola em peso ! -- disse Fred_Weasley , espreitando por a porta . - Até , c'o escafandro , até o Dumbledore veio assistir ! O coração de Harry deu um salto . - Dumbledore ? - repetiu , dirigindo se a a porta para ter a certeza . Era verdade , aquela barba prateada não enganava ninguém . Harry teve vontade de rir bem alto tal foi o seu alívio . Estava salvo . O Snape não teria coragem de tentar fazer lhe mal em a presença de o Dumbledore . Talvez fosse por isso que tinha um ar tão mal-disposto enquanto as equipas entravam em campo . Facto que o Ron também notou . - Nunca vi o Snape com um ar tão mesquinho - comentou ele com Hermione . - Olha , começaram , outch ! Alguém acabava de atingir Ron em a nuca . Fora Malfoy . - Desculpa_Weasley , não te vi . Malfoy esboçou um largo sorriso irónico envolvendo o Crabbe e o Goyle . - Gostava de saber quanto tempo o Potter vai aguentar se , desta_vez , em cima de a vassoura . Alguém quer apostar ? Weasley ? Ron não lhe respondeu . O Snape tinha acabado de conceder a os Hufflepuff um penálti porque o George_Weasley lhes arremessara uma * bludger * . Hermione , que fazia figas em o colo , tinha os olhos fixos em o Harry que voava em círculos sobre o jogo como um falcão , em busca de a * snitch * . - Sabes como é_que , em a minha opinião , eles escolhem os jogadores para os Gryffindor ? - disse Malfoy bem alto alguns minutos mais tarde , enquanto Snape concedia a os Hufflepuff outro penálti sem motivo nenhum . - São as pessoas de quem eles têm pena . Olha_o_Potter que não tem pai nem mãe , os Weasley que não têm onde cair mortos . Tu deverias estar lá também , Longbottom , não tens miolos . Neville ficou vermelho como um pimentão mas voltou se em o lugar olhando Malfoy bem em os olhos . - Eu valho doze de ti - gaguejou . Malfoy , Crabbe e Goyle rebolaram se a rir mas o Ron , não querendo desviar os olhos de o jogo , disse : - Isso mesmo , Neville . - Longbottom , se os miolos fossem ouro tu eras mais pobre do_que o Weasley e olha que ele já é mais pobre que a pobreza . Os nervos de Ron estavam já em franja por_causa_de Harry . - Estou a avisar te , Malfoy . Voltas a abrir a boca e eu ... - Ron - disse subitamente Hermione . - Olha_o_Harry ! - O quê ? Onde ? Harry fizera uma descida espectacular que merecera gritos e ovações de todo o público . Hermione pôs se de pé com os dedos cruzados em frente de a boca enquanto Harry mergulhava direito a o chão como uma bala . - Estás com sorte , Weasley . O teu amigo deve ter avistado dez tostões em o chão ! - disse o Malfoy . Ron deu um salto e antes que Malfoy tivesse tido tempo de perceber o que se passava , já estava em cima de ele atirando o a o chão . Neville hesitou mas acabou por saltar por as costas de o assento para ir ajudar . - Vá lá , Harry ! - gritava Hermione , saltando em o lugar para ver melhor a velocidade com que Harry descia direito a Snape - não reparara sequer que o Malfoy e o Ron rebolavam por o chão nem dera por o tumulto e por os gritos vindos de o turbilhão de socos e murros entre o Neville , o Crabbe e o Goyle . Lá em cima , em o ar , Snape voltou a vassoura mesmo a_tempo_de ver algo escarlate passar por ele , falhando por centímetros - em o segundo seguinte Harry tinha terminado o mergulho . Com o braço em o ar , vitorioso , mostrava a * snitch * que tinha em a mão . As bancadas quase vieram abaixo . Era um recorde que nunca fora atingido , jamais a * snitch * tinha sido agarrada em tão pouco tempo . -- Ron ! Ron ! Onde estás ? O jogo acabou ! O Harry venceu ! Ganhámos ! Os Gryffindor estão em a frente ! - gritava Hermione , dançando e abraçando a Parvati_Patil que estava sentada em a fila de a frente . Harry saltou de a vassoura a centímetros de o chão . Mal podia acreditar . Tinha conseguido . O jogo terminara . Durara apenas cinco minutos . Quando os Gryffindor começaram a encher o campo , Harry viu Snape aterrar perto de ele , pálido e de lábios cerrados - Harry sentiu então uma mão em o ombro e olhou para o rosto sorridente de Dumbledore . - Muito bem - disse Dumbledore baixinho , para que só Harry pudesse ouvir . - _ é bom ver que não ficaste perturbado por aquele espelho e que tens trabalhado a sério . Excelente ! Snape cuspiu causticamente para o chão . Pouco depois , Harry saiu sozinho de o vestiário para guardar a Nimbas dois_mil em o barrado de as vassouras . Não se lembrava de alguma vez ter estado tão feliz . Fizera algo de que podia a_partir_de agora orgulhar se - ninguém voltaria a dizer lhe que só era famoso por o nome que tinha . O ar de o anoitecer nunca lhe parecera tão doce e agradável . Caminhou sobre a relva macia , revivendo aqueles momentos de uma hora antes : os Gryffindor a correrem para o levantar em ombros , o Ron e a Hermione lá longe , a os saltos , o Ron vibrando de alegria , apesar_de ter o nariz todo a sangrar . Chegou a o barracão , encostou se a a porta de madeira e olhou para_cima , para Hogwarts , com as suas janelas avermelhadas por o pôr de o Sol . Gryffindor a liderar . Ele conseguira , ia mostrar a o Snape ... E por falar em Snape ... Uma silhueta encarapuçada desceu sorrateiramente os degraus de a frente de o castelo . Não querendo obviamente ser visto , avançou tão rápido quanto lhe foi possível em direcção a a floresta proibida . A vitória foi se apagando de a mente de Harry enquanto o observava . Reconheceu o coxear de aquela silhueta . O Snape , a esgueirar se para a floresta proibida enquanto todos os outros estavam a jantar - o que é_que se passaria ? Harry saltou de_novo para a Nimbas dois_mil e arrancou . Deslizando silenciosamente por sobre o castelo viu Snape entrar em a floresta a correr . Seguiu o . As árvores eram tão espessas que ele não conseguia vislumbrá o . Voou em círculos cada_vez_mais baixos , tocando os ramos cimeiros de as árvores até que ouviu vozes . Planou em direcção a elas e em seguida aterrou sem fazer baralho em o alto de uma faia . Trepou com todo o cuidado a o longo de as pernadas , bem agarrado a a vassoura , tentando espreitar através de as folhas . Lá em baixo , em uma espécie de clareira cheia de sombras , estava Snape mas não se encontrava sozinho . Quirrell fazia lhe companhia . Harry não conseguia ver o olhar de ele mas gaguejava como nunca . Esticou se , tentando perceber as suas palavras . - Nnnão sssssei ppporque quis encccontrar-se ccomigo , logo aqqqui , Severus ... - Oh ! porque se trata de uma conversa em particular - disse Snape em a sua voz gelada . - A o fim e a o cabo , os estudantes não devem saber de a pedra filosofal . Harry inclinou se para a frente . O Quirrell gaguejava e Snape interrompeu o . - Já conseguiu descobrir o meio de passarmos por aquela besta de o cão de o Hagrid ? - Mmmas_Ssseverus , eu ... - Você não me quer ter como inimigo . Ou quer , Quirrell ? - disse o Snapç , dando um passa em direcção a ele . - Eu ... não sei o que vvvocê ... - Sabe muito bem o que eu quero dizer . Um mocho piou tão alto que Harry quase caiu de a árvore abaixo . Equilibrou se a_tempo_de ouvir o Snape dizer : - O seu bocadinho de * hocus pocus * . Estou a a espera . - M. . . as eu não sssei . - Muito bem - cortou Snape . - Vamos voltar a ter uma conversinha muito em_breve , quando você tiver tido tempo de repensar e decidir a quem quer ser leal . Lançou o manto sobre a cabeça e desapareceu de a clareira Estava a escurecer muito rapidamente mas Harry ainda conseguiu ver o Quirrell imóvel , como_que petrificado - Harry , onde é_que tens estado ? - perguntou Hermione em a sua voz aguda . - Ganhámos ! Ganhámos ! Ganhámos ! - gritava o Ron dando palmadas em as costas de o amigo . - Deixei o Malfoy com um olho negro e o Neville bateu se sozinho contra o Crabbe e o Goyle ! Ele ainda está magoado mas a Madame_Pomfrey diz que vai ficar bem - e falando em mostrar a os Slytherin . Estava toda_a_gente a a tua espera em a sala comum . Estamos a festejar , o Fred e o George fanaram uns bolos e umas coisas de as cozinhas . - Esqueçam isso agora - disse Harry , sem fôlego . - Vamos procurar uma sala vazia . Esperem só até ouvirem o que tenho para vos contar ... Harry assegurou se de que o Peeves não estava lá dentro antes de fechar a porta atrás_de si e , em seguida , contou lhes o que tinha visto e ouvido . - Portanto estávamos certos , é a pedra filosofa e o Snape está a tentar obrigar o Quirrell a ajudá o a roubá a . Perguntou lhe se ele sabia como passar por o Fluffy e disse qualquer coisa sobre o * hocus pocus * de o Quirrell - suponho que deve haver outras coisas a guardar a pedra além de o Fluffy , encantamentos provavelmente e o Quirrell deve ter feito um feitiço qualquer contra as artes de as trevas de que o Snape precisa para conseguir passar . - Queres com isso dizer que a pedra só está a salvo enquanto o Quirrell fizer frente a o Snape ? - perguntou alarmada , Hermione . - Ela vai sair de ali em a próxima terça-feira -- , lembrou o Ron . XIV_Norbert , o dragão norueguês Mas_o_Quirrell deve ter sido mais corajoso do_que eles haviam suposto . Em as semanas que se seguiram , parecia estar cada_vez_mais magro e mais pálido mas não dava a impressão de ter cedido . De cada_vez que passavam por o corredor de o terceiro andar , Harry , Ron e Hermione encostavam os ouvidos a a porta para se certificarem de que o Fluffy ainda estava a rosnar lá dentro . O Snape continuava a demonstrar o seu habitual mau humor , o que , sem dúvida , significava que a pedra ainda estava a salvo . Durante esses dias , sempre_que o Harry passava por o professor Quirrell , sorria lhe como_que a transmitir lhe coragem e o Ron começara a dizer a todos que parassem de se rir sempre_que ele gaguejava . Hermione , contudo , tinha algo mais a preocupá a além de a pedra filosofal . Começara a fazer revisões e a sublinhar a várias cores os apontamentos . O Harry e o Ron não se teriam importado , se ela não insistisse com eles para que fizessem o mesmo . - Hermione , falta uma eternidade para os exames ! - Dez semanas - respondeu ela . - Não é uma eternidade , é um segundo para Nicolas_Flamel . - Mas nós não temos seiscentos anos de idade -- , lembrou o Ron . - Além de isso , o que é_que tu precisas de rever se já sabes tudo ? - O que eu preciso de rever ? Vocês são doidos ? Têm consciência de que precisamos de passar em estes exames para entrarmos em o segundo ano ? São muito importantes . Eu devia ter começado a estudar há um mês , nem sei o que me deu para não o fazer ... Infelizmente os professores pareciam pensar exactamente como ela . Passaram lhes tantos trabalhos de casa que as férias de a Páscoa não se compararam nem de perto nem de longe com as de o Natal . Era difícil descontrair com a Hermione a o lado a repetir alto as doze utilizações de o sangue de dragão ou praticando movimentos com a varinha , a resmungar ou a gritar . Harry e Ron passaram a maior parte de o tempo com ela em a biblioteca , tentando acabar todos os trabalhos . - Nunca mais me quero lembrar de isto - desabafou o Ron , uma tarde , atirando com a pena por os ares e olhando ansiosamente por a janela de a biblioteca . Era o primeiro dia bonito que havia em meses . O céu estava de um azul muito clarinho e sentia se em o ar a chegada de o Verão . Harry , que estava a a procura de « díctamo « em * _ Uma centena de ervas e fungos mágicos * , só olhou quando ouviu o Ron gritar : - Hagrid , o que estás a fazer em a biblioteca ? Hagrid apareceu , arrastando os pés e parecendo esconder qualquer coisa atrás de as costas . Estava bastante deslocado em aquele lagar , dentro de o seu enorme sobretudo de pele de toupeira . - ` _ tava só a a procura d'uma coisa -- , justificou se em um tom de voz manhoso que lhes chamou a atenção . - E vocês , o qu'é que ' tão aqui a fazer ? - Parecia desconfiado . - Não é a a procura de o Nicolas_Flamel , pois não ? - Que ideia ! Há imenso tempo que descobrimos quem ele é -- , disse o Ron , tentando impressioná o . - E sabemos que o cão está a guardar a pedra filosofal . -- Shhh ! - O Hagrid olhou em volta rapidamente , certificando se de que ninguém os ouvira . - Não te ponhas para aí a dizer isso em voz alta . O que é_que te deu ? - Há algumas perguntas que . queríamos efectivamente fazer te - disse o Harry . - Sobre o que está a guardar a pedra além de o Fluffy . - Shhhhh ! - voltou a fazer o Hagrid . - Venham mais tarde a a minha cabana . Não prometo dizer vos nada mas não andem prà'qui a espiolhar . Não é suposto os estudantes saberem de isto . - Até logo - disse Harry . Hagrid desapareceu . - O que é_que ele estaria a esconder atrás de as costas ? - perguntou Hermione , pensativa . - Achas que tinha alguma coisa que ver com a pedra ? - Vou verificar em que secção é_que ele esteve -- , disse o Ron que já tinha trabalhado bastante . Voltou minuto depois com um monte de livros em os braços e depositou os sobre a mesa . - Dragões -- , murmurou . - O Hagrid estava a a de alguma coisa sobre dragões . Olhem só os títulos : * _ espécies de dragões de o Reino_Unido e Irlanda , Do_Ovo a o Inferno , um guia para os guardas de dragões * . - O Hagrid sempre sonhou ter um dragão . Disse me o ele em o primeiro dia em que nos conhecemos - confessou Harry . - Mas é contra todas_as nossas leis -- , lembrou o Ron . - A criação de dragões foi proibida por a Convenção_de_Warlock em 1709 , todos sabem de isso . Seria totalmente impossível passarmos despercebidos a os Muggles se tivéssemos dragões em o jardim . Além de isso não é possível domesticar dragões , é perigoso . Devias ver as queimaduras que o _ charlie fez a lidar com alguns dragões selvagens em a Roménia . - Mas não há dragões selvagens em o Reino_Unido não ? - perguntou Harry . - Claro que há -- , afirmou o Ron , - os vulgares verdes galeses e os pretos de as Ilhas_Hébridas . O Ministério_da_Magia tem um trabalhão a abafar a existência de eles , podes crer . Temos de arranjar feitiços para conseguir que os Muggles que lhes puseram a vista em cima se esqueçam por completo . - Então o que estará o Hagrid a fazer ? - perguntou Hermione . Quando bateram a a porta de a cabana de o guarda de os campos , uma hora mais tarde , ficaram espantados a o verificar que todas_as cortinas estavam fechadas . Hagrid gritou : - Quem é ? - antes de os mandar entrar e , em seguida , fechou devagarinho a porta sem fazer ruído . Estava um calor sufocante lá dentro . Apesar_de estar um dia quente , em a lareira crepitava um fogo esplendoroso . Hagrid fez lhes chá e ofereceu lhes sandes de doninha que eles naturalmente recusaram . - ` _ Tão , queriam fazer me uma pergunta ? - Sim -- , disse o Harry . Não valia a pena estar com rodeios . - Queríamos saber se nos podias dizer o que é_que está a guardar a pedra filosofal além de o Fluffy . Hagrid olhou o de sobrancelhas cerradas . - ` _ tá claro que não posso - disse . - Primeiro , nem eu sei . Segundo , vocês já ' tão a saber de mais e por isso não vos dizia mesmo_que soubesse . Aquela pedra ' tá aqui por um bom motivo . Quase foi roubada de Gringotts ; calculo que saibam de isso ? Fico parvo com'é que descobriram quem era o Fluffy . - Vá lá , Hagrid , tu podes não querer dizer nos mas não tentes convencer nos de que não sabes . Tu estás a_par_de tudo_o_que se passa por aqui -- , disse Hermione com uma voz sedutora . - Nós só gostaríamos de saber em quem terá o Dumbledore confiado tanto para o ajudar em isto , além_de ti . O peito de Hagrid inchou com estas últimas palavras . Harry e Ron olharam espantados para Hermione . - Eu suponho que não fará mal dizer vos isto ... eu ... ele pediu me o Fluffy emprestado e depois alguns de os professores fizeram uns feitiços ... o professor Sprout , o professor Flitwick , a professora Mc_Gonagall -- , Hagrid contava os por os dedos , -- o professor Quirrell e o próprio Dumbledore , claro . Ah , esquecia me de um , o professor Snape . - Snape ? - Sim , ' inda não sabiam isto , vocês . ' _ tão a ver , o Snape ajudou a proteger a pedra . Não ia depois roubá a ... Harry tinha a certeza de que o Ron e a Hermione estavam a pensar o mesmo_que ele . Se o Snape tivesse feito parte de esse grupo , teria lhe sido fácil descobrir como os outros professores haviam guardado a pedra . Ele parecia saber tudo menos o feitiço de o Quirrell e como passar por o Fluffy . - Tu és o único que sabe como é possível passar por o Fluffy , não és ? - perguntou Harry cheio de curiosidade . - E nunca dirias a ninguém , pois não , a nenhum de os professores ? - A ninguém a não ser a o Dumbledore -- , disse o Hagrid cheio de orgulho . - Bem , isso já é qualquer coisa - murmurou Harry a os outros . - Hagrid , não se pode abrir uma janela , estou a sufocar ? - Não posso , Harry , desculpa . - Harry reparou em o modo como ele olhava para o fogo . Seguiu lhe o olhar . - O que é aquilo , Hagrid ? Mas ele já descobrira o que era . Bem em o meio de o lume , por debaixo de a chaleira , estava um enorme ovo negro . - Ah ! - disse o Hagrid , coçando nervosamente a barba . - Aquilo é ... er ... - Onde o arranjaste , Hagrid ? - perguntou Ron , inclinando se para o lume para o ver mais de perto . - Deve ter te custado uma fortuna . - Ganhei o - disse Hagrid . - A noite passada fui a a vila tomar umas bebidas e comecei a jogar a as cartas c'um desconhecido . Até acho , qu'ele ficou satisfeito por se ver livre de ele . - Mas o que é_que vais fazer com ele depois de o chocar ? - perguntou Hermione . - Bem , tenh'andado a ler - disse Hagrid , retirando um grande livro debaixo de a almofada . - Trouxe este de a biblioteca - * _ Criação de dragões para prazer e utilização * -- , ' tá um pouc'ultrapassado mas diz aqui tudo . Manter o ovo a o lume porque as mães respiram sobre eles , e quando o bebé dragão nascer alimente o com um balde de brande misturado com sangue de galinha , de meia em meia_hora . E aqui , ' tão a ver ? é como_se reconhecem os diferentes ovos . O qu'eu tenho é um dragão negro norueguês . São muito raros . Parecia extremamente feliz consigo próprio mas Hermione não . - Hagrid , tu vives em uma casa de madeira - disse ela . Mas Hagrid não estava a ouvi a . Sentia se alegre enquanto o reavivava o lume . Portanto , agora tinham outra preocupação : o que poderia acontecer a Hagrid se alguém descobrisse que ele estava a manter ilegalmente um dragão dentro de a cabana . - Pergunto me às_vezes como será ter uma vida calma - suspirava o Ron , à_medida_que , serão após serão , travavam uma dura batalha para conseguir fazer todo o trabalho de casa que lhes era passado por os professores . Hermione tinha já começado a fazer horários de revisões para eles os dois , o que os levava quase a a loucura . Até que uma manhã , durante o pequeno-almoço , a Hedwig trouxe a o Harry mais um bilhete de Hagrid . Ele escrevera apenas duas palavras : Está a nascer . O Ron queria faltar a a aula de herbologia e ir direito a a cabana mas Hermione nem considerou a hipótese . - Hermione , quantas vezes em a vida vamos poder , assistir a o nascimento de um dragão ? - Temos aulas e isso vai criar nos problemas . Não fazes sequer ideia do_que poderá acontecer a o Hagrid quando alguém descobrir o que ele anda a fazer . - Cala te -- , murmurou o Harry . O Malfoy estava a poucos centímetros de distância e tinha parado , morto por ouvir a conversa . Teria conseguido captar alguma coisa ? Harry não gostou nem pouco de a expressão que viu em a cara de ele . Ron e Hermione discutiram durante quase todo o caminho até a a aula de herbologia e em o fim ela acabou por concordar em darem a tal corrida até a a cabana de o Ha durante o intervalo grande , a meio de a manhã . Quando tocou a campainha em o final de a aula , os três largaram as pequenas pás côncavas com que estavam a trabalhar e partiram apressados por o meio de os campos até a a beira de a flore Hagrid cumprimentou os excitado e entusiasmadíssimo . - Está quase ! - e fê los entrar , sem perda de tempo . O ovo estava sobre a mesa e tinha grandes rachas . Algo lá dentro movia se . Ouvia se nitidamente um barulhinho que vinha de o interior . Todos eles puxaram as cadeiras para junto de a mesa ficaram a ouvir lhe a batida de o coração . De um momento para o outro houve uma espécie de arranhão e o ovo abriu se . O bebé dragão tombou pesadamente sobre a mesa . Não era propriamente bonito . Segundo Harry ele parecia um guarda-chuva preto , todo amarrotado , com umas asas enormes em comparação com corpo escanzelado , em forma de jacto , com um nariz grande de narinas abertas , as raízes de os corninhos a a vi e uns olhos protuberantes cor de laranja . Espirrou . Uma série de faíscas saltaram lhe de o nariz . - Não é lindo ? - murmurou o Hagrid . Estendeu uma mão para fazer uma carícia em a cabeça de o pequeno dragão , mas ele tentou abocanhá a mostrando lhe os dentes afiados . - Olha , ele conhece a mamã de ele - disse o Hagrid . - Hagrid -- , perguntou Hermione . - Quanto tempo leva exactamente um dragão norueguês a crescer ? Hagrid ia responder quando a cor lhe desapareceu de o rosto - deu um salto até a a janela . - O que é_que se passa ? - Estava alguém a espreitar p'la fresta de as cortinas , um garoto que vai a correr em direcção a a escola . Harry aproximou se de a porta e espreitou . Mesmo a a distância não lhe restava a menor dúvida . Malfoy vira o dragão . Em o decorrer de a semana seguinte , algo em o sorriso cínico de Malfoy deixou o Harry , o Ron e a Hermione bastante nervosos . Passaram praticamente todo o seu tempo livre em a cabana de o Hagrid , tentando chamá o a a razão . - Deixa o ir -- , sugeriu o Harry , - liberta o . - Não posso -- , disse Hagrid , - ele morreria logo . Olharam para o dragão . Crescera para o triplo de o tamanho em apenas uma semana . Saía lhe fumo por as narinas . Hagrid deixara de fazer as suas obrigações como guarda de os campos porque o dragãozinho mantinha o ocupado de manhã a a noite . O chão estava repleto de garrafas vazias de brande e penas de galinha . - Decidi chamar lhe Norbert - disse Hagrid , olhando para o dragão com os olhos turvos por as lágrimas . - Ele agora já me conhece mesmo , reparem só . * _ Norbert ! Norbert ! Onde está a mamã * ? - Ele passou se - murmurou o Ron a o ouvido de o Harry . Hagrid -- , gritou Harry , - dentro_de quinze_dias o Norbert vai ter o tamanho de a tua casa . O Malfoy pode ir denunciar te a o Dumbledore a qualquer mometo . Hagrid mordeu o lábio . -- Eu sei que não posso ficar com ele p'ra sempre . _ mas não posso abandoná o , não posso . Harry voltou se subitamente para Ron . - Charlie - disse ele . - Mau , também te estás a passar ? Eu sou o Ron . - Não é isso . O teu irmão _ charlie que está em a Roménia a estudar dragões . Podíamos mandar lhe o Norbert . O Charlie podia tomar conta dele-nos primeiros tempos e depois devolvê-lo a a liberdade ! - Brilhante -- , disse o Ron : - E o Hagrid ? Mas em o fim o Hagrid concordou e disse que podiam mandar uma coruja a o Charlie a perguntar se ele aceitava esse encargo . A semana seguinte passou a correr . Em a quarta-feira noite a Hermione e o Harry estavam sentados em a sala comum , depois de toda_a_gente ter ido para a cama . O relógio de parede tinha batido a meia-noite quando o buraco de o retrato se abriu . O Ron apareceu não se sabe de onde tirando o manto de invisibilidade de o Harry . Estivera em a cabana , ajudando a dar de comer a o Norbert que comia agora ratos mortos através_de uma grade . - Mordeu me -- , disse ele , mostrando lhes a mão embrulhada em um lenço ensanguentado . -- Não vou conseguir pegar em uma pena durante uma semana . Acho que aquele dragão é o animal mais horroroso que alguma vez encontrei , mas de a maneira como o Hagrid está , parece lhe tão fofinho como um coelho . Quando ele me mordeu , mandou me embora por o ter assustado e quando saí , estava a cantar lhe uma canção de embalar . Ouviu se um ruído em a janela escura . - É a Hedwig ! - disse , o Harry , apressando se a deixá a entrar . - Deve trazer notícias de o , Charlie ! Os três juntaram as cabeças e leram o bilhete : * _ Querido_Ron * _ Como estás ? Obrigado por a tua carta . Terei todo o gosto em tomar conta de o Dragão norueguês mas não vai ser fácil fazê o chegar , aqui . Julgo que o melhor a fazer será mandá o por uns amigos meus que vem visitar me em a próxima semana . O problema é_que não podem ser vistos a transportar um dragão ilegal . * _ Poderias levar o dragão até a a torre mais alta , em o sábado a a meia-noite ? Eles irão aí ter contigo e trazem o dragão enquanto está escuro . * _ Responde-me tão breve quanto possível . * _ Um abraço de o teu irmão . Charlie * Olharam uns para os outros . - Temos o manto de a invisibilidade - disse o Harry , Não deve ser muito difícil - julgo que ele é suficientemente grande para cobrir dois de nós e o Norbert . O facto de os outros dois terem concordado de imediato era bem a prova de como a semana tinha sido má . Valia tudo para se verem livres de o Norbert ... e de o Malfoy . Havia uma dificuldade . Em a manhã seguinte a mão de o Ron que fora mordida tinha inchado para o dobro de o tamanho e ele não sabia se seria prudente ir procurar Madame_Pomfrey - será que ela reconheceria a ferida como sendo uma dentada de dragão ? Mas , de tarde , não teve mesmo outra alternativa . A ferida tornara se esverdeada como_se os dentes de o Norbert fossem venenosos . Harry e Hermione correram até a a ala hospitalar e foram dar com o Ron de cama , em um estado lastimoso . - Não é só a mão -- , murmurou : - Embora me doa tanto como_se fosse ficar sem ela . O Malfoy disse a a Madame_Pomfrey que precisava de me pedir um livro emprestado só para poder vir aqui gozar com a minha cara . Fartou se de me ameaçar que ia contar a a Madame_Pomfrey quem me dera a dentada - eu disse lhe que tinha sido um cão mas não sei se ela acreditou . Eu não devia ter atacado o Malfoy em o jogo de Quidditch , agora ele está a vingar se . Harry e Hermione tentaram acalmá o . -- Vai estar tudo acabado em o sábado a a meia-noite - disse Hermione , mas não foi o suficiente para acalmar o Ron . Pelo_contrário . Sentou se e começou a lamentar se . - Sábado a a meia-noite - disse em uma voz sumida . - Oh ! não . Oh ! não , acabo de lembrar me , a carta de o Charlie estava dentro de o livro que o Malfoy levou . Ele vai descobrir tudo . Harry e Hermione não tiveram tempo de responder porque Madame_Pomfrey entrou em aquele preciso momento e mandou os sair , dizendo quê o Ron precisava absolutamente de descansar . - É demasiado tarde para alterar os planos -- , disse Harry_a_Hermione . - Não temos tempo de mandar outra coruja e esta pode ser a nossa única possibilidade de nos vermos livres de o Norbert . Há que correr o risco . E o Malfoy não sabe de a existência de o manto de a invisibilidade . Quando foram dizer a o Hagrid que lhes abrisse a janela para poderem falar com ele , deram com Fang , o cão de caça , sentado cá fora com uma grande ligadura em a cauda . - Não vos posso deixar entrar - respondeu quase sem fôlego . - O Norbert está c'uma atitude que não inspira confiança . Mas não é nada qu'eu não consiga controlar . Quando lhe contaram de a carta de o Charlie , os olhos encheram se lhe de lágrimas , embora o motivo pudesse ser também a dentada que o Norbert acabara de lhe dar em uma de as pernas . - Aaargh ! está bem , ele só me agarrou a bota a brincar , afinal ainda é um bebé . O « bebé » batia com a cauda em a parede , fazendo estremecer a janela . Harry e Hermione regressaram a o castelo com a sensação de que o sábado nunca mais chegava . Teriam sentido pena de o Hagrid quando chegou o momento de este se despedir de o Norbert , se não estivessem tão preocupados com o que tinham de fazer . Era uma noite escura e cheia de nuvens e estavam a chegar com um ligeiro atraso a a cabana de o Hagrid , porque tinham sido obrigados a esperar que o Peeves saísse de o caminho , em o vestíbulo de entrada onde ele jogava ténis contra a parede . Hagrid tinha metido o Norbert em uma enorme caixa de grades . - Ele tem um monte de ratos e algum brande prà viagem - disse o Hagrid . - E meti aí um ursinho de pelúcia p'ra ele não se sentir sozinho . De dentro de a caixa de grades vinham ruídos de rasgões que deram a o Harry a certeza que o urso tinha acabado de ficar sem cabeça . - Adeus , Norbert ! - balbuciou Hagrid , enquanto Harry e Hermione tapavam a caixa com o manto de a invisibilidade e se cobriam também a si próprios . - A mamã nunca se vai esquecer de ti ! Nem eles próprios perceberam muito bem_como foi que conseguiram chegar com a jaula lá acima a o castelo . A meia-noite aproximava se enquanto levantavam com esforço o Norbert por as escadarias de mármore , a o longo de o vestíbulo e de os corredores escuros . Mais outra escada . E outra . Nem mesmo um de os atalhos que o Harry conhecia conseguiu facilitar lhes a tarefa . - Estamos quase a chegar ! - disse Harry em um desejo ansioso quando atingiram o corredor que ficava debaixo de a torre mais alta . Mas , subitamente , um movimento em frente de eles fez com que quase deixassem cair a jaula . Esquecendo se de que estavam invisíveis , esconderam se em as sombras , olhando para as silhuetas escuras de duas pessoas em uma luta corpo a corpo , a cerca de três metros de distância de o local onde se encontravam . Uma luz brilhava em o escuro . A professora Mc_Gonagall , em um roupão a os quadrados e com uma rede de dormir em o cabelo , agarrava Malfoy por uma orelha . - Punição - gritava ela . - E vinte pontos a menos para os Slytherin ! Andar por aqui a meio de a noite , como_se atreve ? - Não está a compreender professora Mc_Gonagall , p Harry_Potter vem ai e tem com ele um dragão ! - Onde é_que se ouviu maior disparate ! Não tem vergonha de inventar uma mentira de essas ? Vamos embora . Hei-de falar de si a o professor Snape , Malfoy ! A escada de caracol que conduzia a o cimo de a torre pareceu lhes extremamente fácil de subir depois de tudo o resto . Só quando chegaram a o ar frio de a noite retiraram o manto de a invisibilidade , aliviados por poderem respirar de_novo a a vontade . Hermione fez uma espécie de dança . - O Malfoy teve uma punição ! Apetece me cantar . - Não cantes -- , preveniu o Harry . Rindo se de o Malfoy , esperaram . O Norbert fazia ruídos em a sua caixa de grades . Cerca de dez minutos mais tarde , quatro vassouras desceram em a escuridão de a noite . Os amigos de o Charlie eram um grupo bem-disposto . Mostraram a o Harry e a Hermione o arnês que tinham preparado para poderem levar o Norbert suspenso entre eles . Todos ajudaram a afivelar bem a jaula de o Norbert e , em seguida , Harry e Hermione apertaram a mão a os outros e agradeceram lhes por tudo . Finalmente o Norbert ia ... ia ... tinha se ido embora . Esgueiraram se por a escada de caracol com os corações tão leves como as mãos , agora_que não traziam o Norbert com eles . O dragão fora se embora , o Malfoy tivera uma punição . Haveria alguma coisa que pudesse estragar lhes aquele momento de felicidade ? A resposta esperava os a o fundo de as escadas . Mal entraram em o corredor o rosto de Filch saiu de o escuro . - Ora , ora , parece que vocês foram apanhados ! Tinham deixado o manto de a invisibilidade em o alto de a torre . XV_A floresta proibida As coisas não podiam ter corrido pior . Filch levou os a o gabinete de a professora Mc_Gonagall onde ambos se sentaram sem trocar uma palavra entre si . Hermione tremia . Desculpas , álibis e histórias para mascarar a verdade sucederam se em o cérebro de Harry , cada uma mais frágil do_que a anterior . Não conseguia imaginar como iriam sair de aquela embrulhada . Estavam encurralados . Como fora possível serem tão estúpidos e esquecerem se de o manto de a invisibilidade ? Não havia qualquer razão plausível a os olhos de a professora Mc_Gonagall para eles estarem fora de as camas , vagueando por a escola a meio de a noite , além_de que se encontravam em a torre mais alta de Hogwarts cujo acesso apenas era permitido durante as aulas . Se descobrissem de o Norbert e de o manto de a invisibilidade estariam muito em_breve a fazer as malas . O Harry pensava que as coisas não poderiam ter corrido pior ? Estava redondamente enganado . Quando a professora Mc_Gonagall apareceu , vinha a seguir o Neville . - Harry - gritou o Neville , logo_que viu os outros dois . - Estava a tentar encontrar vos para vos avisar de que ouvi o Malfoy dizer que ia apanhar vos . Ele disse que vocês tinham um drag ... Harry fez um brusco sinal com a cabeça para que ele se calasse mas a professora Mc_Gonagall tinha ouvido . Mais do_que o Norbert , parecia que ia lançar fogo por a boca quando se aproximou de os três . - Era a última coisa que esperava de qualquer de vocês . O Senhor_Filch diz que estiveram em a torre de a astronomia É uma de a manhã . Estou a a espera de as vossas explicações . -- Era a primeira vez que Hermione não conseguia responder a uma pergunta feita por um professor . Olhava para os chinelos , quieta como uma estátua . - Julgo que sei o que se passa aqui - disse a professora Mc_Gonagall . - Não é preciso ser um génio para lá chegar . Vocês aldrabaram o Draco_Malfoy com uma história qualquer de um dragão , tentando fazê o sair de a cama e meter se em sarilhos . A ele já o apanhei . Calculo que achem imensa graça a o facto de o Longbottom também ter acreditado ! Harry viu em os olhos de o Neville uma onda de tristeza e de espanto . Tentou dizer lhe com o olhar que não era verdade . Pobre_Neville - Harry calculava o quanto devia ter sido difícil para ele tentar encontrá os para os avisar , sozinho em aqueles corredores escuros . - Estou desiludida convosco - disse a professora Mc_Gonagall . - Quatro alunos fora de a cama em uma única noite ! É a primeira vez que isto me acontece . Hermione_Granger , pensei que a menina tinha mais juízo . Quanto_a si , Potter , acreditei que Gryffindor tinha mais significado para si do_que isto . Vocês os três vão receber punições - sim , você também Longbottom , nada lhe dá o direito de andar a passear por a escola a a noite , principalmente em estes dias . É extremamente perigoso - e cinquenta pontos serão retirados a os Gryffindor . - Cinquenta ? - resmungou Harry , - assim perdemos a liderança que tínhamos conquistado em o campeonato de Quidditch ! - Cinquenta pontos cada - disse a professora Mc_Gonagall -- , respirando pesadamente por o nariz pontiagudo . - Professora , por , favor ... - Não pode ... - Não me digas o que eu posso ou não fazer , Potter . Agora , volta para a cama . Nunca os alunos de os Gryffindor me envergonharam tanto . Cento_e_cinquenta pontos perdidos . Aquilo colocava os Gryffindor em último lugar . Em uma única noite eles tinham destruído todas_as possibilidades de os Gryffindor ganharem a taça de clubes . Harry sentiu um peso de chumbo em o estômago . Como poderiam alguma vez redimir se ? Harry não dormiu durante toda_a noite . Ouviu o Neville , tentando abafar os soluços em a almofada durante o que lhe pareceu terem sido horas e horas . Não sabia o que fazer para o animar . Calculava que o Neville , tal_como ele próprio , receava o dia seguinte . O que poderia acontecer quando os outros Gryffindor descobrissem o que eles lhes tinham feito ? A princípio , quando passaram por as gigantescas ampulhetas que marcavam os pontos de a equipa , os Gryffindor pensaram que tinha havido um engano . Como é_que podiam de um momento para o outro ter cento_e_cinquenta pontos a menos do_que em o dia anterior ? Mas depois a história começou a espalhar se : Harry_Potter , o famoso Harry_Potter , o seu herói de os jogos de Quidditch , fizera os perder todos aqueles pontos , ele e um grupo de estúpidos de o primeiro ano . Harry passou de um de os colegas mais populares e admirados de a escola a o mais detestado . Até os Ravenclaw e os Hufflepuff lhe viravam a cara porque todos eles tinham acalentado a esperança de ver os Slytherin perder a taça . Para_onde quer que ele se voltasse havia gente a apontá o a dedo , que nem se dava a o trabalho de baixar a voz enquanto se referiam a ele em termos insultuosos . Os Slytherin , pelo_contrário , batiam palmas e agradeciam quando Harry passava por eles . - Obrigado , Potter , estamos em dívida para contigo ! Só_o_Ron ficou a o seu lado . - Todos vão esquecer isto dentro_de poucas semanas . O Fred e o George perderam imensos pontos a o longo de a sua estada aqui e toda_a_gente gosta de eles . - Mas nunca perderam cento_e_cinquenta de uma_vez só , pois não ? - disse o Harry infelicíssimo . - Bem , isso não -- , admitiu o Ron . Era um_pouco tarde para reparar o mal , mas Harry jurou a si próprio que a_partir_de então não voltaria a meter se em coisas que não lhe dissessem respeito . Não ia mais espreitar nem coscuvilhar . Sentiu se tão envergonhado que foi ter com o Wood para se demitir de o clube de Quidditch . - Demitir ? - gritou o Wood . - E para que serviria isso ? Como é_que iremos conseguir pontuar se não ganharmos em o Quidditch ? Mas até o Quidditch tinha perdido o interesse para ele . Os colegas não lhe dirigiam a palavra durante os treinos e , quando eram obrigados a referir se a ele , diziam o * seeker * . Hermione e Neville sofriam igualmente . Não tanto quanto o Harry porque não eram tão conhecidos como ele , mas também ninguém se lhes dirigia . Hermione deixara de ser participativa em as aulas , trabalhando em silêncio e de cabeça baixa . Harry estava quase feliz com a proximidade de os exames . Todas_as revisões que tinha de fazer serviam para lhe manter o espírito ocupado . Ele , o Ron e Hermione continuavam a fazer seroes de trabalho até tarde , em a tentativa de reter e decorar os nomes de os ingredientes de as complicadas poções , os encantamentos e os feitiços , memorizando as datas de as descobertas mágicas e de as revoltas de os duendes malévolos . Faltava uma semana para os exames quando a nova resolução de o Harry , de não interferir em nada que não lhe dissesse respeito , foi inesperadamente posta a a prova . _ a a saída de a biblioteca , uma tarde , ouviu alguém choramingar em uma sala de aulas lá em cima , um_pouco mais adiante . Quando se aproximou apercebeu se de que se tratava de a voz de o Quirrell . - Não , não , outra_vez , não , por favor ! Parecia que alguém estava a ameaçá o . Harry aproximou se . - Está bem , está bem - ouviu o Quirrell dizer entre soluços . Passado alguns momentos , Quirrell saiu apressadamente de a sala de aulas endireitando o turbante . Vinha pálido e parecia ir recomeçar a chorar . Desapareceu de o campo de visão de Harry que ficou com a impressão de que ele não o tinha visto . Esperou até que os passos de o professor deixassem de se ouvir e espreitou para dentro de a sala . Estava vazia mas uma porta ficara aberta em o outro extremo . Harry ia a meio caminho quando se lembrou de a promessa que fizera de não se envolver em mais_nada . Mesmo_assim apostaria duas pedras filosofais em como o Snape tinha acabado de sair de ali , e pelo que ele ouvira , devia caminhar a a velocidade de um vencedor . O Quirrell parecia ter finalmente cedido . Harry voltou a a biblioteca onde Hermione estava a perguntar astronomia a o Ron e contou lhes tudo_o_que tinha ouvido . - Então o Snape conseguiu ! - disse o Ron . - Se o Quirrell lhe disse como quebrar o feitiço contra as forças de o mal ... - Mas ainda há o Fluffy - lembrou Hermione . - Talvez o Snape tenha descoberto como passar por o cão sem perguntar a o Hagrid - sugeriu o Ron , olhando para os milhares de livros que os rodeavam . - Aposto que há um livro qualquer a dizer como passar por um cão gigantesco com três cabeças . E , o que é_que vamos fazer agora ? A luz de a aventura acendia se de_novo em os olhos de Ron , mas Hermione respondeu antes que Harry tivesse tempo de fazê o . - Vai falar com o Dumbledore . Era o que deveríamos ter feito há séculos . Se tentarmos agir por nossa conta e risco somos expulsos de certeza . - Mas não temos provas ! - disse o Harry . - O Quirrell é demasiado medroso para nos apoiar . Basta que o Snape afirme que não sabe como o gigante entrou aqui em o Hallowe'en e que nunca se aproximou de o terceiro andar - em quem pensas que vão acreditar ? Nele ou em nós ? Não é segredo para ninguém que o detestamos . O Dumbledore vai pensar que inventámos toda esta história para que o mandem embora . O Filch não nos ajudaria nem que de isso dependesse a sua própria vida . É demasiado amigo de o Snape e quanto_mais alunos forem postos fora mais satisfeito ele fica . E não te esqueças de que não é suposto sabermos de a existência de a pedra nem de o Fluffy . Isso exigiria muitas explicações . Hermione pareceu convencida mas o Ron não . - E se déssemos só uma espreitadela por aí ? - Não - disse Harry taxativamente . - Já espreitámos de mais . Abriu um mapa de Júpiter e começou a estudar os nomes de as luas . Em a manhã seguinte foram entregues a o Harry , a Hermione e a Neville bilhetes com o mesmo texto . * _ A sua punição terá lugar a as onze_horas_da_noite . * _ Procure o senhor Filch a a entrada de o vestíbulo . Professora_Mc_Gonagall * Harry esquecera se por completo , em o meio de a confusão de os pontos perdidos , de que tinham ainda a punição por a frente . Esperava , de certo modo , que a Hermione se queixasse de que era uma noite de revisões perdida mas ela não disse uma palavra . Tal_como Harry , sentia que era um castigo merecido . _ a as onze_horas_da_noite despediram se de o Ron , em a sala comum , e desceram até a o vestíbulo de a entrada com o Neville . O Filch já lá estava assim_como Malfoy . Harry esquecera se também de que o Malfoy fora igualmente castigado . - Sigam me - disse Filch , acendendo uma lanterna e conduzindo os para fora . - Aposto que vocês vão pensar duas vezes antes de voltar a quebrar uma regra de a escola , hein ? - disse o encarregado , olhando maldosamente para eles . - Sim , sim , o trabalho duro e o sofrimento são os melhores professores . Só é pena que eles tenham posto de parte os antigos castigos ... ficarem pendurados de o tecto por os pulsos durante alguns dias . Ainda tenho as correntes guardadas e bem oleadas para o caso de virem a ser necessárias um dia qualquer ... muito bem , lá vamos nós e não pensem em fugir porque será bastante pior se o fizerem . Andaram através de os campos escuros . O Neville não parava de fungar . Harry não percebia que castigo era aquele . Devia ser horrível , para o Filch se mostrar tão contente . A lua brilhava em o céu , mas as nuvens que lhe passavam por a frente lançavam nos constantemente em a escuridão . Mesmo em frente , Harry via as janelas iluminadas de a cabana de Hagrid . Foi em esse momento que ouviram , ao_longe , um grito . - És tu , Filch , despacha te , quero começar . O coração de Harry animou se . Se iam trabalhar com o , Hagrid não era assim tão mau . O seu alívio deve ter se espelhado em o rosto porque o Filch disse de imediato : - Deves estar a pensar que te vais divertir com aquele pateta ? Pensa melhor , rapaz , é para a floresta que vocês vão e , ou eu me engano muito , ou nenhum de vocês volta de lá inteiro . Perante isto , o Neville soltou um gemido e Malfoy ficou preso a o chão como uma estátua . - A floresta ? - repetiu . E não parecia o mesmo de o costume . - Não podemos lá ir a a noite - existem lá todos os tipos de perigos , lobisomens , segundo ouvi dizer . O Neville puxou a manga de a capa de o Harry e fez um ruído abafado . - A culpa foi toda vossa , ou não foi ? - disse o Filch com a voz transbordante de satisfação . - Deviam ter pensado em os lobisomens antes de fazer as asneiras . Hagrid saiu de o escuro e aproximou se de eles a passos largos com Fang , o cão de caça , atrás_de si . Trazia o seu enorme arco e uma aljava com setas pendurada a o ombro . - Já não era sem tempo - disse . - Tenh'estado a a espera há quase meia_hora . Vocês ` tão bem , Harry , Hermione ? - Eu em o teu lugar não seria tão simpático com eles -- , disse friamente Filch . - Afinal , estão aqui para serem castigados . - _ é por isso que ' tás tão atrasado , já percebi -- , disse Hagrid furioso com Filch . - Tens ' tado a pregar lhes sermões . Esse não é o teu trabalho . Podes ir . Eu tomo conta de eles a partir de aqui . - Volto a o amanhecer - respondeu Filch . - Buscar o que sobrar de eles - acrescentou sarcasticamente , antes de se voltar para o castelo e iniciar o caminho de regresso , com a candeia a balouçar em o escuro . Malfoy voltou se para Hagrid . - Eu não vou para aquela floresta - disse . E Harry detectou , com satisfação , uma nota de pânico em a sua voz . - Ah , isso é_que vens , se quiseres continuar em Hogwarts - disse Hagrid com grande segurança . - Andaste mal e agora tens de pagar . - Mas isto_é trabalho de criados , não é para os estudantes . Pensei que íamos escrever ou algo de o género . Se o meu pai soubesse o que eu estava a fazer , ele ... - Olha rapaz , em Hogwarts é assim - grunhiu Hagrid . - Escrever , escrever , p'ra que serve escrever , afinal ? Vais fazer uma coisa útil ou és expulso . S'achas qu'é isso qu'o teu pai quer , então volta prò castelo e faz as malas ! Malfoy não se moveu . Olhou para Hagrid com toda_a sua fúria mas acabou por desviar o olhar . - Pronto - disse Hagrid . - Então ouçam bem , porque o que vamos fazer esta noite é perigoso e eu não quero que ninguém corra riscos . Sigam me por um momento . Conduziu os a a orla de a floresta . Segurando a lanterna acima de a cabeça mostrou lhes um caminho estreito de terra batida que desaparecia em o meio de as árvores negras e espessas . Uma leve brisa roçou lhes os cabelos enquanto olhavam para a floresta . - Olhem ali -- , disse o Hagrid , - ' tão a ver aquela coisinha prateada a brilhar em o chão ? Aquil'é sangue d'unicórnio . Anda por aí um unicórnio que foi ferido por alguém . É a segunda vez esta semana . Em a quarta-feira passada encontrei um morto . Vamos tentar encontrar o desgraçadinho . Se_calhar temos d'o ajudar . - E se a pessoa ou a coisa que feriu o unicórnio em os encontrar primeiro ? - disse o Malfoy , incapaz de disfarçar o medo . - Nada de o qu'existe em a floresta vos fará mal se estiverem comigo ou c'o Fang - disse o Hagrid . - E mantenham se em o caminho de terra batida . Agora vamos dividir nos em dois grupos e seguir pistas em duas direcções . Há sangue por todo o lado , ele deve estar desconcertado desde , pelo_menos , a noite passada . -- Eu quero o Fang - disse o Malfoy rapidamente , olhando para os longos dentes aguçados de o cão de caça . - ` _ tá bem , mas aviso te qu'ele é cobarde - disse o Hagrid . - Então eu , a Hermione e o Harry vamos p'ra um lado e o Draco_Malfoy , o Neville e o Fang prò outro . Se algum encontrar o unicórnio envia faíscas verdes prò ar . Certo ? Peguem em as varinhas e ensaiem agora - isso mesmo - e se alguém estiver em perigo envia faíscas vermelhas e juntamo nos logo todos . Tenham cuidado . Vamos ! A floresta estava negra e silenciosa . Pouco adiante havia uma bifurcação . Harry , Hermione e Hagrid tomaram o caminho de a esquerda ; Malfoy , Neville e Fang , o de a direita . Caminharam em silêncio , com os olhos em o chão . Aqui_e_ali um raio de luar , passando através de os ramos de as árvores , deixava ver uma mancha de sangue prateado sobre as folhas caídas . Harry apercebeu se de a grande preocupação que dominava Hagrid . - Achas que um lobisomem poderia andar a matar unicórnios ? - perguntou o Harry . - Dificilmente - disse Hagrid . - Não é fácil agarrar um unicórnio . São criaturas mágicas muito poderosas . Nunca soube de nenhum que tivesse sido ferido até agora . Passaram por um tronco de árvore cortado e coberto de musgo . Harry ouviu nitidamente água corrente , devia haver ali por perto um riacho . Continuavam a ver se manchas de sangue de unicórnio a o longo de o caminho tortuoso . - Estás bem , Hermione ? - perguntou baixinho o Hagrid . - Não te preocupes , não deve ter ido muito longe , ferido como está e podemos : __ esconder nos atrás de aquela __ árvore ! Hagrid agarrou Harry e Hermione e fê los sair de o caminho , escondendo se todos atrás_de um carvalho muito alto . Puxou de uma seta e meteu a em o arco , pronto a disparar . Os três ouviam atentamente . Algo arrastava as folhas secas ali perto , parecia um manto , varrendo o chão . Hagrid olhava fixamente o caminho escuro mas passados alguns segundos o som desapareceu . - Eu sabia - murmurou . - Anda por aí alguém que não é de aqui . - Um lobisomem - sugeriu Harry . - Ná ! , não era nem lobisomem nem unicórnio -- , disse o Hagrid com ar sinistro . - Sigam me , mas com cuidado . Andaram mais devagar , de ouvidos atentos a o menor ruído . Sem dúvida alguma , havia algo que se movia . - Quem está aí ? - gritou Hagrid . - Aparece que eu ' tou armado . E em a clareira surgiu - seria um homem ou um cavalo ? De a cintura para_cima era um homem de cabelos e barba avermelhados que por detrás tinha um corpo de cavalo castanho , reluzente , com uma longa cauda também avermelhada , que fez Hermione e Harry ficarem de boca aberta . - Ah ! _ és tu , Ronan -- , disse o Hagrid aliviado . -- _ como estás ? Deu dois passos em frente e apertou a mão a o centauro . - Boa noite , Hagrid - disse Ronan , que tinha uma voz profunda e pesarosa . - Ias disparar contra mim ? - Todo o cuidado é pouco , Ronan -- , explicou Hagrid dando uma palmada em o arco . - Há alguém perigoso q'anda por aí demasiado a a vontade em a floresta . Este é o Harry_Potter e a Hermione_Granger , alunos de a escola . E este , jovens , é Ronan , o centauro . - Nós já tínhamos reparado - disse Hermione timidamente . - Boa-noite -- , disse Ronan . - Estudantes ? E têm aprendido muito em a escola ? -- Hum ... - Um bocadinho -- , disse Hermione . - Um bocadinho . Bem , já é melhor do_que nada - suspirou o Ronan . Inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu . - Marte está hoje muito brilhante . - Sim -- , disse Hagrid , olhando também . - Olha , ' inda bem que t'enconcrámos , Ronan , porque foi ferido um unicórnio . Viste , por acaso , alguma coisa ? Ronan não respondeu logo . Olhou fixamente para_cima e suspirou de_novo . - Os inocentes são sempre as primeiras vítimas - disse . - Era assim há milénios e continua a sê o . - Sim - disse Hagrid , - mas viste alguma coisa Ronan , alguma coisa fora de o vulgar ? - Marte está brilhante esta noite , -- repetiu Ronan enquanto Hagrid o observava impacientemente , - invulgarmente brilhante . - Sim , mas eu ' tava a dizer qualquer coisa fora de o vulgar aqui mais perto - disse o Hagrid . - Portanto não notaste nada estranho ? Mais_uma_vez Ronan levou algum tempo a responder . Por fim disse : - A floresta esconde muitos segredos . Um movimento em as árvores atrás_de Ronan fez com que Hagrid voltasse a erguer o arco , mas era apenas um segundo centauro de cabelos negros e com um corpo e um olhar mais selvagem do_que o Ronan . - Olá , Bane - disse Hagrid . - Boa-noite , Hagrid . Estás bem ? - Vai-s'indo . Olha , eu ' tava a perguntar a o Ronan se vocês viram alguma coisa estranha por estas bandas ? Há um unicórnio que foi ferido . Sabes de alguma coisa ? Bane foi colocar se ao_lado_de Ronan e olhou para o céu . - Marte está muito brilhante - limitou se a dizer . -- Já reparámos - disse Hagrid de mau humor . Bem , se algum de vocês vir alguma coisa agradeço que me digam . Nós vamos andando . Harry e Hermione seguiram o para fora de a clareira , espreitando por cima de o ombro para Ronan e Bane até que as árvores lhes taparam totalmente a visão . - Nunca -- , disse Hagrid irritado , - nunca consigo uma resposta directa d'um centauro . Malditos astrónomos , contempladores de os astros . Não se interessam por nada que esteja mais próximo do_que a lua . - Há muitos centauros por aqui ? - perguntou Hermione . - Sim , uma quantidade razoável . São muito fechados d'uma maneira geral , mas costumam responder quando falo com eles . São profundos , sabem coisas mas não nos dão lá grande ajuda . - Achas que aquilo que ouvimos antes era o centauro ? - perguntou Harry . - Pareceu te o som de cascos de cavalo ? Nah ! Se queres saber o qu'eu acho , aquilo era o qu'anda a matar os unicórnios - nunc'ouvi nada parecido antes . Continuaram a andar através de as árvores escuras e densas . Harry olhava nervosamente por cima de o ombro . Tinha a desagradável sensação de estarem a ser observados . Felizmente tinham o Hagrid e o seu arco . Acabavam de passar uma curva de o caminho quando Hermione agarrou o braço de o Hagrid . - Hagrid , olha , faíscas vermelhas , os outros estão em perigo ! - Esperem aqui vocês os dois ! - gritou o Hagrid . - Fiquem em o caminho de terra batida , eu volto já a buscar vos ! Ouviram o abrir caminho ruidosamente através de o matagal enquanto eles ficavam a olhar um para o outro , apavorados , até não conseguir ouvir se nada a não ser o sussurro de as folhas a o seu redor . - Não estás a pensar que eles estão feridos , pois não ? - murmurou Hermione . - Eu não me ralo nada com o Malfoy , mas se acontecer alguma coisa a o Neville , isso sim é grave Ainda por cinta é por nossa culpa que ele está aqui ... Os minutos arrastaram se . Os ouvidos de ambos pareciam mais aguçados do_que habitualmente . Harry captava todos os pequenos sinais de o vento , todos os estalidos de os galhos de as árvores . O que se passaria ? Onde estariam os outros ? Por fim um barulho de folhas pisadas anunciou o regresso de Hagrid . Malfoy , Neville e Fang vinham com ele . Hagrid tinha uma expressão colérica . A o que parecia , o Malfoy escondera se atrás de o Neville e agarrara o em a brincadeira . O Neville , em pânico , começara a enviar faíscas . - Só com muita sorte apanharemos agora alguma coisa depois de a balbúrdia que vocês fizeram . Vamos mudar os grupos - Neville , tu ficas comigo e c'a Hermione_Harry , tu vais c'o Fang e com este idiota . Desculpa -- , acrescentou a o ouvido de o Harry , - mas ele vai ter mais trabalho para te assustar e temos de andar com isto prà frente . E , assim , o Harry aventurou se até a o coração de a floresta com Malfoy e Fang . Andaram durante cerca de meia_hora , cada_vez_mais embrenhados em o mato até que o caminho de terra se tornou quase impossível de seguir devido a as árvores densas e cerradas . Pareceu a Harry que o sangue estava a tornar se cada_vez_mais pastoso . Havia manchas em as raízes de uma árvore como_se a pobre criatura tivesse andado por ali cheia de dores . Harry avistou uma clareira lá adiante , através de os ramos emaranhados de um carvalho muito antigo . - Olha - murmurou , agarrando o braço de o Malfoy . Uma coisa branca e brilhante reluzia em o chão . Aproximaram se . Era o unicórnio . Estava morto . Harry nunca vira nada tão belo e tão triste . As suas longas pernas esguias formavam estranhos ângulos em o lugar onde tinha tombado e a crina , espalhada por o vento , tingia de branco-pérola as folhas escuras de as árvores . Harry dera um passo em a direcção de o animal quando um som arrastado o fez parar . Um arbusto em a orla de a clareira movia se ... logo_a_seguir , saiu de as sombras um ser encapotado que se arrastou por o chão como um animal predador . Harry , Malfoy e Fang ficaram transfigurados . A figura dissimulada chegou junto de o unicórnio , baixou a cabeça até a o chão e começou a beber o sangue de o animal . AAAAAAARCH ! ! ! Malfoy deu um grito de horror e desapareceu seguido de Fang . A figura encarapuçada levantou a cabeça e olhou directamente para Harry - o sangue de unicórnio escorria lhe por o rosto . Pôs se de pé e avançou rapidamente em direcção a ele - o medo impediu Harry de se mexer . Sentiu então uma dor em a cabeça , como nunca tinha sentido , como_se a sua cicatriz estivesse em fogo . Meio cego , recuou e ouviu o galope de cascos de cavalo atrás_de si , algo saltar por cima de ele lançando se sobre a estranha figura encarapuçada . A dor de cabeça de Harry foi tão forte que caiu de joelhos e levou alguns minutos a passar . Quando abriu de_novo os olhos , o estranho ser tinha desaparecido . _ a a sua frente estava um centauro que não era nem o Ronan nem o Bane . Este parecia mais jovem e tinha cabelos de um louro muito claro e um corpo de * _ Palomino * ( um cavalo dourado que apenas existe em o Sul_dos_Estados_Unidos ) . - Estás bem ? - perguntou o centauro , ajudando Harry a pôr se de pé . - Sim , obrigado , o que era * aquilo * ? O centauro não respondeu . Tinha uns olhos incrivelmente azuis que lembravam duas safiras . Olhou atentamente para o Harry , o olhar fixo em a cicatriz de a cor de o chumbo que se salientava em a testa de Harry . - Tu és o filho de o Potter - disse ele . - É melhor voltares para junto de o Hagrid . A floresta em este momento não é segura , principalmente para ti . Sabes montar ? Assim será mais fácil . - Eu chamo me Firenze - disse , enquanto baixava as patas de a frente para que o rapaz pudesse saltar lhe para as costas . Ouviu se subitamente o som de outro galope de o lado oposto de a clareira . Ronan e Bane apareceram em o meio de o arvoredo , as ilhargas trémulas e suadas . - Firenze - disse Bane em um tom reprovador , - o que estás a fazer com um humano a as costas ? Não tens vergonha ou achas que és uma simples mula ? - Sabes , por acaso , quem é este humano ? - perguntou Firenze . - Este é o filho de o Potter . Quanto_mais depressa ele abandonar a floresta melhor . - O que é_que disseste ? - bramiu o Bane . - Lembra te , Firenze , nós jurámos não nos revoltar contra os céus . Não leste , em o movimento de os astros , o que vai acontecer ? Ronan esgravatou o solo , nervosamente . - Tenho a certeza de que o Firenze fez o que achou melhor - disse em a sua voz melancólica . Bane agitou as patas traseiras , aborrecido . - O melhor ! O que tem isso que ver connosco ? Os centauros devem cingir se a o que foi predestinado . Não nos cabe a nós andar por aí como burros atrás de os humanos desgarrados em a nossa floresta ! De repente , Firenze levantou se em as patas traseiras , de_tal_modo_que Harry teve de se agarrar a os ombros de ele para não cair . - Vocês não viram o unicórnio ? - bramiu Firenze . -- _ não compreendem porque é_que foi morto ? Ou os planetas não vos deixaram entender esse segredo ? Eu revolto me contra o que está emboscado em esta floresta , juntamente com os humanos se for preciso . E afastou se a_toda_a velocidade com o Harry , agarrando se o melhor que podia , mergulhando em a imensidão de as árvores e deixando para trás Ronan e Bane . Harry não fazia a menor ideia do_que estava a passar se . - Porque está o Bane tão zangado ? - perguntou . - Afinal que coisa era aquela de que tu me salvaste ? Firenze abrandou e disse a o Harry que baixasse a cabeça para não tocar em os ramos mais baixos , mas não lhe respondeu . Abriram caminho por_entre o arvoredo em absoluto silêncio , durante tanto tempo que Harry chegou a pensar que o Firenze não queria mais falar com ele . Atravessavam um aglomerado de árvores bastante denso quando o centauro subitamente parou . - Harry_Potter , sabes em que é utilizado o sangue de unicórnio ? - Não - disse Harry espantado com aquela estranha pergunta . - Nós só usamos o chifre e a penugem de a cauda , em as poções . - Porque é monstruoso chacinar um unicórnio - disse Firenze . - Só alguém que não tenha nada a perder e tenha tudo a ganhar cometeria um tal crime . O sangue de um unicórnio mantém qualquer humano vivo , mesmo_que esteja a a beirinha de a morte , mas o preço a pagar é elevadíssimo . Quem matou algo puro e indefeso para salvar a sua vida terá apenas um arremedo de vida , uma existência amaldiçoada a partir de o momento em que o sangue de o unicórnio lhe tocou em os lábios . Harry olhou fixamente para a nuca de o centauro que tinha manchas prateadas a o luar . - Mas quem poderia estar assim tão desesperado ? - perguntou em voz alta . - Se vai ser amaldiçoado para o resto de a vida a morte não seria melhor ? - Sem dúvida - concordou Firenze . - A_não_ser_que essa pessoa precise apenas de mais algumas horas de vida para beber outra coisa - outra coisa que lhe dê o poder e a força - algo que lhe garanta que não morrerá nunca . Potter , sabes por acaso o que está escondido em este preciso momento em a escola ? - A pedra filosofal ! Claro - o elixir de a vida ! Mas eu não compreendo quem ... - És capaz de te lembrar de alguém que tenha esperado muitos anos para regressar a o poder , que se tenha agarrado a a vida , aguardando a sua oportunidade ? Foi como_se um pulso de ferro tivesse dado um soco em o coração de Harry . Em o sussurrar de as árvores pareceu lhe ouvir de_novo o que Hagrid lhe dissera em a primeira noite em que se conheceram ! - Alguns dizem qu'ele morreu . Balelas , não sei se havia em ele alguma coisa d'humano p'ra morrer . - Queres dizer -- , balbuciou Harry - que era Vol ... - Harry , Harry , estás bem ? Hermione corria por o caminho em direcção a ele com o Hagrid esbaforido atrás . - Estou bem - disse Harry , sem saber sequer o que dizia . - O unicórnio está morto , Hagrid , em aquela clareira lá atrás . - Deixo te aqui - murmurou Firenze , enquanto Hagrid se apressava a ir observar o unicórnio . - Estás seguro agora . Harry deslizou de a sua ilharga . - Boa sorte , Harry_Potter - disse Firenze . - Os planetas têm sido muitas_vezes erradamente interpretados até_mesmo por os centauros . Espero que seja este o caso . Voltou se e desapareceu em as profundezas de a floresta deixando Harry com um calafrio . Ron adormecera em a penumbra de a sala comum a a espera que os amigos regressassem . Gritou qualquer coisa relacionada com as faltas de o Quidditch quando Harry o acordou com um safanão . Mas , a o fim de poucos segundos ficou logo com os olhos bem abertos quando Harry começou a contar lhe , a ele e a Hermione , tudo_o_que tinha acontecido em a floresta . Harry não conseguia sentar se . Andava de um lado para o outro em frente de a lareira , ainda a tremer . - O Snape quer a pedra para o Voldemort ... e o Voldemort está a a espera em a floresta ... e nós a pensarmos durante todo este tempo que o Snape queria apenas ficar rico ... - Pára de dizer o nome ! - ordenou o Ron , em um sussurro , como_se Voldemort pudesse ouvi os . Mas Harry não ouvia nada . - O Firenze salvou me mas , pelos_vistos , não devia tê o feito ... o Bane estava furioso ... falava de interferir com as previsões de os astros ... eles devem mostrar o regresso de o Voldemort ... o Bane achava que o Firenze devia ter deixado que o Voldemort me matasse . Calculo que também isso esteja escrito em os astros . - Pára de repetir o nome de ele ! - gritou o Ron , já aborrecido . - Portanto , o que nos resta agora é esperar que o Snape roube a pedra - prosseguiu Harry nervosamente , - depois o Voldemort poderá acabar comigo e suponho que o Bane ficará contente . Hermione tinha um ar assustado mas teve , como sempre , uma palavra de consolo . - Harry , toda_a_gente sabe que o Dumbledore é o único de quem o « Quem nós sabemos « teve sempre medo . Enquanto estiveres perto de o Dumbledore o « Quem nós sabemos « não tocará em um cabelo teu . Além de isso , quem sabe se os centauros não estarão enganados ? Parece se um_pouco com adivinhação e a professora Mc_Gonagall diz que esse é um ramo muito indefinido de a magia . O céu clareara muito antes de eles terminarem a conversa . Foram para a cama exaustos e com as gargantas secas . Mas as surpresas de a noite ainda não tinham acabado . Quando Harry se meteu em os lençóis , deu com o manto de a invisibilidade muito bem dobradinho lá dentro . Juntamente estava um bilhete : * _ Para o caso de ser preciso * . XVI_Pelo alçapão Nos anos que iriam seguir se , Harry não conseguiria lembrar se de como tinha sido capaz de levar a cabo os exames , sempre a a espera que Voldemort lhe entrasse por a porta dentro a todo o momento . Estava um calor sufocante , principalmente em a enorme sala de aula onde eram feitas as provas escritas . Tinham lhes dado novas penas para os exames , tratadas com um feitiço anticábula . Tiveram também exames de trabalhos práticos . O professor Flitwick chamou os um a um a a sala de ele para confirmar se sabiam fazer um ananás dançar o sapateado em cima de a secretária . A professora Mc_Gonagall viu os transformar um rato em uma caixa de rapé - os pontos eram dados de_acordo com a beleza estética de a caixa e retirados se ela apresentasse bigodes . O Snape deixou os a todos nervosos , respirando lhe os para_cima de o pescoço , enquanto tentavam lembrar se de como fazer uma poção para o esquecimento total . Harry deu o seu melhor , tentando vencer as dores agudas em a testa que não o abandonavam desde aquela noite em a floresta proibida . Segundo o Neville , estava com os nervos em franja devido a os exames e por isso não conseguia dormir , mas a verdade é_que ele acordava várias vezes com o seu antigo pesadelo , que agora era bastante pior porque incluía uma figura encarapuçada a pingar gotas de sangue . Talvez por não terem visto o que ele vira em a floresta ou por não sentirem em a testa uma cicatriz a arder , Ron e Hermione não pareciam tão preocupados com a pedra como o Harry estava . A ideia de o Voldemort assustava os , claro , mas não lhes aparecia em sonhos e estavam tão absorvidos com as revisões que não lhes sobejava muito_tempo para se atormentarem com o que o Snape ou outro qualquer poderia estar a urdir . O último de todos os exames era História de a magia . Uma hora a responder a perguntas sobre antigos feiticeiros sem grande importância que tinham inventado caldeirões automisturadores e , depois de isso , estariam livres , com uma semana inteirinha em a frente até saírem os resultados de os exames . Quando o fantasma de o professor Binns lhes disse que podiam pousar as penas e enrolar os pergaminhos , o Harry não conseguiu deixar de partilhar a alegria de os outros . - Foi de longe muito mais fácil do_que eu estava a a espera -- , disse Hermione enquanto se juntavam a a multidão que afluía a os campos banhados por o sol . - Eu nem precisava de ter estudado o Código_de_Conduta_dos_Lobisomens de 1637 nem a insurreição de Elfric , * _ o Impaciente * . Hermione gostava sempre de ficar a ver atentamente as provas depois de os exames acabados , mas o Ron alegou que aquilo o deixava um bocado mal-disposto , por isso foram passear junto de o lago e acabaram por se sentar debaixo_de uma árvore . Os gémeos Weasley e Lee_Jordan faziam cócegas em os tentáculos de uma lula gigante que se aquecia em as águas quentes e pouco fundas . - Acabaram as revisões -- , disse o Ron com um suspiro de alívio , estendendo se a o comprido em a relva . - Podias ter um ar mais alegre , Harry . Temos uma semana por a frente antes de sabermos a péssima figura que fizemos . Não vale a pena começarmos já a ficar preocupados . Harry coçava a testa . - Só queria saber o que isto significa ! - desabafou irritado . - A minha cicatriz não pára de doer - já me tinha acontecido antes mas nunca tantas vezes como agora . - Vai a a Madame_Pomfrey -- , sugeriu Hermione . - Eu não estou doente -- , disse o Harry . - Sinto que é uma espécie de aviso ... como_se me prevenisse de que o perigo se aproxima ... Ron não era capaz de entrar em sintonia . Estava demasiado calor . - Descontrai te , Harry . A Hermione tem razão . A pedra está segura enquanto Dumbledore estiver por perto . Além de isso não temos qualquer prova de que o Snape tenha descoberto como passar por o Fluffy . Ele quase ficou sem uma perna de a primeira vez que tentou , não vai voltar a arriscar tão cedo . E é mais fácil o Neville representar a Inglaterra em o campeonato de Quidditch do_que o Hagrid trair Dumbledore . Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça , mas não conseguia afastar um sentimento latente de que se esquecera de fazer algo importante . Quando tentou explicar o que sentia , Hermione disse lhe : - Isso são efeitos de os exames . Eu acordei a noite passada a meio de o meu comentário de transfiguração quando me lembrei de que já o tinha apresentado . Mas Harry tinha a certeza absoluta de que a sua sensação de instabilidade não se relacionava em absoluto com o trabalho . Via em o céu azul-claro brilhante uma coruja que se aproximava de a escola com um bilhete em o bico . Hagrid era o único que lhe escrevia . Hagrid nunca trairia Dumbledore . Hagrid nunca diria a ninguém como passar por o Fluffy ... nunca ... mas ... Pôs se de pé em um salto . - Onde vais ? - perguntou o Ron , ensonado . -- Lembrei me de uma coisa - disse o Harry . Tinha ficado pálido . - Temos de ir ter com o Hagrid imediatamente . - Porquê ? - perguntou Hermione , ansiosa por acompanhá os . - Vocês não acham um_pouco estranho -- , disse o Harry , enquanto trepavam a encosta coberta de relva , - que o maior sonho de o Hagrid fosse ter um dragão e que , de um momento para o outro , apareça um desconhecido que por acaso tem um ovo de dragão em o bolso ? Quantas pessoas andarão por aí a passear se com ovos de dragão , sabendo que isso é contra a lei de os feiticeiros ? Foi uma sorte terem dado com o Hagrid . Como é_que eu não percebi antes ? - De que é_que tu estás a falar ? - perguntou o Ron . Mas Harry , apressando se em direcção a os campos , não lhe deu resposta . Hagrid estava sentado em um cadeirão , fora de a cabana , com as calças e as mangas arregaçadas a descascar ervilhas para uma grande tigela . - Olá - disse a sorrir . - Acabaram os exames . Têm tempo p'ra uma bebida ? - Sim - disse o Ron , mas o Harry cortou lhe a palavra . - Não . Estamos cheios de pressa , Hagrid . Tenho de fazer te uma pergunta . Lembras te de a noite em que jogaste as cartas e ganhaste o Norbert ? Qual era o aspecto de o desconhecido com quem jogaste ? - Não sei - disse o Hagrid com toda_a naturalidade . - Ele não tirou o capote . Viu que os três ficaram atónitos e ergueram as sobrancelhas . - Não é assim tão fora de o vulgar , aparece muita gente em o Caneca de porco qu'é o bar de a aldeia . Podia até ser um traficante de dragões , ou não podia ? Eu não lhe vi a cara , nunca tirou o capuz . Harry afundou se em a cadeira junto de a tigela de ervilhas . - De que é_que falaram , Hagrid ? Mencionaste por acaso Hogwarts ? -- É bem possível , - disse ele , pondo um ar carregado enquanto tentava recordar se . - Sim , ele perguntou o qu'é qu'eu fazia . E aí eu contei lhe e disse qu'o qu'eu mais queria era ter um dragão e depois , não me lembro muito bem porqu'ele não parava de me pagar bebidas ... deixa ver ... sim ... ele disse que tinh'o ovo de dragão e podíamos jogar p'ra ver s'eu o ganhava mas tinha de ter a certeza qu'eu m'entendia com um dragão e então eu disse lhe que , depois de o Fluffy um dragão não ia ser difícil . - E ele pareceu te interessado em o Fluffy ? - perguntou Harry , tentando manter a calma . - Bem , sim - quantos cães com três cabeças existem em Hogwarts ? Então eu disse lhe qu'o Fluffy era canja quando se sabia acalmá o . É só tocar lhe uma musiquinha qu'ele cai logo a dormir . Hagrid ficou subitamente apavorado . - Eu não devia ter vos contado isto ! - disse abruptamente . - Esqueçam o qu'eu disse . Ei , ond'é que vocês vão ? Harry , Ron e Hermione só voltaram a falar quando chegaram a o vestíbulo de entrada que parecia muito frio e sombrio depois de os campos . - Temos de ir falar com Dumbledore -- , disse Harry . - O Hagrid disse a aquele estranho como passar por o Fluffy e debaixo de a capa estava o Snape ou o Voldemort - deve ter sido fácil depois de o ter embriagado . Só espero que Dumbledore acredite em nós . Talvez o Firenze nos apoie se o Bane não o impedir . Onde é o escritório de o Dumbledore ? Olharam em volta em a esperança de ver um sinal que lhes indicasse a direcção . Nunca lhes tinham dito onde vivia o Dumbledore nem sabiam de alguém que lá tivesse estado . - Vamos ter de ... - começou Harry , mas uma voz irrompeu subitamente por o vestíbulo . - O que estão vocês a fazer cá dentro ? Era a professora Mc_Gonagall que transportava uma imensa pilha de livros . - Queremos falar com o professor Dumbledore disse Hermione com grande coragem , pensaram o Harry e o Ron . - Falar com o professor Dumbledore ? - repetiu a professora Mc_Gonagall , como_se se tratasse de uma coisa altamente suspeita . - E posso saber porquê ? Harry engoliu em seco . E agora ? - É uma espécie de segredo - disse , mas desejou logo_a_seguir não o ter feito porque as narinas de a professora Mc_Gonagall dilataram se . - O professor Dumbledore partiu há dez minutos - disse friamente . - Recebeu uma coruja urgente de o Ministério_da_Magia e seguiu de imediato para Londres . - Foi se embora -- , disse Harry aflito , - agora ? - O professor Dumbledore é um grande feiticeiro , Potter , e muito requisitado em este momento . - Mas isto_é muito importante . - _ é mais importante o que tens para lhe dizer do_que o Ministério_da_Magia , Potter ? - Ouça , professora -- disse Harry , arriscando tudo por tudo , - é sobre a pedra filosofal . Fosse o que fosse que a professora Mc_Gonagall estivesse a a espera , não era certamente de aquilo . Os livros que tinha em os braços espalharam se por o chão e ela nem_sequer tentou apanhá os . - Como é_que tu sabes ? - perguntou , totalmente perturbada . - Professora , eu acho - eu sei - que Sn ... que alguém vai tentar roubar a pedra . E tenho de falar com o professor Dumbledore . Ela olhou o fixamente com um misto de choque e desconfiança . - O professor Dumbledore regressa amanhã - disse , por fim . - Não sei como vocês descobriram acerca de a pedra mas fiquem tranquilos , ninguém pode roubá a . Está protegidíssima . - Mas , professora ... - Potter , eu sei do_que estou a falar - disse sinteticamente . Baixou se e apanhou os livros que tinham caído . - Sugiro vos que vão lá para fora aproveitar o sol . Mas eles não foram . - _ é esta noite - disse Harry quando teve a certeza de que a professora Mc_Gonagall já não podia ouvi os . - O Snape vai entrar por o alçapão hoje a a noite . Já descobriu tudo_o_que lhe fazia falta e agora conseguiu pôr o Dumbledore fora de o caminho . Deve ter sido ele a enviar a coruja com o bilhete . Aposto que o Ministério_da_Magia vai ficar bastante espantado quando vir aparecer Dumbledore . - Mas o que é_que nós podemos ... Hermione mal conseguia falar . Harry e Ron deram meia volta . Snape estava ali , de pé . - Boa tarde -- , disse com toda_a naturalidade . Eles olharam o com algum espanto . - Vocês não deveriam estar em casa em um dia como este -- , disse com um sorriso sarcástico . - Nós íamos ... - começou o Harry sem ter a menor ideia de como iria acabar a frase . - Vocês têm todo o interesse em ser mais cautelosos - disse o Snape . - Andando por aí assim vão levar as pessoas a pensar que estão a tramar alguma coisa . E os Gryffindor não estão em posição de perder mais pontos . Não acham ? Harry corou . Voltaram se para se dirigirem para a rua mas Snape . chamou os . - Estás avisado , Potter , mais passeiozinhos por aí de noite e eu trato pessoalmente de a tua expulsão . Muito bom dia . Afastou se a passos largos em direcção a a sala de os professores . Já em os degraus de pedra , cá fora , Harry voltou se para os outros . - Eis o que temos de fazer - murmurou com um sentimento de urgência . - Um de nós tem de ficar de olho em o Snape , a a espera fora de a sala de os professores e seguis o quando ele sair . Hermione , era melhor seres tu a tratar de isso . - Eu ? Porquê eu ? - É óbvio - disse o Ron . - Podes estar a a espera de o professor Flitwick . - Fez uma vozinha esganiçada - Oh ! professor , estou tão preocupada , acho que me enganei em a pergunta catorze b ... - Ora , parem com isso - disse Hermione , mas concordou em vigiar o Snape . - E nós , o melhor é ficarmos fora de o corredor de o terceiro andar - disse o Harry a o Ron . - Vamos lá . Mas essa parte de o plano não funcionou . Mal atingiram a porta que separava o Fluffy de o resto de a escola apareceu de_novo a professora Mc_Gonagall e desta_vez perdeu mesmo as estribeiras e foi a os arames . - Imagino que em essas cabecinhas devem pensar que é mais difícil passar por vocês do_que por uma série de encantamentos ! - bramiu . - Já chega de todo este disparate ! Se eu souber que voltaram a aproximar se de este lugar , tiro mais cinquenta pontos a os Gryffindor . Sim , Weasley , a a minha própria equipa ! Harry e Ron voltaram a a sala comum . Harry acabara de dizer : - Pelo_menos a Hermione está em a pista de o Snape - quando o retrato de a dama gorda se abriu e ela apareceu . - Lamento , Harry -- , queixou se ela . - O Snape saiu e perguntou me o que estava a fazer ali e eu disse que esperava o professor Flitwick . Então ele ofereceu se para ir buscá o mas a verdade é_que não apareceu mais e não sei para_onde foi . - Bem , chegou a altura , não acham ? - disse o Harry . Os outros dois ficaram a olhar para ele . Estava pálido e com os olhos brilhantes . - Eu vou sair de aqui esta noite e tentar agarrar a pedra primeiro . - És doido ! - disse o Ron . - Não podes fazer isso -- , exclamou Hermione , - depois do_que o Snape e a professora Mc_Gonagall disseram . Ainda te expulsam ! - E DEPOIS ? - gritou Harry . - Será que vocês não compreendem ? Se o Snape chegar a a pedra é o regresso de o Voldemort ! Não ouviram falar de como eram as coisas quando ele estava a tentar tomar o poder ? Vai deixar de existir Hogwarts para expulsar quem quer que seja . Ele acaba imediatamente com isto ou então transforma a em uma escola de magia negra ! Perder pontos deixou de ter importância , não vêem ? Acham que ele vos deixará em paz , a vocês e a as vossas famílias , se os Gryffindor ganharem a taça ? Se eu for apanhado antes de chegar a a pedra , o que vai acontecer me é ter de voltar para_casa de os Dursleys e esperar que o Voldemort vá lá procurar me . Trata se de morrer um_pouco mais tarde porque eu nunca passarei para o lado de as trevas ! Vou por o alçapão esta noite e nada do_que vocês possam dizer me fará mudar de ideias . O Voldemort matou os meus pais , não sei se se lembram ! Olhou para eles com os olhos reluzentes . - Tens razão , Harry - disse Hermione , em um fiozinho de voz . - Vou usar o manto de a invisibilidade - disse o Harry . - Foi uma sorte tê o recuperado . - Mas achas que ele nos vai cobrir a os três ? - perguntou o Ron . - A os ... a os três ? - Vá lá , deixa te de fitas . Achas que íamos deixar te ir sozinho ? - Claro que não - disse rispidamente Hermione . - Como é_que chegarias a a pedra sem a nossa ajuda ? Vou procurar em os livros , quem sabe se descubro ainda alguma coisa útil ... - Mas se formos apanhados vocês os dois também serão expulsos ... - Não , se eu puder evitá o - disse Hermione a sorrir . - O Flitwick disse me em grande segredo que eu tive cento_e_vinte por_cento em o exame de ele . Não vão expulsar me depois de isso . Após o jantar , bastante nervosos , sentaram se os três em a sala comum . Depois do_que sucedera , os Gryffindor tinham a os poucos deixado de aborrecer o Harry , já quase nem falavam com ele . Aquela foi a primeira noite em que ninguém o incomodou . Hermione vasculhava em todos os seus apontamentos em a esperança de deparar com um de os encantamentos que eles queriam tentar quebrar . Harry e Ron não falaram muito um com o outro . Pensavam ambos em o que estavam prestes a fazer . A os poucos a sala foi ficando vazia , à_medida_que as pessoas saíam para se irem deitar . - _ é melhor ir buscar o manto - murmurou o Ron quando o Lee_Jordan finalmente saiu a esticar se e a fazer ruídos . Harry correu até a a camarata escura . Tirou o manto e , em seguida , os olhos fixaram se em a flauta que o Hagrid lhe oferecera por o Natal ; não lhe apetecia muito cantar . Voltou de_novo a a sala comum . - É melhor pormos o manto aqui e ver se ele nos cobre bem a os três ; se o Filch avista o pé de um de nós a andar sozinho ... - O que estão a fazer ? - perguntou uma voz a o fundo de a sala . O Neville apareceu detrás_de um cadeirão , agarrando o sapo Trevor que tinha o ar de quem fizera mais uma tentativa para se libertar . - Nada , Neville , nada -- , disse Harry , escondendo apressadamente o manto atrás de as costas . O Neville ficou a olhar para o ar de culpados que todos eles ostentavam . - Vocês vão tentar outra_vez -- , disse ele . - Não , não , que ideia -- , respondeu Hermione . - Porque não vais para a cama , Neville . Harry olhou para o relógio de parede através de a porta . Não tinham muito mais tempo a perder . O Snape podia estar já a adormecer o Fluffy . - Vocês não podem fazer isso - disse o Neville . - Vão ser apanhados de_novo . Gryffindor ficará ainda mais desmoralizado . - Tu não podes compreender -- , disse Harry . - Isto_é muito importante . Mas o Neville estava mesmo disposto a tomar uma atitude desesperada . - Não vou deixar vos - disse , colocando se em frente de o buraco de o retrato . - Só por cima de o meu cadáver . - Neville - explodiu o Ron , - saí de a frente de o retrato e não sejas idiota . - E não me chames idiota ! - disse o Neville . - Acho que já chega de desobedecer a as regras . E foram vocês que me disseram que enfrentasse as pessoas ! - Sim , mas não a nós - disse o Ron em perfeito desespero . - Neville , tu não sabes o que estás a fazer . Deu um passo em frente e o Neville deixou cair o sapo Trevor que desapareceu a_toda_a velocidade . - Vá , tenta bater me ! - disse o Neville , erguendo os punhos fechados . - Estou a a espera ! Harry voltou se para Hermione . - Faz qualquer coisa - pediu , aflito . Hermione avançou . - Neville - disse ela - lamento ter de fazer isto ! Levantou a varinha . - * _ Petrificus totalus * ! - exclamou , apontando a a o Neville . Os braços de o Neville ficaram como_que colados a o longo de o corpo , as pernas unidas uma a a outra , o corpo hirto . Balançou e caiu redondo em o chão com o rosto rígido como uma tábua . Hermione apressou se a voltá-lo ao_contrário . Os maxilares estavam tão apertados que nem podia falar . Só os olhos se moviam , olhando para eles horrorizado . - O que é_que lhe fizeste ? - murmurou o Harry . - É a * _ Ligadura total de o corpo * - disse Hermione infelicíssima . - Oh ! Neville , desculpa . - Tinha de ser , Neville , não há tempo agora para explicações - disse Harry . - Vais compreender depois , Neville -- , disse o Ron enquanto passavam por cima de ele e se cobriam com o manto de a invisibilidade . Mas deixar o Neville ali caído , sem poder mover se não lhes pareceu um bom presságio . Em o grande estado de nervosismo em que se encontravam , cada sombra de estátua lhes parecia o Filch , cada respiração distante soava como o Peeves a descer em voo picado sobre eles . Em o final de o primeiro lanço de escadas , avistaram Mrs._Norris , esquivando se por o topo . - Vamos dar lhe um pontapé , só desta_vez - murmurou Ron a o ouvido de Harry , mas ele fez que não com a cabeça . Enquanto subiam cheios de cuidado , junto de ela , Mrs._Norris voltou os olhos luminosos para eles mas não fez absolutamente nada . Não encontraram ninguém até chegarem a a escada de o terceiro andar . Peeves estava a divertir se , embrulhando o tapete para fazer as pessoas cair . - Quem está aí ? - disse subitamente , enquanto eles subiam em a sua direcção . Piscou os olhinhos negros maldosos . - Sei que está aí alguém apesar_de não o ver . São fantasmas , vampiros ou animais pequenos de os estudantes ? Ergueu se em o ar e flutuou aproximando se de eles . - Devia chamar o Filch , devia sim , se andam por aí coisas invisíveis ... Harry teve uma ideia estupenda . - Peeves - disse em um sussurro ronco . - O Barão_Sangrento tem os seus motivos para andar invisível . Peeves quase caiu com o choque . Recompôs se a_tempo_de pairar a alguns centímetros de o chão . - Peço imensa desculpa , sua sanguinidade , senhor Barão - disse untuosamente . - Enganei me , engano meu - não o vi - claro , não podia vê o , está invisível - queira desculpar a o velho Peeves esta brincadeira . - Tenho coisas a fazer em este lagar , Peeves - roncou Harry de_novo . - Fica longe de aqui esta noite . - Certamente , senhor Barão , com certeza - disse Peeves , elevando se de_novo em o ar . - Espero que tudo lhe corra bem , senhor Barão . Eu não o incomodarei . - E pôs se a andar . - Brilhante , Harry - murmurou o Ron . Poucos segundos mais tarde estavam fora de o corredor de o terceiro andar e a porta estava já aberta . - Bem , cá estamos - disse Harry baixinho . - O Snape já conseguiu passar por o Fluffy . A visão de aquela porta aberta , de certo modo , fez com que os três tomassem consciência do_que os aguardava . Debaixo de a capa , Harry voltou se para os outros dois . - Se quiserem voltar atrás , eu compreendo - disse . - Podem levar o manto , eu não vou precisar de ele a_partir_de agora . - Não sejas estúpido - disse o Ron . - Nós vamos contigo - reforçou Hermione . Harry empurrou a porta aberta . Mal ela chiou , começaram a fazer se ouvir roncos baixos e prolongados . Os três narizes de o cão cheiravam loucamente em a direcção de eles apesar_de não conseguir vê os . - O que é aquilo a os pés de ele ? -- sussurrou Hermione . - Parece uma harpa - disse o Ron . - O Snape deve tê a deixado aí . - Ele deve acordar em o momento em que se pára de tocar -- , disse o Harry . - Lá vai ... Levou a flauta de o Hagrid a os lábios e soprou . Não era propriamente melodiosa mas , logo a a primeira nota , os olhos de o animal começaram a fechar se . Harry mal tomou fôlego . A os poucos os rugidos de o cão cessaram - foi se abaixo de as patas , caiu de joelhos e ficou em o chão a dormir . - Continua a tocar - foi o aviso de o Ron_para_o_Harry , enquanto se esgueiravam de o manto e avançavam em direcção a o alçapão . Sentiram o bafo quente de o cão quando se aproximaram de as três cabeças gigantescas . - Acho que vamos conseguir abrir a porta de o alçapão - disse o Ron , espreitando por as costas de o cão . - Queres ir primeiro , Hermione ? - Não , não quero ! - Está bem . - Ron cerrou os dentes e passou cautelosamente por cima de as patas de o cão , baixou se e puxou a argola de o alçapão que deslizou , abrindo se . - O que vês ? - perguntou Hermione cheia de curiosidade . -- Nada - só escuro - não há por_onde descer , temos de saltar . Harry , que ainda estava a tocar flauta , chamou a atenção de o Ron com um sinal e apontou para si próprio . - Queres ir primeiro ? Tens a certeza ? - perguntou o Ron . - Não sei qual a profundidade de esta coisa . Dá a flauta a a Hermione para ela o manter adormecido . Harry entregou a flauta . Em os poucos segundos de silêncio o cão torceu se e rugiu , mas logo_que Hermione começou a tocar , caiu de_novo em um sono profundo . Harry passou por cima de o animal gigantesco e olhou para baixo , por o alçapão . Não se avistava o fundo . Enfiou se em o buraco , mantendo se agarrado por as pontas de os dedos . Olhou então para o Ron e disse : - Se me acontecer alguma coisa não me sigam . Vão direitos a o ninho de as corujas e enviem a Hedwig a o Dumbledore . Certo ? - Certo - disse o Ron . - Até já , espero ... E Harry soltou se . Um ar frio e húmido fez se sentir enquanto ia descendo , descendo , descendo e ... FLUMP ! Com uma pancada estranha e abafada , aterrou em_cima_de algo macio . Sentou se e olhou em volta , com os olhos ainda não habituados a a escuridão . Sentia se como_se estivesse em_cima_de uma planta . - Tudo O. _ K. - gritou para o fio de luz de o tamanho de um selo de correio que era a abertura de o alçapão . - _ é um aterrar suave , podem saltar ! Ron não esperou por mais e aterrou mesmo ao_lado_de Harry . - O que é isto ? - foram as suas primeiras palavras . - Não sei , uma espécie de planta . Deve estar aqui para amortecer a queda . Salta , Hermione . A musica ao_longe cessou . Ouviu se um forte rosnar de o cão mas Hermione já tinha saltado . Aterrou de o outro lado de Harry . - Devemos estar quilómetros abaixo de a escola - disse ela . - Ainda_bem que está aqui esta espécie de planta - disse o Ron . - Ainda_bem ? -- exclamou Hermione . - Olhem para vocês ! Ela deu um salto e debateu se contra uma parede de névoa e humidade . Teve de reagir porque em o momento em que aterrou a planta começou a contorcer se , lançando garras serpenteantes sobre os seus tornozelos . Quanto a o Ron e a o Harry , a planta já lhes amarrara as pernas sem que eles dessem por isso . Hermione conseguira libertar se antes que a planta tivesse tido tempo de a amarrar com força . Olhava agora com horror para os dois rapazes que lutavam para afastar a planta , mas quanto maior era a luta mais ela os apertava . - Fiquem quietos ! - disse Hermione em um tom de comando . - Eu sei o que isso é , é * _ A armadilha de o diabo * ! - Ah ! que bom ficar a conhecer lhe o nome . É uma ajuda preciosa - barafustou o Ron , encostando se para trás em uma tentativa de evitar que a planta se lhe enrolasse em volta de o pescoço . - Calem se . Estou a tentar lembrar me como_se faz para a neutralizar - disse Hermione . - Então despacha te , mal consigo respirar ! - resmungou o Harry , defendendo se enquanto a planta lhe apertava o peito . - A armadilha de o diabo , a armadilha de o diabo ... o que é_que o professor Sprout disse ? Gosta de o escuro e de a humidade . - Então acende uma fogueira - disse o Harry quase a sufocar . - Claro , claro , mas não há madeira - lamentou se Hermione , torcendo as mãos . - __ tu __ estás __ parva ? - bradou o Ron . - : __ és uma feiticeira ou __ não ? - Está bem ! - disse Hermione pegando em a varinha e fazendo um gesto em o ar . Murmurou algo indecifrável e enviou um jacto de chamas azuis contra a planta . Em poucos segundos , os dois rapazes sentiram a afrouxar o aperto enquanto se afastava de o calor e de a luz . Com movimentos sinuosos desenvencilhou se de os corpos de eles e os dois puderam libertar se . - É uma sorte tu seres tão boa aluna em herbologia , Hermione - disse o Harry , enquanto se juntava a ela encostado a a parede e limpava o suor de o rosto . - Sim - disse o Ron . - E ainda_bem que o Harry mantém a cabeça fria em os momentos críticos - * _ Não há madeira * , francamente ... - Por aqui - apontou Harry , mostrando lhes uma passagem que descia e que era o único caminho . Além de os próprios passos apenas conseguiam ouvir o suave gotejar de a água escorrendo em fio a o longo de as paredes . A passagem descia em declive e Harry lembrou se de Gringotts . Com um desagradável aperto em o coração recordou que se dizia que os dragões guardavam os cofres em o banco de os feiticeiros . E se dessem de caras com um dragão , um dragão adulto . O Norbert já fora suficientemente mau ... - Consegues ouvir alguma coisa ? - murmurou o Ron . Harry fez um esforço . Um leve sussurro e um tinir que parecia vir lá de o fundo . - Achas que é algum fantasma ? - Não sei . Parece me o som de asas . - Há luz ali adiante , acho que estou a ver alguma coisa a mexer se . Chegaram a o fim de o caminho . Em frente de eles estava uma sala magnificamente iluminada . O tecto em arco estava cheio de pequeninos pássaros brilhantes que batiam agitadamente as asas e davam cambalhotas por toda_a sala . De o lado oposto havia uma pesada porta de madeira . - Achas que nos agridem se atravessarmos a sala ? - perguntou o Ron . - Provavelmente - disse o Harry . - Não parecem muito perigosos mas suponho que se atacarem todos juntos ... bem , se isso acontecer , eu fujo ... Respirou fundo , cobriu o rosto com um de os braços e atravessou a sala a correr . Estava a a espera de sentir bicos afiados e mandíbulas lançarem se sobre ele mas nada aconteceu . Chegou a a porta incólume . Deu a volta a a maçaneta mas estava fechada . Os outros dois seguiram o . Puxaram e empurraram a porta mas ela não se moveu nem quando Hermione tentou o seu feitiço * _ Alohomora * . - E agora ? - perguntou o Ron . - Estes pássaros ... não estão certamente aqui só para decorar a sala - disse Hermione . Observaram os pássaros elevando se em o ar , cintilantes - cintilantes ? - Não são pássaros ! - exclamou Harry em um repente . - São chaves . Chaves aladas ! Observem com atenção , isso deve significar que ... -- , espreitou em volta enquanto os outros dois olhavam para_cima , para o bando de chaves . - ... Sim , olha ! Vassouras ! Temos de agarrar a chave de a porta ! - Mas são centenas ... Ron examinou o formato de a fechadura . - A que nos interessa é grande , antiquada , talvez a prateada como a maçaneta de a porta . Cada_um pegou em uma vassoura e elevaram se em o ar por o meio de a nuvem de chaves . Esticaram se e contorceram se , mas as chaves enfeitiçadas precipitavam se como setas e desciam tão rapidamente que era praticamente impossível agarrar alguma . Mas também não era por acaso que Harry era o mais jovem * seeker * de há um século para cá em Hogwarts . Tinha um dom para vislumbrar o que escapava a os outros . Após alguns minutos a serpentear por_entre o turbilhão de penas multicores , reparou em uma chave prateada e longa que tinha uma asa dobrada como_se já tivesse sido agarrada e metida violentamente em a fechadura . - Aquela - gritou ele a os outros . - A grande , ali ; não , ali ; com asas azuis brilhantes . As penas estão todas amachucadas de um de os lados . Ron dirigiu se rapidamente em a direcção que Harry apontava . Bateu em o tecto e quase caiu de a vassoura . - Temos de nos aproximar de ela ! - gritou Harry , sem tirar os olhos de a chave de a asa estragada . - Ron , tu atacas de cima ; Hermione fica em baixo e evita que ela desça que eu vou tentar apanhá a . AGORA ! Ron mergulhou , Hermione subiu , a chave fintou os dois e Harry foi a_toda_a velocidade atrás de ela . A chave acelerou , direita a a parede , Harry inclinou se e com um ruído desagradável espalmou a contra a parede com uma de as mãos . Os aplausos de o Ron e de a Hermione ecoaram em todo o salão . Aterraram rapidamente e Harry correu para a porta com a chave a lutar para lhe fugir de a mão . Enfiou a em a fechadura e deu a volta . Era mesmo aquela . Tinham acertado . Mas mal a fechadura fez o * clic * e se abriu , a chave voou de_novo , com um aspecto bastante mais amachucado , agora_que fora agarrada duas vezes . - Prontos ? - perguntou o Harry a os outros dois , com a mão em a maçaneta . Eles fizeram um sinal afirmativo e Harry_Potter empurrou a porta . A sala que se seguia era tão escura que eles não conseguiam ver absolutamente nada mas , quando entraram todos , a luz encheu a divisão revelando algo verdadeiramente surpreendente . Estavam a a beirinha de um gigantesco tabuleiro de xadrez . _ a a frente de as peças pretas que eram todas mais altas do_que eles e esculpidas em o que lhes pareceu ser uma pedra negra . De frente para eles , de o outro lado de a sala , estavam as peças brancas . Harry , Ron e Hermione estremeceram ligeiramente - as altas peças brancas não tinham rosto . - E agora , o que fazemos ? - murmurou Harry . - É óbvio , ou não ? - disse o Ron . - Temos de fazer o percurso , a jogar , através de a sala . Por detrás de as pecas brancas podia ver se outra porta . -- mas como ? - perguntou nervosamente Hermione . - Eu acho - disse o Ron - que vamos ter de ser peças de xadrez . Ele subiu para um cavaleiro preto e pôs a mão para tocar em o cavalo . De imediato a pedra ganhou vida . O cavalo esgravatou o chão e o cavaleiro virou a cabeça , coberta por um elmo , olhando para o Ron . - Temos de nos juntar a vocês para atravessar ? O cavaleiro negro fez , com a cabeça , um sinal afirmativo . Ron comentou com os dois amigos . - Isto requer alguma reflexão . Suponho que temos de tomar o lagar de três peças pretas ... Harry e Hermione ficaram muito quietos , observando o Ron a raciocinar . Por fim , disse : - Não fiquem ofendidos comigo mas a verdade é_que nenhum de vocês é um _ ás em o xadrez ... - Não estamos ofendidos - disse o Harry , sem perder tempo - diz nos só o que temos que fazer . -- Bem , Harry , tu vais tomar o lugar de o bispo e tu , Hermione , vais a seguir a ele em vez de a torre . - Então e tu ? - Eu vou ser um cavaleiro -- , disse o Ron . As peças pareciam ter estado a ouvi os , porque mal pronunciaram estas palavras um cavaleiro , um bispo e uma torre voltaram as costas a as pedras brancas e saíram de o tabuleiro de xadrez deixando três lugares vagos para o Harry , o Ron e a Hermione preencherem . -- As brancas começam sempre em o xadrez -- , disse o Ron , perscrutando o tabuleiro . - Sim ... olhem . Um peão branco avançara dois quadrados . O Ron começou a dirigir as peças pretas . Estas moviam se em silêncio para_onde ele as mandava ir . Os joelhos de o Harry tremiam . E se perdessem ? - Harry , move te em a diagonal , quatro quadrados para a direita . O primeiro confronto deu se quando o outro cavaleiro lhos foi retirado . A rainha branca atirou o a o chão e arremessou o para fora de o tabuleiro onde ele ficou sem se mexer com a cara para o chão . - Tinha de ser - disse o Ron , com um ar abalado . - Ficas livre para tomar o bispo , Hermione . De cada_vez que eles perdiam uma peça , as peças brancas eram impiedosas . Pouco depois havia uma confusão de peças pretas , em uma baixa súbita a o longo de a parede . Por duas vezes , só em o último momento é_que o Ron reparou que Harry e Hermione estavam em perigo . Ele próprio lançou se como uma flecha a o longo de o tabuleiro , tomando quase tantas peças brancas como aquelas que tinham perdido . - Estamos quase a conseguir - murmurou . - Deixa me pensar , deixa ver ... A rainha branca voltou a sua cara sem feições para ele . -- Sim ... - disse o Ron calmamente . - É a única maneira . Eu tenho de ser tomado . - Não ! - gritaram Harry e Hermione . - _ é o xadrez ! - interrompeu o Ron . - Há que fazer alguns sacrifícios ! Eu dou um passo em frente e ela toma me - isso permite te fazer um xeque-mate a o rei , Harry . - Mas ... - Queres travar o Snape ou não ? - Ron ... - Tens de apressar te , olha que ele pode até já ter a pedra ! Não havia nada a fazer . - Prontos ? - perguntou o Ron , pálido mas determinado . - Cá vou eu e vocês não fiquem a perder tempo , avancem logo_que tenham o jogo ganho . Ele deu um passo e a rainha branca atacou o , dando lhe uma forte pancada em a cabeça com o seu braço de pedra e atirando o a o chão . Hermione soltou um grito mas manteve se em o respectivo quadrado . A rainha branca empurrou para o lado o Ron que parecia ter sido abatido . A tremer , Harry moveu se três casas para a esquerda . O rei branco tirou a coroa de a cabeça e lançou a a os pés de o Harry . Tinham vencido . As peças fizeram um cumprimento e foram se embora , deixando a porta desimpedida . Depois de lançar a o Ron um último olhar de desespero , Harry e Hermione saíram por a porta em direcção a a próxima passagem . - E se ele ... ? - Ele fica bem -- , disse o Harry , tentando convencer se a si próprio . - O que virá a seguir ? - Já tivemos a * _ Armadilha de o diabo * que devia ser o feitiço de o Sprout - o Flitwick deve ter enfeitiçado as chaves - a Mc_Gonagall transfigurou as peças de o xadrez para as fazer ganhar vida - só faltam os feitiços de o Quirrell e de o Snape ... Tinham chegado a outra porta . - Tudo bem ? - perguntou Harry baixinho . - Força ! Harry empurrou e abriu a . Um cheiro nauseabundo invadiu lhes as narinas , fazendo com que os dois tapassem o nariz com as capas . Com os olhos lacrimejantes viram caído em o chão , em frente de eles , um gigante ainda maior do_que aquele a quem tinham conseguido dar com a moca em a cabeça . - Ainda_bem que não tivemos de lutar com este -- , disse o Harry enquanto passava cautelosamente por cima de as suas pernas maciças . - Depressa , mal consigo respirar . Após a próxima porta , estavam ambos receosos de olhar para o que os esperava mas não havia ali nada de muito assustador . Apenas uma mesa com sete garrafas de diferentes formatos colocadas em linha recta . - O feitiço de o Snape . O que é_que temos de fazer ? Aproximaram se de o limiar e um fogo acendeu se de imediato atrás de eles . Não era um fogo vulgar . Era lilás . Em esse mesmo instante chamas pretas encheram a porta que lhes podia dar saída . Estavam encurralados . - Olha ! - Hermione avistou um rolo de papel junto de as garrafas . Harry espreitou por cima de o ombro de ela e leu : O perigo está em a frente , atrás a segurança , Duas de nós estão convosco . Não percam a esperança . Uma de nós deixará vos seguir em frente Outra levará vos , para trás , de repente . Duas de nós darão vos vinho de urtiga a provar Três de nós estão a a espera para vos matar . Escolham , ou para sempre aqui irão ficar Damo-vos quatro pistas para vos ajudar . Mesmo_que o veneno , esconder se bem , consiga Haverá sempre um rasto a a esquerda de a urtiga . Segunda , ainda_que os extremos possam parecer diferentes Nenhum é teu amigo se tentares ir em frente . Terceira , todas somos divergentes em o porte Nem gigante nem gnomo tem , lá dentro , a morte . Quarta , o segundo d esquerda e o segundo a a direita São iguais se os provarem , mas diferentes em a espreita . Hermione deu um suspiro de alívio e Harry , espantado , viu que ela sorria , a última coisa que ele se lembraria de fazer . - Brilhante - disse Hermione . - Isto não é magia , é lógica - um quebra-cabeças . A maior parte de os grandes feiticeiros não têm um grama de lógica , vão ficar aqui fechados para sempre . - Mas , o mesmo vai acontecer nos a nós , ou não ? - É claro que não -- , disse Hermione . - Tudo_o_que precisamos está aqui em este papel . Sete garrafas : três têm veneno , duas têm vinho , uma ajudará nos a passar por o fogo preto ( para a frente ) e outra por o fogo lilás . - Mas como vamos saber qual o líquido que devemos beber ? - Dá me um minuto ! Hermione leu o papel várias vezes . Depois andou de um lado para o outro , junto de o alinhamento de as garrafas , murmurando sozinha e apontando para elas . Por fim bateu palmas . - Já sei -- , exclamou . A garrafa mais pequena levará nos através de o fogo negro . Harry olhou para a garrafinha . - Só há aqui quantidade suficiente para um de nós -- , disse ele . - Mal dá um gole . Olharam um para o outro . - Qual é a que nos traz de volta através de as chamas lilases ? Hermione apontou para a garrafa bojuda de o lado direito de a linha . - Bebe essa - disse o Harry . - Não , ouve , vai lá atrás buscar o Ron , agarra vassouras de a sala de as chaves voadoras . Elas podem ajudar nos a subir por o alçapão e passar por o Fluffy ; vai também a o ninho de as corujas e envia a Hedwig a o Dumbledore , precisamos de ele . Eu posso aguentar me com o Snape durante algum tempo mas sei que não chego para ele . - Mas , Harry , e se o « Quem nós sabemos » estiver com ele ? - Bem , eu tive sorte uma_vez , não tive ? - disse ele apontando para a cicatriz . - Pode ser que tenha sorte de_novo . O lábio de Hermione tremeu e em um repente lançou se sobre ele e abraçou o . - Hermione ! - Harry , tu és um grande feiticeiro . - Não tão bom como tu - disse Harry , pouco à-vontade , enquanto ela o largava . - Eu ! - disse Hermione . - Livros ! e esperteza ! Há coisas mais importantes : amizade , coragem e ... oh ! Harry , tem cuidado ! - Bebe primeiro -- , disse o Harry . - Tens a certeza de que são estas , não tens ? - Absoluta - disse Hermione . Bebeu um grande gole de a garrafa bojuda e em o fim arrepiou se . - Não é veneno ? - perguntou Harry cheio de ansiedade . - Não , mas parece gelo . - Vai depressa , antes que desapareça o efeito . - Boa sorte . Tem cuidado . -- VAI ! Hermione voltou se e avançou direita a o fogo lilás . Harry respirou fundo e pegou em a garrafinha mais pequena . Olhou em frente para as chamas negras . - Lá vou eu -- , disse e emborcou a garrafa de urna vez só . Era , de facto , como_se o gelo o tivesse inundado de cima a baixo . Pousou a garrafa , ganhou coragem e avançou . Viu as chamas negras lamberem lhe o corpo mas não conseguiu senti as - durante alguns momentos não viu senão fumo negro - a seguir , estava de o outro lado , em a última sala . Havia alguém que já se encontrava lá , mas não era o Snape . E também não era o Voldemort . XVII_O homem com duas caras Era_Quirrell . - Você ? - exclamou Harry . Quirrell sorriu . O seu rosto não se contorcia . - Eu , - disse com toda_a calma . - Estava em a dúvida se nos encontraríamos aqui , Potter . - Mas eu pensei , o Snape ... - Severus ? - Quirrell riu se . E não era o seu riso habitual . Era um riso frio e cortante . - Sim , o Severus tem todo o aspecto , não tem ? É muito útil tê o por perto como um morcego imparável . Comparado com ele , quem se lembraria de suspeitar de o p-p-p-obre e g-g-gago professor Quirrell ? Harry não acreditava em o que estava a ouvir . Não podia ser verdade , não podia . - Mas o Snape tentou matar me ! - Na-na-na-não ! Eu tentei matar te . A tua amiga Hermione_Granger é_que me empurrou acidentalmente com a pressa de pegar fogo a o manto de o Snape e quebrou o meu contacto visual contigo . Mais alguns segundos e tinha te feito saltar de aquela vassoura . Já o teria conseguido antes se o Snape não andasse atrás_de mim a impedir me e a tentar salvar te . - O Snape a tentar salvar me ? - Claro - disse Quirrell , tranquilamente . - Porque pensas que ele quis arbitrar o teu segundo jogo ? Estava a procurar assegurar se de que eu não voltaria a tentar . Engraçado ... não precisava de ter tido tanto trabalho . Não havia nada que eu pudesse fazer com o Dumbledore a assistir . Todos os outros professores pensaram que o Snape estava a ver se impedia os Gryffindor de ganharem . Tornou se bastante impopular , coitado e ... que perda de tempo já_que , a o fim e a o cabo , esta noite , vou acabar contigo . Quirrell estalou os dedos . Várias cordas desceram de o ar e enrolaram se a a volta de o Harry . - És demasiado abelhudo para continuares vivo , Potter , bisbilhotando em volta de a escola em o Hallowe'en , pois eu sei muito bem que me viste ir espreitar aquilo que guardava a pedra . - Foi o senhor que deixou entrar o gigante ? - Naturalmente . Tenho um dom especial para lidar com gigantes , deves ter visto o que fiz a aquele de a outra sala ! Infelizmente , enquanto todos os professores andavam a a procura de ele , o Snape , que já então suspeitava de mim , foi direito a o terceiro andar para me desviar de o caminho ; e não_só o meu gigante não conseguiu matar te , como aquele cão de três cabeças nem_sequer foi capaz de lhe morder decentemente a perna . - Ora vejamos , Potter . Eu preciso de examinar este interessante espelho que aqui está . Só então Harry se apercebeu de que diante de o Quirrell se encontrava o espelho de os invisíveis . - Este espelho é a chave para descobrir a pedra - murmurou Quirrell tamborilando com os dedos em a moldura . - Só mesmo Dumbledore para se lembrar de uma coisa de estas , mas ele está em Londres ... e eu estarei a milhas quando ele regressar ! A única coisa que passou por a cabeça de o Harry foi que , se mantivesse o Quirrell a falar o_máximo de tempo possível , evitaria que ele se concentrasse em o espelho . - Eu vi os , a o senhor e a o Snape em a floresta -- , afirmou . -- Sim -- disse Quirrell maquinalmente , enquanto passava em volta de o espelho para o ver por detrás . - Ele andava a seguir me , a tentar descobrir o que eu sabia . Suspeitou de mim desde o princípio . Tentou intimidar me , como_se isso fosse possível , tendo o senhor Voldemort de o meu lado ... Quirrell saiu de trás de o espelho e olhou zangado para ele . - Eu vejo a pedra ... vou oferecê a a o meu mestre , mas onde é_que ela está ? Harry debatia se contra as cordas que o apertavam mas estas não cediam . Tinha que impedir que o Quirrell fixasse toda_a atenção em o espelho . - Mas o Snape sempre pareceu detestar me tanto ... - Oh ! ele detesta te - disse o Quirrell com a maior naturalidade . - Sem dúvida . Esteve em Hogwarts com o teu pai . Não sabias ? Odiavam se um_ao_outro mas ele nunca te quis matar . - Mas eu ouvi o senhor a soluçar , há dias , pensei que o Snape estava a ameaçá o ... Pela_primeira_vez , um acesso de medo passou por o rosto de Quirrell . - Às_vezes -- , disse , - é difícil para mim seguir as instruções de o meu mestre ; ele é um grande feiticeiro e eu sou fraco . - Quer_dizer que ele estava ali em a sala de aula , consigo ? - Ele está comigo onde quer que eu esteja - disse Quirrell calmamente . - Conheci o quando viajava por o mundo . Eu era um jovem tonto , cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal . O senhor Voldemort mostrou me o quanto eu estava enganado . Não existe bem nem mal , apenas poder e os que são demasiado fracos para o procurarem ... Desde_então tenho o servido fielmente apesar_de o ter desiludido muitas_vezes . Ele tem se visto obrigado a ser muito duro comigo - disse o Quirrell subitamente arrepiado . - Voldemort não perdoa os erros com facilidade . Quando eu não fui capaz de roubar a pedra de Gringotts ficou muito insatisfeito , castigou me e decidiu que tinha de vigiar me mais de perto . A voz de Quirrell pareceu lhe distante . Harry recordou a sua ida a a Diagon-Al - como tinha podido ser tão estúpido ? Ele vira lá o Quirrell em esse mesmo dia quando lhe apertou a mão em o Caldeirão_Escoante . Quirrell praguejou entredentes . - Não compreendo ... a pedra estará dentro de o espelho ? Deverei parti o ? - A mente de Harry disparou . O que eu mais quero em este momento , pensou , é encontrar a pedra antes de o Quirrell . Logo , se eu olhar para o espelho vou ver me a descobri a , isto_é , saberei onde está escondida . Mas , como é_que eu posso olhar sem que o Quirrell se aperceba ? Tentou chegar se para a esquerda , de_modo_a ficar em frente de o espelho sem que o Quirrell desse por isso , mas as cordas em volta de os tornozelos estavam demasiado apertadas , tropeçou e caiu . Quirrell ignorou o e continuou a falar sozinho . - O que fará o espelho ? Qual será o seu funcionamento ? Ajude me , mestre . E , para grande horror de Harry , uma voz respondeu . Uma voz que parecia vir de dentro de o próprio Quirrell . - Usa o rapaz ! Usa o rapaz ! Quirrell caiu sobre Harry . - Sim , Potter , anda cá ! Bateu palmas uma_vez e as cordas que o amarravam caíram por terra . Harry pôs se de pé . - Chega aqui ! - repetiu o Quirrell . - Olha para o espelho e diz me o que vês . Harry avançou para ele . - Tenho de mentir - pensou em desespero de causa . - Tenho de ver e mentir sobre o que vejo . Quirrell veio colocar se por detrás de ele . Harry sentiu aquele estranho cheiro que parecia vir de dentro de o turbante de o Quirrell . Fechou os olhos , colocou se em frente de o espelho e voltou a abri os . Viu se a princípio pálido e assustado mas , momentos depois , o reflexo sorriu lhe , meteu a mão a o bolso e retirou de lá uma pedra vermelho sangue . Piscou lhe o olho e meteu lhe a pedra em o bolso , e a o fazer aquilo Harry sentiu algo pesado cair lhe mesmo dentro de o bolso . De um modo que não sabia explicar , inacreditavelmente , ele tinha a pedra . - Então ? - perguntou o Quirrell , impacientemente . - O que vês ? Harry reuniu toda_a sua coragem . - Vejo me a apertar a mão a o Dumbledore - inventou . - Eu acabei de ganhar a taça para os Gryffindor . Quirrell voltou a praguejar . - Sai de a frente - disse . Quando Harry se mexeu sentiu a pedra filosofal roçar lhe em a perna . Deveria tomar alguma atitude ? Mas não tinha dado cinco passos quando uma voz alta falou através de o Quirrell , sem que este movesse os lábios . - Ele mente ... Ele mente ... - Potter , volta aqui ! - gritou o Quirrell . - Diz me a verdade . O que é_que viste ? A voz falou de_novo . - Deixa me falar com ele cara a cara ... - Mestre , o senhor não está com forças suficientes ! - Tenho força suficiente para isto ... Harry sentiu como_se a armadilha de o diabo estivesse a pregá o a o chão . Não conseguia mover um músculo . Petrificado , viu o Quirrell começar a desembrulhar o turbante . O que era aquilo ? O turbante caiu . A cabeça de o Quirrell parecia inesperadamente pequena sem ele . Então Quirrell voltou se lentamente de costas sem sair de o mesmo lugar . Harry teria gritado se pudesse mas foi incapaz de produzir um som . Em o lugar onde deveria estar a nuca de o Quirrell estava um rosto . O rosto mais pavoroso que ele alguma vez vira . Era branco como o giz , com olhos vermelhos brilhantes e fendas em o lugar de as narinas , como as cobras . - Harry_Potter - murmurou a coisa . Harry tentou recuar um passo mas as pernas não lhe obedeceram . - Vês em o que eu me tornei ? - disse a cara . - Uma mera sombra e vapor ... só tenho forma quando partilho o corpo de outra pessoa ... mas tem havido gente disposta a deixar me entrar em os seus corações e em a sua mente ... o sangue de unicórnio fortaleceu me durante as últimas semanas ... viste o meu fiel Quirrell bebê o por mim , em a floresta . E , logo_que tenha o elixir de a vida poderei criar um novo corpo . Portanto , dá me a pedra que tens em o bolso ! Então ele sabia . Subitamente Harry voltou a sentir as pernas e recuou , tropeçando . - Não sejas parvo -- , rosnou a cara . - É melhor salvares a vida e juntares te a mim . Ou vais acabar por ter o mesmo fim que os teus pais que morreram a pedir misericórdia ... - MENTIROSO ! - gritou Harry , em um repente . O Quirrell avançava de costas para ele para que Voldemort pudesse vê o bem . A cara cruel estava agora a sorrir . - Que comovedor ... - disse em um tom sibilante . - Sempre respeitei muito a coragem ... sim rapaz , o teu pai era corajoso . Matei o em primeiro lugar e ele defendeu se com bravura ... mas a tua mãe não precisava de ter morrido . Só morreu por tentar proteger te . Agora passa para cá a pedra , a_não_ser_que queiras que a morte de ela tenha sido em vão . - NUNCA ! Harry lançou se de um salto para a porta em chamas , mas Voldemort gritou - __ agarra o ! - e um segundo depois Harry sentiu a mão de o Quirrell apertando lhe o pulso . Em esse momento uma dor aguda como uma agulha ardeu em a cicatriz de o Harry , como_se a cabeça fosse partir se a o meio . Gritou com todas_as forças que lhe restavam e , para sua grande surpresa , viu que o Quirrell o largou . A dor de cabeça abrandou um_pouco . Olhou em volta impacientemente para tentar perceber onde o Quirrell tinha ido e viu o dobrado com dores , a olhar para os dedos que empolavam a olhos vistos . - __ agarra o ! __ agarra o ! - voltou Voldemort a gritar e Quirrell precipitou se para Harry , fazendo o cair a o chão , aterrando em cima de ele e lançando lhe ambas as mãos a a volta de o pescoço - a cicatriz de o Harry quase o cegava de dores mas ainda_assim conseguia ver o Quirrell gemendo em agonia . - Mestre , não consigo agarrá o - as minhas mãos , as minhas mãos ! E Quirrell , apesar_de ter o Harry imobilizado contra o chão com a força de os joelhos , largou lhe o pescoço e olhou horrorizado para as mãos . Harry via as perfeitamente , queimadas , vermelhas e reluzentes . - Então mata o , idiota , de uma_vez_por_todas - ordenou Voldemort . Quirrell levantou a mão para realizar um feitiço de morte , mas Harry instintivamente agarrou lhe a cara . - AAARGH ! Quirrell saiu de cima de ele com a cara em uma bolha e Harry percebeu que ele não podia tocar lhe sem sofrer dores horríveis - a sua única saída era agarrar o Quirrell e mantê o com tantas dores que o impedissem de realizar o feitiço . Harry pôs se de pé , agarrou o Quirrell por o braço e apertou o_máximo que pôde . Quirrell gritava e tentava desenvencilhar se de ele - a dor de cabeça de Harry aumentava de_novo - não conseguia ver nada , apenas ouvia as ordens de o Voldemort - __ mata o ! __ mata o ! - e outras vozes , provavelmente dentro de a sua própria cabeça , gritando - Harry ! Harry ! Sentiu o braço de o Quirrell afrouxar o aperto e soube que estava tudo perdido . Começou a cair ... a cair ... a cair em a escuridão . Algo dourado brilhava acima de ele . A * snitch * ! Tentou agarrá a mas o braço estava muito pesado . Piscou os olhos . Não era a * snitch * . Eram uns óculos . Que estranho . Piscou de_novo os olhos e viu o rosto sorridente de Albus_Dumbledore . Harry olhou para ele e só então se lembrou . - Professor , a pedra . Foi o Quirrell . Ele tem a pedra , professor , depressa ... - Acalma te , rapaz . Estás um_pouco atrás em o tempo - disse Dumbledore . - O Quirrell não tem a pedra . - Então quem a tem , professor ? - Harry , acalma te ou Madame_Pomfrey vai acabar por mandar me embora . Harry engoliu em seco e olhou em volta . Apercebeu se de que estava em a ala hospitalar deitado em uma cama com lençóis de linho branco e que a o seu lado estava uma mesa que parecia ter em cima metade de uma loja de doces . - Lembranças de os teus amigos e admiradores -- , disse Dumbledore a sorrir . - O que aconteceu lá em baixo em os calabouços entre ti e o professor Quirrell é segredo , por isso , naturalmente , toda_a escola já tomou conhecimento . Julgo que os teus amigos Fred e George_Weasley são responsáveis por terem tentado oferecer te um assento de sanita . Sem dúvida pensaram que te divertiria . Contudo , Madame_Pomfrey não considerou a oferta suficientemente higiénica e confiscou a . - Há quanto tempo estou aqui ? - Três dias . O Ronald_Weasley e a Hermione_Granger ficarão muito aliviados quando souberem que voltaste a ti . Têm estado extremamente preocupados . - Mas , professor , a pedra ... - Já percebi que não sais de a tua . Muito bem , falemos então de a pedra . O professor Quirrell não conseguiu tirar-ta . Eu cheguei que isso sucedesse , embora tenhas desenvencilhado muito bem sozinho , deixa que te diga . - O professor foi lá abaixo ? _ recebeu a coruja que a Hermione enviou ? - Devemos ter nos desencontrado em o ar . _ mal cheguei a Londres apercebi me de que o lugar onde devia estar era aquele de onde acabara de sair . Cheguei aqui mesmo a_tempo_de afastar o Quirrell de ti . - Era o senhor . - Receava chegar tarde de mais . - Quase chegou . Eu não conseguia defender a pedra durante muito mais tempo . - Não é de a pedra que estou a falar , é de ti . _ o esforço que despendeste quase te matou . Por um momento fiquei apavorado a pensar que tinhas morrido . _ quanto a a pedra foi pura e simplesmente destruída . - Destruída ? - disse Harry , desorientado . -- _ mas o seu amigo Nicolas_Flamel ... - Ah ! tu sabes de o Nicolas ? - disse Dumbledore com uma expressão deliciada . - Fizeste o trabalho em a perfeição , não há dúvida . Bem , eu e o Nicolas tivemos uma conversazinha e decidimos que era a melhor solução . - Mas isso significa que ele e a mulher acabarão por morrer ... Dumbledore sorriu perante o olhar de espanto em o rosto de Harry . - Para um jovenzinho de a tua idade pode parecer incrível mas , para Nicolas e Perenelle , é como ir para a cama depois de um dia muito longo e cansativo . Além de isso , para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . Sabes Harry , a pedra não era uma coisa tão boa como parecia à_primeira_vista . Toda_a vida e dinheiro que possa querer se ! ! ! As duas coisas que a maior parte de os seres_humanos escolheria acima_de tudo ... o problema é_que os seres_humanos têm tendência para escolher sempre o que é pior para eles . Harry ficou a olhá o , sem palavras . Dumbledore fez uma pausa e sorriu para o tecto . - Professor -- , disse Harry , - eu estive a pensar ... mesmo_que a pedra tenha desaparecido , Vol ... quer_dizer o « Quem nós sabemos » ... - Chama lhe Voldemort , Harry . Usa sempre o verdadeiro nome de as coisas . Recear um nome aumenta o medo que se tem de ele . - Sim , professor . Bem , o Voldemort vai com certeza tentar outras maneiras de voltar . Não vai ? Quero dizer , ele não desapareceu , pois não ? - Não , Harry . Não desapareceu . Ainda anda por aí , algures , provavelmente em busca de outro corpo para partilhar . Não estando verdadeiramente vivo não pode ser morto . Deixou o Quirrell morrer , o que prova que a sua falta de piedade é igual tanto em relação a os inimigos como a os amigos . Ainda_assim , Harry , apesar_de teres conseguido apenas retardar o seu regresso a o poder , basta que exista alguém preparado para voltar a fazer lhe frente em aquilo que só aparentemente é uma guerra perdida , porque se ele for sendo afastado , uma e outra_vez , pode ser que nunca mais volte a o poder . Harry acenou com a cabeça mas parou rapidamente porque lhe doeu . Disse : -- Professor , eu gostaria de saber a verdade sobre algumas coisas . - A verdade - suspirou Dumbledore - é bela e terrível e deverá por isso ser tratada com grande cuidado . Contudo , vou responder a as tuas perguntas . A não ser , claro , que tenha um bom motivo para não o fazer e , em esse caso , peço te que me desculpes mas , como é natural , não mentirei ; - Bem , o Voldemort disse que só matou a minha mãe porque ela tentou impedi o de me matar . Mas , porque quereria ele matar me a mim ? Dumbledore suspirou bem fundo . - Ai ! _ a a primeira pergunta que me fazes não posso responder . Nem hoje nem agora . Saberás um dia ... esquece isso para já , Harry , quando fores mais velho ... sei que detestas esta frase ... quando estiveres preparado , saberás . E Harry percebeu que não valia a pena insistir . - Mas porque não podia o Quirrell tocar me ? - A tua mãe morreu para te salvar . Se há alguma coisa que Voldemort não consegue entender é o amor . Ele não compreendeu que um amor tão poderoso como o que a tua mãe tinha por ti deixa a sua própria marca . Não uma cicatriz , não um sinal visível . Ter sido amado com uma tal profundidade , mesmo_que a pessoa que nos amou tenha partido , dará nos protecção durante a vida inteira . Está em a tua pele . Por isso o Quirrell , cheio de ódio , avidez e ambição , partilhando a alma com o Voldemort não podia tocar te . Era insuportável tocar em alguém marcado por algo tão sublime . Dumbledore parecia agora muito interessado em um pássaro fora de o parapeito de a janela , o que deu tempo a Harry para limpar os olhos a o lençol . Quando recuperou a voz , disse : - E o manto de a invisibilidade ? Sabe quem me o terá mandado ? - Ah ! O teu pai deixou o , por acaso , a a minha guarda . Pensei que gostarias certamente de ficar com ele . - Os olhos de Dumbledore brilharam . -- Coisas úteis ... o teu pai usou o muitas_vezes para ir buscar comida a as cozinhas ... - E ainda há outra coisa ... - Dispara ! - O Quirrell disse que o Snape ... - Professor_Snape , Harry . - Sim , ele . O Quirrell disse que ele me detesta porque detestava o meu pai . É verdade ? - Bem , de certo modo detestavam se mutuamente . Um_pouco como tu e o Malfoy . Até que um dia o teu pai fez algo que o Snape nunca lhe perdoou . - O quê ? - Salvou lhe a vida . - Como ? - Sim -- , disse Dumbledore com ar sonhador . - É estranho como a mente de as pessoas funciona , não é ? O professor Snape não suportava estar em dívida para com o teu pai . Penso que ele se esforçou tanto este ano para te proteger porque sentiu que desse modo saldaria a dívida e ficariam quites . A_partir_de então poderia voltar a detestar em paz a memória de o teu pai . Harry tentou compreender mas sentiu que aquele raciocínio lhe dava um nó em a cabeça . Por isso desistiu . - E , professor , há mais uma coisa ! - Só uma ? - Como é_que a pedra passou de o espelho para mim ? - Ah ! ainda_bem que fazes a pergunta . Essa foi uma de as minhas ideias mais brilhantes . E , aqui entre nós , não têm sido poucas . Vê bem , só alguém que desejasse encontrar a pedra , encontrá a mas não utilizá a , poderia consegui a . Caso contrário , veriam se a fabricar ouro ou a beber o elixir de a vida . A capacidade de o meu cérebro , às_vezes , até a mim me surpreende ! Agora chega de perguntas . Sugiro que comeces a provar alguns de estes bolos . Ah ! os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott ! Eu tive a infelicidade , em a minha juventude , de provar um com sabor a vomitado e desde_então perdi toda_a atracção por eles , mas julgo que não há perigo em um caramelo de manteiga ... Sorriu e meteu em a boca um feijão castanho-dourado . A seguir estremeceu e disse : - Ai ! Cerume ! Madame_Pomfrey , a directora de a Ala hospitalar , era uma mulher simpática mas muito severa . - Só cinco minutos -- , suplicou Harry . - De modo algum . - Deixou o professor Dumbledore entrar ... - Claro . É o director de a escola . Não achas que há diferença ? Tu precisas de repousar . - Eu estou a descansar , veja , deitado e tudo . Vá lá Madame_Pomfrey ... - Bem , está bem , mas só cinco minutos . E mandou entrar Ron e Hermione . - Harry ! Hermione preparava se para lhe lançar de_novo os braços a o pescoço , mas Harry ficou aliviado por ela se ter dominado pois tinha ainda a cabeça muito dorida . - Oh ! Harry , pensamos que tu ias ... o Dumbledore estava tão preocupado ... - Toda_a escola fala de ti -- , disse o Ron . -- _ o que é_que aconteceu , afinal ? Era uma de as raras ocasiões que a história verdadeira era ainda mais estranha e excitante do_que os boatos . Harry contou lhes tudo : Quirrell , o espelho , a pedra e Voldemort . Ron e Hermione eram uma audiência imbatível . Entusiasmavam se sempre em os momentos certos . Quando Harry lhes contou o que estava debaixo de o turbante de o Quirrell , Hermione deu um grito agudo . - Então a pedra já não existe ? - disse por fim o Ron . - O Flamel vai morrer ? - Foi o que eu disse mas o Dumbledore pensa que , como é ? Para uma mente bem organizada , a morte é apenas a próxima grande aventura . - Eu sempre disse que ele não batia bem de a bola - afirmou o Ron , parecendo bastante espantado com o nível de loucura de o seu herói . - E vocês os dois . O que vos aconteceu ? - perguntou Harry . - Bem , eu voltei - disse Hermione . - Trouxe_o_Ron comigo , o que demorou um bocado e estávamos a chegar a o ninho de as corujas para entrar em contacto com o Dumbledore , quando o avistámos a entrar em o vestíbulo . Ele já sabia . Limitou se a dizer : « O Harry foi atrás de ele , não foi ? » e partiu como uma flecha para o terceiro andar . - Achas que ele queria que tu fizesses aquilo ? - perguntou o Ron , - mandando te o manto de o teu pai e tudo o resto ? - Bem -- , explodiu Hermione , - se assim foi , foi terrível , porque podias ter morrido . - Não , não é terrível - disse o Harry , pensativo . - Dumbledore é um homem estranho . Acho que queria , de certo modo , dar me uma oportunidade . Ele sabe mais_ou_menos tudo_o_que se passa em a escola . Quanto_a mim , ele calculava que íamos tentar e , em_vez_de nos deter , ensinou nos o suficiente para podermos tornar nos úteis . Julgo que não foi por acaso que me deixou descobrir como funcionava o espelho de os invisíveis . Foi como_se achasse que eu tinha o direito de enfrentar o Voldemort se assim o desejasse . -- Sim , o Dumbledore tem aquela fachada mas é sensacional -- , disse o Ron orgulhoso . - Ouve , tu tens de estar fora de aqui para a festa de final de o ano lectivo , amanhã . Os Slytherin têm os pontos todos e estão a ganhar ; não foste a o último jogo de Quidditch ; sem ti , fomos cilindrados por os Ravenclaw ; além de isso , a comida vai ser óptima . Em esse momento , Madame_Pomfrey entrou . - Vocês estiveram a conversar durante quase quinze minutos . Agora RUA ! - disse com toda_a firmeza . Depois de uma noite bem dormida , Harry sentia se quase novo . - Quero ir a a festa - disse a Madame_Pomfrev quando ela punha em ordem as suas várias caixas de doces . - Posso ir , não posso ? - O professor Dumbledore disse me que te desse alta para ires a a festa -- , afirmou displicentemente como_se , em a sua opinião , o professor Dumbledore não tivesse consciência de a gravidade de a situação . - E tens outra visita . - _ óptimo . Quem é ? Hagrid entrou timidamente por a porta , mal ele falou . Como sempre , quando estava dentro_de casa , parecia maior do_que o normal . Sentou se junto de Harry , olhou para ele e desfez se em lágrimas . - _ é tudo culpa minha ! - soluçou com o rosto entre as mãos . - Eu diss'ó feiticeiro mau como passar p'lo Fluffy . Eu disse . Era a única coisa qu'ele não sabia e eu disse lhe . Tu podias ter morrido . Tudo por um ovo de dragão . Nunca mais beb'em tod'a minha vida . Eu devia ser expulso e mandado viver com'um Muggle ! - Hagrid ! - disse Harry , chocado a o vê o a tremer de culpa e remorsos , com enormes lágrimas a rolarem lhe por a cara e perdendo se em o emaranhado de a barba . - Hagrid , ele teria descoberto de outro modo . É de o Voldemort que estamos a fala . Ele descobriria mesmo_que tu não lhe tivesses contado . - Tu podias ter morrido ! - soluçou Hagrid . - E não digas o nome . - VOLDEMORT ! - bramiu Harry e Hagrid ficou tão assustado que parou de chorar . : - Eu falei com ele e digo o nome de ele . Por favor , anima te , Hagrid , salvámos a pedra . Já não existe e ele não pode utilizá a . Come um sapo de chocolate , tenho aqui imensos ... Hagrid limpou o nariz com as costas de a mão e disse : - Já me esquecia , trouxe te um presente . - Não é uma sandes de doninha , espero ! - disse Harry ansioso e , por fim , lá conseguiu que o Hagrid de esse um risinho abafado . - Nah ! o Dumbledore deu me folga , ontem , p'ra eu poder consertá o . É claro que , em vez de isso , devia era ter me despedido , de qualquer modo aqui está ! Parecia um bonito livro encadernado . Harry abriu o dominado por a curiosidade . Estava cheio de fotografias de feiticeiros . E a sorrirem e a acenarem lhe em todas_as páginas estavam a sua mãe e o seu pai . - Enviei corujas p'ra todos os antigos amigos de os teus pais a pedir lhes fotografias ... sabia que tu não tinhas nenhumas ... Gostas ? Harry não conseguia falar mas Hagrid compreendeu . Harry desceu para a festa de o final de ano lectivo sozinho . Tinha sido retido por a preocupação de Madame_Pomfrey que insistira em observá o de_novo , por isso , quando chegou , o salão principal já estava cheio . Decoravam o as cores de os Slytherin - verde e prateado -- , para comemorar a vitória de a Taça por o sétimo ano consecutivo . Uma enorme bandeira que exibia a serpente de os Slytherin cobria toda_a parede por detrás de a mesa principal . Quando Harry entrou houve um momento de silêncio e em seguida começaram todos a falar muito alto e ao_mesmo_tempo . Ele sentou se em a mesa de os Gryffindor , entre o Ron e a Hermione , e tentou ignorar as pessoas que se tinham levantado para o observar melhor . Felizmente , Dumbledore chegou e a confusão cessou imediatamente . - Mais um ano que passou ! - disse Dumbledore , alegremente . - E tenho de vos incomodar com o discurso de um velho , antes de poderem ferrar o dente em este banquete delicioso . Que ano que foi este ! Espero cque as vossas cabeças estejam um_pouco mais cheias do_que em o princípio ... tem todo o Verão a a vossa frente para as manter satisfeitas e vazias antes de o inicio de o próximo ano ... -- Agora , segundo creio , a Taça de a equipa precisa de ser entregue e a situação em_relação_a pontos é a seguinte : Em quarto lugar estão os Gryffindor com trezentos_e_vinte pontos , em terceiro os Hufflepuff com trezentos_e_cinquenta_e_dois , os Ravenclaw têm quatrocentos_e_vinte seis e os Slytherin , quatrocentos_e_setenta_e_dois . Uma tempestade de aplausos e vivas estoirou em a mesa de os Slytherin . Harry viu Draco_Malfoy bater com uma caneca de metal em a mesa . Era nojento . - Sim senhor , muito bem , Slytherin - disse Dumbledore . - Contudo , sou obrigado a levar em conta alguns acontecimentos recentes . O salão ficou em grande silêncio . Os sorrisos de os Slytherin apagaram se um_pouco . - Ahem ! - disse Dumbledore . - Tenho mais alguns pontos para conceder . Vejamos ... - Primeiro , a Ronald_Weasley ... O Ron corou até a a raiz de os cabelos e ficou vermelho como um pimentão . - ... Por o jogo de xadrez levado a cabo com mais inteligência desde_há muitos anos em Hogwarts , concedo a os Gryffindor cinquenta pontos . Os aplausos de os Gryffindor quase tocaram o céu virtual . As estrelas , lá em cima , pareciam estremecer . Ouviu se a voz de o Percy a dizer a os outros chefes de departamento : - É o meu irmão . O meu irmão mais novo . Venceu o jogo de xadrez gigante de a Mc_Gonagall ! - Segundo , a Hermione_Granger , por o uso de a lógica fria entre dois fogos , concedo a a equipa de os Gryffindor cinquenta pontos . Hermione enterrou a cabeça em os braços . Harry teve sérias suspeitas de que ela se lavara em lágrimas . Os Gryffindor não cabiam em si de contentes . Estavam com cem pontos a mais . - Terceiro , a Harry_Potter - disse Dumbledore . A sala ficou em um silêncio sepulcral . - Por verdadeira fibra e inultrapassável coragem , concedo a os Gryffindor sessenta pontos . A algazarra foi ensurdecedora . Os que conseguiam fazer as contas rapidamente , enquanto gritavam , sabiam que os Gryffindor tinham agora quatrocentos_e_setenta_e_dois pontos - exactamente o mesmo_que os Slytherin . Tinham empatado em a Taça de a equipa ; se ao_menos o Dumbledore tivesse dado a o Harry mais um ponto que fosse . Dumbledore levantou a mão . A sala foi se acalmando progressivamente . - Existem muitos tipos de coragem - disse Dumbledore a sorrir . - É necessária muita fibra para enfrentar os nossos inimigos , mas não é preciso menos para fazermos frente a os nossos amigos . Por isso , concedo dez pontos a o Neville_Longbottom . Quem estivesse fora de o grande salão pensaria , sem dúvida , que uma bomba acabara de rebentar , tão ensurdecedor era o barulho que emergiu de a mesa de os Gryffindor . Harry , Ron e Hermione puseram se de pé a aplaudir . Enquanto isso o Neville , com o choque , desaparecera debaixo_de um monte de pessoas que não paravam de o abraçar . Nunca antes de aquele dia tinha ganho um único ponto para os Gryffindor . Harry , ainda a aplaudir , deu uma palmada em as costas de o Ron e apontou para o Malfoy , que estava tão rígido e horrorizado que parecia que lhe tinham feito o feitiço de a * _ Ligadura total de o corpo * . - O que significa - continuou Dumbledore , sobrepondo a voz a a maré de aplausos , pois até os Hufilepuff estavam felizes com a queda de os Slytherin , - que precisamos de uma mudançazinha de decoração . Bateu palmas e , em um instante , em os estandartes , o verde tornou se vermelho-escarlate e o prateado transformou se em ouro . A enorme serpente desapareceu e um gigantesco leão tomou o seu lugar . Snape apertava a mão de a professora Mc_Gonagall com um sorriso incrivelmente forçado . O seu olhar cruzou se com o de Harry e este soube de imediato que os sentimentos de o professor em_relação_a ele não tinham mudado um milímetro , o que não lhe causou a menor preocupação . Parecia que a vida tinha voltado a a normalidade e que o próximo ano seria tão normal quanto possível em Hogwarts . Era a noite mais feliz de a vida de o Harry . Melhor do_que quando ganhara o jogo de o Quidditch , melhor do_que a noite de Natal ou do_que o ter vencido o gigante de a montanha ... nunca , nunca mais esqueceria aquela noite . O que Harry tinha esquecido com tudo aquilo era que os resultados de os exames estavam ainda para vir . E vieram mesmo . Para grande surpresa de ambos , tanto ele como Ron passaram com boas notas . Hermione , claro , foi número um . Até o Neville se safou . A sua boa nota em herbologia compensou a péssima nota que tivera em poções . Todos eles acalentavam a vaga esperança de que o Goyle , que era quase tão estúpido como mau , fosse posto fora , mas ele também passou . Foi pena mas , como disse o Ron , « Não se pode ter tudo em a vida . » E , de um momento para o outro , todos os guarda-fatos ficaram vazios , todas_as malas feitas , o sapo de o Neville foi encontrado a um canto de uma de as casas_de_banho , foram entregues a todos os alunos documentos , avisando os de que não era permitido usar magia em as férias ( « Estou sempre a a espera que se esqueçam de nos entregar este papel » , disse o Fred_Weasley , desconsolado ) , Hagrid esperava os para os conduzir a o pequeno cais de os barcos que atravessavam o lago para depois tomarem o * _ Hogwarts_Express * , onde poderiam rir e conversar enquanto os campos se iam tornando mais verdejantes e bem tratados , comendo os feijões de todos os sabores de a Bertie_Bott , à_medida_que se aproximavam de as cidades de os Muggles , e trocando as suas vestes de feiticeiros por os casacos e sobretudos para saírem de a plataforma nove_e_três quartos em direcção a King's_Cross . Demorou algum tempo até se reunirem todos em a plataforma . Um velho guarda encarquilhado estava junto de a barreira de os bilhetes , dando lhes passagem para a cancela , a dois_e_três de cada_vez , para não chamarem a atenção nem assustarem os Muggles como sucederia se saíssem todos , ao_mesmo_tempo , de dentro_de uma parede sólida . - Tens de vir passar uns dias connosco este Verão -- , disse o Ron . - Vocês os dois - eu mando vos uma coruja . - Obrigado - disse o Harry . - Preciso de ter algum objectivo agradável em que pensar . As pessoas empurravam nos enquanto eles avançavam para a cancela de o mundo de os Muggles . Algumas gritavam . - Adeus , Harry ! - Até a a vista , Potter ! - Sempre famoso -- , disse o Ron a sorrir . - Não em o lugar para_onde vou , posso garantir te - respondeu lhe o Harry . Ele , o Ron e a Hermione passaram juntos cá para fora . - Lá está ele , mãe , lá está ele , olha ! Era_Ginny_Weasley , a irmã mais nova de o Ron , mas não era para o irmão que ela apontava . - Harry_Potter - gritou ela . - Olha , mãe , estou a vê o ! - Está quieta , Ginny , é má educação apontar com o dedo . A senhora Weasley sorriu lhes . - Um ano difícil ? - perguntou . - Muito - disse o Harry . - Obrigado por os bombons e por a camisola , senhora Weasley . - Oh ! isso não foi nada , filho . - Estás pronto , ou não ? Era o tio Vernon com o mesmo rosto congestionado , o mesmo bigode , o mesmo ar maldisposto perante a lata de o Harry de lhe aparecer com aquela coruja dentro de a gaiola em uma estação cheia de gente normal . Atrás de ele estavam a tia Petúnia e o Dudley que olhava horrorizado para o primo . - Devem ser os familiares de o Harry - disse a senhora Weasley . - De certo modo - respondeu o tio Vernon . - Despacha te , rapaz , não temos todo o dia para estar aqui - e afastou se . Harry voltou atrás para se despedir de o Ron e de a Hermione . - Vejo vos durante o Verão , espero ! - Er ... umas boas férias - disse Hermione , olhando com sérias dúvidas para o tio Vernon , chocada por ter conhecido um sujeito tão antipático . - Oh ! vou ter sim ! - e ambos ficaram surpreendidos com o sorriso que se lhe espelhou em o rosto . - Eles não sabem que eu estou impedido de usar magia lá em casa . Algo me diz que vou divertir me bastante a a custa de o Dudley este Verão ...